Yesod – Bem-vindo ao Deserto do Real

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Publicado no S&H dia 4/jun/2008,

Continuando nossa série sobre desmistificação de demônios, diabos, encostos e afins, precisamos neste momento ao mesmo tempo fazer uma parada e estabelecer uma conexão com a kabbalah. Sem explicar o que é o chamado “Plano Astral”, será muito difícil entrar em detalhes sobre como exatamente funciona a mecânica por trás dos Anjos, Demônios, Devas, Asuras, Elementais, Exus, Anjos Enochianos, Fantasmas e Gênios.
Da mesma maneira, estava devendo para vocês uma explicação gnóstica sobre o filme Matrix, então este período do tempo-espaço em relação à coluna me parece o ponto exato para comentar três coisas aparentemente distintas, mas ao mesmo tempo intrinsecamente conectadas: Yesod, o Plano Astral e Matrix.

Tome a pílula vermelha e siga o tio Marcelo para descobrir o quão funda é a Caverna de Platão.

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Yesod
Para os que fizeram os exercícios do Sefira ha Omer já deve estar bastante clara qual é a função de Yesod dentro das emanações divinas. Yesod se situa abaixo de Tiferet e entre Netzach e Hod. É chamada de “Fundamento” ou “Fundação” e funciona como um reservatório onde todas as inteligências emanam seus atributos, que são misturados, equilibrados e preparados para a revelação material. É compilação das oito emanações e forma o Plano dos Pensamentos, Plano Astral, ou a Base da Realidade.
Malkuth é o plano físico puro, chamado de Plano Material, que nossos sentidos objetivos podem ver, ouvir, cheirar, tocar e provar, mas incapaz de perceber qualquer tipo de consciência além disto. Malkuth é o mundo criado das ilusões para nos manter em torpor ou, fazendo nossa comparação, Malkuth é a Matrix.

Em Malkuth vivem os adormecidos. Pessoas que acordam, tomam café, vão para suas baias em seus trabalhos, trabalham, almoçam, trabalham, vão para casa, jantam, assistem novela, assistem futebol, dormem e no dia seguinte acordam de novo… fazem isso durante a vida toda, aposentam-se e morrem, sem nunca terem realmente vivido. Suas almas estão presas em casulos sem imaginação, sugadas pelo sistema que mantém a ilusão funcionando, tal qual é retratado simbolicamente no filme.

Yesod representa os bastidores da realidade. O mundo real na qual são programados os acontecimentos que surgirão no mundo ilusório. Para fazer uma analogia, imaginemos que Malkuth seja um prédio comercial. Yesod será, então, toda a fundação: canos, fios, dutos de ar, fosso do elevador, esgotos, toda a parte elétrica e hidráulica que faz o prédio funcionar. Quando se aperta um interruptor na parede, a luz da sala acende. Os ignorantes chamam isso de “coincidência”, mas qualquer pessoa que tenha um conhecimento maior de ciência sabe que, por trás daquele interruptor correm fios elétricos escondidos na Fundação e que, quando se aperta um botão neste interruptor, uma série de conexões simples são acionadas, fazendo com que a eletricidade chegue até a lâmpada, acendendo-a.
Magia é compreender como os condutores de energia da realidade material funcionam e apertar os botões certos para que as lâmpadas certas se iluminem.

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Yesod representa a Intuição; o sexto sentido; o despertar. Infelizmente, assim como Morpheus diz a Neo no começo do filme, ninguém vai conseguir explicar para você o que é o Plano Astral. Você precisa ter esta experiência sozinho para compreender. E a maioria das pessoas passa sua vida toda como gado, inconscientes da realidade ao seu redor, como baterias inertes de um sistema controlado por egrégoras que mantém as pessoas ocupadas demais rezando para deuses externos, com medo de falsos diabos e trabalhando como escravas para mantê-las no poder. As famosas “otoridades”. No filme, são representadas pelos Agentes da Matrix.

Uma das melhores cenas do filme ocorre logo no começo, quando Thomas (Tomé, escritor do principal livro apócrifo) Anderson (Andras [homem]+Son [filho], ou seja, “Filho do Homem”, em uma analogia a Jesus/Yeshua) está dormindo diante da tela e aparece o texto “Acorde, Neo”. Esta cena resume a fagulha que vai despertar dentro de cada um de nós em direção ao Cristo; a Princesa dos contos de fada; a espada presa dentro da pedra, a Branca de Neve adormecida em um caixão de vidro.
Minutos após despertar, um hacker diz a ele “você é meu salvador… meu Jesus Cristo”. Simbolicamente, isto representa que mesmo esta pequena fagulha de controle sobre a realidade é suficiente para despertar seguidores, de tão perdidas que as pessoas estão.
As referências ao caminho do Sábio na Kabbalah continuam: quando Neo chega a nave (que tem o Nome de Nabucodonosor, o rei da Babilônia que no Livro de Daniel teve um enigmático sonho que precisa ser interpretado) cujo número de série é “MARK III NR. 11” (Marcos, Capítulo 3, versículo 11: “E os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus”). Neo passa pela morte e ressurreição e finalmente, no final do filme, chega a Tiferet, “o escolhido”.

Para os gnósticos, o Deus Supremo (Keter) é totalmente perfeito, e, por isso, estranho e misterioso, “inefável”, “inalcançável”, “imensurável luz, pura, santa e imaculada”(Apócrifo de João). Para este Deus existem outros seres menos divinos no Pleroma (similar ao Paraíso, uma divisão desse universo que não é a Terra), que é dotado de um sexo metafórico masculino (Hochma) ou feminino (Binah).
Pares desses seres são capazes de produzir descendência, que são, eles mesmos, emanações divinas perfeitas em si mesmas (a analogia no filme é a criação de múltiplas matrix pelos computadores). O problema surge quando um EON ou Ser chamado SOPHIA (Sabedoria em grego, representado no filme pela Oráculo), uma mulher, decide “levar adiante sua semelhança sem o consentimento do Espírito” – que gera uma descendência sem sua consorte (Apócrifo de João).

A antiga visão era a de que as mulheres oferecem a matéria na reprodução, e os homens, a forma. Por isso, o ato de Sophia produz uma descendência que é imperfeita ou até mesmo mal formada, e ela a afasta dos outros seres divinos do Pleroma, levando-a para outra região isolada do cosmos. Essas deformadas e ignorantes deidades, as vezes denominadas DEMIURGOS (o Arquiteto, no filme), que equivocadamente acreditam ser o único Deus.

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Os gnósticos identificam o Demiurgo como o Deus Criador psicopata do Antigo Testamento, o qual decide criar os Arcontes (Anjos), o mundo material (Malkuth/Terra) e os seres humanos. Embora as tradições variem, o Demiurgo normalmente é enganado dentro do alento divino ou espírito de sua mãe Sophia que antigamente vivia nele, dentro do ser humano (especialmente Apócrifo de João, ecos do Gênese 2-3).
Para os gnósticos, somos pérolas no lodo, espíritos divinos (bom) aprisionados num corpo material (mau) e num mundo material (mau). O Paraíso é nosso verdadeiro lar, mas estamos exilados do Pleroma.
Felizmente, para o Gnóstico a salvação está disponível na forma de Gnose ou Conhecimento, dado pelo Redentor Gnóstico, que é o Cristo, a figura enviado pelo Altíssimo para libertar a espécie humana do Demiurgo, tal qual Neo é o “escolhido” para libertar as pessoas do jugo do Arquiteto.

Quando Neo é desconectado e desperta pela primeira vez em Nabucodonosor, em meio a um brilhante espaço branco iluminado (linguagem cinematográfica para indicar o despertar), seus olhos ardem, conforme explica Morpheus, porque ele nunca os havia usado antes. Tudo que Neo havia visto até aquele ponto o foi através do olho da mente, como num sonho, criado através de um software de simulação. Tal como um antigo Gnóstico, Morpheus explica que a respiração (prana, chi-kung, tai-chi, reiki) conduz Neo pelo programa de treinamento de artes marciais e que não há nada a fazer com seu corpo, a velocidade ou sua força, os quais são todos ilusórios. Mais ainda, eles dependem unicamente de sua mente, que é real.

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Ainda outro paralelo com o Gnosticismo, ocorre na figura dos Agentes, como o Agente Smith e seu opositor, o equivalente gnóstico de Neo e todos os demais que tentam sair de MATRIX. A IA criou esses programas artificiais para funcionarem como “porteiros” – os Guardas das portas – que possuem todas as chaves. “Esses Agentes são parentes dos ciumentos Arcontes criados pelo Demiurgo para bloquearem a ascensão do Gnóstico quando tentam deixar o mundo material. Eles defendem as portas em sucessivos níveis ao paraíso (e.g. Apocalipse de Paulo, Divina Comédia de Dante, textos Babilônicos narrando os sete infernos, a estrela setenária dos alquimistas e assim por diante).

Sobre a questão do Samsara, até mesmo o título do filme evoca a visão budista de mundo. MATRIX é descrita por Morpheus como “uma prisão para a mente”. É uma “construção” dependente feita de projeções digitais interconectadas de bilhões de seres humanos (egrégoras) que desconhecem a natureza ilusória da realidade na qual vivem, e são completamente dependentes do “hardware” implantado em seus corpos reais e dos programas (softwares/mapas astrais) elaborados (para fazer a máquina funcionar), criados pelo Demiurgo. Essa “construção” é parecida com a idéia budista do SAMSARA, a qual ensina que o mundo, no qual vivemos nossas vidas diárias, é feito unicamente de percepções sensoriais formuladas por nossos próprios desejos.
O problema, então, pode ser examinado em termos budistas. Os humanos são aprisionados no ciclo da ilusão (Maya), e sua ignorância acerca do ciclo os mantém atados a ele, totalmente dependentes de suas próprias interações com o programa e com as ilusões da experiência sensorial que ele provê, bem como das projeções sensoriais dos demais. Essas projeções são consolidadas pelos enormes desejos humanos de acreditarem que o que eles percebem como real é real de fato (para eles). É o mundo dos materialistas, ateus e céticos.
Este desejo é tão forte que derruba Cypher, que não pode mais tolerar o “deserto do real”, e procura uma maneira de ser reinserido na Matrix. Tal como combina com o Agente Smith num restaurante fino, fumando um charuto com um copo grande de brandy, Cypher diz: “Eu sei que este bife não existe; eu sei que quando eu o levo a minha boca Matrix está dizendo ao meu cérebro que ele é suculento e delicioso. Depois de 9 anos você sabe o que está mais claro para mim? Que a ignorância é a felicidade!” (Ignorance is Bliss).
A contrapartida é a vida monástica dentro da nave: comem uma gororoba vegetariana, vestem-se com trapos, não possuem bens materiais e treinam um kung fu que beira o sobrenatural. Possuem a humildade de quem já se despojou dos bens materiais, tal qual os monges do monastério de Shaolin.
Em determinada parte do filme, Morpheus diz a Neo, “há uma diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho”. E como Buda ensinou aos seus seguidores, “vocês, por vocês mesmos, devem fazer o esforço; só os Despertos são Mestres”.
Para quem já está no Caminho da Iluminação, Morpheus é somente um Guia. Em última instância, Neo precisará reconhecer a Verdade por ele mesmo.

Reinos Subterrâneos
Na Antiguidade, o estado de consciência de Yesod era representado por Hades, o Reino Subterrâneo. Como tal, podia ser acessado apenas pelos seres chamados Psychopompos (“Condutores das Almas”), que eram apenas cinco: Hermes, Hecate, Caronte, Morpheus e Thanatos. Cada um deles descreve exatamente os estados de consciência que habitam o Plano Astral.

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Comecemos por Morpheus, o senhor dos sonhos e o nome do Personagem de Lawrence Fishburn como condutor de Neo (que representa nossa consciência crística que deve ser trabalhada até nos tornarmos “o Escolhido”). Morpheus é o senhor dos sonhos, indicando que uma das maneiras de acessarmos o Plano Astral é durante o sono, quando conseguimos atingir os estados de ondas teta e alfa, necessários para atingirmos a chamada superconsciência (ou meditação profunda, ou transe, dependendo para quem você pergunta). Anote ai no seu caderno: Sonhos.

A segunda Psychopompos é chamada de Hecate, deusa dos Templos Lunares. Ela representa os aspectos da consciência atingidos através do Ajna Chakra (o sexto chakra). Hecate representa as danças sagradas, o sexo mágico, o tantra, o despertar da kundalini, os oráculos (tarot, runas…) e todos os Templos que lidam com a energia lunar/feminina dentro da magia. Hecate também é conhecida como a “Deusa Tríplice” (Trinity).
Anote ai no seu caderno: Oráculos e Magia Sexual.

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O terceiro deus condutor de almas é Caronte. Caronte é o barqueiro que conduz os viajantes até os Reinos de Hades. A lenda de Caronte deriva das histórias do Barco de Ísis e das antigas iniciações egípcias onde os sacerdotes e iniciados eram colocados em transe nas pirâmides e tinham sua alma liberta do corpo para que vissem a si mesmos deitados aos pés dos outros sacerdotes e tomassem consciência de que eram espíritos habitando temporariamente um corpo físico. Quando fazemos Viagens Astrais induzidas, a sensação de se desligar do corpo no momento em que saímos do Plano Material é muito semelhante ao deslizar que sentimos quando estamos dentro de um barco. Desta maneira, Caronte representa as Viagens Astrais Conscientes. Tanto a lenda de Orfeu quanto a de Hércules (e também Dionísio, Psique e Enéias) representam iniciados em cultos Dionísicos e o despertar da consciência. Os Barcos Espirituais (tanto de Caronte quanto de Ísis) estão representados na forma dos Hovercrafts. Anote no caderno: Viagens Astrais Conscientes.

Hermes representa o Templo Solar, a magia atuando sobre a Luz Astral. Hermes representa o mensageiro dos Deuses, aquele que domina o caduceu (kundalini) e trabalha com a imaginação de maneira racional. Ele representa os grandes magos e conjuradores, os grimórios que lidam com a conjuração de espíritos, o contato consciente entre os que estão no Plano Material e os que estão no Plano Astral. Assim como Salomão, Eliphas Levi e Crowley, Hermes representa todos os iniciados e médiuns capazes de estabelecer contatos entre o Plano Material e o Plano Espiritual.
Como veremos na próxima coluna, o Caduceu e os Chakras representam a porta de entrada e o controle sobre as energias que atuam sobre Yesod e o Plano Astral. Hermes aparece no filme Matrix na forma de “Mercúrio”, como o espelho que engloba Neo e o guia através da jornada que fará o despertar final.
Anote no seu caderno: Mediunidade, Imaginação e Vontade atuando sobre a Luz Astral.

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Por fim, temos Thanatos, deus da morte. Irmão de Hypnos (o sono), Thanatos representava a morte e os espíritos dos mortos, que eram transportados por ele até o Reino Subterrâneo. O Reino dos Mortos. Thanatos está representado na máquina que descarta Neo nos esgotos assim que ele desperta e Thanatos o reconhece como não pertencente àquele local. Anote ai como o quinto item: Espíritos dos Mortos.

A partir destas alegorias, podemos compreender que o Plano Astral é habitado por diversas criaturas, objetos, egrégoras, seres e entidades que possuem uma complexa e intrincada estrutura de organização, a partir das quais explicaremos todas as lendas, contos e bases de muitas religiões e filosofias espiritualistas.

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Homens e Espíritos
Começaremos nossa jornada da comunicação entre homens e espíritos pelo Xamanismo. Há mais de 40.000 anos as tribos mais antigas conseguiam entrar em contato com o Mundo Astral de diversas maneiras. Seus sacerdotes comunicavam-se com os espíritos dos antepassados em busca de conselhos e indicações enquanto dormiam ou durante rituais envolvendo ervas capazes de alterar o estado de consciência dos participantes no ritual. Os xamãs também eram capazes de entrar em contato com o Reino Espiritual através de oráculos e rituais de conjuração de seres que eles chamam de Elementais.
Nas religiões Aborígenes (Austrália) e Tribais (Africanas), os nativos possuem o mesmo nome para designar o “Reino dos Sonhos” e o “Reino dos Mortos”. Nestas religiões, os deuses e os espíritos iluminados conseguem se comunicar com os sacerdotes através da mediunidade deles (fazendo conexões entre seu corpo astral e os chakras dos médiuns, os espíritos conseguem agir através do corpo de um médium). Além dos espíritos, outras entidades astrais (chamadas de Devas pelos hindus, Orixás pelos africanos e Elementais pelos celtas) também são capazes de incorporar um médium capaz de recebê-los.
Na Babilônia, os cultos a Astarte envolviam danças sagradas, sexo sagrado e contato com os mortos através dos oráculos.
Entre os hindus, o tantra fazia a ponte entre o despertar da kundalini e a iluminação do ser humano através do sexo sagrado. Com a abertura e desenvolvimento dos chakras, os praticantes tornavam-se canais poderosos de conexão com o cósmico, despertando habilidades consideradas sobrehumanas.
Os Egípcios conheciam como ninguém os desdobramentos astrais, potencialidades dos chakras, telepatia e diversas outras habilidades que são preservadas até os dias de hoje dentro das Ordens Iniciáticas como a Rosacruz, Templários e Maçonaria.
Entre os gregos, as sacerdotisas de Hecate também eram conhecidas pelo nome de Ptionísia ou Oráculo (mais uma conexão com o filme Matrix) e conseguiam estabelecer um contato entre os vivos e os mortos para obter conselhos e previsões.
Do ponto de vista ocultista, praticamente não há diferença entre um oráculo grego da antiguidade e um centro espírita Kardecista, salvo pela ritualística. Os princípios e os mecanismos envolvidos são rigorosamente os mesmos.
O rei Salomão utiliza seu conhecimento sobre o astral para deixar um dos maiores legados ocultistas, o Ars Goetia, ou os 72 espíritos (falarei sobre eles mais adiante, quando retornarmos aos trilhos dos posts sobre demônios). Chamavam estes conhecimentos de Arte Real. Paralelamente, temos os judeus e seu vasto estudo sobre a kabbalah e os 72 nomes de Deus (chamados vulgarmente de “anjos cabalísticos”). Salomão compartilha estes conhecimentos com a rainha de Sheba, que os leva para os Reinos africanos e mistura este conhecimento com as religiões tribais, dando origem aos cultos africanos que muitos séculos mais tarde dariam origem indireta ao Candomblé, Umbanda, Santeria, Vodu e Quimbanda. (explicarei em detalhes cada um deles em posts futuros).

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Da Grécia, os oráculos chegavam até praticamente todos os pontos do mundo conhecido. Rituais de magia que lidavam com o astral são descritos em diversos poemas e praticados por comandantes, soldados e sacerdotes iniciados.
Dos romanos e dos celtas, este conhecimento também chegou até a Europa, onde as bruxas utilizavam-se deste contato para conversar com os antepassados, conjurar elementais e adquirir conhecimento e iluminação. As belíssimas obras de arte deixadas por todos estes povos são um retrato claro da interação entre vivos e mortos, espíritos e sonhadores, deuses e mortais.
Os nórdicos possuíam lendas a respeito das Valkírias, dos Einherjar, das runas e de toda a estrutura de contato entre os vivos e os mortos. Suas lendas refletem um profundo conhecimento dos iniciados a respeito da Árvore da Vida. Um dos cursos que mais gosto de ministrar é justamente o de runas, pois cada uma das 24 pedras do Oráculo encerra uma lenda rica e profunda; desde a famosa “Ponte do arco Íris”, guardada por Heimdall, que representa o caminho de Tav na Árvore da Vida, até a própria estrutura da origem das runas, provenientes do sacrifício de Odin durante nove dias (nove esferas fora do mundo material na Kabbalah).

Semana que vem: Vampiros, Encostos, Espíritos do Mal e Poltergeists.

Este post tem 35 comentários

  1. Diego C.

    Nossa, cheguei a ler esse texto quando foi publicado no sedentario e posso jurar que ele não tinha todos esses ensinamentos que eu percebi quando li hoje..

    Interessante como o conhecimento passa desapercebido aos nossos olhos.

    Ótimo texto,
    Abraço

  2. Eduardo

    Ótimo artigo, desde a primeira vez q assisti Matrix, sabia q era mais do q um filme, que realmente haviam um ligações ocultas, na época eu ainda estava entre os adormecidos, hoje sei tb que existe a “infra-estrutura” do prédio. Será que o tio poderia fazer um post só falando dos três filmes ?

  3. Rodrigo

    Eu gostei muito deste post. Achei que ele conseguiu sintetizar muitas coisas interessantes.

    Matrix, um filme que por conter efeitos especiais e artes marciais é tido apenas como um filme holywoodiano, eu sempre o considerei uma forma eficiente de apresentar para o grande publico todo esse conhecimento, mesmo que eles captem apenas ‘o que chamam de realidade não é o mundo real’, já é uma fagulha para começarem a pesquisar sobre.

    Muito bom

  4. Rennan Rennaldeli

    Muito bom esse post MDD ! Principalmente para pessoas que não tem ainda tantos conhecimentos a respeito de Ocultismo ; Essas alusões feitas com o Filme Matrix faz com que todos possam entender bem …

  5. Júlio casarin

    Jesus disse: Os fariseus e os escribas tiraram a chave do conhecimento e a ocultaram. Nem eles entraram nem permitiram entrar os que queriam entrar. Vós, porém, sede inteligente como as serpentes e simples como as pombas.

    (Apócrifo de tomé)

  6. Lanark

    Texto sensacional. Algum dia pretende publicar algo sobre Qliphot, Cabala Draconiana e afins? Eu li uma parte daquele livro da Madras.

    E sobre Xamanismo: já vi muitos comunidades de Maçons contra as drogas. Dentre elas, creio que esteja a maconha. Como pesquisador e estudioso de história, religiões, semiótica e ocultismo, qual a sua opinião pessoal a respeito do uso recreativo de ervas de poder como cannabis sativa, salvia divinorum, ou ainda de cogumelos, LSD…?

    E pra encerrar: é possível incorporar Orixás? Sempre ouvi dizer que não, embora achasse teoricamente possível.

    Desde já agradeço, meu irmão
    Paz e Luz.

  7. simone

    perfeito del debbio Deus é ilimitado está em tudo e em todos e não preso em um lugar

  8. simone

    “O que está em cima é como o que está embaixo.
    E o que está embaixo é como o que está em cima”

    essa frase significa que em cima e em baixo é o mesmo lugar ?

    poderia explicar melhor essa frase

  9. Liana Leventhal

    ADOREI o texto!! Obrigada!!

  10. Edson Santos

    Ler os textos do DD é igual andar de moto alguns acham que é perigoso, mas, a vista é muito mais bonita!

  11. paulo

    Marcelo,
    Plano astral e plano espiritual são sinônimos?

    Que seres ‘habitam’ o plano mental?

    @MDD – Egrégoras.

  12. Victor

    Essa é minha série preferida, gosto de reler sempre.

  13. TiagoMazzon

    Cada vez q eu releio esses textos, vejo o quanto aprendi nesse espaço de tempo q li da vez anterior até essa vez. Cada frase contém um imenso arcano, que vai sendo desvendado aos poucos, conforme o seu conhecimento e entendimento… e quão aberto vc está para esses ensinamentos.
    Preciso reler todos os posts dessa série de Kabbalah do MDD no sedentário….

  14. Sempre converso essas coisas com meus amigos, a maioria de mente aberta, mas tem um que diz que acredita em Deus, mas é cético, muito cético.

    Há muito tempo assistimos ao filme “O Pequeno Buda”, e agora recentemente, depois de analisar o filme ele disse que entendeu que Buda superou esse mundo e se livrou do ciclo de reencarnação, se livrando do sofrimento do mundo físico.

    Em seguida ele diz que não quer isso (a Iluminação, o Despertar), que acha que nós devemos encarar o sofrimento, que devemos ficar aqui, que aqui é o nosso lugar. Se alguém tiver de nos tirar daqui, esse alguém é Deus, no Dia do Juízo Final.

    Agora me diz DD, o que se faz com uma pessoa que entende isso e ainda assim quer continuar como gado???

  15. DD, os nove dias do Sacrifícios de Odin e as nove esferas fora do mundo material na Kabbalah tem haver com os nove degraus ou os nove níveis do Paraíso na Mitologia Asteca?

    @MDD – Sim, é a mesma coisa (simbolicamente falando).

  16. simone

    Se voce conhece o inimigo e conhece a si mesmo não precisa temer 100 batalhas.

    Se voce se conhece e não conhece o inimigo para cada vitoria ganha sofrerá tambem uma derrota

    Agora se voce não conhece nem a voce e nem ao inimigo perderá todas as batalhas

    SEJA UM MESTRE

  17. geansm

    E a maioria das pessoas passa sua vida toda como gado, inconscientes da realidade ao seu redor…
    realmente podemos ver, ouvir, cheirar, tocar e provar, mas somos incapazes de perceber qualquer tipo de consciência além disto.

    Os Egípcios conheciam como ninguém os desdobramentos astrais…telepatia … são preservadas até os dias de hoje dentro das Ordens Iniciáticas como a Rosacruz, Templários e Maçonaria.
    suspeitei desde o principio!
    MDD tu faz algo mais que o extraordinario Chi-Kung? outra coisa existe uma diferença imensa em ilusionimo e magia, mas o que eh que esse Criss Angel faz afinal @crissangel?

  18. L

    “Tome a pílula vermelha e siga o tio Marcelo para descobrir o quão funda é a Caverna de Platão”

  19. L

    Muito bom o texto, aguardo o próximo.

  20. L

    “geansm”
    MDD, me permita responder a pergunta do “geansm”.

    Criss Angel é um “Ilusionista”.Criss Angel descobriu uma forma muito boa de fazer ilusionismo, ele disfarçar suas ilusões com coisas relacionadas com magia justamente para que todos fiquem na duvida entre realidade ou ficção.Mas eu não vejo graça nele, tudo dele é muito obvio, os truques na maioria são velhos, eu acho ele só mais um.Um exemplo de como funciona o truques dele é como fiz com meu tio, desenhei um pentagrama no meu caderno e coloquei um ímã em baixo e comecei a fingir que a corrente estava sendo atraia pelo pentagrama, meu tio, entendido destas coisas, começou a perguntar como você faz isso…Eu ri…Qualquer criancinha de 3 anos saberia, tanto que fiz a mesma coisa com meu primo e ele só disse que tinha um ímã em baixo.

  21. Luisa Maria

    Obrigada por compartilhar esses ensinamentos conosco. Muito obrigada mesmo. Aguardo os outros posts.

    P.S.: vc nunca pensou em fazer um curso à distancia? Com envio de material por e-mail, dúvidas via msn… algo assim. Pago, é claro. Esse de Runas, adoraria fazer…

  22. AlexSandro

    Obrigado pelo brilhante texto.

    É por causa de textos como estes que sua casa recebe tantos sobrinhos.

    Conteúdo complexo explicado para aqueles, como eu, que não possuem o cabedal cultural para fazer todas as conexões.

    P.P.

  23. Edson

    Muito bom! Muito bom!

  24. Pedro

    A parte do Caronte significa viagem astral consciente, mas ela é feita por nós mesmos? Existe forma de alguém ajudar a sair do corpo?
    Como diferenciar os sonhos “astrais” da viagem astral? No sonhos, não temos controle?

    PP!

  25. hugo

    nada como reler e entender realmente o que está escrito

  26. jef

    @i M.DD estou atras dos textos que falam de vampirismo, mas só vi sobre o astral e sobre as entidades do plano astral!

  27. Vinícius

    DD, sei que a pergunta é boba, mas eu me peguei refletindo sobre isso e surgiram umas dúvidas…

    Qual seria a diferença básica entre os planos mental e emocional para o plano astral? Achei algumas respostas pesquisando, mas nenhuma definitiva.

    Abraços.

  28. Gabriel

    Marcelo, durante a leitura me surgiu uma duvida sobre Viagens Astrais Conscientes… Comecei o estudo do ocultismo com uma curiosidade sobre viagens e tentar descobrir por mim mesmo oque seria o Plano Astral ou se era somente baboseiras. Confesso que até hoje não consegui fazer uma projeção consciente, porem em várias das minhas tentativas sinto como se meu corpo estivesse sendo balançado em uma rede… O que poderia ser isso? Seria a sensação de estar no Barco de Caronte ? Você tem alguma dica de como conseguir fazer umas Viagem Astral com exito ?

    Abraços

  29. José Anildo

    Olá Marcelo!

    No texto você cita que um dos cursos que mais gosta de dar é o de runas.
    Sempre tive atração pelas runas, mas é como se me faltasse material de estudo.
    Além do Mistérios Nórdicos da Mirela Faur, quais livros poderiam me nortear no assunto?

    Shalom!

    Obs: pode ser em inglês ou espanhol se for o caso…

    @MDD 0 Nenhum… kkkkk este é basicamente o único livro que presta em se tratando de runas.

  30. nihdrako

    foi só eu, ou mais alguém achou a imagem de thanatos parecida com a da morte?

  31. Jessé Bispo

    Li em um comentario, nao me lembro onde, que a etimologia da palavra “Matrix”, o titulo da obra, significa ou se refere aos tres mayas ou tres ilusoes que nos prende a materia: a fisica, a mental e a espiritual ( Ma-“maya” e Trix- “tres”). Da Filosofia budista-hinduista citada no texto.
    Adorei sua aula mestre MDD.

  32. Renato Azarias

    Marcelo,

    estava lendo a respeito do Sefira ha Omer, os exercícios da árvore da vida, já tem como saber que dia que iniciará esse ano? Os procedimentos dos exercícios serão os mesmos?

    Obrigado,

  33. silvalcs89

    Muito esclarecedor os parelelos com o gnosticismo. Esse texto todo é uma perola do conhecimento.

    Obrigado Marcelo, a fagulha encontrada nesse site aquece meus olhos, uma verdadeira enciclopedia em chamas.

  34. Victor Hugo

    Olá meu caro,

    A minha mãe rege uma casa de tratamento espiritual de doutrina Kardecista de corrente indiana (Semelhante ao vale do amanhecer). Em questão do lado energético sempre soube da eficácia dos trabalhos, mas em questão das incorporações eu fico meio com um pé atrás… O “animismo” (como a minha mãe mesmo diz) e os estados alterados de consciência, parecidos com o estado de sonambulismo, relativos ao êxtase mediúnico em que as pessoas podem atingir ao praticar uma auto-sugestão hipnótica podem explicar esses fenômenos ou isso é só mais uma tentativa da ciência de explicar o que ela não consegue? O que você acha do Waldo Vieira e sua Conscienciologia? Se caso já tenha respondido essas perguntas por aqui e puder me deixar algum link eu agradeço! E perdoe-me por gastar seu tempo com essas questões… ahaha

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