Três pela manhã

Texto de Chuang Tzu (*)

Toda vez que gastamos nossas mentes, apegando-nos
teimosamente a uma visão parcial das coisas, recusando uma
concordia mais profunda entre este ou aquele contrário que
o complementa, temos o chamado «três pela manhã».
O que vem a ser esse «três pela manhã»?
Um domador de macacos dirigiu-se a eles e disse-lhes:
«Quanto às suas castanhas, vocês terão três quantidades pela
manhã, e quatro à tarde».
Ouvindo isso, os macacos ficaram com raiva. Então, o
domador lhes disse: «Está bem, neste caso, eu lhes darei
quatro pela manhã e três à tarde». Ouvindo isso, os macacos
ficaram satisfeitos.
As duas sugestões eram equivalentes, pois o número das
castanhas não se alterava. Mas, em uma delas os macacos
ficavam descontentes e, na outra, ficavam satisfeitos. O
domador teve vontade de modificar a sua sugestão pessoal,
de modo a satisfazer às condições objetivas. E nada perdeu
com isso!
O verdadeiro sábio, considerando todos os lados da questão
imparcialmente, vê-os todos à luz do Tao.
A isto chama-se seguir dois cursos de uma só vez.

 

(*) Chuang Tzu foi um grande filósofo taoísta do Séc. IV a.C., os textos aqui publicados são fruto de um grande esforço de compilação e meditação de Thomas Merton, um monge católico do Séc. XX d.C. que estudou os textos de Chuang Tzu em várias fontes, nenhuma delas sendo a original, mas traduções da fonte original. Finalmente, coube a Paulo Alceu Lima traduzir a Merton, do inglês para o português, conforme visto no livro “A Via de Chung Tzu” (Ed. Vozes, esgotado)

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Este post tem 2 comentários

  1. Daniela

    Muito bom o texto! Vejo isso como o famoso “jeitinho”, mas nesse caso foi usado para benefício de todos e com sucesso!
    Abçs!

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