Repartir a Chama

Vi no documentário National Geographic “A Estória de Deus” que na Igreja do Santo Sepulcro, em Jesusalém, na Páscoa, as 4 principais seitas de cristãos ortodoxos se reúnem para testemunhar um “milagre”: O acendimento espontâneo de uma vela (supostamente por um anjo) colocada na (suposta) tumba onde Jesus ficou sepultado. As pessoas se aglomeram naquele espaço apertado, se empurrado e brigando, pois os sentimentos nacionalistas se misturam com os religiosos, e aguardam o “milagre”, que ocorre há mais de 1.000 anos.

Para os mais céticos é um “milagre” de gosto duvidoso, já que em momento algum as velas ficam expostas para o público (e sim dentro de uma cripta), mas fui levado às lágrimas ao ver toda a simbologia, onde 3 a 5 velas acendidas pelo “anjo” se transformam rapidamente em milhares de pontos de luz, provindos do mesmo fogo. Na penumbra da capela, a luz se espalha entre gregos, armênios, coptas, sem fazer juízo de valor, e o último a recebê-la terá sua chama tão quente, tão vívida quanto a que incandesceu a primeira vela.

Me emocionei ao pensar: Por que as pessoas não fazem isso no dia-a-dia? Por que brigam minutos antes e só confraternizam diante de um milagre?! O ser humano pauta sua conduta em função da religiosidade, quando a religiosidade é que deveria ser para o ajuste da conduta!!! Não deveria ser preciso Deus “descer do Céu” e dizer “Não matarás” para que saibamos que matar não é correto, e ainda assim vemos no mesmo livro dessa religião relatos de chacinas diversas em nome do mesmo Deus… vimos as cruzadas justificadas (não sei como) em Jesus, e enquanto escrevo outros tantos matam e morrem em nome de Allah…

Pensamos cada vez menos no semelhante, vivemos em um mundo que faz por onde reproduzir exatamente as características do “fim dos tempos” predito por Jesus. Quem pensa no outro é fraco, babaca. Até mesmo na espiritualidade há concorrência de grupos, seitas, integrantes. O conhecimento não é compartilhado, mas sim usado como moeda de troca, ou explicitamente vendido. Coleciona-se títulos como quem coleciona selos, ou moedas. Não percebem que, ao buscarem gradualmente a ILUMINAÇÃO, não perderão o “brilho da chama” ao compartilhá-la com o outro! Ao contrário, duas chamas trazem mais luz ao ambiente, e ambos poderão ver mais longe e melhor!

Este post tem 4 comentários

  1. giovane

    Muito bonito,muitas vezes tenho dúvidas se devo compartilhar meu conhecimento sobre hermetismo e tudo o mais com pessoas céticas ou crente fervorosos,sempre opto por compartilhar e dificilmente me arrependo,mas cada vez mais percebo que as pessoas são o que são por que não querem prestar atenção nos sinais da vida,pois o hermetismo esta em todo lugar,e muitas fracassam logos nos primeiros testes,e mais por causa do medo e da preguiça .

    1. Ruy Henrique

      Pensando sobre isso ontem á noite, me dei conta de que é porque não somos ensinados, pela cultura, a adentrar nesses mistérios, e por isso que tanta gente, a maioria, não faz ideia a respeito da vasta gama de coisas que lhes ocorre, e aos semelhantes – algo que sempre me perguntei o porquê… Desde a coisa mais simples, como: “se você leva uma topada, ou uma folha cai ao seu lado quando você caminha tranquilamente, repare na sincronicidade – o que está ocorrendo agora, o que você estava pensando/fazendo/sentindo, no que você deve reparar que não estava reparando?” … Somos totalmente ignorantes dessa realidade, no máximo temos vestígios bem pobres da realidade espiritual da vida, porque quando a criança começa a perguntar “as grandes perguntas”, geralmente bem nova, 6 anos de idade, a maioria não sabe responder… E acredito que sejam um desafio até para os mais treinados e experientes nas artes místicas! Porque é muito profundo…

      Imagina a diferença que faria no mundo, um currículo escolar 50% científico e 50% místico??? Nossa.

      Quanto ao post, assisti ao filme “Antes Que Eu Vá” ontem á noite, também, e ao torno do meio do filme, fica clara a mensagem “a felicidade só existe/é maior quando compartilhada”. Filme muito bom, por sinal; gira em referência ao mito de Sísifo, é aquele filme que a garota fica revivendo o mesmo dia, várias e várias vezes. Filme encerra com uma conclusão sobre Eternidade… Filme simples, mas bem forte até. Recomendo.

  2. Fcheico

    “Antes eu desejava mudar o mundo, agora só desejo mudar a mim mesmo”

  3. Alkbaarn

    Olá, MDD!

    Tenho duas questões.

    1: Estou cursando Arquitetura e Urbanismo e estou pensando em desenvolver meu TCC acerca da Arquitetura Sagrada, e gostaria de usar como base os princípios ocultistas e da Qabbālâ para a realização do mesmo. Poderíamos conversar por e-mail acerca disso?

    2: Será possível que o Jesus-Apolo criado por Constantino e adorado nos dias de hoje tenha se concretizado em uma egrégora? Pois caso tenha acontecido, não seria tão absurdo se relacionar com ele através de pedidos e orações, certo?

    Obrigado desde já.

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