Os Orixás e a Kabbalah

Eu postei no sedentário, mas acho que aqui as discussões serão mais proveitosas.
Os Orixás e a Kabbalah – Parte 1
Os Orixás e a Kabbalah – Parte 2
Os Orixás e a Kabbalah – Parte 3
Vale a pena abrir as três janelas ao mesmo tempo para comparar.

Este post tem 38 comentários

  1. raph

    Uma vez uma Maria Padilha me disse que eu era “filho de um Exú lindo”… Mas minha família achou que não poderia ser – na verdade tinham medo de eu ser homossexual, ou “do mal”. Nada contra homossexualidade, mas não era a minha. E acho que, se não sou totalmente “do bem”, certamente “do mal” é que não sou…

    Quando li a sua descrição do Exú este trecho me “saltou os olhos”:

    “Traçar e abrir caminhos é uma das suas principais atividades, pois ele circula livremente entre todos os elementos do sistema.”

    Acredito eu que realmente algum “Exú lindo” tenha me ajudado, e ainda ajude. Uma coisa que necessito, e que tenho tido facilidade até aqui, é exatamente circular entre todos os elementos do sistema 🙂

    @MDD – Exú é Hermes/Toth. Todo o resto é deturpação da ICAR.

  2. Elis Regina

    Da para aplicar o significado dos elementos na arvore?

    Olorum seria o principio akashico?

  3. Ignus Factu

    Marcelo, já que os Orixás representam as Esferas, existem representações para os Caminhos? Ou o Orixá já carrega em si a representação dos caminhos também?

    E essa organização e os nomes, tudo mais, vieram após o encontro da Rainha de Sabá com Salomão, ou foram adaptados depois??

    @MDD – as histórias e lendas envolvendo os Orixás fazem as vezes dos caminhos… não é uma correlação 100% por conta de aspectos culturais e tribais de cada nação, mas existem diversas correlações interessantes, como se a Árvore fosse a “malha primordial” e as diversas culturas ocupassem os aspectos que são mais vitais para aquele tempo-espaço e os representasse na forma de lendas, deuses e heróis. Acho que estes monomitos independem da história de Salomão (que é, por si mesma, uma mistura de história e mito).

  4. Rennan Rennaldeli

    Muito interessante essas correlações ! Já que eu mesmo sou iniciado no Jeje – Nagô para o Orixá Ogum e Oxoguiã ( O Oxalá Jovem e guerreiro ) ; Chamam de Ori – Meji , quando alguém, é de duas Yagbás ( duas Orixás ) ou dois Oborós ( dois Orixás ) me chamou a atenção essa associação de Oxalá com a esfera de Tiferet …

    @MDD – Oxalá, Jesus, Buda, Mithra, Surya, apolo, Hélios, Osíris, Saint Germain…

  5. lucas.

    Confesso que antes de ler estes posts nutria eu um grande “preconceito” com as divindades das mitologias africanas – tirando a egípcia. Eu achava que os deuses/deusas eram muito primitivos, e essa língua que os nomes são transcritos muito estranha.
    Bem, agora é o inverso! Vi que há um simbolismo muito rico, que pode ser usado por vários meios.
    Tirando tudo isso, continuo a achar o mesmo sobre essa língua…

    Obrigado!

  6. Will Greenleaph

    Tio DD!
    Eis que finalmente vi um post somente sobre Candomblé/Umbanda!
    Ficou muito bom, parabéns.
    Só fiquei triste porque meu Orixá, Ossaim, só foi citado uma vez…como ele foi citado com Oxossi (nada mais justo) deveriamos considerá-los um par? Talvez Ossaim como a natureza mais intocada e Oxossi como a natureza a serviço do homem (caça e agricultura)?

    @MDD – Perfeito.

  7. André

    Perguntinha random, se for incoveniente me desculpe.

    Se eu tenho um Templo Astral e quero “consagrar”(do jeitinho simples, incenso e instrumento), tudo bem no problem? Isso se aplica também a exercicio da vela, por exemplo?

    @MDD – Nao entendi… voce quer consagrar o exercicio da vela? o Templo astral? Tecnicamente, o Templo poderia ser consagrado em um dia/horário, simbolicamente voce colocando a ‘pedra fundamental” nele, mas nao vejo como se pode consagrar um exercício…

  8. Rodrigokan

    Olá Marcelo
    Parabéns pelo TdC que fica cada vez melhor.

    Lendo sobre os Orixás lembrei-me de um sonho que tive a uns anos e que até agora não consegui entender.
    Acho sonhos coisas pessoais demais para serem interpretadas por outras pessoas, mas nesse caso se você achar sensato, ficaria muito grato por uma luz.

    No meu sonho minha visão é de quem olha de cima um acampamento de uma tribo indígena com uma fogueira no centro onde vários Obaluaye dançavam em círculo em torno da mesma, até que um deles virou para mim, apontou, e disse palavras que eu não pude entender (Alguma outra língua), aí um Trovão caiu na fogueira fazendo um estrondo que acabou me acordando.

    ?????????

  9. reginaldo giassi

    Quanto mais eu leio, mais a minha mente cansada se desperta para as coisas que estão ao meu redor. Começo a perceber todas as alegorias que sempre existiram, bem debaixo do meu nariz. Desde os mais simples desenhos animados do meu tempo de criança como a Caverna do Dragão com seu mago verde, o guerreiro Erik, o Dragão Tiamt… como Capitão Planeta e seus 5 elementos (ar,água, fogo, vento, coração) até as obras de engenharia, artes plásticas e todos seriados japoneses da TV com seus Super-heróis, cada um com sua cor e “poderes especiais únicos”… A kabbalah se equivalendo das mais variadas formas de expressão, servindo sempre como base para perpetua os antigos conhecimentos.
    Conhecendo a si mesmo e despertando esse deus interior como na mensagem (ou desabafo) final da coluna, passaremos a reconhecer o nosso potencial voltado para o auto-conhecimento. È uma pena não ter um curso de kabbalah aqui por perto onde eu moro (eu acredito que não tenha), com certeza eu seria um dos alunos, entretanto me satisfaz poder ler essa coluna todas as semanas e me alimentar desses pedacinhos fragmentados de cultura.

    Parabéns.

  10. Heverton

    Estava ansioso par ver a terceira parte no sedentário, está de parabéns Del Debbio. Você já postou algo sobre Quibanda? Um abraço e parabéns pelo trabalho.

  11. Heverton

    corrigindo: Quimbanda

  12. eduardo

    Gostaria de saber algo a respeito de YORI e YORIMÁ,que voce não citou no seu post.

  13. Ronny

    Muito bons os artigos! Já que o assunto é Kabbalah…Pretende fazer um post explicado as ligações entre os planetas astrológicos e as sephirot?

  14. mario

    marcelo, eu vi em alguns topicos seus, que vc trabalha com varios tipos de religioes, escreve coisas como viagens astrais, que vc mesmo disse em um deles que faz essa pratica, q ja viu vampiros nesta realidade, e q nao sao mto agradaveis, etc… mas vi um video seu, uma entrevista para o e-farsas, que vc comenta sobre provas com relação a esse tipo de experiencia, mediunidade, etc… bom, nesse video, uma hora vc diz q hoje podemos fazer testes com pessoas incorporadas, e que se ve mudanças cerebrais nesse teste, mas pra dizer q existem espiritos e tal são outros 500… mas nos seus textos, de acordo com as exeperiencias relatadas por vc, e vividas por vc, vc já poderia dar certeza absoluta deste tipo de coisa… pq vc nao diz isso abertamente? que vc vivencia esse tipo de experiencia, q realmente existem espiritos e outras coisas? nao sei se deu pra entender minha pergunta, mas a questao é: se tudo q vc escreve como experiencias pessoas são tao verdadeiras, pq nao conta-las sem meias palavras em entrevistas? obrigado.

    @MDD – Porque não importa se voce tiver 500 testemunhos, 14.000 cartas psicografadas, trocentos mil médiuns, os pseuco-céticos sempre vão alegar que são “relatórios anedóticos” (não no sentido de piada, no sentido de que experiências pessoais não contam), “coincidência”, “esquizofrenia’, “leitura fria’, “teoria dos grandes números”, escolhe ai uma desculpa… Tentam justificar algo que não tem uma causa física com uma causa física e não encontram. Outras pessoas como o Wagner Borges, o Beraldo Lopes, o Acid do Saindo da Matrix e o Waldo Vieira fazem este tipo de abordagem direta porque estão pouco se lixando para os céticos. A minha visão é estritamente científica-virginiana da coisa e como eu batalho nas fronteiras entre os céticos e pseudo-céticos, não convém assustar alguém que poderia começar a questionar este pseudo-ceticismo com algum relato que quebre de uma vez o paradigma que eles vivem. Não sei se consegui me explicar… eu sou só o cara que vai mostrar que tem alguma coisa atrás da cortina, mas quem quiser descobrir o que é, vai ter de ir lá puxar sozinho.

  15. Lanark

    Confesso que quando eu li sobre Olorum eu pensei nas entidades, nos espíritos, nos falangeiros, nos Orixás e nos poderes cada vez maiores de uns sobre os outros. Então, olhando aquela imagem eu tive um insight muito forte… e meio assustador, sobre a grandeza de Deus.

    O Candomblé e a Umbanda são religiões maravilhosas. Mas ao mesmo tempo assustadoras.

    DD, algum dia você planeja explicar mais a respeito de Salomão e a Rainha de Sabá?

  16. Rev.Breno

    E os outros orixas, por exemplo, Oxumare, Ossain, Iroko etc…?

  17. Dheib Bevenuto

    Marcelo, você vai fazer das outras mitologias oferecidas, mesmo que seja um projeto de longo prazo, talvez para o projeto Wikia? E aproveito para perguntar uma dúvida, os orixás, ou alguma outra mitologia tem arquétipos para as Qliphah? Eu só imagino de cabeça os mitos de Lovecraft para isto. Azatoth = Thaumiel; Yog Sothoth = Ghogiel; Shub-Niggurath = Satariel; Hastur = Gha’ Agsheklah; Cthugha = Golachab; Nyarlatothep = Thagiriron; Zhar (The Twin Obscenities), não sei entra Lloigor = A’ Arab Zaraq, ???? = Samael; Cthulhu = Gamaliel ; ??? = Lilith.

  18. simone

    del debbio fale sobre o filme constatine ou o livro ….

    comente o que vc tira de bom nele

  19. Rodrigo

    Marcelo fico muito contente de vc ter mostrado essas correspondencias com a arvore da vida, temos de admitir q ainda existe muito preconceito, senão racismo, pela cultura africana. Creio que isso se deve a moda Europeia de antigamete vemos isso até nos dias de hoje, muitas pessoas acreditam, e me refiro também a ocultistas, que foi exclusivamente nos Continentes Europeus que toda a nossa cultura e ritos afloraram….um grande exemplo disso é da maioria das pessoas ainda ter em mente a imagem de Jesus como sendo loiro de olhos azuis.

  20. Rennan Rennaldeli

    Curiosamnete , a palavra ” EXU ” , em Yorubá , significa ” Esfera ” …

  21. mjornir

    boas tio, vcs tb dizem oxalá ai no brasil como forma de expressar que um desejo aconteça?

    @MDD – Sim (exceto os evangélicos, claro).

  22. Humberto

    93!

    Genial!!!

    O Texto introdutório/inicial e o último parágrafo do ultimo post são simplesmente SENSACIONAIS !! Parabéns Marcelo.

    Agora, uma dúvida: Por que que Binah [tida como sefirah “feminina”] tem um Orixá masculino e Hockmah [tida como força “masculina”] tem uma Orixá, feminino??

    forte abraço!

    93,93/93

  23. bruno

    obrigado Marcelo , teus textos servem como guia de consulta em grande parte de minhas pesquisas.

  24. Gustavo"

    Tio, Olorum seria a luz astral que vem de kether? se não, qual seria sua relacao com a kabbalah?
    Outra, os orixas sao representações artisticas certo? vindas do caboclo sete encruzilhadas? foi o mesmo que fez propositalmente as associacoes com a kabbalah?
    pq olhando assim parece que foi feito propositalmente mesmo!

    @MDD – Não foi “proposital”. Ocorre que a Árvore da Vida é algo natural e científico, que independe de crenças ou religiões. as religiões, as filosofias e as diversas manifestações de deuses, orixás e entidades nada mais são do que a maneira como nós, humanos, conseguimos sentir e representar estes estados de consciencia. Por isso todos os deuses de todas as mitologias encaixam-se nestes arquétipos universais (e sempre nos mesmos arquétipos).

  25. Douglas Batistele Baptista

    Tio, cada dia admiro mais o vosso trabalho.
    Criei algumas apostilas para complementação dos estudos da ordem DeMolay – ABERTOS com alguns tópicos deste grande e instrutivo site e com o nome e seu curriculo digamos assim mistico/filosofico.
    Hoje já circula por alguns estados e utilizado como artigo de estudo.
    Parabéns

  26. Humberto

    93!

    Marcelo, as entidades se encaixam na árvore da vida também? Como seria essa distribuição/posicionamento?

    93,93/93

  27. Anderson

    Interessante notar que os gêmeos Ibeji estão ligados a esfera Kether, como se dando os primeiros passos no Ain-Soph. Ao mesmo tempo muito longe também, pois o Ain(nada), o absoluto não pode ser tocado, chegar perto.
    Gostei.

  28. Alef

    A resposta dada ao “mario” foi prefeita. Seu (Deldebbio) espaço de trabalho está muito bem delineado o trabalho está sendo bem feito. Parabéns!

  29. Tiago Aragão

    Salve,

    Parabéns Marcelo, pelas ótimas analogias. Agora as dúvidas:
    Vou aproveitar a deixa, qdo vc fala q as esferas são arquétipos, podemos levar p/ deuses, virtudes…Como fica os caminhos? Ou melhor, as interações entre eles o q seriam?
    Em relação ao post dos Orixás, ficou perfeito! Mas confesso q gostaria de um pedido. Quando vc começou a postar imaginei q viria uma explicação mais simples “para leigos”, falando como funciona um terreiro. Eu até sei como funciona um pouco por ver na prática e estudar vários assuntos, e conseguir “linkar” vários posts seus. Mas vc pode fazer um post sobre isso, inclusive explicando diferenças entre Umbanda, Candoblé e Quimbanda?
    Entenda que meu pedido é p/ desmistificarmos falsos mitos e assim um dia ver o mundo melhor.

    Abraços
    Lux,
    93

  30. Fahknei

    Oi Marcelo,
    Gostaria da sua opinião sobre o fato esta questão: Na maioria dos centros espíritas ou espiritualistas (cardecistas, umbandistas etc), aqueles nos quais é identificado algum tipo de mediunidade recebe a “instrução” ou “aviso” de que, caso não desenvolva a mediunidade, ou seja, “trabalhe” num centro, tal fato acarretará para o médium sérios problemas após o desencarne, pois a mediunidade é uma prova que o próprio médium escolheu passar aqui na Terra. Isso se justifica de alguma forma ou é historinha pra “prender” o médium trabalhando em determinado local?
    Abraços!

  31. Gary

    Marcelo, seria possível fazer as correspondências da mitologia Tolkieniana com a Kaballah?

    Keter seria Eru Ilúvatar. E como ficaria depois os Valar nas correspondências?
    Isso daria um bom post, principalmente para o Sedentário.

    @MDD – É bem possível que sim. Eu nao li o Silmarillion, entao nao saberia responder essa, mas se o Tolkien se baseou nas mitologias existentes, é provável que tenham correspondentes arquetipicos. Se algum leitor quiser comentar e dar opiniões, eu posso dar uns palpites aqui.

  32. Padre Judas

    Já que você se prontificou, e estou com tempo livre agora, vou postar o que li no Silmarillion e vamos ser se só com isso é possível identificar os deuses tolkenianos com a Árvore da Vida.

    Bem, há fortes influências do Catolicismo na obra (uma vez que Tolkien era católico praticante e sua mãe, inclusive, foi deserdada por abandonar a fé anglicana e retornar ao catolicismo – as pessoas levavam estas questões religiosas muito a sério naqueles tempos pré-ecumênicos).

    Eru/Ilúvatar é o criador supremo, que propôs o tema que daria origem à Criação e sugeriu aos Ainur (“Sagrados”, gerados por seu pensamento – como emanações). Inspirados pela Chama Imperecível (que se tornará posteriormente a Alma do Mundo) de Eru, eles compuseram a Música Magnífica, que foi convertida por Eru em realidade.

    Melkor corrompeu a criação, e foi para a ela com propósito de dominá-la, embora dissesse que queria ajudar os Filhos de Eru (Elfos e Humanos). Ele é egoísta, cruel e megalômano, pois acredita ser sábio,mas não possui o Fogo Sagrado de Eru para alimentar sua alma. Seu prazer encontra-se em possuir tudo. Ele é o equivalente ao Lúcifer dos católicos, o “anjo caído”.

    Ulmo foi residir nos oceanos, e ele foi o que recebeu noções mais profundas da Música. É ligado à Água. Ulmo vive só, não possui residência fixa, se movendo à vontade em todas as águas profundas. Não gosta de assumir forma humana/élfica, quando se manifesta é como uma onda gigante (tsunami). Apesar desta aparência assustadora, ama elfos e homens e nunca os abandonou. Algo como Poseidon.

    Manwë, o mais nobre dos Ainur, irmão de Melkor, reinou sobre os ares e ventos, em qualquer lugar onde se encontrem, mesmo nas profundezas. É também o Rei dos Ainur. Por sua posição, seria como Zeus ou Odin.

    Aulë é quase tão poderoso quanto Melkor ou sábio como Ulmo, mas encontra alegria em fazer, criar, e não na posse. Ele é o que dá, nunca acumula, é livre de preocupações e sempre se interessa por alguma nova obra. É o oposto de Melkor. É o ferreiro e mestre de todos os ofícios (carpinteiro, pedreiro, etc.). É senhor das pedras preciosas e dos metais nobres (ouro, prata, etc.). Como Melkor, possui grande criatividade, mas diferente deste ele sempre submete suas criações à aprovação de Eru, nem invejava os feitos alheios. É meio como Hefesto, mas possui alguns atributos de Plutão (senhor do que existe no subsolo).

    Varda, Senhora das Estrelas, é esposa de Manwë, e conhece todas as regiões de Ëa. É extremamente bela e possui ligações com a Luz. Por isso era a mais temida por Melkor (pois ele é a Escuridão). Quando Manwë senta-se em seu trono e olha ao redor, se Varda estiver ao seu lado ele vê mais longe, através da névoa e da escuridão. E Varda, com Manwë, escuta com mais clareza os sonhos mais distantes de leste a oeste. Os elfos a chamam Elbereth. Não sei com quem comparar essa.

    Yavanna, Provedora de Frutos, é esposa de Aulë. Ama as coisas que crescem na terra: árvores, musgos, etc. É a Rainha dos Valar e os elfos a chamam Rainha da Terra. Algo como Gaia ou Deméter.

    Námo e Irmo, os fëanturi, são os senhores dos espíritos. Námo governa as Mansões de Mandos, onde residem as almas dos mortos, e convoca os espíritos dos assassinados. Conhece o futuro, exceto aquilo que ainda está no arbítrio de Eru. É o Oráculo dos Valar, mas só profetiza quando ordenado por Manwë. Sua esposa é Vairë, que tece a história de Ëa em vastas tapeçarias, sendo a guardiã do passado (como se fosse a “memória do mundo”). Námo é como Hades, mas não saberia dizer se Vairë seria Perséfone ou outra entidade. Ele parece um pouco com o “Registro Akáshico”, pois registra os eventos passados.

    Irmo é o senhor das visões e sonhos, e vive em belos jardins de Lórien, que são repletos de espíritos e os locais mais belos do mundo. Sua esposa é Estë, que cura ferimentos e fadigas através do repouso (“deusa” do sono). Os Valar, quando querem repousar e revigorar suas forças, vão passar um tempo em Lórien, aos cuidados deste casal. Irmo é como Morpheus. Ëste eu não sei.

    A irmã dos dois feänturi é Nienna, que vive sozinha. Ela lamenta a perda e o sofrimento, mas não chora por si mesma. Por isso ensina a compaixão e a persistência na esperança. Não visita Valimar, a cidade dos Valar, pois lá é tudo alegria. Mas vai à Mandos visitar as almas que lá residem e dar-lhes força, transformando a tristeza em sabedoria.

    Tulkas é chamado O Valente. Foi o último Ainur a vir para Ëa, especificamente para ajudar os Valar a lutar contra Melkor. Aprecia combates, lutas corpo a corpo e competições de força. Sempre ri, tanto na luta por esporte quanto na guerra. Não cavalga nenhum corcel, pois é mais rápido que qualquer criatura com patas. Se cabelo e barba são dourados e sua pele, corada. Suas armas são suas mãos. Não se importa com passado ou futuro, e não é bom conselheiro, mas é um amigo destemido. Sua esposa é Nessa, irmã de Oromë, e também ela é ágil e veloz. Ama os cervos, mas corre mais rápido que eles. Adora dançar. Tulkas parece um deus da guerra, como Ares (que também se regozija na batalha). Sua esposa seria como Artémis.

    Oromë é um senhor poderoso. Não é tão forte quanto Tulkas, mas sua ira é mais temível. É caçador de monstros e feras cruéis, e adora cavalos e cães de caça. Ama todas as árvores e é chamado Senhor das Florestas. Não saberia com quem compará-lo, mas sua esposa é Vána, irmã mais nova de Yavanna. Todas as flores brotam à sua passagem e se abrem se ela as contemplar de relance e todos os pássaros cantam à sua chegada. Obviamente, é a Primavera, ou ainda a Deusa Donzela.

    Os Maiar são vassalos dos Valar, uma classe inferior de espíritos. Gandalf, Sauron e os Balrogs são exemplos de Maiar que aparecem no SdA, mas há vários deles, que normalmente são aspectos do Valar a que servem. Ossë, por exemplo, é vassalo de Ulmo, e é senhor dos mares que banham a Terra-Média, i.e., só dos mares litorâneos, das costas e ilhas. Representa também a fúria de Ulmo, que através de altas ondas pode destruir navios, e aprecia a violência, frequentemente agindo sem ordens de seu senhor. Mas falar sobre eles exigiria todo um novo post. Vamos ficar com os Valar por enquanto.

  33. Prouco

    Eru Ilúvatar é o Deus Único, pai de todos. Ele está fora dos círculos do mundo.

    Manwë é o senhor dos ventos (O Rei Mais Velho), Ulmo é o senhor das águas e do oceano (seu poder só é inferior ao de Manwë), Aulë o senhor da terra e das montanhas (governa todas as substâncias das quais a Terra é feita).

    Manwë desposa Varda, a Senhora da Luz. Aulë desposa Yavanna, a Senhora dos Frutos.

    Oromë é o caçador, Tulkas o guerreiro. Námo, o senhor dos mortos, é irmão de Irmo, o senhor dos sonhos. Námo é casado com Vairë, que tece a história do mundo. Irmo com Estë, a senhora da Cura.

    Nienna é a Sofredora. Ela é chora as dores do mundo e é a senhora do Luto e da Compaixão.

    Correlações possíveis:
    – Eru pode representar o que está acima de Kether na Árvore da Vida.
    – Manwë, Ulmo e Aulë, quando aparecem como o trio principal que criou o mundo podem representar: Ulmo-Ruach, Manwë o que está acima de Ruach, Aulë o que está abaixo.
    – Manwë e Varda são o casal que enxerga mais longe: vento e luz. Talvez possam se relacionar com a esfera de Hochma.
    – Nienna, que nunca se casou e é a senhora do Luto, tem características saturninas.
    – Ulmo se aproxima de Netuno. Ambos são senhores das águas e dos cavalos.
    – Tulkas, o guerreiro forte e senhor da guerra. Assemelha-se ao Thor nórdico.
    – Oromë, o caçador, lembra Oxóssi.
    – Námo e Irmo, morte e sonho, lembram Tanatos e Morfeus.
    – Vairë, a tecelã, lembra as deusas tecelãs, senhoras do destino.
    – Yavanna, senhora dos frutos e das árvores, Rainha da Terra… lembra um dos aspectos de Malkuth.

    Claro, como todo conjunto de histórias, me parece que os Valar podem representar coisas diferentes em histórias diferentes. E ainda que obra da imaginação de Tolkien, como os mitos em geral, nem sempre se fecham num sistema completo e rígido. =)

  34. Tibuda

    Marcelo, já pensou em fazer um estudo parecido para as divindades tupi-guarani? Tipo Tupã, Jaci, Araci?

  35. ian

    Olá DD, gostei muito desse post sobre as relações entre Orixas e a arvore da vida. Sou iniciado na wicca a 2 anos, faço parte da tradição w.t.o.h. e durante as aulas, nosso sumo sacerdote em uma de suas explicações sobre as relações com a arvore da vida apontou o Deus e a Deusa nas mesmas esferas onde estão Xango e Iansã, Binah e Hochma. Bem, achei isso bem interessante, então poderia ser dito que na verdade Xango e Iansã são personificações do Deus e da Deusa da wicca mas num outro contexto cultural? Historico? São entidades que emanam da mesma fonte energetica na arvore da vida?

    @MDD – Ambos vieram como resultados da interpretação destas duas emanações, filtrados pela cultura e entendimento de cada região e cada período histórico. Ele está correto. Nossa! fiz a iniciação na WTOH na primeira turma que teve, uns 10 anos atrás… somos fraters kkkk. Manda um abraço pro Alê.

  36. felipe

    Nossa muito bom!!!

  37. Amleto

    Olá Marcelo.

    Em outro post recente eu vi uma explicação (excelente) sua sobre a característica arquetipal da entidade durante a incorporação. (pretos velhos / Binah / Cérebro humano).
    Deixando a incorporação de lado, vamos considerar um filho de Ogum por exemplo. A grosso modo (quero dizer sem considerar o juntó e o Orixá ancestral), as características dessa pessoa também se devem a influência de Geburah?

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