Onde origina-se a Melodia

 “O Todo é Mente; o Universo é Mental”

Definimos melodia como uma combinação de sons sucessivos, mas ninguém diz que uma poesia consista numa sucessão de palavras. Embora seja óbvio que ambas sejam constituídas por esses elementos, não é a sucessão de sons que gera a melodia, e sim o pensamento que ordenou essa sucessão.
Grandes magos, como Bach, Mozart, Beethoven, ouviam nitidamente a música em sua mente, antes de materializarem no papel e em vibrações aéreas, ou seja, não pode existir melodia sem antes sua origem no plano mental.
Idéias musicais vão surgindo na mente do compositor que as passa para o instrumento até encontrar “algo” que goste e registrá-la em papel ou gravador. Este “algo” os alemães descrevem com uma frase – “Est fält etwas eln” – que significa “algo o invade”.
Tais idéias não podem ser forçadas, mas também nada poderá invadir um aspirante à composição musical se ele não se tornar receptivo para abrir sua mente e captar esse “algo”.
O material da música é o som e a melodia é o fluir desses sons que se sucedem de maneira ascendente e descendente. Mas não é só isso, a melodia é também, a expressão de um pensamento produzido pela “inspiração”, pelo “algo que invade”, traduzido pelas leis do sistema musical. Todas as melodias existem dentro dos limites de algum sistema de escalas, que por sua vez consiste num arranjo de uma série particular de notas, no entanto tais “arranjos” não são arbitrários.

Exemplo de construção melódica

Não é possível aprender a construir uma melodia, o que se estuda são as ferramentas e os meios que proporcionam a transformação desse “algo” que se origina na alma do compositor, em material musical.

“A música não cria, mas sim intensifica, como um ressoador, o que já existe em cada um de nós”

A percepção sensível da música provoca alterações em nosso estado de consciência e é na melodia, simples ou complexa, que reside o elemento mais propício para determinar estes diferentes estados.
No âmbito psicológico, vários efeitos foram identificados através do estímulo sonoro, entre outros, podemos destacar: o aumento ou a diminuição dos estados de tensão, depressão, exaltação, alegria, a catarse das emoções, levar o indivíduo à comunicação, à imaginação, à fantasia, ao conhecimento de si mesmo, a interação social, o aumento da concentração, tudo segundo as características da música utilizada.
Experimento
Escutem cada uma destas três músicas, analise os sentimentos que elas provocam, as lembranças que veem na mente, estados emocionais, espirituais, etc cada pormenor é importante. Se quiserem, utilizem os comentários para descrever o que sentiram em cada música.
Bach – Concerto de Brandenburgo no. 3
Mozart – Requiem – 1. Introitus
Vivaldi – Tempestade


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Este post tem 5 comentários

  1. Gabriel

    Não só a parte que você postou, mas acho o Requiem inteiro de Mozart, maravilhoso, transcendente… Concordo com o que disse sobre as melodias, e tenho certeza que Mozart, apesar de ter estudado muito, não usou simplesmente “técnica” para compor esta obra, é impossível não sentir o “algo mais” após ouvi-la. Parabéns pelo texto!

    1. Lucy

      Um sentimento profundo da morte se aproximando, é de dar calafrios.
      @FDA – O Réquiem de Mozart é destinado ao rito fúnebre, o interessante é que ele compôs esta obra quando estava à beira da morte, imagine a carga emocional contida. Foi seu testamento em forma de música.

  2. raph

    “Est fält etwas eln” – os alemães tem um belo termo para a criatividade 🙂
    @FDA – São criativos até para descrever criatividade 😉

  3. Paulo F

    Ritmo – Melodia – Harmonia.
    Corpo – Alma – Espírito.
    Terra – Lua – Sol.
    Harmonia das Esferas:
    – “A Trindade Excelsa”: Bach-Beethoven-Wagner.
    – “Os Sete Anjos diante do Trono de Deus”: Mozart, Chopin, Haydin, Haendel, Schubert, Schumann e Weber.
    – “A Legião Celeste”: Antok, Aresky, Bellini, Berlioz, Balakiroff, Bizet, Brahms.
    @FDA – bem legal essas associações.

  4. Daniel Braga

    O Concerto de Brandenburgo no. 3 me causa uma vontade grande de socializar. Passa uma espécie de animação contida, que me faz querer dançar com alguém ou conversar em um baile, mas não o bastante pra que eu perca certo nível de compostura.
    Já Requiem me dá uma sensação forte de melancolia e solidão. É como se eu estivesse em uma floresta escura, correndo sem saber pra onde ir nem de quem poderia estar correndo, e é como se o tempo inteiro meus passos fossem vigiados.
    Tempestade, diferente do Concerto de Brandenburgo me traz uma agitação caótica, como se eu girasse e fosse empurrado e puxado de um lado para o outro. Traz um sentimento de urgência, de estar no meio de um turbilhão.

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