Laboratório Alquímico

Saudações nas Sete Notas do Pentagrama,

A ilustração logo abaixo, foi extraída do livro Amphitheatrum Sapientiae Aeternae (1595) escrito e ilustrado pelo alquimista medieval Heinrich Khunrath, discípulo de Paracelso e possivelmente, aluno de John Dee. Nesta rica ilustração, Khunrath insere quatro instrumentos musicais no meio de um laboratório alquímico. 

O conjunto do laboratório evoca os diversos aspectos das relações do alquimista com a Divindade ou o Cosmo. A perspectiva do desenho nos sugere o Infinito. À esquerda, o alquimista está orando diante de um altar abrigado debaixo de uma tenda, uma alusão ao Tabernáculo de Moisés.

O ambiente é iluminado por um lustre no formato da estrela setenária, à direita, está o forno alquímico com seus acessórios, sustentado pelas duas colunas, a da Razão e a da Experiência. No centro do laboratório, há uma mesa repleta de objetos; a balança e seus pesos, a sineta, a faca, diversos recipientes, livros e, enfim, quatro instrumentos evocando, muito provavelmente, os quatro elementos.

Na simbologia medieval a Harpa corresponde ao Fogo, instrumento que remonta à Antiguidade. O antigo testamento bíblico nos traz diversas referências acerca deste instrumento, indicando seu uso no acompanhamento dos salmos/cânticos e na expulsão de maus espíritos. No ternário alquímico a harpa identifica-se com o enxofre; no quaternário, toma o símbolo de Fogo; no setenário, o do Sol. 

O Alaúde (acima à direita) corresponde à Água, para quem não conhece o alaúde é um instrumento de cordas dedilhadas e de braço, semelhante ao violão, foi muito usado do século XIV ao XVIII. É o antigo instrumento dos Bardos, Poetas. 

A Viela ou Viola é um dos predecessores do violino e antigamente possuía de três a cinco cordas. Nas iconografias medievais, geralmente representa o elemento Terra.

Embaixo do Alaúde e da Viola verificamos o Cistro (não confundir com Sistro), que corresponde ao Ar. É um instrumento que, de aparência e timbre, lembra o Bouzouki irlandês. Foi muito popular neste período pois era um tanto mais fácil de construir que o Alaúde. 

Os alquimistas, em geral, expressavam estreitas relações entre a sua arte e a música, a ponto de qualificar a Grande Arte (a alquimia) como Arte musical. Numerosas ilustrações representam o alquimista executando seus trabalhos ao som dos instrumentos da época. A inscrição latina  na toalha sob os instrumentos poderia ser assim traduzida: “A música sacra dispersa os espíritos melancólicos e malignos”. Khunrath, portanto, parece insistir sobre a ajuda fornecida pela música aos trabalhos do alquimista.

Melodia Alquímica

Inspirado na ilustração de Khunrath e na via alquímica, compus uma pequena peça instrumental, quintessência de uma experiência alquímica, com moldes próximos aos das canções medievais, para Alaúde, Viola da Gamba, Flauta, Violão medieval e percussão. Chama-se “Anfiteatro da Sabedoria Eterna” e pode ser ouvida neste link» AQUI

Fabio Almeida
Perfil Pessoal: https://www.facebook.com/ffabioalmeida
Blog: http://www.sinfoniacosmica.com/
Música: https://soundcloud.com/fabio_almeida

Este post tem 10 comentários

  1. Ricardo

    Interessante o poste, parabéns.

    Li que a harpa também representa o princípio feminino, antagonicamente à espada, que representa o princípio masculino.

    Essas representações podem ser encontradas no mito de Tristão e Isolda, no qual o simbolismo da espada e da harpa são apresentados metaforicamente como aspectos internos do herói.

    Abraço!

  2. Jonatha

    Fabio, parabéns pelo post e pela belíssima musica!

    Abraço.

    @Fabio – Valeu 😉

  3. mathias

    Nossa, arrepiou aqui ouvindo a canção, linda!!
    Parabéns!!

    @Fabio – Obrigado Mathias!

  4. Fauno

    Muito interessante o post, me fez refletir sobre várias coisas..
    E a sua musica é muito magnifica, esse estilo é muito encantador…

  5. André

    Muito bom, eu adoro esse tipo de música. Certeza que vivi nos tempos bardos, rsrs. Parabens

  6. Henrique HSS777

    Maravilha de música!

  7. zaca

    so’ nas oitavas sr. fabio? alquimistas R+C utilizavam os sons vocalicos em seus experimentos , otimo post obrigado!

    @Fabio – Por nada Zaca, abs.

  8. Quetz

    Adorei a musica!
    Como Disseram, arrepia tudo!!
    Você tem mais composições do gênero?

    @Fabio – Olá Quetz, fico feliz que tenha gostado. Tenho sim, mas estão em fase de finalização… abraço.

  9. Wagner Martins da Silva

    obrigado por compartilhar o trabalho, lindisssimo.

  10. Pseudo-Cético

    Interessante seu som.
    Qual software você usa para compor/produzir?

    Logic, Pro Tools, Cubase, Sonar…?

    @Fabio – Sibelius/Cubase

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