Goécia

goecia

Uma das etapas mais importantes do desenvolvimento mágico na Tradição Esotérica Ocidental, mas também uma das mais incompreendidas, é o trabalho goético, ou invocação dos demônios. Foi sobretudo graças à Goécia que a magia adquiriu uma reputação tão sinistra no ocidente, especialmente em uma sociedade como a medieval, em que a palavra demônio evocava a noção de criaturas infernais, dotadas de chifres e rabo pontiagudo, sempre com um tridente na mão e envoltas em exalações sulfurosas. Essa idéia era compartilhada tanto pelo pio cristão quanto pelos pseudomagos que se aproximavam do trabalho goético ávidos por fama e poder, o que deu origem à lenda popular do pacto com o Diabo, que acabou se cristalizando na lenda de Fausto.

Foi só a partir das pesquisas de McGregor Mathers, um dos fundadores da Golden Dawn, que a Goécia começou a recuperar seu sentido original. Rato incansável de biblioteca, Mathers descobriu, traduziu e publicou a obra mais importante da tradição goética, a Clavícula de Salomão, cujas instruções serviram de base para a composição do Livro da Serpente Negra, o qual registra a versão Golden Dawn da Goécia. Na interpretação moderna adotada por Mathers e seus colegas, os demônios com os quais a Goécia trabalha são vistos como uma personificação das forças sombrias que agem nas profundezas da psique do próprio mago. Elas tornam-se demoníacas na medida em que são apartadas da consciência e, conseqüentemente, se voltam contra esta, o que não deixa de antecipar as teorias freudianas sobre o recalque e o retorno do recalcado. O objetivo do trabalho goético é recuperar essas forças e integrá-las à totalidade da psique, transformando-as em energias positivas que contribuem para a evolução interior do mago.

Com o costumeiro tom pragmático e pé-no-chão que adotava sempre que não estava preocupado demais em impressionar os basbaques com sua persona de Grande Mago, Crowley foi direto ao ponto, na célebre introdução que escreveu para a tradução de Mathers da Clavícula de Salomão: “Os espíritos da Goécia são parcelas do cérebro humano.”

Mais prudente que Crowley, Israel Regardie evita atribuir uma base cerebral para os demônios goéticos, mas não deixa de insistir sobre o paralelo entre eles e os complexos inconscientes estudados pela psicanálise:

complexo, enquanto for um impulso subconsciente oculto, à espreita e destituído de configuração ou forma no inconsciente do paciente, ainda com força para romper a unidade do consciente, não pode ser adequadamente confrontado. A mesma base racional subjetiva estende-se ao aspecto goético da magia, a evocação dos espíritos. Enquanto na constituição do mago permanecem ocultos, descontrolados e desconhecidos esses poderes subconscientes, ou espíritos (…), ele é incapaz de enfrentá-los adequadamente, examiná-los ou desenvolvê-los visando modificar um e banir outro do campo total da consciência. Eles precisam assumir forma antes que possam ser usados. Mediante um programa de evocação, porém, os espíritos ou poderes subconscientes são convocados das profundezas, e sendo atribuída a eles forma visível no triângulo de manifestação, podem ser controlados por meio do sistema mnemônico de símbolos transcendentais e conduzidos ao terreno da vontade espiritualizada do teurgo.

Mesmo que Regardie use palavras com as quais os psicólogos contemporâneos não se sentem muito à vontade – como subconsciente, por exemplo -, sua descrição da Goécia é clara o suficiente para reconhecermos que o trabalho goético não é outra coisa senão o que os junguianos denominam de confronto com a sombra.

Sombra

Classicamente, a psicologia junguiana define a sombra como os aspectos da personalidade que o ego se recusa a reconhecer e que, dessa forma, são banidos para o inconsciente. Os motivos dessa recusa são vários mas, de um modo geral, têm uma base sociocultural: o indivíduo reprime aqueles traços que não são valorizados pela sociedade ou que, durante a infância, os pais o ensinaram a encarar como feios, maus ou indesejáveis. Alguns desses elementos foram simplesmente expulsos do campo da consciência. Outros nunca chegaram a fazer parte dele e foram barrados antes mesmo que tivessem condições de se desenvolver. Formam a base do que Jung descreveu como o inconsciente pessoal e que coincide mais ou menos com o conceito de inconsciente que Freud desenvolveu no início da psicanálise, antes que formulasse a célebre distinção entre ego, superego e id.

Nos sonhos e fantasias das pessoas, os componentes da sombra costumam aparecer sob a forma de figuras perturbadoras, más ou demoníacas. De fato, a interpretação junguiana tradicional identifica os demônios da religião aos complexos que constituem a sombra, e é esse o fundamento da explicação que Regardie dá para os demônios goéticos. No entanto, é importante frisar que esses complexos não são bons ou maus em si mesmos. São forças psíquicas, moralmente neutras, e é apenas à luz dos valores do ego que eles adquirem uma conotação maléfica.

Para dar um exemplo, durante boa parte da história, a sociedade patriarcal classificou os sentimentos como um atributo feminino e inferior. A expressão dos sentimentos pelos homens era vista como sinal de fraqueza, o que ainda persiste em ditados como o de que “homem não chora”. Para onde vão os sentimentos que os homens são proibidos de exprimir? Para a sombra, claro. Uma vez lá, tornam-se complexos inconscientes, em constante pé-de-guerra com o ego, e que exercem uma influência perturbadora sobre a consciência, apossando-se dela em determinadas circunstâncias – por exemplo, quando o homem explode em um ataque de raiva incontrolável. Essa raiva é um demônio porque possui a consciência, escapa ao seu controle e causa efeitos destrutivos para o próprio indivíduo e para os que o rodeiam. Mas ela não é essencialmente má. É uma força positiva, o sentimento, que só se tornou destrutiva devido à repressão que a impede de ser canalizada de uma forma mais construtiva. A mesma coisa vale para todos os elementos que constituem a sombra.

Os junguianos freqüentemente se referem à sombra no singular, como se fosse uma entidade única, mas não devemos nos iludir com isso. A sombra é uma instância múltipla, composta por diferentes forças que só têm em comum o fato de terem sido reprimidas pelo ego, e que muitas vezes, além de estarem em conflito com a consciência, também se opõem entre si. Imagine uma multidão de demônios, pequenos e grandes, em constante luta uns com os outros, uivando, berrando, e você vai ter uma boa idéia do que se passa no território da sombra. É esse quadro que está na origem do termo goécia, palavra que em grego significa um uivo feroz e inarticulado.

O desenrolar do processo de individuação – que, como foi dito em outra parte, é nada mais, nada menos do que a iniciação de que falam os esoteristas – leva a consciência a se identificar cada vez menos com o ego, alargando seu campo para integrar os conteúdos do inconsciente, tanto do inconsciente pessoal quanto do coletivo. É inevitável, portanto, que em determinada altura do caminho, ela se defronte com o problema de recuperar a sombra, trazendo seus demônios para a superfície, exorcizando o caráter destrutivo dessas forças e integrando-as a seu próprio campo.

No âmbito da psicologia junguiana, esse trabalho é feito com a ajuda do terapeuta. Antes que a psicologia fosse inventada, contudo, as religiões e escolas esotéricas desenvolveram uma bateria de rituais com o propósito de alcançar esse objetivo. A magia goética, tal como descrita pela Clavícula de Salomão, é um desses procedimentos.

A Sombra e a Sístase

Antes de continuar, consideremos a questão da sombra à luz do conceito gnóstico de sístase.

Quem vem acompanhando o Franco-Atirador há algum tempo deve se lembrar de que a sístase é o nome que os gnósticos davam para o sistema de dominação que aprisiona o ser humano, limitando seu potencial. Esse sistema tem ramificações que se estendem por todos os níveis, do cósmico ao psicológico, mas suas principais manifestações são:

1. Giger_bNo campo social, um conjunto de valores que determina o que é ou não aceitável, e inclusive o que deve ser considerado como real ou irreal. É o que o marxismo descreve sob a rubrica de ideologia.

2. No campo psicológico, padrões estereotipados de cognição e comportamento, que filtram as percepções das pessoas e moldam suas ações e interações. A psicanálise se refere a esses padrões como o superego.

3. No campo fisiológico, um sistema de tensões físicas – sobretudo musculares, mas não só – que impedem a energia de circular livremente pelo organismo. Reich batizou esse sistema de tensões de couraça caracteriológica ou couraça muscular.

Esses três níveis estão, obviamente, inter-relacionados. É a internalização da ideologia que está na origem do superego, e é o superego que se ancora no corpo sob a forma de um encouraçamento do organismo. Uma vez constituídos, superego, couraça e ideologia reforçam-se mutuamente em um circuito de retroalimentação (feedback). O circuito age como um filtro, que deixa passar algumas percepções, emoções e atitudes, com os quais a nossa realidade consensual (a visão que temos de nós mesmos e do mundo) é construída, enquanto outros, que não são considerados compatíveis com a realidade consensual, são sumariamente excluídos. O que mantém esse circuito funcionando é a energia dos próprios impulsos reprimidos, desviada e canalizada para alimentar o sistema.

Como o leitor deve ter percebido, a descrição gnóstica e a teoria junguiana da sombra descrevem a mesma coisa sob dois pontos-de-vista ligeiramente diferentes. A partir dessas duas visões, não é difícil perceber também que as relações entre o ego e a sombra são mais complexas, mais dialéticas, do que uma leitura superficial permitira supor. O mundo do ego rejeita a sombra mas, ao mesmo tempo, precisa da energia dela para existir. Nossa realidade consensual só se mantém à custa da força que extrai daquilo mesmo que ela exclui. Os impulsos reprimidos são transformados em demônios, mas são esses demônios que sustentam a estrutura que os reprime.

Conseqüentemente, é impossível superar a sístase enquanto ela for constantemente energizada pelo reprimido em nós. Daí que a integração da sombra, trazer os demônios do inconsciente à luz da consciência e, numa palavra, redimi-los, é uma condição sine qua non para a dissolução do estado de sístase. O que dá toda uma nova perspectiva ao trabalho goético.

A Clavícula de Salomão

Apesar de ser atribuído ao rei Salomão – que, segundo o folclore judaico, tinha o poder de controlar os demônios do céu, da terra e do inferno -, o texto da Clavícula não tem nada a ver com o legendário soberano judeu. De acordo com os filólogos que estudaram a composição do texto, ele deve ter sido escrito por volta do sec. XII d.C., provavelmente na região do Império Bizantino, que herdou boa parte do conhecimento clássico e helenístico, inclusive no que se refere ao esoterismo.

Como todos os tratados de magia medieval, a Clavícula descreve um procedimento ritualístico bastante complexo, com a utilização de toda uma parafernália cerimonial de robes, pantáculos, amuletos e talismãs, que devem ser confeccionados seguindo à risca as precisas instruções contidas em cada capítulo. Um leitor moderno que vá ler o texto à procura de um manual prático ficará inevitavelmente decepcionado – pode-se dizer o que for dos rituais seguidos pelos magos medievais, menos que eles são práticos. Mesmo problema, aliás, do Livro de Abramelin. E não ajudam nada as constantes advertências de que o menor erro pode fazer com que a alma do mago seja arrastada para o inferno pelas entidades que ele imprudentemente evocar.

Mas não há motivo para susto. A razão pela qual a magia cerimonial antiga é tão abstrusa é a necessidade de mobilizar e canalizar as forças da imaginação, que são, afinal de contas, o único instrumento realmente necessário para a prática da magia. Todo o aparato que o mago é instruído a fabricar tem um significado acima de tudo simbólico, e espera-se que as dificuldades que ele vai encontrar ao fazê-los sejam suficientes para direcionar sua vontade em direção ao objetivo. Já no Renascimento, os criadores do que se tornou conhecido como magia hermética – Marsilio Ficino, Giordano Bruno e Pico della Mirandola, entre outros – compreenderam que uma capacidade de visualização bem-desenvolvida pode substituir com proveito essa tralha toda. A Golden Dawn aprofundou ainda mais essa trilha do uso mágico da imaginação, que consiste na visualização de símbolos e interação com eles em uma esfera puramente psíquica (o astral, como se costuma dizer). E AOSpare e a magia do caos levaram a tendência a seu limite extremo, substituindo até o simbolismo tradicional por símbolos e imagens que fossem eficientes e adequados à psicologia individual de cada mago.

(Por outro lado, para os que gostam da pompa e circunstância da magia cerimonial, Carroll “Poke” Runyon desenvolveu uma versão contemporânea da magia de Salomão que, embora eu não tenha testado na prática, me pareceu bem interessante e vale pelo menos uma olhada, apesar das horrendas ilustrações kitsch com que ele recheou seu livro…)

O Círculo Mágico e o Triângulo da Manifestação

Alegorias de escola de samba à parte, a magia goética se apóia sobre dois instrumentos: o círculo mágico e o triângulo da manifestação. Circle_goetiaO círculo mágico é um velho conhecido de todos os que estudam magia. É no interior dele que fica o mago e sua função tradicional é protegê-lo das forças que o ritual se destina a evocar. Autores contemporâneos, embora não neguem esse papel de proteção, tendem a ver o círculo mágico muito mais como a constituição de um espaço sagrado, separado da realidade quotidiana, no interior do qual a consciência se desloca para um estado alterado no qual a magia é possível. (Um exemplo dessa nova abordagem do círculo mágico pode ser encontrada aqui.) De qualquer forma, embora o mago medieval laboriosamente traçasse o círculo fisicamente no chão, não existe motivo pelo qual ele não possa ser simplesmente visualizado, que é a alternativa adotada por um bom número de adeptos nos dias de hoje.

A mesma coisa se aplica ao triângulo da manifestação, no interior do qual muitas vezes colocava-se um espelho mágico. De acordo com a Clavícula, ele deve ser feito de madeira, com as dimensões exatadas dadas pelo texto, mas pode-se perfeitamente visualizá-lo apenas na imaginação. Como o próprio nome diz, é no interior do triângulo que as entidades evocadas se manifestam. E as explicações dadas por Regardie e outros deixam bem claro que seu valor é antes de mais nada simbólico.

Identificando os demônios pessoais

Levando-se em conta o caráter simbólico de seus elementos, o ritual goético pode ser simplificado ao extremo, tornando-se uma forma de meditação voltada para a integração dos conteúdos que compõem a sombra.

O primeiro passo é identificar esses conteúdos. Você pode preferir trabalhar com os próprios demônios goéticos que, afinal, em última análise, são uma personificação das tendências sombrias da psique. Se optar por essa alternativa, vai encontrar uma descrição pormenorizada dessas entidades em qualquer edição da Clavícula de Salomão (no início do post, dei o link de uma). Eu, porém, não recomendo essa abordagem. Embora sejam uma representação arquetípica, os demônios da Goécia são também clichês elaborados em um contexto – o do cristianismo medieval – que tem pouca ou nenhuma relevância para a psique contemporânea. E apesar do núcleo da sombra ser constituído de partes arquetípicas, ela é também uma montagem altamente individualizada de impulsos reprimidos e traços negativos da sua personalidade. Ou seja, todo mundo tem uma sombra, mas a sombra não é igual para todo mundo. Por esse motivo, é preferível dar espaço para que seus demônios pessoais se revelem sob uma forma igualmente pessoal, em vez de tentar encaixá-los na marra em uma representação coletiva.

Normalmente, as partes da sombra podem ser identificadas através de suas manifestações emocionais. São emoções que se apoderam subitamente da consciência sem causa aparente ou com uma intensidade desproporcional a sua pretensa causa. Por exemplo, ataques de raiva cega ou destrutiva, sentimentos de opressão ou depressão não motivados (pelo menos, não inteiramente) pelas circunstâncias externas, inveja ou ciúme patológicos, etc.

Antes de proceder ao trabalho goético propriamente dito, é preciso mapear esses sentimentos. Uma forma simples de fazer isso é manter um registro escrito no qual se anota escrupulosamente todos os sentimentos que se quer trabalhar. Se preferir, você pode dar um nome a esses sentimentos (por exemplo, o Demônio da Raiva ou o Espírito da Depressão). Personalizar os conteúdos da sombra facilita a etapa seguinte, que é evocar sistematicamente seus demônios, com o objetivo de exorcizá-los.

Exorcismo da sombra

Exorcizar os demônios, ao contrário do que o filme de William Friedkin e séculos de tradição católica dão a entender, não significa expulsá-lo. Isso seria o equivalente teológico da repressão e eles já estão mais do que reprimidos, obrigado. É por isso, aliás, que se tornaram destrutivos.

A palavra exorcismo vem do grego exos, exterior, e significa simplesmente trazer para fora o que estava oculto. Exorcizar um demônio significa apenas expor à luz da consciência um conteúdo que se encontrava reprimido no inconsciente.

Para isso, primeiro visualize a si mesmo no interior de um círculo de proteção ou visualize um círculo de proteção ao seu redor. Se achar necessário, pode traçar o círculo fisicamente, com giz ou que o valha, mas mentalizar um círculo de luz branca ao seu redor é o suficiente. Procure ver o círculo com a máxima nitidez possível. Sinta a proteção que ele oferece, isolando-o de todas as influências negativas, inclusive e sobretudo das forças que você vai evocar.

Em seguida, imagine um triângulo em frente a você, mas fora do perímetro do círculo. Ele corresponde ao triângulo da manifestação da Goécia clássica. Eu o vejo como um triângulo de luz vermelha, provavelmente porque a emoção característica da minha sombra é a raiva, mas a cor não é de fato importante. O essencial é imaginá-lo com nitidez e, de novo, se quiser, pode desenhar um triangulo concreto diante de seu círculo.

O passo seguinte é vivenciar a emoção que vai ser trabalhada. O momento ideal para isso seria quando ela surge espontaneamente, mas na maior parte das vezes isso é muito difícil, beirando o impossível. Um dos traços mais marcantes das emoções da sombra é seu caráter compulsivo e, no calor da emoção, não se pode censurá-lo por não conseguir parar para visualizar o círculo e o triângulo.

Evocando os Demônios Pessoais

Em vez disso, depois de confortavelmente instalado em seu círculo, defronte o triângulo da manifestação, procure se lembrar das ocasiões em que você experimentou a emoção da sombra. Escolha apenas uma emoção de cada vez, ou será impossível lidar com a horda de demônios que vai irromper pelas janelas da mente.

Tente se lembrar não das circunstâncias externas, que são irrelevantes, mas das sensações que você teve quando a sombra irrompeu. Trate de evocar nos mínimos detalhes como você se sentiu nessas ocasiões.

Quando perceber que conseguiu estabelecer contato com a emoção, visualize-a fluindo de você para o triângulo da manifestação, onde ela se acumula como uma massa luminosa de intensidade crescente. Depois de algum tempo, essa massa vai se coagular e assumir uma forma concreta. Pode ser uma pessoa, um animal ou um objeto. Não tente antecipar ou impor uma forma, deixe que o processo seja espontâneo.

No entanto, caso ela surja sob o aspecto de uma pessoa real, de carne e osso, peça-lhe para adotar outra forma. Isso significa que você tende a projetar a emoção em questão sobre a pessoa que apareceu, e confundir as duas só vai trazer dor-de-cabeça para você e para a pessoa. Jung dizia que praticar qualquer espécie de imaginação ativa sobre a imagem de uma pessoa real é magia negra, e ele tinha toda a razão quanto a isso.

Pode ser que a imagem demore um pouco para se estabilizar, adotando várias formas seguidas, como se o conteúdo estivesse decidindo qual é a mais adequada. Mas, uma vez estabilizada, ela é o seu demônio. E está pronto para ser confrontado.

Agora eu tenho sua Atenção

Uma questão importante antes de sair evocando os espíritos goéticos é: o que fazer quando eles aparecem? Você está escancarando os porões do inconsciente para dar passagem a seus piores demônios. Agora que eles estão plantados diante de você, como lidar com esses visitantes infernais?

Os magos medievais e renascentistas que usavam a Goécia não tinham grandes problemas com isso. Como eles trabalhavam com um sistema de crenças objetivo, a integração dessas forças à consciência não se colocava. Suas finalidades eram práticas até o talo: queriam conhecimento, poder ou diversão, e ponto final. Quando os espíritos goéticos surgiam, eles os botavam pra trabalhar. Depois, se tivessem cumprido sua tarefa a contento, recebiam uma licença para partir e tornavam a mergulhar nos porões sulfúreos do inconsciente, autônomos e não-integrados. Ou, se o mago não tivesse cumprido sua tarefa a contento, invadiam o círculo de proteção e se apossavam de sua alma (um fenômeno que a psicologia analítica conhece como inflação do ego e ao qual os psicólogos junguianos se referem como possessão do ego por um conteúdo do inconsciente).

Não admira que a Goécia tenha adquirido uma reputação tão ruim, não só entre os leigos, mas entre os próprios adeptos. Sempre que questionados sobre as operações goéticas, os membros da Golden Dawn saíam pela tangente, e davam a mesma resposta do Jesus de South Park: “Meu filho, eu não tocaria nisso nem com uma vara de dois metros.” E isso a despeito de ter sido McGregor Mathers quem traduziu a Clavícula de Salomão para o inglês.

No entanto, é preciso tocar nisso, com ou sem uma vara de dois metros.

Psicologia do Ego

A resposta do necromante clássico é obviamente insatisfatória. Usar nossos demônios para atender desejos pessoais é colocar essas forças a serviço do ego. Seu equivalente contemporâneo poderia ser a ego psychology, que pretende drenar o inconsciente para criar um ego forte, plenamente adaptado ao princípio da realidade e capaz de submeter os “caprichos” do inconsciente ao domínio imperioso de sua vontade (que não deve ser confundida com a Verdadeira Vontade de Crowley e da Thelema).

Isso é o oposto da integração.

Os espíritos goéticos devem ser integrados à consciência, e não ao ego, e enquanto essa distinção não for compreendida, não importa o rótulo que se empregue, estaremos praticando magia negra da pior espécie.

O que fazer?, perguntaria o camarada Lênin, confiando seu cavanhaque com o olhar perdido no vazio.

O que fazer?

Diálogo com a Sombra

Os espíritas diriam que é preciso doutrinar os espíritos, isto é, esclarecê-los quanto à verdadeira doutrina de Kardec, tirá-los das trevas da inconsciência e permitir que eles se aperfeiçoem pela prática de obras de caridade.

Contenha o sorriso, meu caro leitor cínico. Eles estão certos.

Não da maneira que eles pensam, evidentemente. Os espíritas pecam por uma certa ingenuidade e uma compreensão literal das coisas – daí acreditarem piamente que existem linhas de ônibus em Nosso Lar – mas, talvez até por causa de sua inocência, descobriram um princípio importante.

Os espíritos são tirados do inconsciente através do diálogo.

Os espíritos são integrados à consciência estabelecendo-se uma conexão entre eles e alguma coisa maior que o ego.

Além do Ego

Esse eixo de referência maior que o ego é, evidentemente, o Self – ou o SAG, se você preferir o vocabulário mágico.

É isso que significa o círculo mágico de proteção. O círculo é o emblema geométrico do Self, e você vai notar que, na descrição da Clavícula, não é o nome do mago que está escrito em sua periferia, mas os nomes de Deus. Você notará também que mesmo a invocação goética tradicional conclama os espíritos a obedecerem em nome de Deus. É claro que invocar o poder divino para obrigar o espírito a encher seus cofres de ouro é uma traição do ego, mas o ponto não é esse. O ponto é que a força que submete os espíritos se origina de além do ego.

Desnecessário dizer, se o mago não tiver estabelecido ele próprio essa conexão entre a consciência e o Self, a evocação goética não passa de palavrório vazio. Pior que isso, é um blefe, porque o mago estará se apoiando em um poder que ele não possui. E um blefe que, com toda a probabilidade, não vai demorar a ser desmascarado, uma vez que, se a consciência não estiver solidamente ancorada no Self, não terá como fazer frente ao fascinium tremendum que emana dos complexos do inconsciente e que é descrito nos tratados tradicionais como a irresistível capacidade de sedução dos espíritos infernais.

O resultado disso, numa palavra?

Loucura.

Foi só porque teve o bom-senso de se amarrar ao mastro do navio que Ulisses pôde resistir ao canto das sereias.

É por esse motivo que, segundo Abramelin, o trato com os espíritos infernais vem depois da conversação com o Santo Anjo Guardião. Abramelin vai ainda mais longe e diz que é o próprio SAG quem ensina o mago a melhor maneira de evocar e controlar os espíritos. E adverte enfaticamente sobre o risco mortal que é a evocação dos espíritos infernais sem a imprescindível retaguarda fornecida pelo SAG. Esqueçam estes charlatões prometendo contato com kiumbas e eguns; eles não têm poder para nada, se tivessem, estariam ricos e não precisariam vender pactos para viver. Os verdadeiros demônios que podem ser negociados estão dentro de cada um de nós.

Por Lucio Manfredi.

Este post tem 44 comentários

  1. Jessé Bispo

    De acordo com vários praticantes e estudiosos da goécia, os demônios, além da ligação com a sombra interior, do inconsciente, são entidades reais e exteriores que se ligam a estas vibrações nas evocações. O sentido das manifestações dessas entidades ligadas as várias vibrações do inconsciente, se assim for, seriam para serem “doutrinadas” ou expurgar suas imperfeições nesses rituais? Ou testar o mago? Em nenhum momento essas entidades ou vibrações estariam a serviço do evocador como guardião ou bem feitor, tipo o Exu, que provê condições de defesa, força e até financeira para que o praticante e buscador tenha condições de continuar o trabalho mágico espiritual?

    @MDD – cite algum “praticante de goecia” que de para levar um minimo de seriedade que afirme isso. Todos os experimentos com goecia reais que jah fizemos indicam que quaisquer entidades que respondiam em 1700 naqueles primeiros grimórios já estao em outros estagios de evolução e tudo o que os tais “praticantes” conseguem acessar sao eguns e kiumbas ou cascões astrais na melhor das hipóteses. Some-se a isso o fato de que 90% das ditas evocações sao feitas sem nenhuma proteçao, cuidado, tecnica ou conhecimento dos moleques que baixam esses “rituais” na internet sem orientaçao alguma.

    1. João Pedro

      E como se chega ao discernimento de que se está lidando com a sombra e não com eguns, kiumbas ou cascões? O texto anuvia a questão, até porque parece mesmo contradizer a real existência dessas entidades quando afirma que os “espíritas pecam por uma certa ingenuidade e uma compreensão literal das coisas – daí acreditarem piamente que existem linhas de ônibus em Nosso Lar.” Pode nos esclarecer, MDD?

    2. Marcus

      Para mim ainda não ficou claro, vejo informações conflitantes. Afinal os demônios da Goécia são entidades externas ou aspectos negativos da personalidade do praticante? Ou seriam ainda entidades externas que se aproveitam dos aspectos negativos?

      O sistema surgiu com o intuito de se comunicar com qual dos dois?

      Existem outros sistemas similares que não utilizem essa antropomorfização dos aspectos negativos?

    3. Caio

      Realmente, sem os devidos cuidados, “qualquer um” pode ver um moleque tentando um ritual e aparecer no triângulo pra estabelecer um contato. Se o tal moleque tiver algum tipo de mediunidade mais complicado e não tiver um trabalho sólido com os próprios guias, pode levar a resultados bem ruins.

      Sobre “usar” a sombra pra trabalhar, o que isso faria na verdade é alterar a sua mente. Se você chamar um demônio interior da ganância pra te ajudar a ganhar dinheiro, o que você vai ganhar é a própria ganância (integração com o ego), o que pode até te ajudar a ganhar dinheiro se feito do jeito certo, mas uma vez “ganhada” a ganância pelo ego, se ver livre dela dá um trabalho que não vale a pena.

  2. ana gomes

    Um dos melhores textos que já li até hoje sobre o assunto,excelente,tirou várias dúvidas que eu tinha,mas me restou uma: Se esses demônios são a nossa própria sombra,é possível que eles realmente consigam fazer algo por quem pratica a goecia corretamente?Por exemplo,esses demônios conseguiriam realizar algum desejo externo do mago,algo que não depende do mago pra que se realize,como conquistar determinado emprego,ou viagem? E se for possível realizar esses tipos de desejo,qual a explicação,já que são sombras internas de cada pessoa,e não demônios vindo do inferno e etc. Obrigada pelo excelente texto,abraço!

  3. Marcio

    “Os impulsos reprimidos são transformados em demônios, mas são esses demônios que sustentam a estrutura que os reprime.”

    Excelente. Ótima escolha de palavras. Descreve bem um ciclo vicioso que, em algumas correntes filosóficas, é encarada como necessária aceitação para o equilíbrio do ser (ou seja, o indivíduo autojustificado e bem encaixado na sociedade). Mas que verdade, se distancia de sua natureza.

    “Jung dizia que praticar qualquer espécie de imaginação ativa sobre a imagem de uma pessoa real é magia negra”

    Para os que tem dúvidas sobre succubus/incubus, essa frase é bastante esclarecedora. mas também serve para qualquer outro vício, inclusive a fuga da realidade através da fantasia, geralmente sustentada na frustração e/ou repressão não só do instinto, mas também de emoções não refinadas.

    Parabéns pelo texto.

    PS: e obrigado pela palavra nova: abstrusa. Já incluí no meu vocabulário

  4. Priscila

    Um dos textos mas interessantes que já li aqui no TdC.

  5. Marcelo

    Poder ter acesso a este texto foi enorme privilégio. Obrigado ao autor e ao MDD.

  6. Igor Menezes

    dentro das Clavículas, cada um dos Demônios tem a sua característica. E dentro desses que tem o poder da riqueza ( financeira ) não são capazes de tal feito? é tudo furada? a clavícula em mentirosa?

  7. O Outro lado

    Com todo respeito, nao por autor vestir a Goetia com roupagem da psicologia
    de Jung que ela se torna mais credível.
    É importante realçar que a propria psicologia Jungiana possui zero credibilidade
    perante a psicologia moderna por ter pouco embasamento cientifico.
    As teorias de Jung têm mais de 100 anos, e a goetia mais de 300.
    Quem hoje em dia utiliza medicina com mais de 100 anos?
    Entao pk utillizar psicologia com mais de 100 anos cujas teorias nao sao testáveis
    e falsificáveis?
    O proprio Regardie, citando no artigo, disse numa entrevista que todo tempo que perdeu
    estudado Jung foi tempo jogado fora.
    Jung era mais um mistico do que um psicologo.

    @MDD – tenho uma novidade para voce: Aleister Crowley, Mathers, Papus, Eliphas levi, Regardie e todos os outros que ja estudaram magia não sao reconhecidos pela psicologia, portanto, estamos cagando e andando para quem a psicologia ortodoxa reconhece ou não reconhece.

    1. TP

      Na verdade, se se refere à entrevista dada ao Hyatt, a verdade é que Regardie não disse o que você afirmou. Ele disse que “o ano que fez terapia junguiana foi um ano jogado fora”, no entanto, “a terapia o ajudou a se familiarizar com a linguagem de Jung”, reconhecendo que Jung o deu uma filosofia que teve lugar em sua vida.

      Ainda disse que:

      “(…) não há nada no homem, absolutamente nada, que não possa ser utilizado a fim de favorecer a Grande Obra, favorecer seu próprio desenvolvimento psico-espiritual em um ser humano completo e iluminado”, completando que “(…) os chamados elementos malignos do homem, quando dominados e colocados no seu devido lugar, podem servir como um forte cavalo, uma poderosa besta sobre a qual pode cavalgar para onde quiser ir.”

      Christopher Hyatt então afirmou:

      “Esse ponto de vista parece muito semelhante às ideias de Jung e de Reich.”

      E Regardie completou:

      “Exatamente. Tem pouca diferença.”

      http://hadnu.org/publicacoes/34-uma-entrevista-com-israel-regardie

    2. Marcus

      Ótima resposta, MDD. Mas infelizmente essa resposta não justifica esse texto, e nem preenche as lacunas que ele deixou abertas (e são muitas lacunas). SEsse texto tenta provar que a magia cerimonial não passa de “psicologia induzida”. Mas será mesmo? Será que um texto psicologizado desses consegue comprovar que TODA Tradição da magia cerimonial ocidental e os demons goéticos são apenas “frutos do inconsciente reprimido”? Com base no quê se afirmou que os demons goéticos “evoluíram” para outros planos de existência?

      @MDD – Os demonios goeticos como estavam descritos no Legemeton eram o que podemos chamar de “pontos riscados de um pai-de-santo branco cristao do seculo XVII”. Tanto que quando fizemos as evocações corretamente, a entidade nos confirmou que ja nao atendia por aquele nome há mais de dois séculos… mas, entao, o que foi feito dessa conexão? a resposta é que foi abandonada, sendo preenchida por quiumbas, eguns e espíritos zombeteiros que buscam nos que se arriscam ainda nas “evocações malignas 666 da internet” em obter alguma vantagem ilusória. O treinamento das qlipoth, por outro lado, ocorre no plano mental, mas se o que está dentro está fora, obviamente estas sombras ou demonios (que, novamente, sao apenas filtros de nossa percepção das energias que permeiam o espectro zodiacal). O treinamento de encontro com nossos goécios é feito em NOX, depois que o estudante aperfeiçoou seu Templo Astral, armas, tarot, entrou em contato com seus anjos e guardiões… somente então ele toma contato com esta área sombria.

      Quanta abobrinha em um só texto…

      @MDD – na verdade, os textos que vemos em sites satanistas, goeticos, qliphoticos e afins é que estao recheados de abobrinhas para “caçar otário” e faze-los de pilha de egun. E eles adoram posar de pseudo-intelectuais para criticar quem discorda das grandes verdades dos sabios goecios… ironicamente, ainda nao encontrei um praticante de goecia que nao more com a mãe ou de aluguel ou favor… se nem nesse quesito básico que é uma casa própria eles conseguem “ajudar” ao mago, que dira de todas as outras “maravilhas” propagandeadas?

      Só pra deixar claro ao autor do texto e quem o defende: Jung NÃO ERA MAGO. Era psicólogo (um grande psicólogo, diga-se de passagem); mas daí a tomar a teoria dele pra justificar que os goéticos são apenas “manifestações da sombra” do próprio operador, é algo DESONESTO. Isso se chama desonestidade intelectual…pois Jung, ao longo de toda sua obra, nem mesmo citou Goetia, evocações ou qualquer coisa ligada à magia cerimonial.

      Estudo Jung há anos, sei de sua importância, mas não distorço sua teoria pra justificar pensamentos psicologizantes e esquisotéricos. Magia NÃO É PSICOLOGIA. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

      @MDD – O Universo é mental. A psicologia é a forma organizada que a ciencia encontrou para ordenar o que antigamente era chamado de magia, mas o trabalho simbólico e arquetipal continua o mesmo para o autoconhecimento. O Plano Astral trabalha com símbolos e o que está fora reflete o que está dentro do mago.

      Da mesma forma, usar Crowley pra justificar essa visão psicológica da magia cerimonial é pura perda de tempo e forçação de barra. Crowley não pode ser tomado como parâmetro de magia cerimonial, e suas evocações são criticadas até por thelemitas que se aprofundam no estudo da Goetia e da magia cerimonial. As operações submetidas por Crowley foram operações que não seguiram sequer os preceitos mais básicos da magia cerimonial tradicional, e os procedimentos adotados comprometem quase que totalmente os resultados descritos por ele nessas operações (como na famosa “evocação de Bartzabel”, onde ao invés de evocar uma entidade, ele simplesmente a “invocou” para um dos operadores presentes).

      @MDD – A magia cerimonial tradicional quase nao difere de rituais de incorporaçao da umbanda, apenas havia uma necessidade maior de adereços, fetiches e ferramentas, para focar melhor o mental do mago a ponto de entrar em contato mais facilmente com as energias e entidades que desejava invocar. Se analisar as evocações do proprio Crowley, por exemplo, ver que na “Operaçao paris”, o Mercúrio que ele evoca toma brandi e fuma charuto! Praticamente um EXU da umbanda, travestido com as roupas culturais do seculo XIX e por ai vai.

      1. Marcus

        “ironicamente, ainda não encontrei um praticante de goecia que não more com a mãe ou de aluguel ou favor… se nem nesse quesito básico que é uma casa própria eles conseguem “ajudar” ao mago, que dirá de todas as outras “maravilhas” propagandeadas?”.

        Sim, nós concordamos nesse ponto MDD. Grande parte dos praticantes das chamadas “vertentes goéticas alternativas” fracassam justamente por tentarem operar magicamente com Magia Clássica, usando um raciocínio “moderno”. E Magia Tradicional e Moderna não se misturam justamente por isso: são vertentes diferentes, com filosofias distintas e formas de se trabalhar diferentes. Não existe essa história de que “magia é magia”. O pensamento mágico moderno não se encaixa com operações de magia Clássica (como as evocações, por exemplo)…justamente porque o pensamento moderno é iluminista e psicologizado, e a magia Clássica não.

        “O Universo é mental. A psicologia é a forma organizada que a ciência encontrou para ordenar o que antigamente era chamado de magia, mas o trabalho simbólico e arquetipal continua o mesmo para o autoconhecimento. O Plano Astral trabalha com símbolos e o que está fora reflete o que está dentro do mago”.

        O fato do universo ser mental, não significa que “toda forma de magia seja apenas mental”….e muito menos que Magia e Psicologia sejam uma só coisa. Pensar assim é distorcer tanto a Lei Hermética do Mentalismo quanto a própria Psicologia e a Magia. Magia Cerimonial (e a Goetia está inclusa nela) não mexe unicamente com a mente do operador: ela com certeza influencia a percepção do Mago, mas dizer que os efeitos de Magia Cerimonial podem ser explicados unicamente pela Psicologia é querer psicologizar demais algo que vai bem além do estudo da mente.

        A Psicologia não é a forma “moderna” de se encarar Magia; é simplesmente uma ciência divulgada oficialmente no século 19 para estudar o comportamento humano através de suas estruturas mentais e cognitivas. A Psicologia do século 19 nem falava de Magia; quem mais se aproximou disso foi Jung, mas mesmo ele não chegou a abordar diretamente a Magia na Psicologia Analítica. Por isso, querer associar Magia e Psicologia é “forçação de barra”, além de ser algo perigoso e tolo: os goéticos são entidades que não dependem do mago e de suas “interpretações psicologizadas” pra existirem. Eles tem existência própria, independente do operador e de suas teorias psicológicas. Não é difícil ver relatos de adolescentes rebeldes que se metem a evocar goéticos com esse pensamento psicologizado rasteiro e se dão mal…bastante mal.

        @MDD – o que voce chama de goecios, na umbanda chamamos de Kiumba, mas vc esta certo no seu argumento.

        1. Caio

          Só pra colocar lenha na fogueira sobre esse debate a respeito das relações entre magia e psicologia: Willian James

      2. Fernando

        Ótimo resposta. Costumo dizer que pelo princípio da correspondência e da vibração hermética as entidades ou frequências, seja lá como queiram chamar; poderiam ser chamadas de bananas. Inefáveis como são…de tempos em tempos, de eras em eras essas energias se manifestam com nomes diferentes de acordo com a cultura do presente momentos. O que chamamos hoje de EXU no campo mental do universo(registros akashicos) pode ter se chamado de ponto(enxofre) no vacuo(mercurio) de um enorme círculo(sal) do que se conhece como O TODO. Tomar qualquer coisa como verdade já ser mentiroso, já que a verdade não é absoluta. Acho que a melhor forma de expressar qualquer anjo ou demônio, interno ou externo é através da matemática geométrica. Extremamente complexa, mas é a única linguagem que compreende o mínimo de qualquer certeza físico-espiritual.

    3. João Pedro

      É natural que as universidades e a jovem ciência da nossa época estejam imersas num racionalismo materialista extremado depois de mil anos de opressão católica, é uma questão de compensação. O triste é que as pessoas não percebam esse fluxo e sejam levadas pela maré, despercebidas.
      Dia desses aprendi uma simples e sábia lição acerca da diferença fundamental entre a ciência e a arte: a ciência busca a repetição, enquanto a arte busca a originalidade. É bem óbvio que a ciência não retenha as ideias de Jung, já que exige tão fria impessoalidade enquanto Jung busca a alma. Como diz um professor, “Jung é periférico”, e deve ser mesmo.

  8. Lúcio

    Poxa, texto lindo e esclarecedor sobre o tema.
    Bem que você estava devendo um texto desses sobre
    goécia hehehehehe
    Marcelo, no AA a gente estuda a goécia desta maneira?
    Como tenho visto que o propósito é o autoconhecimento desde
    os primeiros exercícios…
    Um grande abraço.

  9. Thiers

    Realmente um dos melhores textos sobre o assunto que já li. Os esclarecimentos realizados estão absurdamente coerentes, ao mesmo tempo em que incentiva a prática da Goécia, o que é raro, trata de expor os conhecidos e devidos cuidados, mas com algo além, que vai cerne da questão, o porque realizar tal operação.
    Parabéns.

  10. Douglas S.A

    O melhor que já li \o/, Obrigado a todos.

  11. Lucas FR

    Olá sou novo nisso(clichê) e queria saber se é bom iniciar o conhecimento sobre magia e ocultismo pelo livro de Ian Morais chamado Vias Ocultas a partir das técnicas de percepções energéticas (elemental, espiritual, vegetal…)? Pois busco um tipo de conhecimento verdadeiro sobre magia prática capaz de substituir o materialismo reinado atualmente pelos humanos: tecnologia.

  12. Douglas Ribeiro

    A conexão com o Self que é mencionada no texto poderia se obtida de forma semelhante pela evocação dos “anjos interiores”? Com certeza existem muitos caminhos para atingir o equilíbrio/iluminação, mas todos (ou a maioria) seguem o princípio de conhecer ego, eu superior e inferior?

  13. Marcus

    Então esses “demônios” seriam ancoragens dos complexos psicológicos do magista em estruturas cogniscíveis.

    O potencial dessa ferramenta é incrível!

    Tornar algo de natureza extremamente abstrata e inconsciente numa manifestação “física” faz com que o indivíduo não precise destruir toda teia simbólica e representativa antes de lidar com esses complexos, facilitando o processo de individuação.

    Como diria Deleuze: “Pensar vai depender das forças que se apoderam do pensamento”, quando você consegue dialogar com elas a convivência fica muito mais fácil.

    Muito obrigado Marcelo.

  14. Tiago

    Marcelo, que texto excelente.
    É o tipo de texto que nos prende ao TDC, pois é uma fonte quase que inesgotável de conhecimento de qualidade e lúcido, além de sóbrio.

    Valeu!

  15. Franco-Atirador

    Não tenho mais medo de Goécia! Irraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!

  16. Tarnie

    Frater, e quando você esta de frente com a sombra personificada, você deve dialogar com ela? É possível adquirir técnica o suficiente para realizar as evocações com proteção através de leitura apenas? Se sim, quais leitura sérias você recomenda?

  17. Caio

    Eu tenho um questionamento:

    Se o que é invocado é um demônio arquetípico, ele não existe apenas no inconsciente do mago, mas também no inconsciente coletivo (que também pode ser chamado de plano astral, e é por esse motivo que é possível colocar os demônios “pra trabalhar). Dessa forma, ao utilizar o nome tradicional dos demônios, o praticante não pode acabar evocando o construto astral criado a partir dessas energias primordiais e arquetípicas e que responde por aquele nome?

    Nesse caso, não existe o risco real de que apareça uma entidade bem mais potente, que se alimenta não só da energia primordial dos conceitos arquetípicos que a originaram, mas também dos próprios rituais que já foram feitos usando aquele nome? Isso, incluindo os rituais mais idiotas, como invocar um demônio da luxúria pra atrair alguém (e só conseguir aumentar a própria obsessão).

    1. João Pedro

      Caio, se me permitires uma correção, o Inconsciente Coletivo de Jung não deve ser entendido como sinônimo de plano astral. Ele, inclusive, se esmerou pra tirar essa concepção do terreno do místico e colocá-la como uma herança da espécie humana usando argumentos da ordem do biológico. Ele parte do princípio de que, se todos temos uma mesma biomáquina, é natural que as manifestações psíquicas se deem de uma mesma forma (ninguém ensina o beija-flor a “beijar flores”, mas ele o faz instintivamente), e eis o porque de tantas culturas separadas no tempo e no espaço manifestarem símbolos tão similares (os beija-flores daqui “beijam flores” do mesmo modo que os do outro lado do mundo, sem nunca terem tido contato). É instintivo, é da natureza do humano.
      Concordo que as forças evocadas do ritual goético se manifestam dessa forma arquetípica, afinal são energias inerentes a todos. Mas entendo que a interação só se dará com outras entidades na medida em que o praticante não tem a devida preparação. Logo, isso não seria Goétia.
      No entanto, isso não parece anular a existência do risco que mencionas. Minha compreensão ainda é limitada sobre o assunto. Penso que movimentar tamanhas energias sem preparação e orientação é correr riscos desnecessários e subestimar as forças da psiquê por motivos, aparentemente, imaturos em relação ao Caminho.
      A consciência humana é uma conquista relativamente recente, se pensarmos que há poucos milhares de anos a nossa espécie era, basicamente, puro inconsciente, puro instinto, sem filtro e sem censura. Desse modo, ela ainda é frágil e se desestrutura facilmente quando as contingências externas ou internas excedem sua capacidade de processamento. Quem já passou por algum trauma, acidente, assalto ou um poderoso pesadelo deve entender o que digo. Quem dirá, então, com uma personificação da própria Sombra, cara a cara…

      1. Caio

        João Pedro,

        Primeiro precisamos entender a noção de realidade que você está usando. Se parte de um pressuposto materialista cientificista, então realmente não podemos traçar o paralelo entre o inconsciente coletivo e o plano astral. Pelo simples fato que por esses parâmetros, o plano astral simplesmente não existe. A própria mente só existe como resultado das operações de uma máquina biológica.

        Se usarmos um modelo de realidade idealista, onde, ao contrário do modelo materialista, a mente cria o mundo material, então é sim válido o paralelo entre inconsciente coletivo e os planos atral e mental., pois toda a realidade é pensada, inclusive a nossa biomáquina.

        Em termos mágicos, o plano astral é descrito como sendo o plano da emoção manifestada. É de onde as emoções vem e pra onde elas vão. A fonte e destino de todo conteúdo emocional. O plano mental por sua vez, é descrito como sendo o plano da mente, de onde vem e pra onde vai todo pensamento, seja experenciado por emocões no plano astral, ou por matéria no plano físico.

        De um ponto de vita estritamente ocultista, faz todo sentido encarar o inconsciente coletivo com o plano astral.

        A carga genética (ironicamente muito bem estudada pelo Dawkins) figuraria muito bem, com o que em certos sistemas espiritualistas é chamado de “carrego familiar” e em outros de “karma”.

        Quanto ao Jung, ele sabia muito bem que o que acontece em outros planos, tem uma manifestação física nesse. “O que é em cima é como está embaixo, etc etc”. E é claro que ele, trabalhando na academia, iria tentar se ater ao aspecto cientificamente aceito se conseguisse fazer isso. Quando não conseguia, ele deixava as coisas “no ar” como no caso da sincronicidade.

    2. Mevorach

      Gostei das hipóteses levantadas. Muito interessantes.

  18. Luciano

    Marcelo, poderia descrever algo como conseguir a retaguarda fornecida pelo SAG ou a conversasão com o Santo Anjo Guardião, para depois fazer a evocação?

  19. Arc

    MDD, todo esse processo poderia ser representado simbolicamente por meio de um personagem do anime Fullmetal Alchemist: Brotherhood. Por exemplo, desde que o personagem Ling Yao se torna o hospedeiro de Greed (Ganância) ele trava uma batalha interna contra Greed em busca do controle do próprio corpo. E com a evolução da trama, Ling estabelece uma linha de dialogo com Greed, e vai se tornando mais forte até que chega o momento em que ele passa a resistir ao controle de Greed. E a partir de então Ling e Greed passam a trabalhar em equipe, se estabelece uma relação de cooperação. Correto?

  20. Jessé Bispo

    Salve Frater MDD! Realmente sei muito pouco sobre isto e achei, tanto sua explicação como o texto do Lucio Manfredi, muito interessantes! Não saberia dizer se as fontes que li são sérias. Sem querer “rasgar seda”, pois é verdade, já a alguns anos o TDC tem me ajudado na caminhada e pra mim, o mesmo é sério, de referência e confiável! Por isto agradeço por responder minhas dúvidas. Vou ler mais sobre o assunto!
    Pax et Lvx!

  21. Allan

    É muito difícil confiar naquilo que nos é exposto sobre Ocultismo, principalmente em se tratando de estudos e práticas no Darkside (Qliphot, Demonologia, Goécia, Necromancia, Entidades Lovecraftianas, etc). Mas acho que eu finalmente entendi a parada. Este post foi muito esclarecedor e posso dizer que eu também meio que perdi o medo da Goetia.

    Mas tenho uma dúvida: Qual(is) seria(m) o(s) resultado(s) de reintegrar estes aspectos à nossa Consciência? Tornar a nossa Sombra uma parte viva de nosso Consciente não seria perigoso?

  22. Mevorach

    Gostei do comentário do Caio, levanto algumas hipóteses semelhantes:
    Sobre a seguinte frase: “Os espíritos da Goécia são parcelas do cérebro humano.”
    Pois bem, há algum espírito que já não tenha sido parcela do cérebro de uma criatura semelhante ao ser humano? Aliás, não somos nós mesmos uma parcela do “cérebro” de nosso SAG?
    Sem querer apresentar uma hipótese meramente política, não seria possível que entidades da Goécia fossem externas e internas ao mago ao mesmo tempo? O SAG não seria interno e externo ao mesmo tempo? Se sim, por quê entidades da Goecia não poderiam ser/existir de forma semelhante? Não poderíamos ser como “SAGs” em relação a seres goécios (mesmo que alguns aparentemente tenham a consciência mais expandida, e mesmo assim aparentem ser menos evoluídos)?

    1. David

      Cara já li algo semelhante a isso em um blog de psicanálise que falava de goécia dentro da perspecitva de Jung. Gostei da concepção de que o demônio é uma parte da alma do mago, que durante o ritual cria um ambiente propício, com todo o simbolismo caraterístico, pra enfrentar aquele aspecto da sua “sombra” – o qual é invocado na forma de demônio. Ao final, se sair vitorioso passa a ter o domínio sobre aquele demônio e sua legião, o que simboliza do domínio de um aspecto da sua personalidade, o que antes era um empecilho para ele após o ritual bem sucedido passa a ser uma força útil, um potencial que pode ser empregado voluntariamente a seu favor. Achei tão massa, pena que procuro o link pra ler mas não encontro,, e o pior que eu tinha certeza de ter salvo nos favoritos mas só nada….

  23. igor menezes

    A VERDADE É QUE SE A GOÉCIA, REALMENTE FOSSE AQUILO QUE SE ESCREVE, DE DEMONIOS COM SEUS “DONS” OU PODERES DE FORNECER A ALGUEM, QUEM PRATICA SERIA RICO!

    ISSO TUDO É FAKE.

    @MDD – Não é “fake”, é “marketing”… imagine que eu queira levar garotas para serem escravas sexuais nas pedreiras da Turquia (desculpe pelo exemplo, acabei de assistir um filme do Lian neelson que tinha isso). Voce acha que eu colocaria um anuncio no jornal dizendo “procura-se garotas para serem escravas sexuais na turquia” OU eu colocaria um anuncio no jornal dizendo “procura-se modelos para vida de luxo e glamour na europa. paga-se bem” ?!?!?

  24. Olá marcelo belo texto! Mais acho o senhor um pouco cético! Não é necessário levar tudo ao campus da ciência?! Vc tá parecendo um personagem de um anime que eu conheço!! Makai Ouji: Devils and Realist.

    @MDD – E os céticos falam que eu sou muito crente… voces precisam se decidir!

  25. Gustavo

    Eu escutei xxxxxxxx afirmar que fazia goétia com 13 anos de idade, e que dá pra fazer!! Oque dizer sobre isso???

    @MDD – Pokemon nao conta como Goetia rsrsrsrs

  26. Carlos Miguel de Andrade

    Saudações Marcelo! De tudo que já li e vi sobre Goécia seu texto foi o mais esclarecedor, só tenho uma dúvida quais os reais perigos de se praticar Goécia, Já que muitos falam cada um uma coisa principalmente esses que tem cursos! e como citei anteriormente seu texto foi o que mais me esclareceu e gostaria de saber de você quais os perigos em se praticar Goécia? grato desde já se puder responder!

    @MDD – Curso pra chamar traficantes energéticos para virem para a sua casa, com a ilusão de que voce vai comandar um ser de 4000 anos de idade? falow, entao rsrsrsrsrsrsr
    A questao com a Goetia real é muito simples: QUEM PODE MAIS CHORA MENOS. E quem pode mais? um demonio do tempo do Rei Salomao ou um pirralha punheteiro metido a satanista que pegou um ritual na internets?
    Voce me responde: quem vai obedecer quem?

  27. Anônimo

    Qual a diferença entre Kiumbas, e quiumbas?? Kiumbas são o mesmo que Goécios na roupagem da Umbanda, certo?? E as quiumbas?? É só uma maneira diferente de escrever??

    E zombeteiros e cascões são duas coisas diferentes?? Se os dois forem a mesma coisa, são a mesma coisa que as Kiumbas?? Por favor, queri saber…

    E se os espíritos trevosos, atrasados, impuros, são a mesma coisa também, e a mesma coisa que os zombeteiros, e as kiumbas…

    Iria ajudar enormemente para meu progresso se me respondesse, seria de grande ajuda mesmo, Ficaria muito Agradecido, desde já, pois não achei nada dessas comparações no Google… Eles não tem este estudo comparado. Não tem outra fonte de confiança. … …. . … … …

    Att.

  28. Helissa

    Olá,
    Adorei o texto, bem esclarecedor a guerra de egos foi bem interessante também. Compreender a representação de mundo do outro, sem querer imprimir a nossa é um trabalho de difícil execução. Mas bom ler os que puderem contribuir um pouco mais para essa estruturação.
    Mas a questão que ficou para mim, é que o diálogo é a chave para a integração desses demónios em nosso consciente, mas de que maneira conversar com eles? Fazer deles amigos? Ou submissos? Explicar que mandamos? Fiquei sem entender que tipo de diálogo seria necessário para que essa integração fosse possível.
    Desde já, gratidão pelo texto.

  29. Renato

    M.D., você descreveu o processo terapêutico com outras palavras nesse texto. Agora entendo por que quando Freud hipnotizava as pessoas e tentava lidar com os conteúdos reprimidos de forma impositiva aconteciam coisas assustadoras e surpreendentes. E por isso, ele preferiu usar o método de associação livre. De certa forma, a vida nos obriga a enfrentar esses demônios em certos momentos. Sejamos ocultistas ou não. Eu já passei por um processo parecido com o que você disse. Na minha adolescência eu era uma pessoa que me irritava muito fácil, qualquer coisa ficava com raiva e chegava a ter a vista avermelhada. Por isso me trazer problemas, eu comecei a reprimir essa raiva. E quanto mais eu reprimia, mais forte ela se manifestava. Até que parei, tentei entender este sentimento e vi que a raiva era apenas uma possibilidade de manifestação dessa energia. Aceitei essa energia como parte de mim e que eu precisava dar espaço para ela aparecer, mas que não precisava ser através da raiva. Depois disso, me tornei uma pessoa calma e tranquila. Acho que essa energia se manifesta em mim hoje como uma forte disposição para atividades atléticas. Engraçado que esse processo que eu passei não foi consciente e eu só percebi isso após ler esse texto. Esse texto vai me ajudar em minhas mudanças comportamentais. Quanto ao uso dessas energias para fins magisticos o recado foi dado: – Crianças não tentem isso em casa, ou arquem com as tenebrosas consequências. Obrigado pelo conhecimento. Até.

  30. Antigo Aluno

    Boa noite.

    A goecia foi o que “despertou” meu interesse pelo estudo da “magia”.

    Mas após ler este texto fiquei com uma duvida.

    MDD em resposta aos comentários “parece mistificar” algo que o texto chama de “os aspectos da personalidade que o ego se recusa a reconhecer e que, dessa forma, são banidos para o inconsciente.”

    Ocorre que eu tenho coragem de viajar pelo inconsciente. Mas talvez não tenha para enfrentar um “demonio do tempo do Rei Salomao de 4 mil anos.”

    Entretanto não creio que MDD esteja mistificando algo. Vejo o trabalho que ele tem para desmistificar vários assuntos.

    Então a conclusão que eu chego é a seguinte. A ambição por exemplo existe a mais de 4 mil anos. Então a ambição seria este demônio? É isso mesmo?

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