Ghost B.C. e o Diabo na Música

Por Malachi Azi Dahaka

Ghost BC

Ghost é uma banda sueca, formada em 2008, que conta até agora com dois CDs (Opus Eponymus e Infestissuman) e alguns EP´s.  O som da banda se destaca por remeter aos anos 80, e indo na contramão de outras bandas com temática “Satanista”, sendo bem suave e tranquilo, com vocais limpos e instrumental muitas vezes calmo.

A banda é formada por Papa Emeritus (Atualmente pelo Papa Emeritus II – valendo lembrar “Emeritus”, do Latim “Aquele que foi eleito, que mereceu”) e pelos “Ghouls sem nome”, que se identificam apenas pelos símbolos alquímicos dos 5 elementos (incluindo o Éter).  Não, eles nunca disseram e nem pretendem dizer quem são. Isso, a meu ver, cria uma atmosfera ainda mais voltada ao Satanismo – não pelo “mistério” das identidades, mas pela ausência total de Ego. Todos sendo iguais e anônimos, destruindo o Ego e gerando uma coletividade que achei muito digna de determinadas correntes satanistas…

Não posso afirmar que a banda de fato é ocultista, mas duas coisas são fato: A primeira é que as letras devem ser cuidadosamente analisadas, pois a banda realmente estudou o que diz. E a segunda, ocultistas/satanistas ou não, Ghost BC passa uma mensagem por si mesmos, criticando a Igreja Católica e religiões em geral e sobre o medo que o homem possui do Sobrenatural.

E é justamente a carga de peso ocultista na banda que fez render uma certa repercussão após o show da banda no Rock In Rio 2013.  A “missa satânica” como o próprio Papa intitulou o show, recebeu vaias, foi chamada de “chata e tediosa”, teatral demais e – segundo alguns repórteres da Rede Globo, a banda foi tida como “nada assustadora, sem nenhuma exigência extravagante nos camarins, pedindo até comida vegetariana”.

Ora, caímos aí na mesma questão que abordei em meu texto “Satanismo Tradicional” publicado no Teoria da Conspiração: Um Satanista deve render-se a estereótipos comportamentais e ser um mau educado, imprestável e exercer de má fé sua função? Críticas infundadas a parte, o visual e as letras da banda, que são bem explícitas, levaram revolta aos “metaleiros que resolveram bancar bons cristãos” enquanto se entorpeciam de maconha durante o show.  E mais revolta ainda nas redes sociais  evangélicas/ católicas. É, dessa vez pisaram no pé dos católicos brasileiros também.

Honestamente eu já esperava por algo assim, em uma sociedade hipócrita a ponto de sexo com menores ser algo incentivado e explicitado, mas meramente dizer as palavras “Hail Satan” em um refrão deva ser totalmente censurado sem piedade! De fato, o Ghost B.C. é a última coisa nisso que realmente assusta.

Há de se mencionar a reação contrária do público, em geral. Enquanto eu (e mais grande parte a minha volta) entoávamos as letras, eu podia ouvir um ou dois a volta dizendo absurdos como “eles só pagam de satanistas pra imitar o Ozzy”, “Slayer que é satanista de verdade” e outras coisas do mesmo valor absurdo.  Ainda assim, essa interferência estúpida e a falta de etiqueta (já esperada) do povão brasileiro não interferiu no grande concerto que aconteceu.  Ver a banda ao vivo é uma experiência muito agradável, realmente.

Quase uma missa satânica verdadeiramente, causando revolta em muitos e agradando a poucos – Exatamente como o Satanismo deve ser!  Se o Ghost queria ser o “Diabo na música“, definitivamente conseguiram essa atenção. A banda mais odiada, comentada e censurada no RiR. Definitivamente, eles merecem os títulos que apresentam.

Eu, aproveitei para durante algumas músicas, erguer um sigilo que pintei em uma folha, para da mesma forma que feito anteriormente em um show do Metallica durante a criação de uma Egrégora, eu captasse a gnose/energia necessária nesse show e canalizasse a um sigilo de intento. O fiz (obviamente de forma discreta) no momento que achei o ápice da apresentação (coincidentemente enquanto Papa Emeritus também ergueu suas mãos em forma de “benção”).

No fim, a noite valeu a pena. Uma ótima apresentação, com muito psicodrama, um som que valeu a pena curtir e uma banda perfeita de se assistir ao vivo. Nota 10 pra essa experiência e – tenho certeza, para este experimento que realizo pela primeira vez em uma oportunidade épica.

Malachi Azi Dahaka

Textos da coluna Música & Magia

Este post tem 22 comentários

  1. Lucas Morais

    Fui assistir o show dos caras, e digo que foi bem bacana! Preferi até do que Slayer (banda que também pude assistir na mesma noite). Tem uma formação bem legal e diferenciada, realmente levam a música a sério e trabalham nisso! Tive a sorte de receber a palheta deles (única jogada durante o show) e to mandando ela direto pro tio Marcelo kkkkk

  2. A.

    Eu queria muito ter ido nesse show, já que foi a banda que mais ouvi este ano. Porém, nem rolou. Achei completamente absurda as críticas feitas ao Ghost… aqueles imbecis que criticaram a banda por terem “VISUAL DEMAIS E PESO DE MENOS”, não devem conhecer clássicos como Coven e Mercyful Fate. Ghost apresentou uma proposta única, diferente… ao menos para a nossa década. Ver pessoas que estavam lá, prontas para assistirem um show do Metallica, criticando o Ghost foi lamentável. Porém, gostei de ver a repercussão negativa da banda… Black Sabbath e Iron Maiden conseguiram a mesma repercussão há muitos anos atrás. Até na cidade do interior de MG onde resido, a banda foi assunto nas ruas por pessoas que nunca ouviram Metal na vida. Espero que a banda continue causando essas polêmicas… só tende a crescer.

  3. Luiz

    Palavras bem colocadas. Também fiquei surpreso com o reacionarismo geral da maioria dos comentários… Engraçado que o Rob Zombie ficou na neblina, apesar dos pentagramas invertidos no palco e a temática “gore/evil” de grande parte de suas músicas. A música e a inovação (que na verdade podemos ver como uma espécie de releitura da melodia “vintage” num cenário dominado pelo ruído e um virtuosismo que se confunde com maratona de riffs).

    No entanto gostaria que você me dissesse a quais vertentes de Satanismo a que você se refere quando comenta sobre a supressão total do Ego. Aos meus olhos, pelo contrário, a grande “patente” da grande maioria dos caminhos da mão esquerda é justamente a afirmação do ego através do individualismo e a satisfação pessoal, em detrimento à caridade e ao coletivismo. Mesmo nas vertentes de satanismo que difundem uma ideia da necessidade de formação de hostes ou hordas, estas tem o intuito de acúmulo de forças para a concretização da vontade de seus membros.

    Abraço.

    !PeL!

    1. Mariana Cunha

      O Rob Zombie tem muito mais anos de estrada e portanto mais conhecido do público, acho que já estavam mais acostumados. Além disso, mesmo com pentagramas invertidos, o visual dele não “””ofende/choca””” tanto, já que ele não se veste como um Papa. Outra coisa: o público do Ghost foi bem maior (palco maior e “”mais importante””, além de terem tocado após o Sepultura – que chamou bastante gente).

    2. “No entanto gostaria que você me dissesse a quais vertentes de Satanismo a que você se refere quando comenta sobre a supressão total do Ego. Aos meus olhos, pelo contrário, a grande “patente” da grande maioria dos caminhos da mão esquerda é justamente a afirmação do ego através do individualismo e a satisfação pessoal, em detrimento à caridade e ao coletivismo. ”

      Ainda que exista Ego em relação aos mundanos, a elite Satânica de uma tribo sinistra se mantém sem ego entre si – não devem haver “melhores ou piores”. Há o eleito por mérito e seu templo. Não devem haver disputas internas de ego, sendo todos como iguais, com o mesmo potencial divino.

      Isso falando em relação a hordas/templos/tribos satânicas.

      Obrigado por ter lido o texto, meu caro!

  4. Ranieri

    Texto muito bacana, eu não conhecia a banda e só soube dela por causa de sua repercussão nas redes sociais. Bem, não me considero muito metaleiro também, mas pelo o que você disse o som deles é um pouco diferente, o que poderia ter desagradado uma parte do público.

    Gostei da ideia do sigilo, depois vc poderia contar mais sobre a sua experiência e resultados.

    Abçs.

  5. Marcos.bs418

    vi o show no youtube depois de ler seu post e achei muito legal, apesar de não escutar muito esse tipo de musica, me agradou bastante.

  6. Lucas Draco

    Não sou de emitir muitas opiniões, mas, assisti o show posteriormente na internet e posso dizer pelo que vi que foi uma das melhores apresentações no Rock in Rio, infelizmente a nossa sociedade hipócrita não há de perder tempo com seu falso moralismo e em levantar sua bandeira judaico-cristã de ser em um país pobre e altamente inculto. Para finalizar eu digo que 10 para o show e 0 para esta sociedade infeliz que deveria estar preocupado com coisas realmente importantes.

  7. L.Gabriel

    O problema desses ” Metaleiros from hell” é que nunca dão oportunidade para bandas novas, sua ignorância simplesmente impede sua mente de ser aberta, assim como a ignorância dos evangélicos. E isso não acontece só com bandas satanistas, na verdade qualquer banda relativamente nova sempre é desprezada, o povo não sai do passado.

    1. Vinícius

      Como disse Raulzito:

      Hoje a gente já nem sabe
      De que lado estão certos cabeludos
      Tipo estereotipado
      Se é da direita ou dá traseira
      Não se sabe mais lá de que lado

  8. Órion

    Os metaleiros(cabeludos estereotipados) de hojé em dia são tão fanaticos quanto qualquer evangélico,gostam de dar uma de mal mas na verdade não passam de protestantes inrustidos.Acho que é até por isso que existe tanto pastor ex alguma coisa por ai…

    A banda é ótima e a mensagem é excelente para quem entende.

    1. Augusto

      Melhor comentário… falou tudo…

  9. zaca

    fora que o stan que os metaleiros adulam nada mais e’ que o socio mor da igreja catolico apostolica romana que atrai os fracos incauotos e incultos pra sua egregora nefasta em (quase) toda sua maioria!

  10. Franco-Atirador

    Sou metaleiro, não conhecia Ghost, e já virei fã da banda, principalmente pelo visual; achei sensacional!

    Algumas músicas também achei ótimas, como infestissuman (solo de guitarra com uma vibe incrível) e monstrance clock.

    Com certeza o sucesso é a única possibilidade. Aparecer (que é o mais difícil) eles já conseguiram, e com louvor, causando boa ou má impressão. É bem aquilo: “Fale bem, fale mal, mas fale.”

  11. Franco-Atirador

    E ah, muito feliz de viver nessa época onde se pode fazer uma crítica, ou, no mínimo, usar o visual, ao catolicismo dessa magnitude no maior festival do mundo! Great times are coming!

  12. Gustavo Costa

    Acho que como eu, muitos nunca tinham ouvido falar da banda antes da revolta do facebook. Conseguiram o efeito desejado afinal, por meio da revolta de uns eles com certeza conseguiram mais fãs.

  13. Rafael Bueno

    Po, fui no show do Ghost em SP, abrindo pro Iron. As pessoas, pelo menos ao meu redor, receberam bem a banda. Era visível que pouca gente conhecia, mas a surpresa ao meu ver foi positiva e a reação dos paulistas foi acolhedora. Sequer vi Ghost no RiR, mas ouvi dizer que ficaram gritando ‘Metallica’ nos intervalos das músicas. Isso, aos meus olhos, só valoriza a banda, mostra que ela realmente não foi feita pro mainstream.

  14. Milton Leão

    Eu assumo o “não gosto” pelo Ghost.
    E não gosto pelo fato de não curtir o som mesmo, não tem crise de tr00 nisso não.
    E eu observei uma forte semelhança entre Secular Haze e Shapes of Black, do King Diamond (que por acaso eu sou muito fã).
    Enfim, o que posso dizer é que Infestissumam tem uma atmosfera sombria, e uma levada muito boa, que pra mim condiz com a relação satanismo+Ghost.
    Espero que não tenha dito bobagem por não dominar o assunto 🙂

    1. Bobagem nenhuma Milton. Uma análise imparcial sobre a Banda é sempre bem vinda.
      Vlw pelo comentário!

  15. aka

    Timbre é tudo em uma banda, e o Ghost sabe o que faz. Equipamentos clássicos, timbres valvulados clássicos. Uma musica ou outra colocam mais drive em um riff.
    Quando tocaram Prime Mover no RIR, estavam tocando um clássico futuro. Daqui uns anos aquele povo que vaiou vai saber o que perdeu.

  16. Juh

    Ghost B.C entra no gênero de Doom Metal Teatral e isso causa espanto as que desconhecem o gênero. Particularmente, gosto do que é produzido e suas versões em estúdio, mas ainda não consigo “digerir” a apresentação ao vivo. São sensações diferentes, que a banda a me fornece.

  17. Inácio Neto

    Excelente show! Eu não canso de ver no youtube sempre que dá vontade!
    Que BANDA!!!
    Clássica sem ser apelativa no som (Digo pq muitas bandas que se consideram satânicas usam de som agressivo, thrash e eu não aprecio)!
    Mas Ghost B.C é muito bom!!!!

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