Deus no Hermetismo, Maçonaria e Demolay

Estudar Deus segundo o hermetismo é como descobrir pontos que faltam para o nosso entendimento sobre o assunto.

Todos os seis Princípios Herméticos já citados ao longo dos textos são derivamos e se fundamentam no Primeiro Princípio, que é o “Princípio Mental”. Nesse Princípio é dada a chave para entendermos e interpretarmos “quem” e “o quê” é esse mistério que colocamos o nome de “Deus”.

O Hermetismo como uma ciência na área da filosofia tem o objetivo de descobrir o segredo de Deus, do Homem, da Natureza e do Universo. E a chave para essa descoberta é encontrada ao meditarmos sobre o Primeiro Princípio.

Aqui discutiremos Deus segundo o Hermetismo, a Maçonaria e a Ordem DeMolay.

PRINCÍPIO MENTAL – Deus no Hermetismo

O Primeiro Princípio Hermético afirma: “O Todo é MENTE; o Universo é Mental.”

Esse é o Princípio mais importante em toda sabedoria hermética. Vamos analisar cada palavra.

O “Todo” da primeira frase refere-se ao que chamamos “Deus”, que é infinito e indefinível ao nosso nível de comunicação. Ao afirmar que esse Todo é “MENTE”, significa que Deus é, na verdade, a grande mente universal. Porém para entendermos realmente o que isso significa, devemos combinar o entendimento da segunda frase.

Como dissemos, todos os Princípios Herméticos são derivamos do Primeiro, e devemos recorrer ao Princípio da Correspondência (“o que está em cima é igual ao que está em baixo”) para compreendermos o Primeiro Princípio.

O Todo (“Deus”) é “o que está em cima” e o “Universo” é “o que está em baixo”. Isso significa que tudo manifesto é um reflexo do imanifesto, significa que o Universo é o Todo manifestado. Dessa maneira podemos dizer que o Hermetismo afirma que: o Universo é o corpo físico de Deus.

Sendo o Universo um corpo que está vivo, por trás existe uma mente. Esse é o motivo da expressão que “O Todo é MENTE”. Sendo o universo Seu corpo e o Todo uma Mente, o Universo material no qual vivemos é uma existência dentro da Mente do Todo. Por isso afirmar também que o Universo é Mental.

A matéria e tudo que compõe nosso universo, é somente um estado de vibração dentro da Mente do Todo – vemos aqui o Princípio da Vibração.

O universo ser o corpo manifestado do Todo e tudo estar dentro de Sua mente, concede ao Todo a característica de Onipresença, Onisciência e Onipotência. Eis um exemplo pelo qual falamos também que o Hermetismo é a fundamentação do simbolismo religioso.

Resumindo… o Hermetismo afirma que Deus (O Todo) é imanifestado, é uma MENTE, e que o Universo manifestado em que vivemos é um estado da sua mente (o material).

A tradição cabalista afirma que nós fomos feitos a imagem e semelhança de Deus, e isso é fundamentado também por esse Princípio. O Todo é Deus, e o Universo é também o ser humano. Pelo Princípio da Correspondência, nós somos a imagem e semelhança do Todo, do Universo manifestado. Somos um microcosmo.

Esse Princípio também nos ensina sobre a existência de outros planos de existência, afinal o universo material que estamos é somente uma vibração existente dentro da Mente do Todo. Lembrem-se que “Na casa de meu Pai há muitas moradas”.

Para terminar devemos compreender somente mais uma coisa: motivo do Hermetismo existir.

Nós somos a manifestação e estamos dentro da Mente do Todo, portanto estudar o mundo e decifrar os segredos da existência através da Ciência, penetrar dentro da nossa mente e descobrir os segredos que habitam dentro de nós, é desvendar a Mente do Todo, é conhecer Deus, é conhecer como o Universo e nossa vida funciona e seu papel na existência. Por isso que o antigo Oráculo de Delfos afirmou: “Conhece a ti mesmo e conhecerá os segredos dos Deuses e do Universo”, e esse é o objetivo do Hermetismo e por isso temos dentro da Alquimia o VITRIOL.

GADU – Deus na Maçonaria

O conceito de Deus como Arquiteto e Geômetra é antigo, remonta do tempo da filosofia grega e foi empregado com muita ênfase na tradição Hermética Cristã na Idade Média.

Na Idade Média, a Maçonaria como uma Ordem de construtores inspirados na Geometria Sagrada que trabalhava para a Igreja Católica Apostólica Romana, teve como base o Hermetismo e a Alquimia de tradição helênica que eram amplamente difundidos nesse meio, absorvendo assim esse conceito de Deus como o Grande Arquiteto Do Universo que tudo criou geometricamente harmônico.

O conceito de Deus na Maçonaria é muito bem explicado por Isaac Newton: “A maravilhosa disposição e harmonia do universo só pode ter tido origem segundo o plano de um Ser que tudo sabe e tudo pode. Isso fica sendo a minha última e mais elevada descoberta”.

Essa é a visão de Deus como Arquiteto existente no estudo da Geometria Sagrada.

Portanto a visão de Deus dentro da Maçonaria é ampliada pela maneira que o Maçom tem a oportunidade de conhecer e penetrar na Mente de Deus: através principalmente das Sete Artes Liberais e do Conhecimento de Si mesmo.

Ainda teremos estudos dedicados a esses temas para aprofundarmos melhor.

PAI CELESTIAL – Deus na Ordem DeMolay

“Pai Celestial” é como chamamos Deus, o Todo, GADU, na Ordem DeMolay.

A expressão refere-se a um Deus existente no céu, ou seja, tudo que forma o Universo. Tanto é verdade que o Pai Celestial sendo o criador do Universo, nosso Ritual expressa que toda a humanidade é filho de um único Pai Universal.

Enquanto o nome de Deus na Maçonaria faz referência diretamente a Geometria, os fundadores da Ordem DeMolay fizeram uma direta referência Arte Liberal da Astronomia em Seu nome.

A ideia de Pai Celestial que temos na Ordem DeMolay nos faz ter a responsabilidade de reconhecer que todos os homens tem a mesma origem e cada um é parte de um Todo, assim somos todos Irmãos e nos dá a responsabilidade de sermos algo de positivo à sociedade e ter fraternidade com todos os homens e mulheres do mundo.

Esse é o Deus no Hermetismo, na Maçonaria e no DeMolay. O mesmo Deus que está em todas as culturas, porém com um nome simbólico diferente.

Publicado pelo Frater Hamal no blog Esoterismo Demolay

Este post tem 16 comentários

  1. Marcio

    Este que vc fala “Todo” não seria o Demiurgo (Arquiteto)? Algo tipo Brahma?

    “O Buda das escrituras Pali trata como “conversa fiada”, como “ridículo, meras palavras, algo vão e vazio” (Digha-Nikaya No. 13, Tevijja Sutta) o fato de que brâmanes (a casta sacerdotal hindu) possam ensinar outros a atingir a união com o que eles próprios jamais viram. Segundo Buda, eles de fato não viram Brahma (um dos principais deuses do hinduísmo) face a face. Contudo, isto não é uma negação da existência de Brahma, mas meramente uma indicação (do Buda) à tolice de professores religiosos que guiariam outros ao que eles mesmos não conhecem pessoalmente.

    Embora o próprio Brahma não seja claramente negado por Buda (ver Sutra Brahmajala), ele não é ? de maneira nenhuma ? encarado (pelo Buda) como um Deus Criador soberano, onisciente e onipotente. Brahma (como qualquer outro deva) está sujeito à mudança, declínio e morte, assim como qualquer outro ser senciente no samsara (o ciclo de renascimentos) e incapaz de auxiliar à transcender este estado.

    Em vez de acreditar em um deus criador como Brahma (um ser celestial benigno, mas que ainda não está livre de se iludir e renascer), pessoas dispostas a isso são encorajadas a praticar o Dharma (ensinamentos,método de liberação com base nas leis do universo) do Buda, em que a visão correta, o pensamento correto, a fala correta, a ação correta, o modo de vida correto, o esforço correto, a atenção correta e a imersão meditativa correta são superiores e poderiam trazer liberação espiritual. Para o Budismo, a ideia de um deus pessoal agindo como criador absoluto e transcendente é contraditória com os ensinamentos, bem como a ideia de que existe um substrato material divino. O materialismo e o amoralismo, entretanto, são fortemente criticados pelo budismo no sutra Samaññaphala.

    O “conceito de Deus” não faz parte da doutrina pali de Buda sobre a liberação do sofrimento ? embora alguns vejam na noção de “Nirvana” alguma relação com um Absoluto transcendental e impessoal. O principal foco de veneração do budismo inicial é o Darma, a lei metafisica que leva á iluminação, sendo este considerado como objeto de devoção em textos como o controverso Aganna Sutta.1”

    1. Frater Hamal

      Com certeza O Todo não é equivalente ao Demiurgo, que alias, muda de interpretação e significado a depender de onde você vá procurar a definição de “Demiurgo”. Se atente a isso, pois a palavra Demiurgo tem uma origem (aqui podemos analisar sua essência) e sua interpretação é variada.

      1. Marcio

        Brahma é representado com quatro cabeças, mas, originalmente, era representado com cinco. O ganho de cinco cabeças e a perda de uma é contado numa lenda muito interessante. De acordo com os mitos, ele possuía apenas uma cabeça. Depois de cortar uma parte do seu próprio corpo, Brahma criou dela uma mulher, chamada Satrupa, também chamada de Sarasvati. Quando Brahma viu sua criação, ele logo se apaixonou por ela, e já não conseguia tirar os olhos da beleza de Satrupa.

        Naturalmente, Satrupa ficou envergonhada e tentava se esquivar dos olhares de Brahma movendo-se para todos os lados. Para poder vê-la onde quer que fosse, Brahma criou mais três cabeças, uma à esquerda, outra à direita e outra logo atrás da original. Então Satrupa voou até o alto do céu, fazendo com que Brahma criasse uma quinta cabeça olhando para cima, foi assim que Brahma veio a ter cinco cabeças. Da união de Brahma e Satrupa, nasceu Suayambhuva Manu, o pai de todos os humanos.

        Nas escrituras, é mencionado que a quinta cabeça foi eliminada por Shiva. Brahma falou desrespeitosamente de Shiva, que abriu seu terceiro olho e queimou a quinta cabeça de Brahma. Brahma tem quatro cabeças (das quais brotaram os quatro Vedas) e oito braços. Nas mãos, segura uma flor de lótus, seu cetro, uma colher, um rosário, um vaso contendo água benta e os Vedas. O veículo de Brahma é o cisne Hans-Vahana, o símbolo do conhecimento. Brahma usa um manto branco.1

        A esposa de Brahma é Sarasvati, a deusa das artes. No passado, era considerado o maior dos deuses, por ter criado o universo. No entanto, com a ascensão de Krishna e Vishnu na devoção popular, decaiu de importância.1 Atualmente, não é mais comumente venerado de forma independente, mas somente como o membro principal da trimúrti (Brahma, Vishnu e Shiva).2 As lendas sobre Brahma não são tantas nem tão ricas quanto as de Vishnu e Shiva. Para estes deuses, existem incontáveis templos de adoração, mas, para Brahma, apenas um, que fica no lago Pushkar, em Ajmer.

        ——–

        PURUCHA

        Púrusha significa pessoa,espírito ou homem . Prakrití é a fonte de todo fenômeno, o contém tudo que tem causas específicas, o que inclui o nosso próprio corpo, nosso ego pensamentos e tudo o mais que é fenômeno. Logo a noção de Púrusha não corresponde de maneira alguma à nossa consciência linguística ou mental (O TODO MENTAL / CONSTRUTOR) de qualquer tipo. Tampouco está relacionada à alma no sentido cristão da palavra, dado que esta também tem causas específicas, sendo considerada por alguns como equivalente a atma no Vedanta.

        O conceito mais preciso de Púrusha pode ser apreendido através da noção de “observador”. Púrusha é a consciência que observa os fenômenos de Prakrití. Uma alegoria esclarecedora é a do homem no teatro ou cinema: O espectador é o observador de um espetáculo desenrolando-se na sua frente, e pode eventualmente esquecer-se que é espectador, tamanha sua imersão na história à sua frente. Púrusha e Prakrití são entidades distintas assim como atores e espectador, mas o espectador não reconhece sua verdadeira posição, ao invés disso se identifica com a história (MENTE / DEMIURGO). No entanto, a verdadeira consciência própria – Púrusha – não se identifica com os fenômenos que testemunha. É somente o observador. O Ego (Ahamkara) é que se identifica erroneamente com o que se desenrola a sua frente. Note-se que o sofrimento não é entendido como fruto de um pecado ou erro cósmico, e sim fruto do engano e da ignorância do ego, nunca do Púrusha. O Púrusha nunca se engana, somente observa e sabe de tudo. Daí decorre que a liberação do Samsára pode ser atingida por meio do conhecimento verdadeiro da natureza do Ser (Não Ser).

      2. José Elias

        Frater Hamal,

        “Nós somos a manifestação e estamos dentro da Mente do Todo, portanto estudar o mundo e decifrar os segredos da existência através da Ciência, penetrar dentro da nossa mente e descobrir os segredos que habitam dentro de nós, é desvendar a Mente do Todo, é conhecer Deus, é conhecer como o Universo e nossa vida funciona e seu papel na existência. Por isso que o antigo Oráculo de Delfos afirmou: “Conhece a ti mesmo e conhecerá os segredos dos Deuses e do Universo”, e esse é o objetivo do Hermetismo e por isso temos dentro da Alquimia o VITRIOL.”

        Fiquei sem entender, no Hermetismo, Deus é o Todo? É a Mente do Todo? ou é VITRIOL?

        /\

  2. aquele que despertou

    todo suposto corpo mente pode, a qualquer momento, dar se conta, da ausência de qualquer distinção entre si mesmo e o todo, da total e imutável ausência de separação, daquilo que não nasceu e não morre, não muda, não reconhece qualquer noção de tempo, criação ou criador, partes, em cima ou em baixo, não vê qualquer tipo de discriminação, não foi criado e nada pode criar, não vê significado, sentido, não vê diferença entre absoluta ausência de movimento e movimento ininterrupto, não vê qualquer distinção entre forma e não forma, a todo ser humano está disponível mecanismos para esse despertar assim como para as flores está disponível mecanismos para perfumar, isso pode imaginar-se uma pessoa, um corpo, uma mente, mas jamais deixa de ser o que é, qual seria a função de uma mente, para aquilo que não pode ser mudado, não tem começo nem fim, apenas proporcionar uma mentira, brincar de ser aquele que ama, o amor e aquilo que é amado, para então acordar deste sonho e ver que nunca houve qualquer tipo de relação, pois ele mesmo era todos os objetos envolvidos, aparentemente distintos, era aquele que deseja, o desejo e aquilo que desejava, parecia ser aquilo que teme, o temor e aquilo que era temido, essas palavras surgem desse despertar, desse encontro consigo mesmo, desse retorno a realidade de que você está absolutamente só, eternamente só, então simula dentro de si mesmo uma infinita diversidade, apenas para se divertir, sem nenhum proposito, sem nenhuma finalidade oculta, pois o que você é, essa unica presença, singular e sem dimensões, é perfeito, completo, eterno e imutável, não há nenhum interesse seu, de Deus, a não ser brincar de se imaginar uma outra coisa, dentro de si mesmo, feita de si mesmo, buscando a si mesmo, que está sempre presente, é engraçado, quando você pode ver isso com seu próprio olho, tudo isso é muito hilario.

  3. aquele que despertou

    noções como manifesto e não manifesto, arquiteto e obra, pai e filho surgem apenas para quem não conhece a si mesmo, até mesmo noções de conhecedor, conhecimento e conhecido, simplesmente desaparecem, quando essa unica presença, se torna consciente de si mesmo.

  4. Thiago Neves

    Muito bom texto! Com ótimas referências a feitos da Igreja na Idade média. O Trivium e o Quadrivium – as 7 artes liberais (nos quais eu já falei a respeito), são ótimas ferramentas para um estudo aprofundado da alta cultura.
    Já sobre o conceito de Deus no hermetismo, a meu ver é apropriado e, inclusive se relaciona com a sentença feita pelo apóstolo Paulo: “Pois nele vivemos, nos movimentamos e existimos”, ou seja, isso mostra que o Universo é como uma das propriedades de Deus e, logo, estamos inseridos nesta realidade.
    Só deve-se tomar cuidado para não confundir essa ideia com o Panteísmo que é bem diferente.
    Em suma, muito bacana, Marcelo!

  5. BethLui

    Gostei da ideia de amarrar os tópicos, mas achei muito hermético. 😉

    Desculpe a seguinte chuva de dúvidas, mas a ideia do universo como corpo de Deus me lembra em paralelo o que diz Prabhupada sobre Krishna, mas mesmo que se considere Krishna como um dos três Deuses Criadores Primordiais (para não relativizar esta discussão com diferenças entre Brahma, Shiva ou qualquer outro nome), ainda parece haver algo além, e a pergunta que fica é: além da mente primordial há algo conhecível? Ou seria o Ein Sof, ou Nirvana (“algo” além do Demiurgo Budista que Marcio citou, que me parece diferente do Demiurgo Gnóstico, pois este parece uma criação terciária do Deus Primordial, criação de apenas uns dentre muitos Deuses e Deusas de hierarquia secundária – muitos destes talvez sendo várias Mentes conhecíveis, mas não a Última e Primeira possibilidade)? Ou “o corpo” de Deus é sua última parte possível de ser conhecida e sua mente está além sempre?

  6. Carlos

    “O todo é mente”, eu me lembrei disso assistindo o filme “A vida de Pi” quando ele fala do deus Vishnu, que pelo que me lembro Vishnu está dormindo num sono profundo e que somos todos personagens do seu sonho, isso descreve bem o que é explicado no texto.

    O legal é o tipo de associação que da pra fazer olhando todas as “religiões” seja ateísta ou teísta. Seja naquelas que acreditam num deus divindade único, seja aquelas que acreditam em vários deuses ou como no budismo, que fala na lata do universo sem muita delonga.

    Se existe tanta crença ou estória a respeito, e elas sempre se assemelham em alguma coisa, isso me faz perguntar:

    1) Houve um conhecimento único, que se espalhou para o globo e daí se adaptou de acordo com a cultura em que foi instalado/”codificado”?

    2) ou houve de fato o entendimento de cada povo separadamente, e daí a cultura em sí é que criou a própria estória fantástica e as semelhanças de cada uma das estórias são nada mais nada menos que a raiz do conhecimento colocado ali?

  7. Carla Martins

    Elucidou ainda mais o Caibalion para mim.

  8. Rafael Bueno

    Encarava esse primeiro principio do Hermetismo de maneira diversa. Entendia que o Todo é mental por quê o Todo seria um potencialidade da própria mente humana, ou seja, que a mente humana é o aparato através do qual podemos perceber o Todo e ao mesmo tempo criá-lo, pois a mente humana é a manifestação consciente dos processos universais e ao mesmo tempo o meio que o universo teria encontrado para contemplar a si mesmo.
    A identificação desse conceito (da forma como vc o descreveu) com a identidade dos Deuses de todas as religiões parece reforçar o que Jung chamou de Self, o Deus potencial em todo o ser humano. Sempre achei que o SAG era uma interpretação diferente do mesmo insight, se relacionando com o sujeito da mesma forma que o Self proposto por Jung o faz, mas seu texto me deixou na dúvida, porque a mim parece que o SAG tem ainda um aspecto mais pessoal (professor Del Debbio mesmo descreveu o SAG como “você no futuro”) que essa mente universal. William Blake fala em um Gênio Poético que também se aproxima dessas ideias, e é usado como pivô para sua afrmação de que todas as religiões são uma só. Esse tipo de estruturalismo religioso/mítico/psíquico é plausível pra mim, que não conheço todas as religiões a fundo, mas me parece que sempre vão haver discordâncias e pontos deixados de lado (como a aparição de doutrinas sem essa imagem genérica de Deus) em prol dessa sistematização que vocês propõe. As observações de Marcio (acima) sobre a inexistência de semelhante entidade no budismo é bastante interessante para o debate, gostaria muito de ouvir a réplica.

  9. Carlos

    Bom, como não há nenhum tipo de tópico a respeito, pelo menos não que eu tenha achado, tenho uma curiosidade sobre o seguinte:

    Um passarinho verde uma vez me contou que cada um nasce em determinado lugar para passar por um processo karmico, até aí nada de novidade, só mais um cliché quanto brasileiro reclamando do governo, anomalias físicas na Índia (http://bit.ly/1vF8Swl), a escravidão na China e as guerras tribais infernais no Oriente Médio (http://bit.ly/Z4PCe7). Daí cada região do globo, e seus problemas, falam por si só.

    Observando cada lugar do mundo, e se colocando em primeiro lugar a melhor região para se viver e em ultimo a pior de todas em linha reta poderíamos encontrar um efeito degradê se convertêssemos os resultados estatísticos em cor preta e branca. Ou poderíamos comparar à luz intensa, penumbra e finalmente escuridão.

    A coisa que ficou visível pra mim e que parece ser uma realidade, ou não, é que cada parte do mundo tem um papel diferente no processo “kármico”, como se fosse uma fábrica com partições referentes a isso, aquilo e aquele outro. Onde cada processo parece “lapidar o diamante” da forma necessária, mais precisa e detalhista possível em cada parte.

    Como exemplo, um gay nos EUA e um gay na contemporânea Uganda onde foi aprovada lei de prisão perpétua pra quem quer dar ré no kibe (http://glo.bo/1toLJxs). Sabemos que existe o preconceito ainda lá na América sobre o assunto, porém é um processo “mais leve” do que quem nasce gay em Uganda. Entenda que não to dizendo que ser gay é um fardo a carregar, to dizendo que é como ser negro aqui no Brasil onde existe um preconceito velado e daí a pessoa sofre com isso, tipo o goleiro Aranha. Onde aqui parece que a homofobia parece ser um tanto “mais pesada” do que nos EUA e mais leve que em Uganda.

    Ficou gigante o exemplo, e é sabido que não nasce só deficiente na Índia (http://bit.ly/1pjB0g7), ou há preconceito assim ou assado somente num lugar, mas certas coisas parecem que têm uma latência maior em ocorrer num lugar do que em outro. Seja pela cultura, pelo ambiente – como exemplo a África subsaariana o pior lugar para se viver – ou qualquer outra coisa.

    Provavelmente a curiosidade seja como chover no molhado pra alguns, mas cada governo, cada cultura, cada língua, cada aspecto físico acontece de forma natural pra cada lugar e é exatamente como se fosse uma fórmula criada que irá se encaixar de acordo com a consciência evolutiva do fulano pra dar a ele um novo salto de evolução ali na frente? Então sabendo-se disso poder-se-ia dizer que cada processo de evolução, ainda que como uma ilusão de injustiça, seria como uma força que “suga” o cara cada vez mais pra “luz”? Então eu poderia dizer que nem tudo de ruim é somente Karma mas um degrau a ser subido na escada da evolução, ainda que pareça cruel? Ora não é dito que há muitos caminhos pra se chegar até “lá”, talvez um desses caminhos não seja um mar de rosas mas um trilho de brasa!

    Pode-se concluir então que qualquer coisa que eu, você, o Barack Obama ou qualquer outro louco que está aqui, conforme vive já vai influenciando o todo de uma forma que ao chegar ali na frente terá um obstáculo criado de acordo com os feitos passados? Tipo no de Volta para o Futuro que pelo que me lembro eles esqueceram uma bengala no passado e ao voltar para o futuro havia mudado tudo? É por ai?

  10. Kamui

    Prezado Marcelo,

    É incrível como cheguei nessa conclusão sozinho e ainda me surpreendo quando leio algo a respeito.

    Enviei-lhe um e-mail há algum tempo, comentando algumas coisa “inatas”.

    Essa é uma delas, refletindo e meditando cheguei a estas conclusões sobre Deus, e pasme, sempre dei o exemplo exatamente desta forma: “Vivemos no que posso chamar de ‘corpo de Deus’, pois tudo é uma coisa só (O Todo), seja um todo sua mente e seu corpo, como todos os corpos e mentes no universo.”

    Fico feliz de encontrar conclusões em algumas doutrinas que se assemelham ou comungam com as minhas conclusões. Não estou apontando numa direção sozinho.

    Agradeço pela oportunidade de sempre poder ler ótimos textos por aqui. Abraço.

    1. Carlos

      É amigo Kamui, sem querer me meter na conversa, mas essa é a mesma incrível conclusão que cheguei também há um tempo. Eu ficava pensando: deus é onisciente, onipresente e onipotente. Daí pra definir melhor, peguei o dicionário e respectivamente conclui: ter ciência de tudo, ou seja, saber de tudo; estar em todos os lugares; e poder de tudo; Daí no fim deu aquele “plim” na cabeça e conclui: então deus é tudo. Porque antes de chegar aí nessa conclusão, eu tinha aquela velha e conhecida imagem de deus: um velho sábio e barbudo, estilo zeus.

      Daí me lembrei de um professor de física na escola, comunista, que bradava aos sete ventos ser ateu “graças a deus”, mas ele sempre tentava conversar com os alunos sobre o que ele sabia, falava da vibração das coisas, falava de viagem no tempo, de que seria necessário uma quantidade gigantesca de energia se alguem descobrisse como fazer isso, e todo mundo achava o cara louco, os evangélicos donos da verdade suprema xingavam o cara, até que ele foi afastado da escola pra se tratar, o cara tava a beira da loucura mesmo. Só que foi um dos únicos que gostava de dividir o que sabia, ainda mais no serviço público onde há um desânimo coletivo da parte dos professores e um desinteresse desmotivador da parte dos alunos, inclusive meu também. Foi disso tudo que fui entendendo muito as coisas e o que ele descreve no texto sobre o todo ser mente… incrível, um ateu me fez entender muitos mais a respeito de deus em poucas aulas do que a religião em 15 anos… contraditório, não? kkkkk

  11. José Elias

    Marcelo Del Debbio,

    Na Maçonaria,Deus é chamado de GADU.
    Na DeMolay, é chamado de Pai celestial.
    E o Hermetismo, como se refere a Deus? Como o Todo, como a Mente do Todo ou como VITRIOL?

    ” Nós somos a manifestação e estamos dentro da Mente do Todo, portanto estudar o mundo e decifrar os segredos da existência através da Ciência, penetrar dentro da nossa mente e descobrir os segredos que habitam dentro de nós, é desvendar a Mente do Todo, é conhecer Deus, é conhecer como o Universo e nossa vida funciona e seu papel na existência. Por isso que o antigo Oráculo de Delfos afirmou: “Conhece a ti mesmo e conhecerá os segredos dos Deuses e do Universo”, e esse é o objetivo do Hermetismo e por isso temos dentro da Alquimia o VITRIOL.”

    @MDD – Chamamos de Kether.

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