A Melhor Preparação


A Ordem DeMolay não possui um sistema mágico e secreto, capaz de transformar jovens normais em super-homens, perfeitos e irreprocháveis. A velha frase que diz “você não se torna um DeMolay, você nasce um DeMolay”, apesar de muito batida, é também muito verdadeira. Na sindicância, na análise dos candidatos, é justamente um sinal disso que estamos procurando – um Irmão nosso que meramente ainda não foi Iniciado em nossas fileiras.
Se esse é o verdadeiro objetivo da Sindicância, então, afinal, qual é o propósito da Ordem DeMolay? Se os candidatos à Iniciação “nasceram DeMolays”, para quê servem as reuniões da Ordem, toda a Ritualística e as lições e ensinamentos de seus graus?
Um dia, um homem muito antigo conversou comigo e me disse “A coisa mais fácil de se encontrar é uma pessoa com talento e que não fez nada da sua vida. Como ela não trabalhou sobre o material bruto que tinha dentro de si, todo aquele talento foi em vão, inutilizado e desperdiçado.” Nós reconhecemos nos candidatos aprovados à Iniciação a faísca que, trabalhada, pode se transformar nas sete chamas que ardem ao redor do Altar DeMolay, simbolizando as Sete Virtudes Cardeais.
Essas Sete Virtudes são, ao mesmo tempo, muito simples de se entender e muito complicadas de se compreender e colocar em prática. Cada uma delas requer horas e horas de reflexão, introspecção e retrospecção para que o DeMolay possa realmente seguí-la. Evidentemente, é possível falar delas apenas como palavras sem qualquer entendimento atrelado.
A enorme maioria dos DeMolays já jogou videogames e, especificamente, RPGs eletrônicos [que são cópias pálidas dos RPGs de mesa]. Nesses jogos, existem masmorras, cavernas e territórios a serem explorados. Quanto mais você os explora, mais forte o seu personagem fica, melhor equipado e com perícias e habilidades novas. Além disso, o jogador mesmo entende melhor a mecânica do jogo, as melhores táticas, até onde pode avançar, com quais outros personagens é melhor se aliar.
A reflexão sobre as Virtudes e sobre si mesmo é uma enorme e gigantesca exploração desse gênero. A cada vez que você conscientemente utiliza a sua mente para rever as suas ações e para entender os seus pensamentos e as suas emoções, você se aprimora. Toda vez que você tenta entender melhor os Rituais da Ordem e como eles procuram transmitir os ensinamentos das Sete Virtudes, você compreende melhor o quê é ser um DeMolay.
Participar da Ritualística, dos trabalhos nos Capítulos e nos Conventos, produz um efeito complementar. Por isso, é importante tanto frequentar as reuniões quanto pensar sobre elas. A parte divertida é que, com o passar dos meses e dos anos, você jamais vai deixar de aprender coisas novas. Sempre uma ligação que você não tinha feito antes, sempre uma nova aplicação de um velho ensinamento que você não tinha captado ainda.
Em determinado momento, aparecerá a sinergia – essa palavra de origem grega, synergía, pode ser exemplificada da seguinte maneira: imagine que você está treinando kung fu e correndo regularmente 5 quilômetros. Um belo dia, você vai notar que a sua corrida diária lhe permite treinar mais tempo kung fu; ao mesmo tempo, o treino do kung fu faz com que você corra melhor. Ao desenvolver habilidades aparentemente isoladas, o aprimoramento em uma provoca a melhoria na outra.
Naturalmente, isso é um produto esperado de uma vida de moral e limpidez e não é exclusividade de nossa Ordem. Qualquer pessoa pode trabalhar suas boas características e perceber que avançando em direção de uma delas, estará também avançando na direção das demais. A diferença é que esses sete aspectos são particularmente apropriados para gerar líderes em uma juventude pura e varonil.
Cada um de nós possui mais facilidade com uma ou outra das Virtudes e, sendo honestos, grande dificuldade com alguma delas. O problema é que não existe DeMolay de Seis Virtudes. Você pode até ser um ótimo jovem se conseguir cumprir com os preceitos de vários de nossos ideais, mas não será um DeMolay se não se dedicar a todos eles.
Ainda mais importante, o seu ponto fraco é justamente aonde o foco do seu trabalho deverá estar. O coração do homem é como uma cidadela. O nosso tem sete lados; nossa muralha de proteção tem sete faces. Se uma dessas faces tem alicerces frágeis, os ataques do mundo externo, da corrupção, da tentação, da escuridão virão justamente por aquele lado.
Ser um homem de bem realmente não é fácil, mas foi de livre e espontânea vontade que fomos Iniciados nessa Ordem, não foi?

Hugo Lima é Sênior DeMolay do Capítulo Imperial de Petrópolis, nº 470.
Virtude Cardeal é uma coluna compartilhada por dois Irmãos distantes geograficamente, Kennyo Ismail e Hugo Lima, mas unidos com propósitos dignos da Ordem DeMolay e da causa exemplificada por Jacques DeMolay.

Este post tem 8 comentários

  1. Marcel

    …” Nós reconhecemos nos candidatos aprovados à Iniciação a faísca que, trabalhada, pode se transformar nas sete chamas que ardem ao redor do Altar DeMolay” …
    Ótimo texto. Só posso acrescentar, que se o convite para participar da Ordem não foi uma das melhores coisas que me aconteceram, foi a melhor.

  2. TiagoMazzon

    Eu só fui saber dessa ordem bem tarde. Passei da idade.
    O que me resta? Há alguma ordem com preceitos parecidos? Poderia eu entrar para a Maçonaria e contemplar os estudos e aprimoramento dessas Sete Virtudes Cardeais lá ?
    Hugo – Bem, a Ordem DeMolay serve justamente para que os jovens se preparem e tornem-se líderes e homens de bem. Como você já passou da idade de preparação, você pode se associar a Ordens que busquem esses homens de bem – como a Maçonaria. No entanto, ao menos que eu me lembre, não há nenhuma outra que tenha como foco esse conjunto de Virtudes; quero dizer, todas as virtudes são trabalhadas, mas essas Sete não estão no foco. Você sempre pode utilizar a boa e velha técnica dos Espelhos da Alma e caminhar nessa direção por conta própria.

  3. victor mantovani

    A Ordem Demolay necessita de convite ?
    Hugo – Sim.

  4. João Pedro"

    Muito legal teu blog, brother. Parabéns por mostrar a Ordem de uma maneira tão simples e incrível. Parabéns pelo teu blog de novo, meu irmão.
    Fraternalmente em DM”

  5. Marcos

    Tenho a impressão que Ordem DeMolay é demasiadamente idealista tanto nas qualidades que ela exige de seus membros como, e talvez ainda mais surrealmente, na expressão utilizada: “você não se torna um DeMolay, você nasce um DeMolay”.
    Isso não é surreal, apenas alguém quem nunca foi contra os preceitos da Ordem nasceu para ela?
    Minha meta é sanar minhas dúvidas e não pregar contra a Ordem DeMolay peço desculpas se me expressei de maneira equivocada, obrigado.
    Hugo – Não se preocupe, Marcos, questionar é bom. Quando falo em “faísca”, quero dizer os indícios que apontem que a pessoa tem o necessário para se desenvolver no caminho de um DeMolay. Todos nós erramos e somente com um processo contínuo de aprimoramento podemos reduzir nossas falhas. Um DeMolay não atende sempre às Sete Virtudes, mas está sempre se guiando por elas.

  6. Fred Saramago

    A Ordem DeMolay me escolheu, mas se não tivesse já nascido um DeMolay, não ficaria, como muitos não ficam.
    O termo já nascer DeMolay, é mais usado quando jovens, ao ver as apresentações públicas da Ordem, ou, por pressão do pai, na maioria das vezes Maçon, e salvo alguns casos que acompanhei, que tem vontade de ser Maçon, mas nunca foi convidado, acabam por pressionar os jovens à entrar na ordem, mas os espíritos dos mesmos, não se encontram prontos, para enxergar os ensinamentos da Ordem, para vivenciar o dia a dia de uma maneira construtiva e evoluída.
    Logo, a maioria ainda no grau iniciático, abandonam a ordem, para jogar bola com os amigos, para ir à praia, ou mesmo ficar em casa jogando video game.
    Aquele que nasceu DeMolay, deixa tudo para segundo plano, e se dedica, aprende, cresce, essa é a diferença, pois assim como o pintor que nasceu, pintor, o escultor que nasceu escultor, o jovem que nasceu DeMolay, está ali, para fazer o que seu espírito gosta, e anseia. Ser DeMolay, não é meramente uma escolha, é um dom, o que você fará com esse dom, é livre arbítrio seu. Mas não adianta quem não tem dom para a música, tentar ser um novo Mozart ou Chopin.
    Saudações Fraternais.

  7. Francisco Peniche

    Belo texto meu irmão, você me daria permissão para ler ele na próxima reunião do meu capítulo? Com certeza, você será citado e todos os créditos irão para vc 🙂
    Hugo – Meu Irmão Francisco, você tem plena permissão para lê-lo na próxima reunião do seu Capítulo. Só não esqueça de mencionar o portal do nosso Tio Marcelo, http://www.deldebbio.com.br, e a coluna, Virtude Cardeal.

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