A Capela de Rosslyn


Por Christopher Knight e Robert Lomas
A pequena vila de Roslin localiza-se a aproximadamente quinze quilômetros ao sul de Edimburgo através da estrada para Penicuik. Ela é famosa por três razões: uma fazenda estatal experimental que tem produzido pares de ovelhas geneticamente clonados; as ruínas de um castelo que foi destruído pelo Exército dos Roundheads quando a Guerra Civil Inglesa espalhou-se até a Escócia; e uma não muito usual capela medieval. A Capela de Rosslyn foi iniciada em 1440 e tem demonstrado ser o mais antigo monumento que possui claras conexões com a Maçonaria moderna, os Cavaleiros Templários e a Jerusalém do primeiro século.

Para compreender Rosslyn nós temos que compreender os Cavaleiros Templários que eram, sem dúvida, a mais famosa ordem de guerreiros cristãos surgida no período medieval ou em qualquer outro. Estes monges guerreiros possuíam uma improvável concepção, uma existência controversa e um legado espetacular; todas essas características asseguraram que eles encontrassem seu lugar dentro de mais de uma lenda. Fatos extraordinários a respeito das façanhas dos Templários têm produzido todo tipo de românticos e de charlatões séculos a fora e, devido a isto, diversos estudiosos conceituados tornam-se imediatamente cépticos a qualquer teoria que mencione pelo nome.
Do mesmo modo que é completamente verdadeiro que muito de absurdo tem sido escrito a respeito dos Templários, seria absurdo admitir que eles eram apenas uma ordem comum que apenas surgiu para captar a imaginação de um número sem fim de tipos esotéricos. No mínimo, os Templários seriam qualquer coisa, menos comuns.
De acordo com avaliações aceitas, esta bem sucedida e enorme ordem surgiu quase que por acidente em 1118, logo após a morte do primeiro rei cristão de Jerusalém, Balduíno I, e a sucessão por seu primo, Balduíno lI. Costuma-se dizer que este novo rei foi procurado por nove Cavaleiros franceses que aparentemente informou-o que eles desejavam ser voluntários como uma audaciosa força de defesa para proteger os peregrinos dos bandidos e assassinos que havia nas estradas da Terra Santa. A história registra que o recém empossado rei imediatamente alojou-os no sítio do Templo de Salomão e pagou o seu sustento por nove anos completos. Em 1128, apesar do fato do grupo nunca ter se afastado do Monte do Templo, eles foram elevados à categoria de Ordem Santa pelo Papa por seus valorosos serviços na proteção dos peregrinos por toda uma década. Foi neste ponto preciso, que eles formalmente adotaram o nome de Ordem dos Pobres Soldados de Cristo e do Templo de Salomão, ou simplesmente, ‘os Cavaleiros Templários’. Este minúsculo grupo de homens medievais foi repentinamente posicionado como o exército de defesa oficial da Igreja Romana na Terra Santa. As hostes sarracenas devem ter se divertido muito com isto!
As coisas mudaram rapidamente. Dentro de poucos anos, o bando de maltrapilhos que havia acampado nas ruínas do Templo dos judeus, miraculosamente transformou-se em uma esplendorosa, fabulosa e saudável Ordem que se tornaria os banqueiros dos reis da Europa.
Nós realmente acreditamos que os registros dos livros de História sobre o surgimento dos Cavaleiros Templários eram muito simplórios e, deste modo, precisávamos descobrir o que realmente ocorreu na segunda década após a Primeira Cruzada.
Em nosso último livro, chegamos à conclusão de que os Templários não haviam protegido nenhum peregrino, pois eles gastaram todo o seu tempo escavando embaixo do Templo arruinado, a procura de algo, possivelmente o tesouro de Salomão. De fato, outros chegaram a conclusões similares antes de nós:
A verdadeira tarefa dos nove Cavaleiros era empreender buscas na área, de modo a obter certas relíquias e manuscritos que contivessem a essência da tradição secreta do Judaísmo e do antigo Egito, alguns dos quais provavelmente remontassem à época de Moisés.
* O Exército dos Roundheads era a força militar dos partidários puritanos de Sir Oliver Cromwell, lorde protetor da Grã Bretanha e Irlanda, quando da Revolução que depôs a casa real dos Stuart do trono inglês, em 1649. Cromwell instituiu uma república, baseada nos conceitos reformadores da Igreja Puritana da Inglaterra, permanecendo no governo da Grã Bretanha até o ano de 1658. (N. T.)
Em 1894, quase oitocentos anos após os Templários terem iniciado a escavação sob as ruínas do Templo de Jerusalém, seus túneis secretos foram novamente sondados, nesta época por um contingente do exército britânico liderado pelo tenente Charles Wilson, membro dos Engenheiros Reais. Eles nada descobriram dos tesouros escondidos pela Igreja de Jerusalém, mas nos túneis cavados séculos antes, eles encontraram parte de uma espada templária, uma espora, restos de uma lança e uma pequena cruz templária, Todos esses artefatos estão agora em poder de Robert Brydon, um arquivista templário na Escócia, cujo avô fora amigo de um certo Capitão Parker que tomou parte nesta e em outras expedições que escavaram abaixo do sítio do Templo de Herodes. Em uma correspondência escrita ao avô de Robert Brydon em 1912, Parker relata a descoberta de uma câmara secreta abaixo do Monte do Templo com uma passagem que ligava à Mesquita de Omar. Ao surgirem dentro da mesquita, o oficial do exército britânico teve que fugir dos irados sacerdotes e fiéis para não morrer.
Não há dúvida de que os Templários de fato realizaram escavações maiores em Jerusalém e a única questão que nós precisávamos considerar era: o que os levou a empreenderem tal enorme projeto e o que precisamente eles descobriram? Quando estávamos escrevendo nosso último livro, embora estivéssemos certos em saber o que eles tinham descoberto, nós apenas podíamos especular que a motivação para toda esta aventura deveria ter sido uma caça ao tesouro oportunista.
Nós novamente consideramos o mútuo juramento de aliança que os nove Cavaleiros estabeleceram no início de sua escavação, dez anos antes que eles se estabelecessem como a Ordem dos Cavaleiros Templários. Diversos livros sobre os Templários usualmente estabelecem que o compromisso era uma promessa de ‘castidade, obediência e pobreza’ – que soa mais como um voto para monges do que para um pequeno grupo independente de Cavaleiros. Entretanto, quando o juramento é analisado em sua origem latina, este é traduzido por ‘castidade, obediência e manutenção de toda propriedade em comum’.
Existe uma clara diferença entre jurar nada possuir e jurar compartilhar toda a prosperidade em comum – e prosperidade é o que eles obtiveram em pouquíssimo tempo!
Nós, entretanto, permanecemos intrigados pela natureza muito religiosa deste mútuo juramento. Outros observadores têm comentado sobre isto, pois sabem com certeza que os Templários, de fato, se tornaram uma ordem de monges guerreiros, mas como estes nove Cavaleiros saberiam o que ocorreria dez anos mais tarde? Muitas questões precisavam ser respondidas:
1. Por que eles precisavam abraçar a ‘castidade’ em uma época em que os padres católicos romanos não o faziam?
2. Por que um pequeno grupo de homens completamente independente precisou realizar um juramento de obediência e a quem eles estavam planejando serem obedientes?
3. Se eles eram meros caçadores de tesouros, por que eles pretenderiam compartilhar toda a propriedade em comum quando o método usual seria o de dividir o espólio?
Para responder apropriadamente a estas questões, nós precisaríamos conhecer um pouco mais a respeito das circunstâncias deste pequeno grupo de cavaleiros que se reunira em Jerusalém em 1118. Nós certamente sentimos que algo estava errado aqui e nosso principal temor era que a verdade pudesse ter se perdido ao longo dos séculos e que nós nunca esclareceríamos as motivações destes homens.
Nós sentíamos que a conclusão razoável a respeito da segunda questão sobre a necessidade de ‘obediência’ fortemente sugeria que outras pessoas deveriam estar envolvidas e que deveria haver um plano mais elaborado do que uma simples caça ao tesouro. Os três votos quando colocados juntos serviam mais aos padres do que aos Cavaleiros. Nós relembramos rapidamente do estilo de vida dos homens da comunidade dos Essênios descritos nos Manuscritos do Mar Morto: uma existência ascética que igualmente aplicava-se aos líderes da Igreja original de Jerusalém que originalmente havia enterrado os manuscritos e os tesouros que os Templários descobriram.
A partir de nossas pesquisas prévias, nós acreditamos que os manuscritos removidos pelos Templários agora residem abaixo da Capela de Rosslyn na Escócia.
Um Santuário Templário
A Capela de Rosslyn está protegida por uma pequena estrada lateral passando por entre duas excelentes estalagens que somente pode ser notada por aqueles que se aventuram pela vila de Roslin. É difícil ver muito da edificação à primeira vista, uma vez que ela está obstruída por árvores e altos muros ao longo do lado norte, mas que estranhamente proporciona uma rápida visão da parede ocidental com suas duas bases de colunas no ponto mais alto.
A entrada é realizada através de uma pequena cabana, onde lembranças podem ser compradas e onde é servido chá com biscoitos. Assim que se cruza a porta dos fundos da cabana, o esplendor desta curiosa e única capelinha é imediatamente óbvio e leva-se nada menos que alguns minutos para se perceber que esta é nada menos que um texto medieval escrito em pedra.
A proeza artística de William St Clair não é semelhante a nada que nós já tenhamos visto anteriormente e nunca havíamos nos encantado tanto com a aura gerada no interior e exterior celestialmente esculpidos. Como uma obra arquitetônica, ela não é particularmente graciosa, nem as suas dimensões físicas impressionam, mas mesmo assim instintivamente sente-se que este é um lugar muito especial.
Nós nada encontramos de cristão nesta assim chamada ‘capela’, uma observação que tem sido realizada por muitos observadores conhecidos por nós, desde então. Há uma estátua de Maria com um menino Jesus, um batistério com fonte, alguns vitrais com alegorias cristãs, mas tudo isto são intrusões vitorianas ocorridas quando a capela foi consagrada pela primeira vez. Estes atos de ‘vandalismo’ foram muito significativos, mas mal concebidos, uma vez que eles não puderam retirar a magnificência anterior da celestial edificação originariamente esculpida.
Esta construção cuidadosamente planejada não foi somente construída sem um batistério, ela não possuía nenhum espaço para um altar em seu lado oriental e uma mesa de madeira hoje em dia serve para esse propósito no centro de um simples salão. A História registra que não foi consagrada até que a Rainha Victoria a visitasse e sugerisse que a mesma fosse transformada em uma igreja.
Construída entre os anos de 1440 e 1490, a estrutura é coberta por uma combinação de motivos celtas e templários que são instantaneamente reconhecidos pelos modernos Maçons. Preparados com um detalhado senso das antigas origens da Maçonaria, nós começamos a perceber que existem pistas precisas e secretas impressas na construção da edificação que estabelecem uma ligação sem qualquer dúvida entre o Templo de Herodes e esta maravilha medieval.
Há apenas dois salões: um salão principal e uma cripta que é acessada via uma escadaria no lado oriental. O salão possui quatorze pilares, doze dos quais são iguais, mas os localizados no sudeste e no nordeste são únicos, ambos esplendorosamente esculpidos com diferentes desenhos. Freqüentemente tem sido dito que estes pilares representam aqueles que existiam no átrio interior do Templo de Jerusalém chamados de Boaz e Jachin, que são hoje em dia muito importantes para os Maçons.
Um exame mais atento revela-nos que a parede ocidental e a totalidade do piso foram projetados como uma cópia das ruínas do Templo de Salomão e a superestrutura acima do pavimento térreo e além da parede ocidental era uma interpretação da visão sobre a Jerusalém Celeste feita pelo profeta Ezequiel.
Os pilares principais – Boaz e Jachin – são posicionados precisamente do mesmo modo que aqueles existentes em Jerusalém. Nós sabíamos que o ritual do grau maçônico conhecido como Santo Real Arco descreve a escavação das ruínas do Templo de Salomão e claramente estabelece que deveriam haver dois esplendorosos pilares no lado oriental e mais doze de concepção idêntica exatamente como encontramos em Rosslyn.
Nós, então percebemos, que o layout dos pilares formava um perfeito tríplice Tau (três formas de ‘T’ unidos), exatamente como o descrito no ritual maçônico. Além do mais, de acordo com o grau do Santo Real Arco, também deveria haver um ‘Selo de Salomão’ (idêntico à Estrela de David) fixado ao tríplice Tau e uma inspeção mais acurada revelou que toda a geometria da edificação era de fato construída em torno desse desenho.
Quando construiu Rosslyn, William St Clair inseriu estas pistas e colocou o significado da decodificação deles dentro dos então rituais secretos do grau do Santo Real Arco. Através do ritual maçônico, ele explicou anos mais tarde o que ele estava tentando dizer:
O tríplice Tau significa, entre outros significados ocultos, Templum Hierosolyma – o Templo de Jerusalém. Ele também significa Clavis ad Thesaurum – uma chave para um tesouro – e Theca ubi res pretiosa deponitur – Um lugar onde algo precioso está oculto – ou Res ipsa pretiosa – A própria coisa preciosa.
Esta era uma profunda confirmação de nossa tese de que Rosslyn era uma reconstrução do Templo de Herodes. Nós imediatamente imaginamos se este ritual da Maçonaria continha essas palavras para o único propósito de revelar o significado de Rosslyn ou se Rosslyn havia sido projetada neste formato para confrontar-se com os conhecimentos mais antigos? Nesse momento isto não importava, pois estava claro para nós que William St Clair era o homem que tinha estado envolvido com ambos. A definição maçônica do ‘Selo de Salomão’ segue a seguir:
A Jóia de Companheiro do Real Arco é um triângulo duplo, muitas vezes chamado de Selo de Salomão, inscrito em um círculo de ouro; na base há um rolo de pergaminho onde constam as seguintes palavras Nil nisi clavis deest – Nada é desejada a não ser a chave – e no círculo aparece escrito, Si tatlia jungere possis sit tibi scire posse – Se vós pudestes compreender estas coisas, vós conhecestes o suficiente.
William St Clair havia cuidadosamente escondido esta escrita secreta dentro dos rituais da Maçonaria, que devem ter existido anteriormente a 1440. Neste ponto, nós sabíamos que era certo que o arquiteto deste ‘Templo de Yahweh’ escocês tinha inserido as suas próprias definições para estes antigos símbolos para que alguém em um futuro distante pudesse ‘virar a chave’ e descobrir os segredos de Rosslyn.
Os nove Cavaleiros originais que cavaram abaixo dos escombros do Templo de Herodes cuidadosamente mapearam as fundações abaixo do solo, mas eles não possuíam nenhuma condição de saber como a principal superestrutura se parecia, exceto pela seção da parede ocidental que ainda existia de pé aquele tempo. As principais paredes de Rosslyn equiparavam-se exatamente com a linha de paredes do Templo de Herodes descobertos pela expedição do exército britânico liderada pelo tenente Wilson e pelo tenente Warren, membros dos Engenheiros Reais.
Plano de Rosslyn
Wilson iniciou um levantamento de toda a cidade de Jerusalém para a padronização do Levantamento de Artilharia em 1865 e, em Fevereiro de 1867, o tenente Warren chegou para empreender uma escavação dentro das galerias abaixo da área do Templo. Um dos diversos diagramas produzidos por Warren Ilustra o grau de dificuldade que eles encararam e ajuda a explicar o porquê dos Cavaleiros Templários terem levado nove anos para conduzir suas escavações.
A maior parte da edificação de Rosslyn foi projetada como uma interpretação da visão de Ezequiel da Jerusalém reconstruída ou ‘celeste’ com suas muitas torres e pináculos. Uma das partes da edificação que é claramente diferente é a parede ocidental que foi construída em proporções maiores. A explicação oficial para esta escala maior é a de que a própria ‘capela’ seria somente uma capela lateral de uma igreja colegiada muito maior. Os atuais guardiões de Rosslyn admitem que esta explicação é uma suposição, uma vez que não existem evidências de que esta fosse a intenção de William St Clair. Certamente, qualquer parede que permanecesse sozinha poderia ser parte de uma edificação que tenha sido praticamente demolida. Neste caso há uma terceira opção: de que a parede seja uma réplica de uma edificação praticamente demolida, deste modo, nunca haveria uma outra parte – nem atual, nem pretendida.
Inicialmente, parecia ser assim, embora fosse impossível encerrar de modo conclusivo o debate.
Após a publicação de nosso livro anterior, nós estivemos em contato com um grande número de pessoas, muitas das quais possuíam informações para nós ou estavam em posição de oferecer assistência. Entre estas pessoas encontrava-se Edgar Harborne que é um conceituado Maçom, sendo um Past Grande Mestre de Cerimônias Assistente da Grande Loja Unida da Inglaterra.
Edgar é também um estatístico e integrava uma sociedade de pesquisa na Universidade de Cambridge, onde era patrocinado pelo Ministro da Defesa para analisar a rendição e os pontos cruciais dos campos de batalha. Ele foi capaz de confirmar que nossa tese a respeito da morte de Seqenenre Tao, o rei da décima sétima dinastia do Antigo Egito, era altamente plausível devido aos ferimentos que não eram totalmente típicos daqueles encontrados em antigas batalhas.
Edgar foi perspicaz ao visitar Rosslyn em companhia de seu bom amigo Dr. Jack Millar que é um diretor de estudos de uma famosa universidade. Felizmente para nós, Jack é um geólogo de considerável fama, com aproximadamente duzentas publicações acadêmicas em seu nome.
No inicio de Agosto de 1996, Edgar e Jack voaram à Edimburgo onde nós nos encontramos, em uma sexta-feira à tarde, e imediatamente nos dirigimos para Rosslyn para uma avaliação do terreno como precursora de uma investigação de solo mais profunda. Lá, nós nos encontramos com Stuart Beattie, o diretor de projeto de Rosslyn, que gentilmente nos abriu o edifício. Edgar e Jack passaram algumas horas absortos pela beleza e complexidade da obra de arte,e então nos retiramos para o hotel para discutir nosso plano de ação para o dia seguinte. Ambos os homens estavam muito excitados e todos nós conversamos muito sobre o que havíamos visto. Entretanto, Jack esperou até o café da manhã do dia seguinte para nos contar que ele havia notado algo sobre a parede ocidental que ele acreditava que acharíamos interessante. Quando nós retornamos a Rosslyn ele nos explicou. .
‘Este debate sobre se a parede ocidental é uma réplica de uma ruína ou uma seção inacabada de uma edificação muito maior…’, disse Jack, apontando para o lado do noroeste. ‘Bem, há somente uma única possibilidade – e eu posso assegurar-lhes que vocês estão corretos. Aquela parede ocidental é um disparate’.
Nós ouvimos atentamente as razões que poderiam provar os nossos argumentos. ‘Há duas razões do porquê de eu poder assegurar que isto é um disparate. Inicialmente, enquanto aqueles suportes possuem uma integridade visual, os mesmos não possuem nenhuma integridade estrutural; a cantaria não está presa completamente à seção central principal. Qualquer tentativa de construir além teria resultado em um colapso estrutural… E o povo que construiu esta ‘capela’ não era tolo. Eles simplesmente nunca pretenderam ir além’. Nós olhamos para onde Jack estava apontando e pudemos ver que ele estava absolutamente certo.
Ele continuou: ‘Ainda mais, venham até aqui e dêem uma olhada nas pedras de canto’. Jack andou até o canto e nós o seguimos, de modo que todos estivéssemos diante das desiguais paredes arruinadas que possuíam pedras projetando-se na direção do ocidente. ‘Se os construtores tivessem interrompido o trabalho por causa da falta de dinheiro ou apenas para completarem posteriormente, eles teriam deixado um trabalho de cantaria perfeitamente esquadrinhado, mas estas pedras tinham sido deliberadamente trabalhadas para aparentar estarem danificadas – exatamente como uma ruína. Estas pedras não foram expostas às intempéries como aquela… Elas foram cortadas para parecerem com uma parede arruinada’.
A explicação de Jack foi brilhantemente simples.
No início daquele ano, nós havíamos trazido o Professor Philip Davies, do Departamento de Estudos Bíblicos da Universidade de Sheffield e o Dr. Neil Sellors, um colega de Chris, até a Escócia onde fomos convidados do Barão St Clair Bonde, um descendente direto de William St Clair e um dos mantenedores da Capela de Rosslyn.
Nós nos dirigimos à inacreditavelmente bela moradia do Barão em Fife onde nós fomos muito bem recebidos por ele e por sua esposa sueca, Christina, e aonde nos foi apresentada uma esplêndida refeição sueca onde nos foi apresentado um outro dos mantenedores, Andrew Russell e sua esposa Trish.
Na manhã seguinte, nós todos fomos visitar Rosslyn onde o Professor Davies havia arranjado um encontro com seu velho amigo o Professor Graham Auld, o Reitor da Divindade da Universidade de Edimburgo. Os dois pesquisadores bíblicos estudaram a edificação por dentro e por fora e então se dirigiram ao longo do vale para vê-Ia de uma certa distância. Ambos os homens conheciam muito bem Jerusalém e de fato concluíram que a construção era um notável remanescente do estilo herodiano.
Olhando a partir do exterior da parede norte, Philip repetiu suas impressões: ‘Este não se parece com qualquer lugar de veneração cristã. A impressão esmagadora é a de que foi construída para abrigar algum grande segredo medieval’.
Pondo junto à evidência desses conceituados acadêmicos das universidades de Cambridge, Sheffield e Edimburgo, parece que nós havíamos provado nosso argumento de que Rosslyn foi projetada como uma réplica do Templo de Herodes.
O Barão St Clair apontou que mais de cinqüenta por cento do grande número de figuras esculpidas na edificação estão portando rolos de pergaminhos ou livros e um pequeno friso é arrematado com uma cena que parece mostrar algo como rolos de pergaminhos sendo colocados em caixas de madeira com uma sentinela colocada e portando uma chave encimada com um esquadro. O esquadro é uma peça fundamental do simbolismo maçônico. Esta e outras evidências a partir das esculturas convenceram-nos de que os manuscritos dos Nazoreanos que nós já sabíamos terem sido removidos debaixo do Templo de Herodes pelos Cavaleiros Templários estavam aqui em Rosslyn.
Continua semana que vem…

Este post tem 21 comentários

  1. Bruno Mais

    Wow, de volta a intrigante visita as estórias dos misteriosos cavaleiros!
    E pocurando algo sobre : ” … morte de Seqenenre Tao, o rei da décima sétima dinastia do Antigo Egito, era altamente plausível devido aos ferimentos que não eram totalmente típicos daqueles encontrados em antigas batalhas. ”
    [ ]’s

  2. Gustavo Costa

    Demorou mas eu li, muito bom ! Ja havia visto um documentario sobre a capela no History Channel ou algum canal do genero, não tão rico e revelador, mas bom também.

  3. TiagoMazzon

    Estou lendo “O Livro de Hiram” e parece que isso vem de lá… estou certo ?

  4. Antonio Lima

    Já estou curioso pra ler a continuação ^_^

  5. Otavio"

    O livro referido é A chave de Hiram?

  6. monge

    Knight e Lomas são exemplares, recomendadíssimo aos IIr.’..

  7. Jonatas Carneiro de Arruda

    Muitooo legal, fiquei ansioso pra ler o final agora.
    De que livro saiu o texto?
    @MDD – da trilogia da Chave de Hiram, publicada no Brasil pela editora Madras.

    1. Bruno Mais

      Trilogia da Chave de Hiram já incluida no Skoob, para que o fio da meada não se perca!
      [ ]’s

  8. Gabriel Nunes

    MDD boa tarde.
    Se não me engano, esse texto é retirado do livro “A Chave de Hiram” correto? Eu terminei de ler esse livro recentemente, e estava realmente curioso para saber qual a sua opinião sobre o mesmo.
    Ele montaram uma história até bastante coerente, desde os sumérios até hoje (que eu gostei muito, inclusive, e faz muito mais sentido que as versões ditas “oficiais”), porém, a história só se mantém se você aceitar todas as referências a outros documentos e fatos históricos que eles mencionam. Já li em diversos lugares, outros historiadores que criticam duramente os dois autores, mencionando erros de referências ou “esticando” os fatos para se encaixarem nas idéias deles.
    Você já estudou MUITO sobre mitos e histórias antigas, especialmente as religiosas. O que você acha desse livro? Possui mesmo embasamento histórico, é uma idéia boa, mas cheia de buracos e adaptações, ou é só uma obra de ficção interessante?
    @MDD – eu gosto bastante dos livros deles. a maioria do pessoal que os critica tem o argumento de “especulação” porque muitas das referencias que eles fazem estao em rituais maçônicos e nao em trabalhos academicos, entao sempre se pode alegar que “ah, mas o ritual quer dizer outra coisa… nao esta explicitamente colocado ali o que ele quis dizer” e é verdade, ainda mais em se tratando de uma ordem que estava secreta por motivos de perseguição. O Livro de Hiram, a Chave de Hiram e o meu favorito, a Máquina de Uriel, são muito coerentes.

    1. Gabriel Nunes

      Muito bom. Não sabia que eram uma trilogia, eu recebi o Chave de Hiram de um amigo maçon, achei que era um livro só, avulso. Vou buscar os outros dois também.
      Obrigado MDD
      P.S.: Aproveitando o ensejo, no fim desse livro eles dão e entender que já entraram em contato com o dono das terras onde fica Rosslyn, e que o sujeito aceitou bem a idéia das escavações lá. Sabe se houve alguma evolução nesse assunto? Não consegui encontrar nada relevante sobre isso.

  9. Gustavo

    Duro esperar semana que vem. =)
    Acho que li sem piscar esse texto. Estou um com livro sobre as expedições templarias no continente americano, e ele passa por essa “capela” Rosslyn e junta com o “green man” e várias outras histórias. Muito interessante.
    Você já esteve lá MDD? E você sabe se existia algum circulo de pedra celta naquela região antes da “capela”?
    Obrigado
    Abração.

  10. Shlomo

    Durante a leitura do texto, eu fiquei imaginando a cabeça decepada do Alan Moore (com trocadilho) e o segredos dos templários no livro A Voz do Fogo.

  11. Vinícius Pedro

    só depois que terminei de ler é que me dei conta do tamanho do texto. rs
    no aguardo da próxima parte.

  12. Texto muito interessante tio.
    A unica critica é quanto ao tamanho mesmo (tive que interromper a leitura no meio e voltar outro dia), mas estou curioso pela continuação semana que vem e agora já tem mais 3 livros para adicionar a lista dos “quero ler”.

  13. Rosslyn eh um dos lugares mais lindos que eu visitei, realmente uma obra de arte. As esculturas e os simbolismos espalhados nessa pequena capela eh algo impressionante.
    Fora o sentimento que se tem no peito quando vc entra pelas portas dessa capela como se vc tivesse num daqueles lugares que nao lhe eh estranho.
    O Livro “Hiram Key” eh incrivel, porem alguem aqui ja leu o “Second Messiah”? Vale muito a pena.

  14. Amy R

    Esse ano quero ir em Rosslyn. Ja tive a oportunidade de ver uma outra igreja feita pelo William St Claire, que fica em Kirkwall – Orkney. Me senti desse jeito que os autores descreveram: arquitetonicamente, não parece muito, mas sente-se a importancia. Não sabia que esses livros eram trilogia, tenho só a chave de hiram mas ainda não li, só o o começo mesmo. Ótimo post.

  15. Jorge

    Chave de Hiram é um otimo livro, n sabia q era uma trilogia, vi apenas o girando a chave de hiram!

  16. Alexandre I.

    Todo o Reino Unido me parece um lugar fantástico…
    Que lugares você recomendaria para visitar lá, em termos esotéricos (além dessa capela, é claro), DD?

  17. corintho junior

    Somente os Hoens Livres e de Bons Costumes poderam compreender os verdadeiros segredos dos Obreiros da Arte Real. Os segredos de Rosslyn estão diretamentes ligados a Ordem Maçonica, vindos pelos Templarios.

Deixe uma resposta