Natureza Imperfeita

» Parte 1 da série “Reflexões sobre a perfeição”

A perfeição é um estado de completude e ausência de falhas. Normalmente atribuímos a perfeição a um Criador, um Ser Perfeito ou as Leis da Natureza.

Ante a grandiosa perplexidade que a observação profunda da natureza nos imprime a alma, somos inexoravelmente levados a crer que o Cosmos – tudo o que há, que foi ou que será – é perfeito. Apesar de ser muitas vezes complexo para nós definir tal perfeição, quase sempre a associamos com a beleza, a simetria, a homogeneidade das formas naturais.

Na geometria a perfeição parece estar associada ao círculo: um espaço onde todos os pontos estão à mesma distância do centro, e conseqüentemente não temos nenhum ponto em posição privilegiada em relação aos demais. Essa igualdade nos parece sublime, e muitas vezes a tentamos traduzir para a realidade, tanto que muitos símbolos e signos da geometria sagrada se baseiam ou contém o círculo… Entretanto, ainda temos o ponto central do círculo – este está em posição privilegiada, na medida em que está a mesma distância de todos os demais. O centro é necessário para que os outros pontos se sintam em igualdade. Retire o centro e teremos novamente uma guerra em busca do ponto de superioridade. É mais simples supor que Deus está no centro. A mente de Deus, o motor inicial do Cosmos, a essência da natureza – aí está a perfeição!

(mais…)

Continuar lendo Natureza Imperfeita

A Psicologia das Plantas

Quando eu estava na faculdade de psicologia, ainda como aluno de graduação, nós dizíamos aos colegas como brincadeira que nos especializaríamos em áreas pouco comuns da ciência psicológica. Alguém dizia que se dedicaria…

Continuar lendo A Psicologia das Plantas

As lições da ciência

Quando eu debatia em comunidades online onde haviam embates homéricos entre céticos e espiritualistas, acabava por confundir a ambos quando tocava em assuntos científicos. Para os últimos, a ciência geralmente não despertava muito interesse, pois raramente a analisavam sob o ponto de vista espiritual; Para os primeiros, era tão estranho que um espiritualista estivesse citando Carl Sagan e Richard Feynman, que alguns pensavam se tratar de um cientista “brincando” de ser espiritualista – um “místico fake”. Obviamente, eles estavam mesmo confusos…

Podem nunca haver lhe contado na escola, mas nem sempre a espiritualidade esteve dissociada da ciência. Porém, nesta ciência de hoje, interpretada apenas como um conhecimento estritamente objetivo da realidade detectável, apenas um método sem nenhuma relação com qualquer espécie de ideologia ou filosofia, restou muito pouco da ciência antiga, a filosofia da Natureza, o conhecimento da physis.

Os sábios antigos chamavam Natureza à realidade primeira e fundamental de todas as coisas, a essência em torno da qual gira tudo o que é transitório: “A noite segue o dia. As estações do ano sucedem-se uma à outra. As plantas e os animais nascem, crescem e morrem. Diante desse espetáculo cotidiano da natureza, o homem manifesta sentimentos variados – medo, resignação, incompreensão, admiração e perplexidade. E são precisamente esses sentimentos que acabam por levá-lo à filosofia. O espanto inicial traduz-se em perguntas intrigantes: O que é essa physis, que apresenta tantas variações? Ela possui uma ordem ou é um caos sem nexo?”.

(mais…)

Continuar lendo As lições da ciência

Em busca da Teoria do Tudo

» Parte 2 da série “Reflexões sobre a perfeição” ver parte 1 | ver parte 2

Tenho um amigo matemático – Guilherme Tomishiyo – que ousa afirmar que a matemática é mais arte do que ciência. Vejamos seu pensamento acerca do assunto:

“O motivo pra mim da matemática não ser uma ciência, ao menos uma ciência natural – que estuda a natureza –, é que ela não parte de observações da mesma.

Um matemático não analisa um aspecto do mundo natural e tenta traduzir aquilo. Ele parte de axiomas e constrói daí um sistema lógico. Eu diria que ela é o estudo dos padrões. Quem estuda matemática sabe que números são apenas uma parte, a grande maioria dela não está nem um pouco relacionada com isso.

Uma coisa que eu acho estupidamente bela na matemática é o seu aspecto ontológico. Daqui a mil anos, podemos descobrir que Einstein esteve errado, e a sua teoria inteira não passava de um caso particular de uma teoria mais geral (como foi com Newton), mas daqui a 10 mil anos, o Teorema de Pitágoras continuará sendo verdadeiro, assim como todos os teoremas já demonstrados até o momento.

(mais…)

Continuar lendo Em busca da Teoria do Tudo

O Sopro da Natureza

Texto de Chuang Tzu (*)

Quando a Natureza magnânima suspira,
Ouvimos os ventos que, silenciosos,
Despertam as vozes dos outros seres,
Soprando neles.
De toda fresta
Soam altas vozes.
Já não ouvistes
O marulhar dos tons?
(mais…)

Continuar lendo O Sopro da Natureza

Ventura

Para se ler com a imaginação…

Texto do poeta inglês John Galsworthy, nobel de literatura de 1932, traduzido do original (Felicity) por Rafael Arrais [1].

Quando Deus é tão bom para os campos, de que uso são as palavras – essas pobres cascas de sentimento! Não há como se pintar a Ventura nas asas! Nenhum meio de passar para a tela a glória etérea das coisas! Um único botão-de-ouro dos vinte milhões em um campo vale mais do que todos esses símbolos secos – que não poderão nunca expressar o espírito da neblina espumosa de Maio a se chocar com os arbustos, o coral dos pássaros e das abelhas, as anêmonas a se perder de vista, as andorinhas de pescoço branco em sua Odisséia.

(mais…)

Continuar lendo Ventura

Os Ciclos Naturais e as Criações Humanas


Tudo faz parte de um ciclo. Esse ciclo pode ser grande ou pequeno: pode levar uma quantidade imensa de anos terrestres, ou até várias Eras, para se terminar um ciclo, dependendo de que ciclo estamos nos referindo. Há os ciclos terrestres, solares, zodiacais, galáticos… assim como há também os ciclos celulares, os ciclos atômicos… e os ciclos de vida e morte, o ciclo da água, e assim por diante.
(mais…)

Continuar lendo Os Ciclos Naturais e as Criações Humanas

Os deuses esquecidos

Clique no Banner para conhecer o Blog Textos para Reflexão

Trechos do artigo original de Lupa Greenwolf (The Forgotten Gods of Nature) publicado em patheos.com. Tradução de Rafael Arrais.

Quando você pensa nos deuses da natureza, quem você imagina? Você imagina o Lorde Wicca ou a Dama (também amada por muitos pagãos não-wicanos), ela uma mulher de cabelos longos entrecruzados com videiras, frutas e grãos, ele um homem peludo e corpulento, acompanhado por grandes mamíferos selvagens? Você imagina Artémis ou Diana, caçadoras e donzelas e portadoras da lua? Ou talvez Gaia, grávida da própria Terra? Eu aposto que em nove de cada dez tentativas, a primeira divindade que pensou tomou uma forma humana, feminina ou masculina ou andrógina, mas quase certamente refletindo a sua própria imagem.

Mas eu quero lhe contar sobre os deuses esquecidos da natureza, aqueles cujas histórias nunca foram postas em papel porque os seus seguidores jamais escreveram sequer uma palavra ao longo da vida. Eu quero lhe contar sobre os deuses que se recusaram a abandonar suas formas naturais e juraram nunca se curvar ao macaco humano arrogante. Eu quero lhe contar sobre os deuses abaixo de seus pés, escondidos nas árvores, aninhados nas pedras dentre córregos ligeiros, assim como daqueles que cavalgam as brisas acima das nuvens e nunca se enraizaram na terra. Deixe-me lhe cantar algumas canções sobre divindades sem nome, todas apagadas pela ascensão das mulheres e dos homens e dos deuses humanos que eles nos trouxeram.

(mais…)

Continuar lendo Os deuses esquecidos

O culto a natureza no século XXI

?”Acho impossível que um indivíduo contemplando o céu possa dizer que não existe um Criador.” – Abraham Lincoln

Saudações,

Na coluna passada, propositadamente, criamos desconforto em alguns irmãos por colocar em evidência que a abstração divina criada por algumas religiões afastou os encarnados dos cultos a natureza e, por consequência, da ligação que os antigos possuíam com ela. A ausência dessa ligação de adoração e reverência pode ter contribuído (veja bem, ninguém está pondo a culpa em ninguém, apenas destacamos uma hipótese) para as atrocidades que presenciamos serem cometidas todos os dias, destruindo o que ainda resta dos pontos de força naturais e tratando a natureza apenas como uma fonte de riqueza material e não como a expressão do Criador.

Não sou nenhum “ecochato abraçador de árvores” como costumam dizer por aí, mas como um praticante de Umbanda e aprendiz de seus segredos naturais, achei prudente trazer esse raciocínio e provocação a todos, para que reflitam sobre essa relação.

Respondendo aos irmãos que comentaram, não estou acusando sua religião de ter sido responsável por nada, apenas trouxe um olhar sobre a questão que, até então, achava que não tinha sido observado. Até então sim, pois durante meus estudos, descobri que Pai Rubens Saraceni já havia dissertado sobre isso em um dos seus livros, o Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada.

O texto abaixo é cópia fiel do que está no livro, e acredito que vem a acrescentar naquilo que falei na coluna passada.

Aos irmãos que praticam as religiões verticais, fica uma pergunta: Se Deus é Onipresente e está em Tudo e em Todos, não está ele também na natureza? Depredá-la não seria um ato contra sua criação e, por consequência, um ato contra Ele?

Boa Leitura!

TFA

(mais…)

Continuar lendo O culto a natureza no século XXI