Zaratustra, Mithra e Baphomet – parte III

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Publicada originalmente no S&H dia 14/5/2008,

Acompanhando esta série “desvendando a origem dos demônios”, cujos posts iniciais estão AQUI e AQUI, o tio Marcelo explicará hoje sobre como surgiram os conceitos de Bem x Mal, deturpados na Igreja Católica e por conseguinte nas Evangélicas e caça-níqueis afins, para providenciar um campo fértil de “nós versus eles” e permitir que agregassem melhor o gado.
E se existia um deus “do bem”, seria necessário inventar deuses “do mal” para servirem como opositores. Para entender como surgiram os demônios, precisamos entender quem eram os deuses das religiões “adversárias” (Shaitanicas).
E, de quebra, também desvendaremos os mistérios de Baphomet!

Diabo, Diabolos e Daimon
Antes de prosseguir, é necessário fazer um adendo. Muitos religiosos gostam de inventar traduções adaptadas às suas necessidades para certas palavras, normalmente de maneira tosca e grosseira, mas que dependendo da erudição com que são colocadas, acabam enganando os desavisados. Uma das favoritas dos fanáticos religiosos é relacionar Daemon, Diabo ou Diabolos com “Acusador” ou “Caluniador”.
Pois bem: Daimon ou Daemon significa “gênio” ou “espírito”. São os Anjos da Guarda da mitologia católica. A palavra em grego para Daimon é “??????”. Já caluniador se escreve “??????????” e acusador “???’??????”, ou seja, palavras BEM diferentes.

Já Diabo vem de Diabolos, cujo significado está atrelado a outra palavra bem conhecida: Símbolos. Diabolos significa “Aquilo que nos separa” enquanto Símbolos significa “Aquilo que nos une”. Desta maneira, uma seita “diabólica” significa, no sentido correto da palavra, “uma seita que nos separa”. Já a relação entre símbolo e união é bem fácil: basta imaginar um time de futebol. O símbolo do time é o brasão que une os torcedores.

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Assim falou Zaratustra
Zaratustra, às vezes chamado de Zoroastro, é o fundador do Zoroastrismo. Ele foi um verdadeiro iniciado, nascido na Pérsia cerca de 1.000 anos antes de Cristo. Desde muito cedo, Zoroastro já demonstrava sabedoria fora do comum; aos 15 anos realizava valiosas obras religiosas e era conhecido e respeitado por sua bondade para com os pobres e pelo sistema religioso-filosófico que criou.
Seus sacerdotes, os Magi (sábios), eram vegetarianos, reencarnacionistas, espiritualistas e conheciam muito bem a astrologia. Zoroastro reformulou uma religião chamada Mazdeísmo, com uma visão mais positiva do mundo.
Para entender melhor esta religião, precisamos estudar a estrutura social da época: os persas estavam divididos em três classes; os sacerdotes, os guerreiros e os camponeses. Os Ahuras (“senhores”) eram venerados apenas pela primeira classe, Mithra era um Ahura venerado na classe dos guerreiros; e os camponeses possuíam seus próprios deuses da fertilidade.
O Zoroastrismo prega a existência de um Deus único, Ahura Mazda (“Divindade Suprema”), a quem se credita o papel de criador e guia do universo (Keter, na Kabbalah). Desta divindade emanam seis espíritos, os Amesas Spenta (Imortais Sagrados), que auxiliam Ahura Mazda em seus desígnios.
São eles: Vohu-Mano (Espírito do bem), Asa-Vahista (Retidão suprema), Khsathra Varya (Governo Ideal), Spenta Armaiti (Piedade sagrada), Haurvatat (Perfeição) e Ameretat (Imortalidade). Estes seres travam uma batalha dentro de cada pessoa contra o princípio do mal: Angra Mainyu, por sua vez acompanhado de entidades malignas: O Mau pensamento, a mentira, a rebelião, o mau governo, a doença e a morte.

A grande questão do bem e do mal, colocada por Zoroastro, se resolve DENTRO da mente humana. O bom pensamento cria e organiza o mundo e a sociedade, enquanto o mau pensamento faz o contrário. Esta opção é feita no dia-a-dia da pessoa e ninguém pode fazer uma opção definitiva, pois este é um processo dinâmico e progressivo.
O nome Mithra (Sol) era visto como o “Deus da Luz”. Os vedas o chamavam de Varuna e os persas de Ahura Mazda.

Zoroastro teve muitos problemas em tentar implementar a religião monoteísta, tentando se opor aos sacerdotes de Mithra e os sacrifícios sangrentos dos touros. Zoroastro foi assassinado por sacerdotes de Mithra no templo de Balkh.

Após este período, o culto a Mithra floresceu. Seu dia sagrado, o Solis Invictus, é comemorado a 25 de Dezembro, mesma data do nascimento de Hórus e celebrando a “vinda da nova luz” (claro que não existia o dia 25 de dezembro com este nome, pois o calendário gregoriano só seria inventado muitos séculos depois; a data era calculada pelas luas e pelos astros para cair no Solstício de Inverno, a noite mais longa do ano).
Mithra era considerado o “Filho de Deus”; filho de Ahura Mazda, recebeu a incumbência de matar o touro primordial. Mithra nasce em uma gruta (lembram-se do que falamos nas outras colunas sobre cavernas, certo?) e o céu é sua casa. Matar o touro é o motivo principal do culto mitraico.
Isto é tão importante para compreendermos várias coisas dentro de diversas culturas que eu vou repetir: “matar o touro é o motivo principal da religião mitraica”.
E tudo isto tem a ver com Astrologia e as precessões (você assistiu Zeitgeist, certo?). Então Mithra simboliza o signo de Áries (o guerreiro) substituindo o signo de Touro nas Eras Cósmicas.

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Nos rituais Mitraicos, o boi era sacrificado e imolado (queimado), e sua carne e sangue eram oferecidos aos sacerdotes como oferendas de poder. Eles também consumiam vinho e realizavam rituais sexuais, onde através do sexo e do vinho, chegavam ao êxtase, ou a comunhão com Deus.

Do culto a Mithra também surge a história do Minotauro, onde a cada ano, sete pares de jovens eram oferecidos em seu sacrifício (representando os sete pecados capitais – falaremos mais sobre isto no futuro). Teseu, o guerreiro (Áries), encontra o caminho do labirinto e mata o minotauro (touro), restaurando a paz. A lenda de Teseu é uma derivação iniciática dos cultos a Mithra.

Outro aspecto cultural derivado do Mitraismo são as touradas. Nela, o guerreiro entra em uma arena (a arena representa a Terra) e precisa derrotar em combate o touro, tal qual Mithra fez com o touro primordial. No final da batalha, o touro é imolado e servido como banquete aos sacerdotes e guerreiros da irmandade.

Na bíblia temos referência ao touro quando Moisés desce do monte Sinai com os mandamentos (Kabbalah) e depara com os sacrifícios ao bezerro de ouro. Outra referência astrológica.

Posteriormente, os Essênios e Yeshua (Jesus) substituem o touro imolado e o sangue pelo pão e vinho egípcios: o pão representando o corpo de Osíris e o vinho o sangue de Osíris (“tomai e comei todos vós; este é o meu corpo e o meu sangue que é derramado por vós” é uma oração EGIPCIA e representa o sacrifício de Osíris). Jesus, como iniciado, estava celebrando o culto ao Deus-Sol na chamada “Santa Ceia”.

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Com o tempo, as pessoas passaram a preferir a eucaristia vegetariana de Yeshua ao invés do banquete carnívoro de Mithra e o ritual de culto ao Deus-Sol acabou se transformando no que chamamos hoje de Eucaristia. Embora o ritual original tenha sido modificado e sobrevivido até os dias de hoje, de uma forma ou de outra.

Os celtas também tinham o costume de fazer sacrifícios ao Deus-Sol. Mas ao invés do touro, sacrificavam o Javali, símbolo do sol. Quem já leu as aventuras de Asterix sabe que toda vitória era comemorada com um grande banquete celebrado por toda a vila, em um Ágape Fraternal. O mesmo ocorria nas legiões romanas e entre os sacerdotes Mitraicos. Note que a távola redonda (ops, eu disse “távola”… eu quis dizer “Mesa”) ao redor da fogueira forma justamente o símbolo astrológico do SOL (um círculo com um ponto central).

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Outro costume de Batismo de Fogo, muito popular entre os soldados romanos de alta patente, consistia no Taubólio, o ritual de sacrifício do touro. Sobre uma forte estrutura em forma de rede de aço, era imolado um touro pelos sacrificadores e seu sangue escorria sobre o iniciado, que fica abaixo desta estrutura, nu, em uma fossa escavada no chão. Ali recebe o sangue sobre a cabeça e banha com ele todo o seu corpo. Ao sair da fossa, todos se precipitavam à sua frente, saudando-o. Após a imolação, recolhiam-se os órgãos genitais do touro (cojones), que eram cozinhados, preparados e servidos ao iniciado.
Apesar de parecer nojento, o ritual é impressionante…

As tradições Mitraicas permaneceram em Roma até o século IV, coexistindo com o Cristianismo. Em 325 DC, o Concílio de Nicéia fixou o deus “verdadeiro” e iniciou-se a queda do culto a Mithra.
Mithra é o padrinho da Igreja Católica, já que roubaram sua festa de aniversário (25 de dezembro), seu dia de celebração (as missas são celebradas no Domingo de manhã – Dia do Sol e hora do sol), o chapéu que os papas, cardeais e bispos usam chama-se Mitra e o templo maior de Mithra ficava em um lugar conhecido como Colina Vaticano, que também foi “substituído” pela Igreja principal católica.

Tertuliano presenciou as cerimônias de culto à Mithra e chamou este ritual de “Paródia Satânica da Eucaristia”, ou “Missa Negra” e muitas das histórias bizarras inventadas sobre o “satanismo” foram derivadas destes cultos. Da distorção destas festividades surgiram as famosas “missas satânicas” nas quais se “usava uma mulher nua como altar, bebia-se sangue e comia-se carne ao invés de pão e vinho, os sacerdotes vestiam-se de preto e usavam o terrível pentagrama” e por ai vai. Uma mistureba de cultos celtas, gregos e mitraicos, com um pouco de criatividade mórbida para assustar os crentes e voilá.

No Concílio de Toledo, em 447, a Igreja publicou a primeira descrição oficial do diabo, a encarnação do mal: “um ser imenso e escuro, com chifres na cabeça e patas de bode”. Claramente uma mistura de Mithra, Pan e Cernunnus.

Claro que quase todos nós prestamos homenagens a Mithra até os dias de hoje: Festividades realizadas no dia dedicado ao Sol (Domingo – Sun-day), envolvendo sacrifícios de bois imolados cuja carne e sangue são consumidos pelos sacerdotes, junto com vinho ou cerveja. A Igreja Católica chama isso de “Paródia Satânica da Eucaristia”, mas as pessoas costumam chamar estas homenagens a Mithra de “Churrasco de Domingo”.

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Baphomet
(agradecimentos ao irmão Cezaretti)
Para entender a criação e a falsa associação desta figura meio homem meio bode com a Maçonaria, teremos que seguir um longo e tortuoso caminho iniciando no século XII.
Depois da Primeira Cruzada, no ano 1119 em Jerusalém, surge um pequeno grupo de militares formando uma ordem religiosa tendo como seu principal objetivo proteger os peregrinos visitantes à Palestina. Ficaram conhecidos como os Cavaleiros Templários.
Falarei muito mais sobre eles em uma série de matérias futuras, mas por enquanto, basta sabermos que, devido à necessidade de enviar dinheiro e materiais regularmente da Europa à Palestina, os Cavaleiros Templários gradualmente desenvolveram um eficiente sistema bancário que nunca existira.
Assim, levando uma vida austera com uma forte disciplina, defendendo com desinteresse as Terras Santas, recebendo doações de benfeitores agradecidos, os Templários acumularam com o passar dos anos grande riqueza. Tais poderes, militar e financeiro, os tornaram respeitados e confiáveis para a população da época.
Os Templários financiavam, através de vultosos empréstimos, muitos reis da época. Porém, por volta de 1300 os Templários sofreram diversas derrotas militares, deixando-os em uma posição vulnerável e assim, suas riquezas se tornaram objeto de ganância e ciúme para muitos.

Na época o Rei francês Felipe IV (Felipe, o Belo) estava envolvido em uma tumultuada disputa política contra o Papa Bonifácio VIII e ameaçava com a possibilidade de embargar seus impostos ao clero. Tal agressividade do Rei contra o sumo pontífice era principalmente devido à corte francesa estar falida. Então o Papa Bonifácio em 1302 editou a Bula Unam Sanctam, uma declaração máxima do papado, que condenava tal atitude. Os partidários de Felipe então aprisionaram Bonifácio que escapou pouco tempo depois, mas veio a falecer logo em seguida. Em 1305 Felipe, com uma trama política e pressão militar, obteve a eleição de um dos seus próprios partidários, inclusive amigo de infância, como Papa Clemente V e o convenceu a residir na França, onde estaria sob seu controle todo movimento eclesiástico. (Este era o começo do denominado “Cativeiro Babilônico do Papado”, de 1309 a 1377, durante o qual os Papas viveram em Avignon e sujeitos a lei francesa).
Novamente, falarei mais sobre isso quando chegar a vez de falar sobre os Templários, mas por ora, basta sabermos que o Papa estava sob o controle total do rei Felipe, o Belo.

Agora com o Papa firmemente sob seu controle Felipe voltou-se para os Cavaleiros Templários e a fortuna deles, então denunciou os Templários à Igreja por heresia e esta aceitou tal denúncia. Então em 1307, com o consentimento do Papa, Felipe ordenou uma perseguição aos Templários prendendo-os e jogando-os em calabouços, incluindo o Grão Mestre Jacques de Molay que foi acusado de sacrilégio e satanismo. Em 1312, o Papa, agora um boneco do Rei, emitiu a ordem que suprimia a ordem militar dos Templários com subseqüente confisco da riqueza por Felipe. (Os recursos ingleses dos Templários foram confiscados de forma semelhante pelo Rei Edward II da Inglaterra, sendo a maior parte desta imensa fortuna para Portugal, onde foi criada mais tarde em 1319, a Ordem de Cristo).
Claro que os Templários já sabiam das intenções de Felipe e, quando seus exércitos invadiram os castelos templários, não acharam nem uma moeda sequer do fabuloso tesouro templário, nem a arca da aliança, nem o Santo Graal, que foram enviados em 12 galeões para fora da França.

Assim, os Templários deixaram de existir daquela data em diante e muitos de seus membros, inclusive Jacques de Molay foram torturados e obrigados a se declararem “réus confessos” para uma miríade de crimes, inclusive uma lista 127 acusações e 9 subitens! Estas incluíram tais coisas como a “reunião noturna secreta”, homossexualismo (embasado no símbolo da Ordem, que é dois soldados montando o mesmo cavalo), cuspir na cruz, negar a Cristo, etc…
Entre as acusações contra os Templários havia uma que haviam produzido algum tipo de “cabeça barbuda”. O tal do Baphomet.

Existem várias teorias, inclusive seria um relicário contendo a cabeça de João Batista ou a cabeça de Cristo, a Mortalha de Turin, uma imagem de Maomé (o pai da religião islâmica) entre outras.
Após ser torturado por 7 anos, o Mestre Jacques de Molay acabou, após sua prisão, queimado vivo em praça pública com fogo brando e muitos templários foram mortos também e outros fugindo para outros países. O que vem a ser exatamente o “Baphomet” nunca foi descrito pela Inquisição, mas é fácil perceber que se trata de uma mistureba feita pela Igreja dos ritos antigos egípcios, gregos e romanos, para variar.

Mas… e aquela imagem demoníaca?
Mais de 500 anos depois dos Templários, em 1810 na França, nasce Alphonse Louis Constant, filho de um sapateiro.
Bem cedo, ainda criança, ganhou as atenções de um padre da paróquia local que providenciou para que Alphonse fosse enviado para o seminário de Saint Nichols du Chardonnet e mais tarde para Saint Sulpice estudando o catolicismo romano com o objetivo ao sacerdócio.
Mas deixou o caminho do catolicismo para se tornar um ocultista. De qualquer forma enquanto vivo seguiu o caminho esotérico e adotou o pseudônimo judeu de Eliphas Lévi, que dizia ser uma versão judaica de seu próprio nome.
O trabalho de sua vida foi escrever volumes enormes sobre Magia que incluiam comentários extensos sobre os Cavaleiros Templários e o Baphomet. De todos seus trabalhos o mais conhecido é o que contém a ilustração (o desenho é cópia do original e observe que está assinado por Eliphas Lévi) e era usado como uma fachada para o livro “A Doutrina da Alta Magia” publicado em 1855. Levi também afirmava que se a pessoa reorganizasse as letras de Baphomet invertendo-as, adquiriria uma frase latina “TEM OHP AB” que é a abreviação de “Templi Omnivm Hominum Pacis Abbas“, ou em português, “O Pai do Templo da Paz de Todos os Homens”. Uma referência ao Templo do Rei Salomão, capaz de levar a paz a todos.
A palavra “Baphomet” em hebraico é como segue: Beth-Pe-Vav-Mem-Taf. Aplicando-se a cifra Atbash (método de codificação usado pelos Cabalistas judeus), obtém-se Shin-Vav-Pe-Yod-Aleph, que soletra-se Sophia, palavra grega para “sabedoria”.

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E o que esta imagem significa?
Na Alquimia, o uso de alegorias e imagens é muito comum para expressar idéias e conceitos. Vamos analisar com calma a figura do Baphomet:
– A imagem possui a cabeça com características de chacal, touro e bode, representando os chifres da sabedoria, virilidade e abundância. O chacal representa Anúbis (o deus-chacal) e também o “Mercúrio dos Sábios”, o Touro representa o elemento terra e o “Sal dos Filósofos” e o bode representa o Fogo e o “Enxofre fixo”. Juntos, a cabeça da imagem representa os três princípios da Alquimia.
– A tocha entre seus chifres representa a sabedoria divina e a iluminação. Tochas estão associadas ao espírito nos 4 elementos e colocadas sobre a cabeça de uma imagem representam a inspiração divina. Isso pode ser observado até os dias de hoje, em personagens de quadrinhos que, quando tem uma idéia, aparece uma lâmpada sobre suas cabeças (grande Walt Disney!).
– O conjunto dos dois chifres também representam as duas colunas na Árvore da Vida e o fogo sendo o equilíbrio entre elas. A lua branca representa a magnanimidade de Chesed (Júpiter) e a lua negra o rigor de Geburah (Marte).
– O pentagrama na testa de Baphomet representa Netzach (Vênus), o Pentagrama, o símbolo da proteção e da magia. Importante notar que ele se encontra voltado com a ponta para cima. As pernas cruzadas associadas ao cubo representam Malkuth.
– Nos braços do Baphomet estão escritos “Solve” no braço que aponta para cima e “Coagula” no braço que aponta para baixo. Solve representa “dissolver a luz astral” e coagula significa “coagular esta luz astral no plano físico”. Em outras palavras: tudo aquilo que você desejar e mentalizar no plano astral irá se manifestar no plano físico. Alguém ai assistiu ao filme “The Secret?”
– Os braços nesta posição representam o “Tudo o que está acima é igual ao que está abaixo”, ou “O microcosmo é igual ao macrocosmo”, ou “Assim na Terra como no Céu”. É a mesma posição dos braços representada no Arcano do Mago no tarot.
– a imagem possui escamas, representando o domínio sobre as águas, ou emoções.
– a imagem possui asas, representando o domínio sobre o Ar, ou a razão.
– a imagem possui patas de bode, representando seu domínio sobre a Terra, ou o material. Também representam a escalada espiritual.
– a imagem possui fogo em seus chifres, representando o domínio sobre o Fogo.
– Os seios representam a maternidade e a fertilidade, e também o hermafroditismo, simbolizando que a alma não possui sexo e que não “somos” homens ou mulheres, mas “estamos” homens ou mulheres.
– a imagem está parcialmente coberta, parcialmente vestida (atenção, irmãos e fraters), representando que o corpo não está apenas no plano material (roupas), mas por debaixo da matéria está também o espírito (parte nua). Podemos perceber isto melhor nos arcanos Estrela e Lua no tarot.
– Baphomet está sentado sobre o cubo. O cubo e o número 4 representam o Plano Material, e estar sentado sobre ele representa o domínio sobre o plano material (vide arcanos Imperador e Imperatriz no tarot).
– O falo do Baphomet é o Caduceu de Hermes, representando a Kundalini e as energias sexuais ativadas, a virilidade e todo o desenvolvimento dos chakras.
– Finalmente, a figura representa a Esfinge, aquela que guarda os portais das iniciações, pela qual os covardes não passarão. Aquele que teme uma figura por pura ignorância nunca será um iniciado.

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No tarot de Marselha, podemos observar algumas destas representações. O Diabo (Arcano XV) no tarot representa as Paixões, por isso o homem e a mulher acorrentados em Malkuth (a Terra, o gado) aos pés da imagem. No tarot de Rider Waite, no século XX, o diabo já aparece com a estrela invertida, por influência da Ordo Templi Orientalis (e que para os iniciados não significa nada “satânico”… falarei sobre pentagramas invertidos na próxima coluna).

Associações mentirosas com a Maçonaria
Para analisarmos como esta figura foi parar nas mãos dos ignorantes evangélicos e católicos, precisamos explicar quem foi Leo Taxil (seu verdadeiro nome era Gabriel Antoine Jogand Pagès).
Taxil havia sido iniciado na Maçonaria, mas fora expulso ainda como aprendiz. Por vingança, acabou por inventar uma ordem maçônica “altamente secreta” chamada Palladium (que só existia na imaginação fértil de Taxil) supostamente comandada por Albert Pike (o Grão Mestre da Maçonaria na época). Seu objetivo, então, era revelar à sociedade tal misteriosa e maléfica Ordem.

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Ficou famoso com isso e ganhou uma audiência com o Papa em 1887. Assim, a Igreja Católica alegremente patrocinou e financiou a campanha de Taxil, inclusive a edição de seus livros.

Albert Pike (1809-1891) era um Brigadeiro General da Confederação na Guerra Civil Americana que, quase sozinho, foi responsável pela criação da forma moderna do Rito Escocês Antigo e Aceito. Abastado, literato e detentor de uma extensa biblioteca, foi o Líder Supremo da Ordem de 1859 até à data da sua morte em 1891, tendo escrito diversos livros de História, Filosofia e viagens, sendo o mais famoso “Moral e Dogma”.

O panfleto de lançamento do livro de Taxil pode-se ver Baphomet com algumas modificações e um avental maçônico cobrindo o falo. O livro “Os Mistérios da Franco Maçonaria” (lado esquerdo) descreve um grupo de maçons endiabrados que dançam ao redor do Baphomet puxado por um ex-padre, nada mais nada menos, que o famoso e falecido “Pai do Baphomet”, Eliphas Lévi (falecido em 1875). Leo Taxil ganhou muito dinheiro, inclusive do Vaticano, enganado todo tipo de crédulos.

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Finalmente, em 19 de abril de 1897 em um salão de leitura, Taxil iria apresentar uma tal senhorita Vaughan, que na verdade nunca existiu, renunciando a Satã e convertendo-se ao catolicismo. A igreja ansiosamente aguardou tal apresentação. Na data o salão lotou de pessoas do clero católico, maçons e jornalistas. Depois de um palavreado enorme, cheio de volteios, Taxil então finalmente revelou que nada tinha a revelar, porque nunca havia existido tal “Ordem Palladium”. Foi um tumulto imenso. De fato, Gabriel Jogand tinha fabricado a história inteira como uma farsa monumental às custas da igreja. No final, foi chamada a polícia para os ânimos fossem controlados e tudo não acabasse em uma imensa briga e quebra-quebra. (Para ler a A Conferência de Leo Taxil na íntegra, clique AQUI). Taxil morreu dez anos depois, em 1907, com 53 anos.

Em suma, Baphomet nasceu de uma lenda dos Templários, ganhou forma nas mãos de Eliphas Leví e foi associado à Maçonaria por Leo Taxil.
E daqui, o resto é história. A fraude, apesar de ter sido revelada por seu criador, continua e é aceita como “verdade absoluta e incontestável” por novas gerações de religiosos ignorantes (ou de má-fé).
A Maçonaria é difamada por uma acusação absurda e também por aqueles que pensam ser religiosos corretos e acabam por perpetuar uma mentira inconscientemente.

Este post tem 29 comentários

  1. celio

    interessante o conteudo, questao respondida quanto ao zeitgeist, abraço

  2. raph

    “Aquele que teme uma figura por pura ignorância nunca será um iniciado.” [2]

    1. Marcello Barbarini

      Perfeito o seu comentário Raph…. é por isso que eu até gosto quando pessoas acham que a Maçonaria é coisa do diabo, pois se temem uma imagem, pensa o que iria acontecer quando eles conhecerem a verdade….
      E temem a imagem, por ignorância, quando na verdade a imagem tem em si a mais pura sabedoria.

  3. Bruno Mais

    Na série Roma( que recomendo pela ambientação e comportamentos) a personagem Átia (uma das protagonistas) passa por um Taubólio !

  4. Já sabia que a Igreja havia usado o maniqueismo do Zoroastrismo em seu “ensopado”, só que de uma forma bem tosca.

    Só para nota, eu me lembro de uma cena do filme “Alexandre” onde ele sacrifica um boi/touro antes do combate. Deve ser mais um ritual mitraico, correto?

    Caraca! Mesmo depois de começar a ler o TdC e aprender um bocado de coisas e especular sobre outra eu não tinha me tocado sobre algo tão óbvio como o nome do chapéu do Papa: Mitra! E também gostei do “Churrasco de Domingo”!

    Enfim, a religião Católica é um mistura de rituais Egípcios, uma deturpação maniqueista do Zoroastrismo e veneração a deuses menores disfarçados como santos.

  5. PeX

    Se [i]”matar o touro é o motivo principal da religião mitraica”[/i], então esse lance de Era de Aquário faz sentido e o cristianismo usa o símbolo dos Peixes só para se afirmar como a última religião certa da humanidade.

    uou viajei ^^

    1. PeX, o fato de cristianismo usar o símbolo de Peixes em seus ritos não tem haver com a afirmação de ser uma religião certa.

      É apenas uma alegoria de transição da Era de Touro para a Era de Peixes. Só isso. Quer dizer, não é só isso…

      A simbologia é sublime, mas eu não vejo autoafirmação em ser a “última religião certa da humanidade”.

      Igualmente eu creio que haverá ou há uma simbologia da transição da Era de Peixes para a Era de Aquário.

      Aliás, DD, o símbolo dessa transição (Peixes para Aquário) já existe em alguma religião?

  6. Ignus Factu

    Viajou mesmo, PeX. Se tivesse reparado *mesmo* no que foi escrito, as Eras dos Signos correm ao contrário, tendo sido Touro, então Áries, Peixes e agora Aquário. Assim sendo, o Cristianismo *NÃO* é a última religião certa da humanidade. Ainda tem outras 10, isso só até terminar *este* ciclo. Incontáveis vieram, e incontáveis ainda virão. ou seja… sim… você viajou mesmo. E foi bem longe.

  7. darkbass

    Na saga de Bernard Cornwell, “As Crônicas de Artur”, Merlin revela a Derfel as semelhanças entre Mithra e Jesus, afirmando que o cristianismo havia roubado o Deus dos Mitraístas…

  8. Val Valiant Thor

    Ignus, a contagem não começou em Touro, mas sim em Leão. Leão marca o começo de cada “ano cósmico” ou “zodiacal”, que dura 25.920 anos (passamos 2160 anos em cada signo). Se fizeres a conta, perceberás que, se estamos entrando na Era de Aquário, estamos indo exatamente para a metade final desse Ano Cósmico. E esse também é um dos motivos de alarde sobre o “fim do mundo” que estaria próximo, pois é dito que a cada Ano Cósmico, a Terra sofre um grande cataclisma que dizima praticamente toda a civilização habitante. Teria sido assim no dilúvio…

    Só para acrescentar um pouco mais, existe uma linha de estudos que afirma que a Grande Esfinge do antigo Egita guarda todo este segredo. Pois ela está voltada perfeitamente para onde o sol nasce no equinócio de primavera, do ano onde se inicia a Era de Leão. E nesse mesmo dia, a constelação polar que brilha no céu é a de Hércules (o Homem). Ou seja, ela seria o símbolo que representa a fusão das duas constelações (homem+leão) predominantes no início desse Ano Cósmico, chamado por eles de Zep-Tepi. E ali ficaria eternamente para transmitir essa mensagem a todas as futuras civilizações…

  9. Laercio

    Marcelo, algumas dúvidas que eu não entendo:
    E qual era a ligação dos Templários com a ICAR ?, porque se tornar aliado de seus rivais, ou na época não o eram? e se não tivesse existido toda esta tramóia por causa do dinheiro, o que seria dos Templários hoje ?. De onde vieram esses conhecimentos e como sobreviveram na época, afinal os Templários eram Padres/Monges que estavam lutando nas Cruzadas junto a ICAR, ou não? Por que da construção de Igrejas para ICAR (Em São Luis do Maranhão, por ex. tem um altar na ICAR com a Simbologia usada pela Maçonaria – bem atual de 100 anos atrás mais ou menos ? ), Afinal, a ICAR tanto fez e desfez em relação a Imagem da Maçonaria, o porque desta aproximação?
    e parabéns pelo texto, muito bom mesmo…

  10. Alexp

    Marcelo, o que seria o “Assim Falou Zaratustra” de Nietzsche? Seria uma publicação dos conceitos do Zoroastrismo sob a óptica de Nietzsche ou há algo a mais? Já te perguntei sobre o livro por outros meios sem obter resposta. Você poderia fazer um post sobre a relação de Nietzsche com o ocultismo?

    1. Warceelo

      Lincoln, o Assim Falou Zaratustra de Nietzsche é uma obra muito complexa.
      Ao se falar nele deve-se pensar no autor como uma pessoa de olhar crítico e pensamento explosivo, como ele mesmo se autoafirmava não sendo um homem, mas dinamite.
      A óptica utilizada por Nietzsche em seu Zaratustra é uma total inversão de valores (Niilismo).
      Para ele, Zaratustra cometeu o pior dos erros ao propagar uma crença dualista (Bem e Mal), que posteriormente serviria de fundamento ao cristianismo — que Nietzsche se opunha com suas forças, mas com um pensamento que, se analisado a fundo, pode-se ver que não há nada de diabólico, mas racional — e utiliza a figura do mesmo para concertar esse erro.

      Não se deixe levar pela forma racional-intuitiva que Nietzsche empregou na composição daquela que considera como obra máxima, não apenas sua, mas de toda a Humanidade: Assim Falou Zaratustra.

      Posso estar errado, mas creio que não há ocultismo em sua obra, visto que ele não cria nenhum símbolo, como é próprio dos ocultistas. Muito pelo contrário, ele emprega os simbolos da religião zoroastrica/cristã, para negarem a si mesmos e promover o — que algums podem errôneamente interpretar como simbolo — seu conceito; Die Übermensch.

  11. Cleiton Moraes

    Em suma não existe verdade absoluta nas religiões, a maioria delas se não todas, não possuo conhecimento para afirmar, sempre absorveu elementos de outras religiões buscando transformar esses elementos de acordo com sua vontade e objetivos!

    Um ótimo texto, a parte do churrasco no domigo? Teria ficando algo no inconsciente coletivo da humanidade ou seria apenas coincidência?

  12. Bravado

    Marcelo

    Assunto muito interessante.
    Gostaria de me aprofundar em determinados pontos.
    É possivel informar a bibliografia utilizada nos textos?

    Grato.

    1. Edson Santos

      Ali.. a direita entre sigilos pessoas e exercícios…

  13. Júlio casarin

    Confere ser de Jacques de Molay o sudário de turim? Se sim, quer dizer que ele sofreu os mesmos suplícios de Yeshua, certo?
    Mas nesse texto consta que ele foi queimado, e em fogo brando. A intenção de constar no texto “fogo brando” é para sustentar ainda assim que mesmo depois da fogueira ele devia ter sofrido as torturas que Yeshua sofreu?

  14. Moscadeprata

    Puxa, desculpe não ter inserido isso no comentário anterior mas, muito se fala sobre seres de outros planetas em artigos de ligação com as religiões e tudo. Qual a posição dos ocultistas sobre este tema?

    Obrigado, obrigado, obrigado.

    @MDD – Estou fazendo um post a respeito. O tema é bem complicado pra ser abordado em um comment.

  15. No final veremos...

    Olá queridos…concordo com vcs que todas as (pequenas meretrizes, guardadoras do domingo) ou igrejas, seguem os conselhos da mãe (a grannnndeeeee prostitutaaaaa) igreja católica, pois o “examinais as escrituras” não é considerado pelos cristãos pois acreditar no que o pastor diz é mais comodo a bíblia é muito complicadaaaa pra que os preguiçosos examinemm. Embora eu também saiba que a meretrizonaaa adulterou grande parte das escrituras, ainda a uma forma de imterpretá-la da maneira correta…pedindo auxílio ao espírito santo…e a verdadeira interpretação vem a mente e ao coração…embora a minha igreja não cultue o domingo consigo achar nela cultos a algumas festas pagas como o natal, o qual eu não comemoro, e gostaria de saber qual a opinião de vcs A RESPEITO DA iGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA E SE TEM ALGUMA RELAÇÃO COM ESSAS PRÁTICAS MAÇONS, OU AS OUTRAS CITADAS…AGUARDO. GRATO.

  16. Bernardo

    Ouvi, de um professor de história, que o Baphomé foi apenas uma má interpretação de Maomé e que os templários estavam absorvendo a cultura muçulmana, inclusive utilizando traços desta cultura na arquitetura de suas catedrais. O que você acha desta teoria?

    @MDD – é uma teoria.

    1. Inês Antunes

      Não uma interpretação de Maomé mas certamente foi absorvido dos árabes, mais provavel de cultos antigos da tribo beduina ‘aniza’, existente até hoje (acho que os reis do Bahein ou Kweit são anizas…) Boa fonte de estudo é o livro Os Sufis, de Idries Shah. Confiável!

  17. Daniella

    Diversos posts você tirou os termos em grego/hebraico e substituiu por “?????”. Por qual motivo??

    @MDD – vixi… acho que não fui eu, foi alguma incompatibilidade de fontes.

  18. Herisson

    Toda a criação de Leo Taxil e a difamação da maçonaria. assim como os germes do antissemitismo europeu (e a criação dos Protocolos dos Sábios de Sião) são muito bem explanados no último livro de Umberto Eco, Cemitério de Praga.

    1. lincoln

      Para mim foi um dos melhores livros do Umberto Eco, lembrando que tudo o que ele descreve no livro tem fundamento histórico, os personagens (exceto o principal Simone Simonini), e os fatos a eles relacionados… De acordo com o autor, os fatos relacionados ao personagem principal de alguma forma foram feitos, mas por terceiros….é um ótimo romance que tem um pano de fundo místico muito interessante….

  19. jesus saldanha

    Eu gostaria que de saber de onde tirou toda essa informação, porque concerteza não é adivinho, quando se publica qualquer texto deve-se sempre citar as fontes e links de onde foi extraída toda a informação porque se assim não for não tem qualquer credibilidade ou passa meramente por ser a sua opinião.
    desde já obrigada

    @MDd – Mas se eu citar algum livro, não passa a ser meramente a opinião do fulano que escreveu o livro?

  20. MZ

    Este bafomet parece mais uma alegoria para esconder o velho casal primordial numa deidade hermafrodita:o deus cornudo ou tauruino saturno(também Mitra) e a sua esposa a deusa cretense das cobras.Saturno sempre exigiu vítimas em rituais sangrentos(animais e pessoas). O deus judaico-cristão não passa do velho culto do deus taurino.

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