Uma Resposta para Nick Farrell

Magia+do+Caos

Primeiramente, agradeço ao Marcelo por ter compartilhado a adaptação de Frater Toth do texto de Nick Farrell. Também agradeço ao próprio Frater Toth, que adaptou o texto de forma muito bem feita, captando as ideias essenciais e fazendo observações relevantes. Acredito que é um tema importante a ser debatido e a riqueza dos comentários do referido post mostram isso.

Apesar do título do meu post, peço licença para também dar minha opinião sobre trechos da versão adaptada. Ao mesmo tempo, sinto que devo me desculpar desde agora por criar uma postagem apenas para isso, mas achei que as minhas observações seriam muito longas para caber nos comentários do texto. Se eu por acaso soar rude em algumas de minhas colocações que porventura discordem do que foi dito, deixo claro desde já que não foi a intenção.

Já que Farrell mencionou a Magia do Caos, achei que eu deveria me pronunciar. Creio ser fundamental deixar claro que a MC não é contra a magia tradicional. Inclusive, a maior parte dos caoístas que eu conheço são apaixonados pela magia clássica, muitos deles estudiosos e praticantes do hermetismo, cabala, tarot, astrologia, etc.

O caoísmo coloca ênfase na magia experimental e criativa. Isso significa que tanto a teoria quanto a prática da MC podem ser reconstruídos e transformados constantemente, de acordo com diferentes objetivos. Isso não significa que o caoísmo pode ser qualquer coisa. Não significa que ele é um sistema relativista e simplista. Por outro lado, ele também não precisa ser absoluto e complexo. Ele pode ser muitas coisas, mas não todas as coisas. Como um camaleão. Ele pode vestir diferentes disfarces e assumir cores para interagir com sistemas de diferentes épocas e com seres de diversos hábitos e opiniões. Porém, quando lhe é vantajoso, pode manter sua individualidade e identidade de camaleão. É como o curinga do baralho que pode atuar como diferentes cartas, mas que algumas vezes mostra-se simplesmente como curinga.

Falei tudo isso para ressaltar que para entender profundamente a Magia do Caos é necessário muito estudo, práticas e debates. Como praticamente qualquer coisa, pode ser tão simples ou tão complexa quanto se deseja, dependendo do quão fundo você deseja ir na toca do coelho. Nós sabemos que para entender profundamente áreas como hermetismo e tarot, por exemplo, é preciso estudar muito: aspectos históricos, antropológicos, artísticos, simbólicos, etc. A prática também é muito ampla. De forma análoga, quem se aventura a ir a fundo no aspecto histórico, simbólico, etc, da MC irá se deparar com um universo maravilhoso. A prática também será inesquecível.

Eu entendo que quem ouve falar pela primeira vez da Magia do Caos e ainda não conhece muito, pode ter certa resistência a tentar entender o que ela tem a oferecer. Isso é normal. Contudo, garanto que quem realmente aceita a aventura não se desaponta. Isso, é claro, se você curte explorar novas interpretações da magia. Também não adianta mostrar pára-quedas a quem só gosta de aviões.

Sem mais delongas, irei comentar item por item do artigo. Peço que leiam o artigo adaptado aqui do Teoria da Conspiração para acompanhar a discussão.

  1. A contaminação do ocultismo pelos estúpidos sistemas “New Age”, fantasia e fraude: desconfio que quando Farrell mencione os sete princípios, ele se refira às sete leis herméticas do Caibalion. Já li algumas críticas negativas de ocultistas que se dizem sérios e alegam que a obra dos ditos Três Iniciados é uma fraude e não corresponde à “Verdade”. Não vou discutir aqui se existe ou não uma verdade, pois esse é tido como um dilema filosófico até hoje sem solução (Kant diz que existe a “coisa em si”, Berkeley diz que não, etc). Sendo assim, pode ser que exista uma Verdade, há bons argumentos para defender esse ponto e eu respeito pessoas que o defendam. O segundo ponto polêmico é se podemos ou não acessar essa verdade. Alguns dizem que é possível através da razão, pela experiencia, pelo espírito, enfim. Supondo que seja possível chegar a ela, a meu ver o problema começa quando se alega que só existe uma única forma de fazer isso e quem apresenta outra teoria ou prática que vai contra tal sistema estaria errado.

Muitos ocultistas concordam que diferentes civilizações mostraram como chegar a essa mesma Verdade de diferentes formas: nossos índios possuem seu sistema de crença e magia, os aborígenes australianos, os yogues hindus, etc. Quando o sistema é antigo e tem certa tradição, em geral parece não haver problemas para respeitá-lo. Porém, se alguém cria um sistema novo (a chamada magia moderna, pós-moderna ou contemporânea) há um certo preconceito para aceitá-lo como válido, muitas vezes apenas por ser novo. Porém, deixe passar algumas décadas (ou séculos em alguns casos) e esse sistema logo vira tradição e começa a ser respeitado.

Uma forma mais rápida de o novo sistema ganhar respeito é que seu criador fundamente-o em outros sistemas de magia previamente existentes, em religiões, sistemas filosóficos antigos, etc (como fez Mathers). Quanto mais antigo melhor, parece ser a regra. A maior parte dos sistemas de magia atuais baseou-se no neoplatonismo, o que acaba criando uma linha quase ininterrupta de magia através dos tempos que segue mais ou menos as mesmas diretrizes (basicamente, a ideia de que existe uma realidade suprema em algum lugar, o Mundo das Ideias de Platão, baseado na geometria. Isso sustentaria a ideia de Deus. Porém, a geometria é uma invenção humana. Não existem formas geométricas perfeitas na natureza. Desse pensamento vem a Teoria do Caos).

O fato de a Magia do Caos não seguir a linha neoplatônica da magia não a torna inválida. Estudar o caoísmo significa interpretar a magia sob novos pontos de vista. Isso não invalida tampouco as vertentes neoplatônicas da magia. É possível aprender magia a partir dos mais variados sistemas, novos ou antigos, contanto que o magista esteja aberto a se encantar com novas formas de ver o mundo em vez de apenas estudar o que já foi descoberto até então. Essa etapa é muito importante, evidentemente: aprender o que já foi feito e pensado. No entanto, o magista também é incentivado a realizar novas pesquisas e experimentos, como se estivesse na universidade seguindo algo similar ao método científico. Sempre lembrando que até mesmo o método científico também é um método inventado que pode ser melhorado.

De qualquer forma, não existe uma linhagem “pura” (?) da magia. Toda religião e sistema de magia teve influência de outros. Acho que a tentativa de resgatar uma “raça pura mágica” livre de influências de outros sistemas “impuros” é bastante duvidosa, para não dizer outra coisa…

  1. Contaminação pelo Intelecto: sobre os “magos de poltrona”, sugiro esse texto de Patrick Dunn. Eu sempre achei que tanto a teoria quanto a prática são igualmente importantes e devem andar em equilíbrio. O problema é quando se tenta colocar um deles como mais importante que o outro. Assim cria-se uma hierarquia, que, quando usada de forma incorreta, pode gerar preconceitos. Platão foi um dos primeiros a inaugurar esse amor pelo dualismo (e pela guerra dos duais) que dominou o mundo ocidental: como já foi dito, para ele havia o Mundo das Ideias, das formas geométricas perfeitas, de Deus, da justiça e da felicidade. E ele considerava esse mundo muito melhor do que aquele que ele considerou o mundo das sombras dos ignorantes da caverna (ele criou quase um sistema de castas…?). Daí originou-se a guerra de mente versus corpo, ou espírito versus corpo. Por outro lado, os sofistas (ligeiramente semelhantes aos caoístas de hoje, diga-se de passagem) consideravam que a lógica não era absoluta ou um instrumento que levaria à verdade. A dialética (ou retórica, frequentemente usada de forma pejorativa) não levaria à Verdade, mas os argumentos poderiam ser negociados visando-se fins pragmáticos.

Infelizmente tudo que se sabe sobre os sofistas hoje é através dos textos de seus adversários, da mesma forma que o que se sabe hoje de muitas doutrinas rivais ao budismo e jainismo da época de Buda é pelos próprios textos budistas e jainas. Diga-se de passagem, uma forma pouco imparcial de saber o que realmente diziam esses outros pensadores.

Como herança desse pensamento, temos a tendência de achar que quando há duas coisas uma deve ser necessariamente melhor que a outra. Todos nós sabemos na prática o quanto isso pode ser perigoso. Não preciso nem mesmo citar os preconceitos mais comuns que seguem esse raciocínio.

Na Grécia Antiga era comum a concepção de que os exercícios intelectuais eram superiores à prática, uma vez que somente os escravos ficavam encarregados do trabalho manual, enquanto aqueles que possuíam escravos e não precisavam trabalhar para ganhar a vida podiam se dar ao luxo de filosofar se era o Sol que girava em torno da Terra ou o contrário (se eles simplesmente concluíssem que isso depende do referencial, podia ter ajudado um pouco. Claro, isso não encerra a questão, pois a diversão é sempre buscar novas respostas mais originais e surpreendentes que as anteriores).

Com o advento do sistema capitalista, passou a ser mais lucrativo ter trabalhadores assalariados do que escravos (comprar e manter escravos se tornou caro). A partir daí, divulgou-se uma nova forma de pensar, que traria mais lucros: trabalhar passou a ser considerado algo nobre e digno. A prática tornou-se superior à teoria. Adotou-se o pensamento utilitarista: no capitalismo as coisas precisam ter utilidade prática, de preferência o mais rápido possível!

Um dos resultados desastrosos dessa ênfase em “prática acima da teoria” é a nossa defasagem em pesquisa básica nas universidades, por exemplo. Caso o pesquisador não demonstre que sua pesquisa irá gerar um produto imediato para uso, ela geralmente é delegada para segundo plano. Mas nós sabemos o quanto pesquisa básica é importante.

Teoria e prática devem coexistir e caminhar juntas. Isso também é verdadeiro na magia. Hoje em dia existe a tendência da “fast magic”, de que ela somente é útil ou até mesmo real se mostra uma alteração material mensurável. Porém, sabemos o quanto a etapa do autoconhecimento e do estudo é importante antes de tentar aplicar sem nem pensar. Por isso Julian Vayne fala do movimento do “slow chaos” no caoísmo.

A ideia é que deve haver uma harmonia, sem essa necessidade constante de criar uma hierarquia do que é mais importante.

  1. Contaminação pela psicologia: na Magia do Caos trabalha-se com a ideia de modelos de magia. É como a velha parábola indiana dos cegos e do elefante. O cego que segurou na tromba do elefante e disse: “Isso é um elefante” não estava errado. Ele estava correto dentro de seu ponto de vista. Dessa forma, encarar a magia como fenômenos psicológicos é verdadeiro, mas somente dentro do chamado “modelo psicológico” de interpretar a magia. Usando o “modelo dos espíritos” (popular na Idade Média) podemos encarar as entidades como completamente reais e separadas da nossa mente. Isso também está correto, mas dentro desse modelo. Há também a magia vista como dados que se tornam informação, popular nessa era de computadores.

Até onde nós sabemos, nós não conseguimos enxergar o elefante completo, mas somente partes dele. Sendo assim, podemos usar magia utilizando qualquer modelo. Podemos realizar testes e concluir se aquele modelo é útil ou não para nós. Se ele nos ajudar, pode ser usado com sucesso.

Eu entendo que algumas escolas da magia podem defender que é sim possível ver o elefante completo. Era o que Platão dizia: é possível libertar-se da caverna e ver a luz do Sol, que seria a filosofia. Para ele a verdade era atingida através da razão. Posteriormente surgiram as escolas neoplatônicas, que interpretavam os escritos de Platão de uma forma mais espiritualizada, misturando com alguns pensamentos egípcios e judaicos. Daí já pode-se inferir algumas das raízes do hermetismo e das transformações pelas quais passou até o que se tornou hoje. Evidentemente, as origens do hermetismo são muito mais complexas e eu deixarei essa discussão para os especialistas.

Aqui eu gostaria apenas de ressaltar que eu respeito o pensamento de algumas escolas que defendem que, sim, a Verdade pode ser tocada, pode ser desvendada e vai muito além de impressões psicológicas. É um pensamento interessante. Como já foi dito no post, creio que ainda assim a psicologia possa ser útil ao hermetismo, com as devidas adaptações.

  1. Contaminação pelo fundamentalismo: sobre esse ponto, eu provavelmente não tenho muito que comentar. A interpretação literal de textos muitas vezes é um problema. Por incrível que pareça, até no caoísmo temos isso, quando o “Nada é verdadeiro, tudo é permitido” é usado ao pé da letra. É claro que às vezes um charuto é apenas um charuto e as interpretações mirabolantes de textos que DEVEM ser lidos de forma literal se torna quase engraçada.
  2. Contaminação de sistemas de treino por líderes “não ocultistas”: embora eu continue achando o termo “contaminação” um pouco forte, é claro que um pouco de estudo e treino básico é fundamental. Evidentemente, se a intenção é apenas formar um grupo com amigos para estudar magia juntos, ninguém precisa ser especialista. Todos podem ensinar e aprender. Afinal, por mais que alguém saiba um assunto, sempre tem o que aprender. E por menos que alguém saiba, sempre tem o que ensinar e contribuir, até mesmo com ideias de outras áreas. Interdisciplinaridade é uma forma interessante de ser introduzido a diversas áreas.
  3. A falha dos estudantes modernos de estudar ou dar prioridade ao trabalho: aqui chegamos a um ponto delicado. Sim, eu acho que seria bacana se muita gente lesse mais livros. Porém, há alguns livros de magia tradicional que são, diga-se de passagem, um pouquinho maçantes, mesmo tendo informação correta e relevante. Para alguns desses livros, vale a pena fazer um esforço e ler. Contudo, não acho justo culpar somente os leitores. Algumas vezes os escritores poderiam se empenhar em passar a informação de forma mais divertida. Por exemplo, o projeto aqui do TdC de ensinar hermetismo para crianças através de livros infantis é fantástico. Fica muito mais divertido estudar dessa forma, não é mesmo? E também é possível fazer livros para adultos que sejam empolgantes. Afinal, quem não gosta do Lon Milo DuQuette?

Não sei porque existe esse culto ao sofrimento: quando lemos um livro muito difícil e chato somos elogiados. Ou quando realizamos um trabalho chato e penoso, como repetir mil vezes um exercício diário de magia que seja particularmente entediante (OK, nem todos são chatos, alguns são divertidos). Afinal, por que a magia precisa ser chata? Evidentemente, o que é chato para um pode ser empolgante para outro.

Enfim, a tendência das pessoas é se empenhar em coisas que considerem divertidas. Basta ver a dedicação de tanta gente para jogos online, por exemplo. Então por que não ensinar ocultismo através de um jogo? E por que não mostrar o quanto um livro pode ser interessante? Os tempos mudaram e, como se costuma dizer, em vez de o ser humano ter que se adaptar a uma religião (cujas origens e práticas remontam séculos), algumas vezes é a religião que deve se adaptar ao ser humano.

  1. Falha para apoiar financeiramente professores, escritores ou ordens: eu provavelmente também não tenho muito a comentar sobre esse ponto. Eu entendo que um escritor coloca muito esforço em pesquisas e tempo em experimentos, para ter um bom resultado para disponibilizar. Sei que muita gente que ensina magia e organiza Ordens precisa fazer um grande esforço para arrumar tempo (que poderia estar sendo empregado em trabalho, família, lazer e outros projetos pessoais) e que isso deve ser valorizado. Algumas vezes até um valor simbólico demonstra que a pessoa pelo menos se importa. Infelizmente, muitas coisas que temos de graça não valorizamos e só passamos a valorizar quando pagamos.
  2. O colapso da Ordem e do sistema de ensino: a questão da hierarquia tem sido um ponto polêmico. A existência dela é útil quando bem administrada. Não vejo realmente problemas em haver um sistema de professores e estudantes. Como eu disse antes, todos sempre têm o que aprender e ensinar, mas professores geralmente têm algo a contribuir numa área específica e um grupo grande precisa de pelo menos administradores para funcionar bem.
  3. A internet tornou o ocultismo muito acessível: por um lado isso é bom. Antigamente era muito difícil encontrar certos livros. Hoje em dia ficou mais fácil. A questão é que um novo mundo surgiu com a internet. Novos tipos de sistemas de magia que usam a internet e tecnologia. Mas eu compreendo o ponto que foi levantado: com tanta informação à nossa disposição fica difícil filtrar. Mas eu acredito que ainda vale a pena ler livros e isso costuma ser mais proveitoso do que informações recortadas. O que se pode tentar costurar é encaixar as informações de diferentes livros na nossa visão pessoal sobre a magia.
  4. A qualidade da informação do ocultismo se tornou menos e não mais: será? Eu acredito que o ocultismo está apenas diferente. As coisas mudam.

Finalmente, comentando sobre um ponto que Farrell mencionou lá no começo: sobre o aspecto do segredo. Eu entendo a importância do segredo e o simbolismo do mistério. Existem Ordens muito boas que atuam nesse estilo. Porém, na minha opinião essa não é a única forma de fazer as coisas.

As pessoas são diferentes e buscam coisas diferentes. O que parece bom para nós ou o que achamos que funciona bem para nós pode não funcionar para outros. Por isso existem tantas religiões. Da forma que eu vejo, uma religião não está mais “certa” que outra; elas dizem coisas semelhantes com linguagens diferentes. Penso algo parecido sobre sistemas de magia. A diferença é que quando a religião e o sistema de magia é antigo e tem uma longa tradição é mais respeitado ou tido como melhor.

Na Magia do Caos pode-se estudar diferentes sistemas de magia e, com base em teorias ou práticas de sua escolha, o magista pode criar seu próprio sistema. É diferente da magia eclética, porque o magista não irá apenas misturar vários sistemas, mas desenvolver o seu. É muito importante estudarmos o que já foi feito, mas no caoísmo o magista deseja criar um sistema da mesma forma que o artista quer criar sua arte. É claro que alguns podem argumentar que somente os artistas renascentistas faziam arte e que hoje em dia não se faz arte “de verdade”. Porém, o artista que tem sede de criação não vai se importar tanto com essa crítica. Ele não faz arte apenas buscando aprovação alheia, mas porque é seu jeito de se expressar e viver.

Não estou usando termos bonitos porque eu quero que o caoísmo soe melhor ou mais certo do que sistemas de magia mais tradicionais. Simplesmente porque a MC não é melhor que nenhum outro sistema. Se eu dissesse que é, eu estaria reforçando a noção de dualismo e a hierarquia. Estaria criticando a hierarquia antiga e criando uma nova. A intenção não é essa. Claro, o caoísmo pode ser melhor ou pior, mas não de forma absoluta: melhor ou pior para diferentes pessoas.

Costumo usar o próprio conceito da verdade vista como absoluta ou relativa como se fossem modelos. Quando é útil de forma pragmática encarar certa afirmação como absoluta (exemplo: preconceitos são ruins; deve-se buscar ser gentil, etc) eu encaro como uma verdade. Porém, se considerar certa afirmação como relativa vai trazer benefícios (exemplo: tanto caoísmo como magia tradicional são ótimas) eu a uso. Isso não significa que eu mesma considere a verdade como absoluta ou relativa.

Ao ler o texto de Farrell dentro dos conceitos estabelecidos pelo hermetismo, ele faz muito mais sentido. Por isso, recomenda-se analisar cada afirmação dentro de seu respectivo modelo. Lá, ele pode ser válido.

Confesso que escrevi esse texto principalmente porque não resisti ao ver o nome “Magia do Caos” no original. Eu precisava dizer alguma coisa. Minha intenção não era “refutar” o que foi dito, até porque concordei com certos pontos. Foi mais uma vontade de defender o caoísmo no meio disso tudo, mas procurando respeitar o que foi afirmado. Talvez eu não tenha sido tão bem sucedida em minha empreitada (já que por mais que eu tente ser imparcial, eu tenho opiniões fortes sobre alguns assuntos). Mesmo assim, fica aqui a tentativa.

Este post tem 13 comentários

  1. Bruno

    Te congratulo com a força de mil sóis! Este seu post foi magnífico! Quando eu vi “magia do caos” no post original também me senti incomodado, pedindo, inclusive, a opinião do Marcelo sobre o assunto, apesar do comentário não ter sido aprovado ainda.
    Eu não te conhecia antes dos seus posts do TdC. Adorei como você associa a quebra do modelo platônico com a magia do caos. Coincidentemente (ou não), eu estava pensando sobre o assunto nesses dias, associando a magia do caos à filosofia trágica, já que comecei a me apaixonar recentemente pela mesma, através de Nietzsche, Hume, Lucrécio, Rosset e outros. Esta que, justamente, quebra com o modelo platônico, assim como você expôs no que se refere à magia do caos. É muito bom saber que tem gente no meio ocultista que pensa assim como eu.
    Novamente, parabéns pelo post! Eu que já estava com vontade de ler seu livro, tive esta multiplicada por mil!
    @Wanju – Muito obrigada, Bruno! Quem primeiro mencionou essa associação entre a desvinculação da magia do caos com a tradição neoplatônica foi o próprio Peter Carroll em seu último livro: “Epoch: The Esotericon & Portals of Chaos”. Eu fiz uma resenha desse livro aqui no TdC.
    Adoro as ideias de Hume soubre causação. Entre os caoístas, Deleuze é um filósofo bem popular, por quebrar padrões. E um dos que eu curto é o David Lewis, devido ao seu realismo modal, que pode ser útil para associar com templos astrais e evocações.
    Espero que goste do livro!

  2. Ricardo Tavares

    Olá Wanju,

    Também quero te parabenizar pelo texto, o qual a um só tempo consegue ser uma defesa absolutamente pertinente da Magia do Caos como também evidencia o caráter Cartesiano e um tanto anacrônico do artigo Nick Farrell. O Caoísmo, ao contrário, quebra com todos os paradigmas do “correto” ou “não correto” na sua investigação e não se importa com a contradição, aliás navegamos nela sem temor.

    Parabéns e grande abraço
    @Wanju – Oi Ricardo! Obrigada pelo comentário. Realmente, Descartes foi um dos grandes propagadores desse dualismo “mente-corpo”. Algumas sistematizações são úteis e servem para facilitar, mas temos que tomar o cuidado para não confundir o mapa com o território. A não ser nas ocasiões em que o mapa é de fato o território, como diz Bob, hehe. E, como você também sugeriu, um paradigma pode funcionar bem para uma época, mas já não servir tão bem para outra.
    Também gostei do que você apontou sobre a contradição. A lógica formal, baseada na matemática, tem pavor de uma sentença que expresse uma aparente contradição. Felizmente, a Magia do Caos não é escrava nem da lógica formal e nem da matemática, mas “navega” por elas (usando o termo que você usou) quando as ondas estão boas por aqueles lados.
    Abraços!

    1. Magick

      Wanju, a idéias dos Aeons está em ” um paradigma pode funcionar bem para uma época, mas já não servir tão bem para outra.”, não?
      @Wanju – É uma associação interessante.

  3. Fenix777

    Sobre uma parte que vc citou como o culto ao sofrimento, eu concordo, realmente as coisas poderiam ser mais divertidas, acho que o aprendizado assim fica muito mais fácil, muito mais tranquilo.
    @Wanju – Pois é, nós temos esse problema em nosso próprio sistema educacional hoje em dia (colégios e universidades). Ainda usamos o velho modelo prussiano de ensino. Enquanto algumas técnicas dele são boas, outras poderiam ser melhoradas. Uma das melhores formas de aprender é despertar o espírito investigativo do estudante. Deixar que ele opte por um tema de seu interesse e incentivar um estudo autodidata orientado, com leituras e escritos. É muito mais prazeroso estudar 1h de algo que se goste do que 5min de um assunto com o qual não temos afinidade. E se precisarmos realmente sabê-lo, há muitos métodos alternativos de ensino a aprendizado.
    Como diz Steve Dee em seu livro “Chaos Craft”, a magia não precisa se tornar outro compromisso estressante; devemos aproveitar essa oportunidade para voltar a sonhar.

  4. Katy

    Bem, eu já não tinha gostado do original do Nick Farrell, afinal, ando meia cansada de mimizentos em geral e de fato, eu não sou lá muito fã do estilo e idéias do Farrell. Não só isso, é complicadíssimo comparar o que se passa na Nova Zelândia, EUA e Europa com o que acontece aqui no Brasil – tudo no mesmo saco de gato, como se independesse de cultura e tradição. Afinal, todas estas ordens, boas ou não, são compostas de pessoas e dos valores sociais e morais que estas pessoas carregam. O fato da versão ter sido publicada primeiramente sem menção ao original reflete um bocado do que está errado aqui no Brasil. Além disso, os nomes das personalidades eleitas pelo “intérprete” brasileiro para substituir as preferências do autor original também foi um bocado indelicado. Mas taí, uma crítica que espero que seja tomada construtivamente e que não foi mencionada na versão brasileira, é que o estudante das vertentes de magia mais tradicionais deveria começar NO MÍNIMO, aprendendo inglês… até mesmo para não comprar gato por lebre e coletar migalhinhas traduzidas – muitas vezes nas coxas e/ou mal intencionadas.
    @Wanju – Oi Katy, também acho que é complicado comparar países diferentes pois, como você apontou, as circunstâncias variam com a cultura e a tradição. O resultado é que a magia do Brasil é diferente (e única) e de fato carrega os valores sociais e morais desse grupo de pessoas que a constroem. Possivelmente os magistas brasileiros podem se beneficiar de mais orgulho nacional e disposição para produzir uma magia com a identidade de nosso povo. Sempre aprendendo, na medida em que se encaixem com nossa realidade, da influência da magia de fora, com seus erros e acertos.

  5. Dayiel Roza

    Wanju, senti a mesma coisa quando vi a Magia do Caos mencionada lá e na hora comecei a comentar também, lá no post, tópico por tópico. Parece que pensamos sincronizados, kkkk
    Esse Nick Farreli, na minha opinião, tem um grau de credibilidade algo entre”ridículo bem intencionado” e “mago fajuto fracassado”…
    Ele é o chefe da Magical Order of Aurora Aureae… Há um tempo atrás pagou o maior mico, lançando um desafio para que se mestres secretos existissem que eles deveriam aparecer até determinada data, depois veio com uma conversa ridícula de ter encontrado Saint Germain, que chamaria-se agora Mestre Racoczi…E que esse era o Mestre Secreto por trás da Ordem dele e de várias outras ordens…
    Acredita que ele tendo uma ordem chamada de Magical Order of Aurora Aureae, na qual 80% do currículo descende da Golden Dawn, ele simplesmente chegou um dia, acordou, e proclamou para o mundo que a ordem dele não pertenceria mais a tradição da Golden Dawn?
    Assim, como se de repente todo corpo de ensinamentos, rituais e práticas que ele usa fossem originais dele e que bastasse ele mudar o nome do RMP para outro que estaria desligado da GD… kkkkk
    Uma viagem esse rapaz, se queimou legal com essas histórias em toda comunidade Golden Dawn e Rosa Cruz mais sérias.
    Ele passa em alguns artigos que li dele uma arrogância e invejas preocupantes…
    Principalmente ao sucesso de magos caoístas… Que possuem uma taxa de sucesso em operações bem rápida e em pouco tempo…
    Em resumo, para mim é um fracassado, que possui até ampla base teórica, mas que falhou sucessivamente e de forma miserável em execução de rituais, canalização e direcionamento de forças e na realização de algo palpável.
    Daí ficou zangado e amargo, passando a atacar e tentar destruir o que ele não conseguiu dominar…Simples assim…
    @Wanju – Olha a sincronicidade atuando aí, haha!
    Bah, nem sabia muito sobre o autor do texto. Obrigada por todas essas informações! 🙂
    Abraços!

    1. Doni

      Sobre as informações acerca de Nick Farrel, saibam que ele já foi parte de ordens muito sérias, e quando digo parte quero dizer que foi um dos dirigentes de ordens como BOTA, SOL e tb da Golden Dawn dos Ciceros.

      Quando ele mencionou que a ordem dele não era mais parte da Golden Dawn foi por um motivo obvio: a egregora da Golden Dawn original não pode ser mais acessada em sua forma pura. O ultimo templo da ordem morreu em 1978. Qualquer ordem que tenha o nome de Golden Dawn a partir de então pode ter o nome mas não a linhagem. Mesmo ordens que possuem linhagens GD válidas e ininterruptas, como o BOTA e a FLO, não se chamam de GD nem dizem pertencer a sua egregora, pois seus métodos de ensino e rituais a muito não são os mesmos da GD.

      Por fim, muito do que sabemos da GD original e de seus rituais é graças a Nick Farrel e seus livros. É dele também um dos melhores grimórios de magia angélica da atualidade. A propria ordem dele, MOAA, tem um sistema de ensino interessante, que apesar de ser via internet, tem como objetivo uma auto iniciação cujo resultado depende apenas do esforço do aluno. No pain, no gain. Pode-se ser contra algumas das atitudes dele, mas dizer que ele é fracassado é uma falácia.

      Recentemente ele fez uma cruzada contra o abuso sexual dentro das ordens esotéricas(sim, isso existe em grande quantidade, pelos menos” lá fora”). Uma atitude de coragem. O que os ditos ocultistas e magos nacionais fazem(com exceção do Del Debbio que batalha muito contra os aproveitadores) de bom com seu tempo?
      @Wanju – Obrigada pelas informações. Não sei muito sobre Nick Farrell e acho que não devo julgá-lo somente por esse texto. As pessoas são muito mais complexas do que deixam transparecer. E, de qualquer forma, todos temos nossos pontos fortes e fracos.

      1. Dayiel Roza

        Sem querer polemizar… Mas… Egrégora morta? Amigo, uma egrégora sobrevive mesmo após o falecimento dos seus criadores. Uma egrégora após um tempo, formada por um grupo que trabalha constantemente, se consolida, magneticamente passa a ter uma existência.
        A egrégora é apenas o “corpo”, criado pelo grupo, para manifestar uma força sob a qual o grupo trabalha, tem contato e realiza seus trabalhos. Através dela, a egrégora, na incapacidade prática de se trabalhar diretamente com a força pura o grupo consegue manipular com mais precisão e segurança a carga energética.
        Ela, após a dissolução do grupo pode ficar adormecida.
        E qualquer pessoa que venha trabalhando na mesma linha de forças a que ela estava ligada e que use os mesmos rituais entrará em contato com essa egrégora, despertando-a e fazendo-a voltar a atuar.
        Essa história de linhagem tem validade, mas não é a única forma.
        Existem grupos que se diziam “Golden Dawn” mas nunca conseguiram atuar dentro das forças da original, mesmo tendo “linhagem”.
        E temos grupos como o CIH e ouros que naõ possuem “linhagem”, mas conseguiu canalizar as forças e atuar na egrégora.
        Ta vendo? Dizer que uma egrégora de uma ordem como a GD morreu? Esse é o tipo de bobagem que o Nick Farrel ensina. Ele tenta desviar do conhecimento das pessoas por motivos que só ele conhece.
        Conheço a MOAA e como disse acima, 80¢ dela é material da GD apenas com nome trocado e ajustes.
        É fracassado como mago sim!!!
        Está sem moral no meio, comprou briga com meio mundo de gente. Fala mal de todo mundo, de Dion Fortune, passando por Israel Regardie, ninguém presta para o rapaz, só ele e seu Mestre Saint Germain,rs,rs

        1. Ricardo Tavares

          Olá Dayiel Roza e Doni

          Permitam-me entrar na discussão, mas somente para tocar na questão das Egrégoras (e que interessante que se tenha chegado nelas), pois no meu modo de entender e seguindo sempre minha intuição, a compreensão das Egrégoras é não só fundamental para qualquer estudante da magia, como também foi uma das portas através da qual o Caoísmo adquiriu todo o seu vigor e também sua subversão à ortodoxia do pensamento magico, digamos, padrão e hegemônico. Fazendo uma comparação com a arte conceitual, a revolução é a mesma provocada por Duchamp quando envia um urinol para um salão de arte acadêmica e desconstrói os dogmas acerca do que seja a arte.

        2. Doni

          Em relação a egregora da GD eu não afirmei que tinha morrido, mas sim que não podia mais ser acessada a egregora da GOLDEN DAWN ORIGINAL.

          Para se acessar uma egregora não basta praticar os mesmos rituais. Faz-se necessária entrar em contato com os adeptos do outro lado, chame eles de mestres secretos ou não. E para que isso seja feito, a pessoa tem que ter determinadas chaves. Se não fosse assim, teríamos muitas OTOs, muitas A.’.A,’. e muitas GD.(epa!)

          É basicamente a diferença entre a maçonaria regular e a espúria. A regular tem linhagem e permissão para funcionar. A espúria é de alguém que resolver brincar ou trabalhar de maçonaria…o mesmo acontece com as ditas GD atuais.

          Vc citou o CIH mas eles mesmo já faz algum tempo abandonaram a fórmula LVX da GD e atualmente usam a formula AUS. Mesmo ordens que possuem linhagens da GD como SIL, BOTA, SOL e FLO não atribuem a si o manto de GD, ou porque sabem que o tempo da GD já passou ou porque os contatos dos planos interiores da GD já deram lugar a novos contatos com novas missões! Ou vc evolui ou fica para trás.

          Mas vamos por um momento supor que para se ter acesso a egregora original da GD bastaríamos usar os mesmos rituais.

          Quando Regardie publicou The Golden Dawn(o livro que a Madras publicou aqui) ele usou versões alteradas dos rituais da Stella Matutina, que já era uma divisão da Golden Dawn original. Ou seja, ele mesmo jamais pertenceu a GD origianl e nunca foi iniciado da Segunda Ordem. Alguns anos mais tarde, ele publicou uma versão mais apurada, que jamais de Complete Golden Dawn System os Magic. Só que novamente temos aqui os rituais da SM.

          Os rituais originais nunca foram publicados em sua integra.apenas parte deles foi publicada nos anos 70 por RJ Torrens, nos anos 20 por Aleitser Crowley, nos anos 90 por Pat Zalewski e nos anos 2000 por….Nick Farrell!

          Não ganho nada defendendo Farrel. Mas ele jamais criticou Dion Fortune, ainda mais sendo que ele é grau 3 da ordem fundada por ela! Se ele é um bom mago não sei, mas é um dos autores que mais vende atualmente. E tem certa influencia. Afinal aqui estamos nós discutindo um texto de internet dele em um pais que sequer tem um templo de alguma das ordens inglesas.

          Alias, na verdade Nick Farrel em suas criticas é até monótono. Ele só critica um cara chamado David Griffin acusando-o de ter uma ordem GD apenas como meio de sustento. Acho que foi em dos posts sobre Griffin que vc leu sobre Saint Germain. Ele desaficou Griffin a provar tanto a linhagem de sua GD como o fato de ele (Griffin) provar as alegações de ter encontrado o “mestre secreto” original da GD. É claro que \David nada provou.

  6. Dan Cruz

    A Wanju traz um frescor nos textos dela que é motivador, tanto que fiz questão de ter o Grimório da Insolência impresso e irei adquirir também sua obra mais recente. Ver essa análise dela, que inclusive apontou onde o Farrell acertou, foi ótimo!
    @Wanju – Valeu, Dan!! Acho que o Farrell disse umas coisas interessantes. Ele só se empolgou um pouquinho na forma de dizê-las, hehe.

  7. Rond

    Olá Wanju! Gostei da sua crítica, apesar de ter achado completamente absurdo o primeiro texto ter sido levado minimamente a sério e publicado aqui, no TdC. Considerando que esse site começou como uma coluna em um site chamado SEDENTÁRIO E HIPERATIVO, não consigo encaixar as pecinhas de elitismo nesse mantra: eu sou ocultista de verdade, você não! O “grande arcano” do bom senso parece ter sido sublimado por um impulso egoico absurdo. Como se o objetivo da magia (tratando em termos puramente teleológicos) fosse destacar algumas pessoas frente [em detrimento d] às outras. Inclusive na parte onde mencionam que é ruim o acesso à informação estar mais disseminado (!!! não consigo entender). A política por aqui toma muito valor de verdade espiritual, acho que é preciso cuidado pra separar o joio do trigo. Às vezes as pessoas se aproveitam de estar numa posição hierárquica “superior” autoproclamada e se põem também como doutrinadores intelectuais. Enfim, boa sorte & parabéns por se posicionar publicamente contra isso. Admiro muito seu trabalho (mesmo de longe).
    @Wanju – Olá, Rond! Concordo plenamente com seu comentário. Era aí mesmo que eu queria chegar. Essa divisão entre os “verdadeiros ocultistas escolhidos” e as “massas” pode ser muito perigosa. Boa parte da magia tradicional atual é baseada em sistemas espirituais mais antigos que foram construídos no interior de sociedades que possuíam elementos como sistema de castas, escravidão, etc. Então é natural que tais sistemas estejam repletos de hierarquias (até o céu e o inferno possuem hierarquias, com arcanjos acima dos anjos, etc) e daí veio também essa ideia de evolução espiritual. Às vezes usar o conceito de evolução de Darwin e aplicar para o lado espiritual pode incorrer num problema: a ideia de que algumas pessoas estão “mais espiritualmente evoluídas” do que outras. São apenas mais sistemas de hierarquias. Claro que todos esses sistemas de magia antigos podem ser usados com sucesso, contanto que o magista tenha bom senso de não trazer para nossa época os preconceitos antigos.
    E sobre o acesso à informação, com certeza é algo que deve ser defendido. A informação não deve ser privilégio de somente alguns sacerdotes escolhidos (ou membros de seitas secretas) que se consideram mais sábios que a maioria e mais aptos a tomar decisões. O conhecimento e o caráter ético de uma pessoa se constrói em todas as partes: pelo contato com a natureza, convivência com outras pessoas, etc. Não é porque alguém é iniciado no último grau de uma Ordem que é realmente mais sábio ou mais ético do que alguém que nunca teve contato com isso.

  8. Marcelo

    Ao TdC agradeço o acolhimento e apresentação deste texto e do texto do Frater Toth.

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