O espírito no tempo

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» Parte 1 da série “Para ser um médium” ver a introdução

O homem, as gerações humanas, morrem no tempo. Mas o espírito não. O tempo é o campo de batalha e que os vencidos tombam para ressuscitar. Quem poderia deter a evolução do espírito no tempo? (J. Herculano Pires)

Ernesto Bozzano foi um pesquisador e intelectual italiano com grande interesse em antropologia, sociologia, evolução e as origens da mediunidade no palco obscuro da pré-história. Num de seus livros ele inicia suas exposições dizendo que “se consultarmos as obras dos mais eminentes antropólogos e sociólogos, notamos que todos concordam em reconhecer que a crença na sobrevivência do espírito humano se mostra universal”. Na época em que Bozzano publicou seus primeiros livros, no final do século XIX, falar abertamente sobre “espírito” ainda não era tão escandaloso na Academia. Os espiritualistas europeus daquela época, muitos influenciados pelas ideias expostas nos livros de Allan Kardec, eram igualmente grandes entusiastas da teoria de Darwin-Wallace… Mas, enquanto esta se ocupava exclusivamente da evolução física das espécies, alguns espiritualistas – dentre eles o próprio Wallace – se interessavam em tentar elucidar a evolução espiritual, particularmente em como o espírito humano havia evoluído através do tempo.

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Um antropólogo em Vênus

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» Parte 2 da série “Xamãs ancestrais” ver parte 1

Ayahuasca é uma bebida produzida a partir de duas plantas amazônicas: Banisteriopsis caapi e Psychotria viridis. O nome significa, literalmente, a “Videira dos Mortos”. Os cientistas sabem que a ayahuasca produz visões, principalmente por ser rica em DMT, um alucinógeno de ação extremamente rápida. Entretanto, os xamãs ancestrais têm conhecimento considerável do que ocorre após bebermos a ayahuasca, enquanto os cientistas não, principalmente porque a maioria jamais experimentou.

O tempo passa sem que eu tenha noção. Fecho meus olhos, e um grande desfile de visões subitamente se inicia… Começo a prestar atenção em uma imagem em particular, ou, mais exatamente, a uma área de meu campo visual interno, onde complexos padrões geométricos entrelaçados provam, numa inspeção mais cuidadosa, ser parte de uma grande serpente, aparentemente viva, com sua cabeça e sua cauda afastadas de mim. Posso distinguir as escamas individuais, retangulares, como janelas… Existe um círculo no centro de cada retângulo, círculos púrpura, girando como fogos de artifício, brilhando com a luz escura de um outro mundo onde agora estou… Aqui? Onde é aqui? Por que é um lugar onde vejo cores que não existem na vida cotidiana?

O xamã recomeça a entoar seu ritual. A cantoria inicia em tom mais baixo, mas aumenta, e aumenta… As serpentes são muito grandes, e todo corpo, da cabeça à cauda, é claramente visível para mim. Agora as cores castanho e amarelo predominam. Lendo sobre o assunto, antes de vir a Amazônia, aprendi que pessoas em regiões e culturas diversas, de todo o mundo, encontram serpentes na jornada da ayahuasca… Elas agora formam padrões de rodas e espirais entrelaçados, se fundem e depois se dividem em duplas individuais serpenteando em volta uma da outra, como a dupla hélice do DNA… A náusea chega com força e estou agora vomitando na escuridão…

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A capela dentro da terra

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» Parte 1 da série “Xamãs ancestrais”

Arte rupestre é o termo dado às mais antigas representações artísticas conhecidas, algumas datadas do período Paleolítico Superior (40mil a.C.), gravadas em abrigos ou cavernas, em suas paredes e tetos rochosos, ou também em superfícies rochosas ao ar livre.

Foi uma criança quem as viu pela primeira vez. Maria de Sautuola tinha apenas 8 anos, mas já havia entrado em uma ou outra caverna espanhola com seu pai, que era um arqueólogo amador – ou seja: que trabalha por amor. Por volta de 1870, muitas peças de arte portátil (ossos gravados, galhadas de cervo, marfim de mamute, etc.) foram encontradas em diferentes cavernas na França, sabidamente habitadas por nossos ancestrais do Paleolítico Superior, e era exatamente este tipo de objeto que Marcelino Sanz de Sautuola esperava encontrar naquela relativamente pequena caverna em Altamira, a 30Km de Santander, na Espanha. Não era a primeira visita de Sautuola a caverna descoberta acidentalmente por um capataz da propriedade de um latifundiário local, mas ele esteve sempre procurando objetos no solo, foi Maria quem primeiro teve a curiosidade de olhar para o alto, e as ver.

As pinturas rupestres nos tetos e paredes rochosas da caverna de Altamira estão entre as mais belas de toda a arte da pré-história. Alguns já a chamaram de Capela Sistina do Magdaleniano (período entre 16,5 e 14 mil anos atrás). Imaginem o espanto de Sautuola ao conceber pela primeira vez a dimensão daquela descoberta: bisões realisticamente salpicados por todas as partes da rocha, numa cor surpreendentemente viva a despeito dos milhares de anos passados desde que foram cuidadosamente pintados por artistas ancestrais. Como que espectros a flutuar no ar, eles parecem até hoje nos convidar a uma viagem há uma outra era – quando a alma humana estava presente em cada aspecto da vida, e era reverenciada como aquilo que há de mais sagrado, de mais profundo, de mais primordial…

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Oferendas Ancestrais


O bipedalismo, ou seja, a capacidade de se andar apenas com dois membros, e não com quatro, é uma característica desenvolvida por pouquíssimos animais ao longo da evolução das espécies. Como se sabe, um desses animais é o homo sapiens. Segundo a teoria de Darwin-Wallace, o homo sapiens evoluiu a partir de um ancestral comum com o chimpanzé, ou pelo menos esta era a teoria mais aceita até alguns anos atrás. Uma outra teoria acerca da evolução humana postulava que o bipedalismo foi desenvolvido sobretudo quando os humanos arcaicos, ancestrais do homo sapiens, abandonaram as regiões africanas de densas florestas e se aventuraram nas pradarias, onde a capacidade para arrancar frutos e carregar comida e armas de caça seria, talvez, mais importante do que a velocidade e equilibrio conferidas pelo andar em quatro patas, o que seria muito mais útil para se fugir de predadores.

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Após a Caçada

» Parte 2 da série “A ciência da inspiração” ver parte 1

Mente: 1. Conjunto das idéias e convicções de uma pessoa, concepção, imaginação, intelecto; 2. Capacidade de raciocinar ou aprender, inteligência.

Retornemos aproximadamente 200 mil anos no tempo, e observemos uma pequena comunidade de caçadores-coletores nas planícies africanas, berço de todos nós, os humanos. São ainda hominídios, humanos arcaicos, mas já possuem seus módulos mentais relativamente desenvolvidos: a inteligência geral foi herdada das outras espécies das quais evoluíram, e é responsável pelos processos básicos de instinto e sobrevivência; A inteligência naturalista desenvolveu-se ao longo da persistente guerra da fome – o conhecimento do terreno em sua volta, a análise dos rastros de presas livres deixados no solo, o cuidado para evitar plantas venenosas, etc; A inteligência técnica permitiu o manuseio de objetos e até mesmo a elaboração de ferramentas, como pedras pontiagudas que facilitam o corte da carne das presas abatidas; E, finalmente, a inteligência social evoluiu desde que reconheceram que caminhar pelo mundo em bandos era mais seguro do que enfrentar as caçadas sozinho.

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Estruturalismo

Minha vida acadêmica é das mais esquisitas, desde o primário, por causa do meu jeito relaxado... Após quase perder o curso de Design por conta de esquecimento da data de matrícula - muito…

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Nosso maior dom

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» Parte 1 da série “Reflexões sobre a linguagem”

Há quem se pergunte qual o maior dom do ser humano: os sentidos, a visão que nos possibilita nos maravilhar com o mundo, a audição que nos permite ouvir a sinfonia das esferas? Talvez não os sentidos, mas o amor que nos une a todos os seres, a razão que nos permite compreender o elegante mecanismo da natureza? Bem, pergunte a um antropólogo, e ele lhe dirá sem pestanejar: a capacidade de interpretar símbolos, o que nos possibilita o uso da linguagem.

A capacidade de interpretar a realidade é o que nos permite compreender aos quantas de luz que os olhos nos enviam, ou as ondas sonoras que nos chegam pelos ouvidos – porém, ao contrário das espécies irracionais, nosso cérebro também é capaz de desenvolver linguagens a partir desses dados enviados, e associar conceitos físicos e, principalmente, metafísicos, aos símbolos. Sem essa capacidade dificilmente nossa arte, religião e ciência teriam se desenvolvido, e estaríamos até hoje caçando animais com machados de lasca de pedra, todos invariavelmente feitos da mesma forma mecânica, pois a criatividade também praticamente inexistiria.

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Adão e Eva eram negros

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É bem provável que a maioria dos cientistas não creia, ao menos literalmente, que Adão e Eva foram os primeiros seres humanos. Mas, fato é que os primeiros seres humanos, sejam quais fossem os seus nomes, eram negros. Neste caso já não é uma questão de crença, a ciência já tinha fortes evidências de que o homo sapiens se originou na África [1], e recentemente, com o estudo do genoma humano, chegou à conclusão que a pele branca, clara ou pálida é resultado de uma mutação relativamente recente em nossa história evolutiva.

O estudo, apresentado na 84ª reunião anual da Associação Americana de Antropologia Física, realizada em março de 2015 nos EUA, oferece fortes evidências que os europeus modernos não se parecem muito com os de 8 mil anos atrás.

Um time internacional de cientistas analisou o genoma dos restos de 83 indivíduos encontrados em sítios arqueológicos espalhados pela Europa. Os resultados apontam que a população europeia moderna é uma mistura de pelo menos três antigas populações que chegaram à Europa em diferentes migrações nos últimos 8 mil anos. Comparando com dados do Projeto 1000 Genomas, os cientistas conseguiram encontrar quatro genes associados com as mudanças na pigmentação da pele que passaram por forte processo de seleção natural.

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Filhos de Neandertais

Há muito tempo se sabe que os neandertais são uma espécie extinta, do gênero homo, que habitaram o Oriente Médio e a Europa desde cerca de 300 mil anos atrás. Também por muito tempo acreditou-se que os neandertais eram uma “espécie inferior” ao homo sapiens – chamados homo neanderthalensis –, e que eram seres quase irracionais, praticamente “homens das cavernas”, que sequer tinham a capacidade de falar qualquer linguagem. Segundo essa crença, a extinção dos neandertais, há cerca de 29 mil anos atrás, estaria explicada pela competição com o homem moderno na medida em que este avançava para ocupar todo o globo, incluindo as terras nativas onde os neandertais se desenvolveram por milhares de anos.

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