Quinta, Sexta e Sétima Cruzadas

Postado no S&H dia 4/12/09,

Estamos chegando na reta final das cruzadas (faltam apenas mais duas) e o conflito no Oriente Médio entre Cristãos e Muçulmanos atinge seu ápice. Neste post, comentarei sobre as cruzadas que normalmente são ignoradas pelos professores nas aulas de história.


A Cruzada das Crianças
Uma das lendas a respeito das cruzadas inclui a famosa “Cruzada das crianças”, que teria ocorrido em 1212. As diversas histórias que chegaram aos tempos modernos sobre a Cruzada das Crianças giram em torno de eventos comuns. Um rapaz na França ou na Alemanha começou a espalhar que teria sido “visitado por Jesus” que o teria instruído para liderar a próxima cruzada. Após uma série de milagres, juntou um considerável grupo de seguidores, incluído possivelmente cerca de 20 mil crianças. Conduziu os seus seguidores em direção ao Mar Mediterrâneo, onde as águas deveriam se abrir para eles poderem avançar até Jerusalém.
Como (obviamente) isto não aconteceu, dois mercadores teriam oferecido sete barcos para levar tantas crianças quantas coubessem… hummm não sei quanto a você, leitor, mas isso cheira a cilada, Bino!
Os crentes teriam entregado as crianças para os mercadores e foram, então, levadas para a Tunísia tendo morrido em naufrágios ou sido vendidas como escravos. Em alguns relatos, as crianças não terão mesmo chegado ao Mediterrâneo, morrendo no caminho de fome ou exaustão.
O que provavelmente ocorreu foram migrações de vilas inteiras de pobres por toda a Europa, motivadas pelas mudanças nas condições econômicas da época que forçaram muitos camponeses no norte de França e na Alemanha a vender as suas terras. Estes bandos eram chamados de pueri (“rapaz” em latim). Mais tarde as referências ao puer alemão Nicholas e ao puer francês Stephan, ambos liderando multidões em nome de Jesus, terão sido unificadas num único relato, tendo o termo “pueri” sido traduzido para “crianças”.

A Quinta Cruzada
A Quinta Cruzada (1217-1221), ocorreu pela iniciativa do Papa Inocêncio III, que a propôs em 1215 no quarto Concílio de Latrão, mas foi somente posta em prática por Honório III, seu sucessor no trono de São Pedro. O papado havia também contribuído para desacreditar o ideal das cruzadas, quando manipulou a fé das pessoas para esmagar os Cátaros do sul da França, na chamada Cruzada albigense. Mesmo assim, o papa Honório III conseguiu adesões para uma nova expedição.

A Quinta Cruzada foi liderada por André II, rei da Hungria; Leopoldo VI, duque da Áustria; Jean de Brienne, rei em título de Jerusalém e Frederico II, imperador do Sacro Império. O imperador Frederico II concordou em organizar a expedição.

Decidiu-se que para se conquistar Jerusalém era necessário conquistar o Egito primeiro, uma vez que este controlava esse território. Em maio de 1218, as tropas de Frederico II se puseram a caminho do Egito, sob o comando de Jean de Brienne. Desembarcados em São João D’Acre, decidiram atacar Damietta (hoje chamada de Dumyat), cidade que servia de acesso ao Cairo, a capital. Em agosto atacaram Damietta. Depois de conquistar uma pequena fortaleza de acesso aguardaram reforços. Em junho, foram reforçadas pelas tropas papais do cardeal Pelágio. Homem autoritário, Pelágio não quis subordinar-se a Brienne e também interferiu constantemente nos assuntos militares.

Depois de alguns combates, e quando tudo parecia perdido, uma série de crises na liderança egípcia permitiu os cruzados ocupar o campo inimigo. Porém, numa paz negociada em 1219 com os muçulmanos, o incrível aconteceria: Jerusalém era oferecida aos cristãos, entre outras cidades, em troca da sua retirada do Egito. Mas os chefes cruzados, nomeadamente o cardeal Pelágio, recusaram tal oferta (que, vou refrescar a memória do leitor, era o objetivo principal das Cruzadas): o papado considerava que os muçulmanos não conseguiriam resistir aos cruzados quando Frederico II chegasse com os seus exércitos.

Os cruzados começaram, então, a cercar o porto egípcio Damietta e, depois de algumas batalhas, sofreram uma derrota. O sultão renovou a proposta, mas foi novamente recusada. Depois de um longo cerco que durou de Fevereiro a novembro de 1219 a cidade caiu. A estratégia posterior requeria assegurar o controle da península do Sinai. Os conflitos entre os cruzados e muçulmanos tornaram-se praticamente diários e perdeu-se tanto tempo que os egípcios recuperaram as forças. Em julho de 1221, o cardeal ordenou uma ofensiva contra o Cairo, mas os muçulmanos levaram os cruzados a uma armadilha; quando os cristãos avançavam, os muçulmanos recuavam e levavam todos os alimentos (e envenenavam os poços)… sem comida e cercados, acabaram por ter de chegar a um acordo: retiravam do Egito e tinham as vidas salvas. Tiveram também de aceitar uma trégua de oito anos. #Fail

O principal motivo para a derrota cristã tem um nome: os reforços prometidos por Frederico II não chegaram. Razão pela qual ele foi excomungado pelo papa Gregório IX. Essa foi a última cruzada para a qual o papado mandou suas próprias tropas.

A Sexta Cruzada
A Sexta Cruzada (1228-1229), lançada em 1227 pelo imperador do Sacro Império Frederico II de Hohenstauffen, que tinha sido excomungado pelo Papa, só no ano seguinte ganharia forma.

Frederico, genro de Jean de Brienne, herdeiro do trono de Jerusalém, pretendia reclamar seus direitos sobre Chipre e Jerusalém-Acre. Depois que sua frota partiu, o imperador recebeu uma missão de paz do sultão do Egito, que retardou o seu avanço e acabou causando aquele vexame nas tropas cristãs…

Finalmente, no verão de 1228, depois de muita hesitação, acabou por partir ao Oriente para tentar se livrar da excomunhão que o papa lhe havia imposto, apesar de ser defensor do diálogo com o Islã, religião da qual era admirador, e preferir conversar em vez de combater.
Enquanto suas tropas estavam longe, o papa proclamou outra Cruzada, desta vez contra o próprio Frederico, e seguiu atacando as possessões do imperador na Península Itálica.

O minguado exército de Frederico II, auxiliado pelos cavaleiros Teotônicos, foi diminuindo com as deserções e uma semi-hostilidade das forças cristãs locais devido à sua excomunhão pelo Papa. Aproveitando-se das discórdias entre os sultões do Egito e Damasco, Frederico II conseguiu, por intermédio da diplomacia, um vantajoso tratado com o Egito de Malik el-Kamil, sobrinho de Saladino.
Pelo tratado de Jafa (1229), Jerusalém ganhou Belém, Nazaré e Sídon, um corredor para o mar, para além de uma trégua de dez anos. Em contrapartida, os cristãos reconheciam a liberdade de culto para os muçulmanos.
Por causa disso, o Papa excomunga Frederico II mais uma vez.

Frederico foi coroado rei de Jerusalém, mas por conta dos inúmeros ataques dos cruzados em suas terras e receoso de perder seu trono na Germânia e Nápoles, regressou à Europa. Retomou relações com Roma em 1230.

Sétima Cruzada
Após o fim dos dez anos da trégua de 1229 (assinada durante a Sexta Cruzada), uma expedição militar cristã, com poucos homens e poucos recursos, liderada por Ricardo de Cornualha e Teobaldo IV de Champanhe, encaminhou-se para a Terra Santa a fim de reforçar a presença cristã nos lugares santos. Não era exatamente uma “cruzada”, mas mais um reforço. Não pôde impedir, entretanto, que, em 1244, Jerusalém caísse nas mãos dos turcos muçulmanos. No ano seguinte dava-se o desastre de Gaza.

Nesse ano, quando o Papa Inocêncio IV abriu o Concílio de Lyon, o rei da França Luís IX, posteriormente canonizado como São Luís, expressou o desejo de ajudar os cristãos do Levante. Luís IX levou três anos para embarcar, mas o fez com um respeitável exército de 35.000 homens. O monarca francês aproveitou as perturbações causadas pelos mongóis no Oriente e partiu de Aigues-Mortes para o Egito em 1248. Escalou em Chipre em setembro de 1248, atacando depois o Egito

Em junho de 1249, Damietta foi recuperada para os cristãos e serviria de base de operação para a conquista da Palestina. No ano seguinte, quase conquista o Cairo, só não o conseguindo por causa de uma inundação do Nilo e porque os muçulmanos se apoderaram das provisões alimentares dos cruzados, o que provocou fome e doenças como o escorbuto nas hostes de São Luís. #Fail
Ao mesmo tempo, Roberto de Artois, irmão do rei, depois de quase vencer em Mansurá, foi derrotado devido a sua imprudência.

Perante este cenário, com seu exército dizimado pela peste de tifo, São Luís bateu em retirada. O rei é capturado e feito prisioneiro em Mansurá, sendo posteriormente libertado após o pagamento de um resgate de 800 mil peças de ouro (parecem números de MMORPG) e restituição de Damieta, em maio de 1250. Só a resistência da rainha francesa em Damietta, permitira que se conseguisse negociar com os egípcios.

Mas o pior ainda estava por vir…

Semana que vem: Corram para as colinas! Os mamelucos estão chegando!

Este post tem 7 comentários

  1. cotrim

    Ola marcelo sei que o que vou falar aqui tem pouca coisa a ver com tema do texto,mas eu ainda não encontrei melhor forma de falar com voce.

    Numa dessas comunidades de debates um cristão disse ter refutado teologicamente a reencarnacão,eu ja tinha visto debates sobre a reencarnacão mas não no campo teologico,gostaria de saber sua opinião aqui vai o argumento:

    @MDD – debates cristaos costumam ser completamente idiotas. Eu não perco tempo em comunidades cristas do orkut da mesma maneira que nao vale a pena perder tempo em comunidades ateias do orkut. Mas vamos ao argumento…

    INTRODUÇÃO.

    1)A reencarnação prolonga indefinidamente o problema do mal.Sempre haverá a possibilidade de que um espírito regrida espiritualmente,por mais conhecimento e experiência que tenha.A estatística do sistema penal acerca de presos recorrentes e dos dependentes químicos que morrem de overdose,mesmo em tratamento,comprova isto.
    Em resumo:É possível que haja uma oscilação eterna entre Bem e Mal no sistema reencarnacionista,sem nenhuma definição absoluta.A doutrina da Reencarnação não oferece um fundamento sólido para a vitória final do Bem.

    @MDD – Sim, chama “livre arbitrio”. Sem velhinho barbudo para mandar no que voce deve ou nao fazer, as pessoas precisam amadurecer e crescer por elas mesmas, podendo inclusive recair nos mesmos erros por diversas encarnações até evoluirem. quanto ao problema do “mal”, vamos nos ater a um problema simples: segundo esse povo fanático, ser gay seria ser do demônio e aberração, portanto, um gay que seja uma pessoa iluminada estaria condenado ao inferno, nao importando as boas ações que fizesse durante a vida.
    Quem tem de oferecer um fundamento sólido para a tal “vitória do bem” (a vitória do bem inclui o exterminio de todos os gays a pedradas? a biblia diz que sim) não é uma doutrina vazia e cheia de falácias, mas sim as ações ativas das pessoas durante suas encarnações.
    E todos evoluem para o bem. Veja o retardado que colocou as afirmações desse argumento: em vidas passadas ele provavelmente foi um inquisidor que QUEIMAVA pessoas… hoje o maximo que pode fazer é colocar idiotices no orkut… veja que progresso!!! se fosse pelo sistema católico, ele estaria no céu e os cirntistas que matou no inferno!!!

    2)Uma doutrina que seja de Deus é uma doutrina que estabelece a vitória final e definitiva do Bem sobre o mal.Uma doutrina que ensina a separação e desvinculação eterna entre o Bem e o mal. O Deus infinitamente bom,sábio e justo,certamente vencerá o mal definitiva e absolutamente.O Juízo Final seguido do Céu e Inferno eternos garante a vitória.

    @MDD – Vitoria de quem? do fanático cristita que apedrejou as pessoas que não concordam com o livro cheio de erros? O os que seguem o velhinho barbudo no alto da montanha que vive preocupado com o que as pessoas fazem com as genitálias delas?

    CONCLUSÃO:

    A doutrina da Reencarnação se assemelha à tentativa eterna e interminável de um deus politeísta finito e limitado em derrotar o mal, e não com a vitória definitiva sobre o mal por um Deus infinito. Logo não é uma doutrina verdadeira.

    @MDD – A encarnação coloca a responsabilidade de crescimento nas mãos das pessoas, não de malucos com biblias nas mãos. Sendo Deus o conhecimento e a ignorância o diabo, a vitória de deus acontece ao longo de varias encarnações… ontem inquisidor assassino; hoje babaca de orkut; talvez amanhã esse teologista amador seja uma pessoa mais instruída! talvez um ateu… e em vidas futuras, até mesmo um hermetista… veja a beleza da reencarnação na evolução!

    Aqui esta a comunidade:http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=15220045&tid=5266642013950692336&na=1&npn=1&nid=

    Se quiser debater lá sinta-se a vontade a moderacão é forte e bane os trolls.

    @MDD – Nao, obrigado.

    1. Eduardo

      Bom, uma resposta básica pra esse cara…
      Com uma frase da bíblia mesmo:

      Apocalipse 1:8 “Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso.”

      É uma maneira de dizer eu sou tudo de ponta a ponta (inclusive bem e mal).

    2. Ana Ramos

      O primeiro e mais grosseiro erro dessa linha de pensamento, ao meu ver, é a separação estanque de “bem” e “mal”, como se fossem coisas objetivas e entidades separadas. Pra mim isso já mata a argumentação desse cara do comecinho.

  2. Rentoru

    Saudaçõe fraternais! Bem desulpe fujir do texto, tenho uma pergunta. Qual é a maneira correta de traçar um pentagrama? Deacordo com a rotação energetia-magnética de cada pólo? Então no pólo norte seria no sentido horario e no pólo sul no sentido anti-horario ?

    @MDD – De acordo com o ritual e a ordem que voce tenha aprendido a fazer.

  3. Alex

    MDD, você vai voltar a esse tema um dia desses?

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