A Percepção e a Evolução (Parte 3)

Por: Colorado Teus

Esta é uma série de textos que começou com Breve introdução à Magia e depois definimos nossos termos técnicos em Signos.
Neste texto falarei um pouco mais sobre as divisões e classificações que são feitas para alguns dos diferentes planos do além físico, e citarei algumas técnicas que são utilizadas para a eliminação de interferências que podem atrapalhar a comunicação entre eles (outros planos) e nós, entre nós e eles.

A primeira parte dos processos de classificação é a percepção de padrões e, à partir da identificação, surgem os grupos em que cada participante tem pelo menos alguma coisa em comum. O que faz de mim um ser humano e não uma rocha? Por que chamam meu instrumento de escrita de notebook e não ipad? O que eu vejo para falar que o céu durante o dia é azul e não amarelo?

As respostas são bastante óbvias, mas enquanto alguém não se perguntou “qual a diferença entre o ser humano e uma rocha?”, não havia diferença entre a pessoa e a rocha. Esta ideia pode ser encontrada no Gênesis da Bíblia, livro que fala, de maneira metafórica, sobre os primórdios da vida do homem:

“E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.
Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.”

Gênesis 3:6-7

“Olho” (em Hebraico Ayin) é por onde enxergamos, é por onde reconhecemos as diferenças entre as coisas e, assim, também os padrões. Conseguir reconhecer as diferenças é a grande maldição que “tirou o homem do paraíso”, quando sabemos que existe algo em melhor situação que a nossa sofremos. A ignorância é uma ‘benção’ neste sentido, o paraíso relatado no Gênesis é um estado mental em que se acha que está na melhor situação possível por não conhecer outra melhor.


Tirinha de ‘Um Sábado Qualquer’

Porém, essa abertura da visão não é de todo ruim. No próprio Gênesis isso é melhor explicado logo depois:

“Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente, o Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado.”

Gênesis 3:22-23

Se lembrarmos do clichê de que o homem havia sido feito “à Sua imagem e semelhança” (como citado no próprio livro citado, Gênesis 1:26), a única coisa que o separava de ser realmente um Deus era ter seu olho aberto e conhecer as diferenças entre cada coisa (Conhecimento ou Da’ath em Hebraico), poder perceber aquilo que não percebia.

Voltando à analogia da primeira parte desta série, do homem que dominou o fogo, o primeiro padrão que ele deve ter percebido é que sentia algum incômodo ao chegar muito próximo do fogo; um segundo é que o fogo precisava queimar algo para se manter vivo e aceso, e que não queimava tudo de uma vez… algumas coisas demoravam um pouco mais para serem queimadas ou nem queimavam ao ter contato com o fogo; uma terceira é que se ele colocasse um graveto próximo ao fogo sua ponta começava a queimar, porém, sem causar incômodo a ele enquanto o fogo estivesse só no graveto. A partir da observação, ele começou a conseguir transportar o fogo de um lugar para o outro.

Notem que a percepção de padrões está presente em qualquer processo de descoberta e essa é a principal ferramenta (como uma muleta para a Vontade, o Querer, citado no texto anterior) para a evolução do homem, para a escalada do abismo, indo de um simples animal até Deus.

Com a percepção de padrões, o homem passou a perceber que muitos deles se repetiam nas diferentes coisas do universo, por exemplo, Yin e Yang (contração e expansão) estão presentes no modo como a musculatura do ser humano se move para ele se mexer, no temperamento das pessoas (extrovertidas e introvertidas), no comportamento sexual (ativo e passivo), na presença e ausência e em infinitas outras coisas. A percepção das correspondências entre padrões é essencial para a expansão do conhecimento do ser humano, é a base do que no hermetismo chamam de ‘princípio da analogia’.

Este princípio fala que, ao começar a analisar algo, começamos a entendê-lo fazendo analogia com outros padrões previamente conhecidos; passada esta fase, começamos a fazer novas descobertas e assim o universo do conhecimento se expande.

Se antes tínhamos a ideia da Contração e Expansão que estava presente em tudo no Universo, estudando-as a fundo, tirando as cobertas, descobrimos que existe também contração dentro da Expansão e também uma expansão dentro da Contração, como foi abordado na parte 2. Podemos ir nos aprofundando cada vez mais, analisando os padrões e chegando a padrões cada vez mais precisos, como podemos notar na figura 7, que mostra como se chega aos signos astrológicos.

O total aprofundamento na precisão nem sempre é desejável, pois, muitas vezes, pode nos deixar mais perdidos do que nos ajudar. Vamos a um exemplo:

paletas

Das paletas de cores mostradas acima, qual a mais indicada para um pintor iniciante e qual a mais indicada para um pintor profissional? A paleta da esquerda normalmente é mais indicada para um pintor iniciante, pois ela é mais simples, está dividida em padrões mais fáceis de se perceber; porém, após o domínio do uso da primeira, geralmente é melhor passar a utilizar a da direita, que oferece uma diferenciação técnica maior, capaz de gerar detalhes melhores. Na maioria das vezes, o iniciante nem consegue perceber muito bem as diferenças entre uma cor e suas duas cores vizinhas na paleta da direita, o que pode atrapalhá-lo, deixá-lo perdido.

Gosto de dar o seguinte exemplo em minhas palestras: na engenharia classificamos grãos em vários grupos diferentes, como argila, silte, areia fina, areia grossa, etc. Já um pipoqueiro chama tudo isso de sujeira… e cada sistema funciona muito bem para ambos, mesmo sendo diferentes em precisão.

Voltando ao assunto, utilizaremos nesta série a divisão dos Quatro Elementos, e não outras mais precisas, por se tratar de uma apostila introdutória. Após o domínio do conteúdo apresentado aqui, sugiro o estudo de novas e mais precisas divisões, como as da Kabbalah Hermética, do Tarot, da Astrologia, da Umbanda, etc. Utilizando o padrão dos elementos para definir e classificar os diferentes planos com que o Homem consegue ter contato, fica mais ou menos assim (os nomes complicados vêm do hebraico, que é uma linguagem muito utilizada nesses meios de estudo):

– Fogo: Atziluth, o mundo arquetípico, onde estão as energias puras, fatorais, e sem combinações.
– Água: Briah, o mundo criativo, onde estão nossas emoções.
– Ar: Yetzirah, o mundo formativo, onde estão os símbolos e ideias, o plano astral.
– Terra: Assiah, o mundo ativo, onde vivemos.

Não existe uma divisão precisa destes mundos, tudo que existe em um plano pode existir nos outros como um continuum, a divisão, em teoria, é feita simplesmente para simplificar o entendimento do todo, mas as divisões têm uma certa precisão naquilo que exige mudanças bem marcantes de percepção para o entendimento. Então seria algo assim: tenho esse meu corpo físico, que está em Assiah, tenho o corpo astral (conjunto de todas as minhas ideias e conhecimentos puros) em Yetzirah, tenho meu corpo emocional (conjunto de todas as emoções que sinto ou já senti) em Briah e, por fim, meu corpo mais puro, livre de qualquer influência mundana (conjunto de utopias que persigo), que está em Atziluth. Mas, se olharmos de uma maneira geral, todos eles juntos formam a pessoa e não só uma das partes.

No primeiro texto de magia falamos do engenheiro que constrói um prédio baseado em ideias, não em simples força física. Quando ele recorre às ideias, está recorrendo a um outro “plano” e, quando isto é feito de forma consciente, é uma forma de magia.

Peço licença para propor um experimento prático e finalizar este texto.

Experimento prático – Organização e consagrações

Como foi citado no texto anterior, o mundo físico pode alterar o mundo intelectual e vice-versa. Tendo isso em mente, vamos a um experimento:

– Por uma semana deixe seu quarto, ou ambiente em que mais tempo costuma ficar, totalmente desorganizado, com as coisas todas jogadas e fora do lugar. Analise (sente e pare para observar, como uma meditação) seus pensamentos e sonhos e faça algumas anotações que achar pertinentes;

– Na semana seguinte arrume tudo, não deixe nem uma pequena sujeirinha, nada fora do lugar, tudo perfeitinho. Analise seus pensamentos e sonhos, faça algumas anotações que julgar pertinentes, e compare com as da semana anterior.

Uma semana pode ser pouco para algumas pessoas, mas a diferença será notável dependendo do tempo de cada um; se quisermos ter o corpo mental organizado e harmônico, precisamos dominar o meio físico de maneira que ele nos transmita a ideia de que estamos em um lugar organizado e harmônico. Arrumar o próprio quarto, lavar a louça, arrumar o jardim, são formas básicas de começar a controlar sua mente à partir do controle do mundo físico.

Note que desenhos, símbolos, frases, esculturas, objetos, tudo isto influencia a maneira como sua mente enxerga o ambiente: se você coloca uma escultura de um Deus que te faça sentir bem no seu quarto, sempre que entrar nesse local, ela irá modificar sua mente de maneira a ajudá-lo a se sentir bem naquele ambiente. Rezar antes de dormir pode colocar a pessoa em conexão com uma ideia com que gostaria de sonhar. Muitas são as formas de ação no mundo físico para modificar algo ou a nós mesmos no mundo das ideias.

Para finalizar este texto, podemos fazer algo para melhorar mais ainda esta força de modificação, o que é chamado de “consagração de um objeto”. A consagração é uma maneira de falar para você mesmo “Este objeto é isto e faz isso toda vez que eu olhar para ele”, por exemplo, posso consagrar uma vela para colocar no meu quarto para que me lembre, toda vez que olhar para ela, que existe um deus dentro de mim.

Existem muitas maneiras de se consagrar um objeto, uma delas é utilizando os Quatro Elementos que ajuda lembrar qual/quais será/serão o(s) plano(s) que a consagração visa atingir (existem outras melhores, esta é uma simples para quem não sabe nenhum tipo de consagração), por exemplo:

– Se quero que algo tenha um objetivo no mundo físico, como um ventilador que irá aliviar o calor, faço uma consagração jogando sal grosso (normalmente utilizado para representar o elemento Terra) nele. Passo o sal grosso nele e falo em voz alta: “Eu, Pessoa x, consagro esse ventilador com as energias de terra, com o intuito de aliviar um pouco do calor.”, ou pode-se fazer uma oração como “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador…” pedindo para seus guias consagrarem para você.

– Se quero algo que tenha um objetivo no mundo das ideias, como uma pintura que sempre vai me lembrar de um grupo, faço uma consagração passando a fumaça (representa o elemento Ar) de um incenso pelo objeto e falo algo parecido com a consagração com a Terra (acima), mas trocando por “energias do ar”.

– Se quero algo que tenha um objetivo no mundo emocional, como um quadro que me ajuda a lembrar de alguém de que gosto, faço uma consagração passando vinho (representa o elemento Água) pelo objeto (cuidado para não estragar o objeto) e falo o mesmo já mencionado para a Terra e o Ar, mas trocando por “energias da água”.

– Se quero algo que tenha um objetivo no mundo arquetípico, como uma estatueta de um deus que me lembra dos meus objetivos mais importantes em vida, faço uma consagração passando o objeto perto da chama de uma vela (que representa o elemento fogo) e falo algo parecido, trocando por “energias do fogo”.

Não há problemas em usar um objeto para mais de um plano, para isso use mais de um elemento na consagração. Pode-se combinar com as energias astrológicas também para maior precisão na consagração, os métodos que o MDD ensina no TdC são ótimos.

Quando todos os objetos de seu quarto forem devidamente consagrados, sua mente se sentirá “em casa” e funcionará de maneira absurdamente bem e harmônica ali, mas note que se alguém que não seja você tocar seu objeto, a consagração será perdida, pois o objeto foi utilizado para algo que não era seu objetivo (objeto e objetivo são palavras bem parecidas não?!).

Vai dar certo!

Este post tem 18 comentários

  1. Hong

    Estou adorando seus textos, embora nem saiba seu nome hahaha.
    Já tinha percebido que o ato de consagrar é mais uma determinação pessoal e mental da pessoa que utiliza o objeto do que uma alteração real na constituição do objeto.

    Mas também existem magos/bruxos habilidosos que quando encantam um objeto, de fato o objeto mudou suas propriedades, certo?

    @Coloradoteus: As consagrações alteram os campos de energia do objeto sim, cada tipo de consagração altera de uma forma, em um nível. À princípio o mais importante é uma ligação que é criada entre o objeto e a pessoa, depois você vai começar a se preocupar com qual energia você vai imantar no objeto, depois com a força da ligação e com outras especificidades… já vi consagrações que são fortes o bastante de maneira que o toque de outra pessoa não quebra a ligação ou dissipa a imantação, como foi a do HKT1.

  2. Laura

    Primeiro de tudo Parabéns pelos seus textos!
    Posso consagrar meu travesseiro com o intuito de dormir mais facilmente? (Eu tenho insônia ;-;)

    @Coloradoteus: Claro, mas existe uma fórmula mais eficiente do que isso: saia do facebook e wzp longe pelo menos 1h antes da hora que pretende dormir rsrs não sei se é seu caso, mas comigo funciona.

    1. Laura

      Nao é o meu caso :/ mas se fosse acho q seria mais facil de resolver

    2. P Von Ron

      Há um estudo de psicologia sobre isso, não sei de quem era, talvez Jeff Alves ou Igor Teo possam ajudar em descobrir quem é, senão me falha a memória vi algo do tipo com Jeff Alves.

      Era um estudo sobre sono e insônia e dentro disso, falava sobre desconectar-se de utensílios que nos distraíssem, mas o estudo era antigo, na época não havia internet, smartphone, de toda maneira os princípios aplicados no estudo parecem assemelhar-se mais ainda com os tempos atuais.

  3. Aquele que despertou

    o que faz contato com o que sendo homem apenas um conceito e planos outro conceito, até mesmo contato é só um conceito, sendo conceitos meras convenções desprovidas de realidade, classificações, discriminações e distinções, crenças vazias de verdade?

    O Guru não pode dar lhes nada que vocês já não tenham. Tudo o que precisam fazer, é se desfazerem da noção de que não realizaram o Ser. Somos sempre o Ser.
    – Ramana Maharshi (Dia a Dia com Bhagavan, 16-9-45 de tarde).

    Sri Ramana ensinava que só existe o Ser e que pode ser experimentado direta e conscientemente deixando de prestar atenção às idéias errôneas que temos sobre nos mesmos. Ele chamava estas idéias em seu conjunto o «não-Si mesmo» porque são um conjunto de noções e de percepções que limitam a experiência do Ser no nível fenomênico. A principal percepção errônea é a idéia que o Ser está limitado ao corpo e à mente: “eu existo” é somente um pensamento no mar da Consciência.
    Sobre este falso “eu” se acrescenta o resto das crenças: relações, passado, presente, mundo, etc., que se desenvolvem a partir da identificação com o corpo. Quando a imaginação de que a gente é uma pessoa que habita num corpo particular termina, toda a superestrutura das idéias falsas colapsa e somente fica o que sempre esteve: a presença, o espaço entre dois pensamentos, o ser consciente no qual se sobrepõe “a pessoa”. O único requisito é que a crença no eu individual desapareça, quer dizer, seja vista como tal, da mesma forma em que o oásis desaparece apenas nos damos conta de que era uma miragem.
    Neste nível de ensinamento já não se trata de realizar esforço nenhum nem prática. A prática reforça o sentido de um eu separado que pratica para conseguir algo no futuro, a Iluminação. Esta, por sua vez, é imaginada como um estado ou experiência, quando na realidade os estados e experiências têm princípio e fim, e aparecem e desaparecem sobre um fundo permanente. Tudo o que se requer é uma compreensão de que o Ser não é uma meta a ser alcançada, e sim é meramente a presença consciente que prevalece quando se tem abandonado todas as idéias limitantes. Neste sentido, o termo “desidentificação” é mais acertado que iluminação ou inclusive liberação, porque estas últimas supõem um “eu” a ser liberado ou iluminado (para obter um estado), enquanto que a primeira se refere ao cessar de uma crença sobreposta (“eu”) sobre a realidade sempre estável.
    Este ensinamento tampouco se contradiz com a devoção, e sim a compreende na sua totalidade. Se tudo é Deus (Ser – Consciência – Bem aventurança)… o que serei eu?

    @Coloradoteus: Mantendo o tom de ceticismo do texto, qual o ganho prático você teve com esse ensinamento? No que isso pode melhorar a vida das pessoas? Para qual finalidade ele disse isso?

  4. aquele que despertou

    o único objetivo de todo suposto ser humano é conhecer a sua real natureza, sempre presente, essa é a meta suprema, toda e qualquer outra meta é distração, distanciamento do objetivo único, do proposito de toda existência fenomênica, de todo suposto movimento, todo ruido é temporário e surge do e no silencio eterno, apenas para retornar a sua fonte, qualquer outro objetivo que não seja conhecer aquilo que conhece, é andar em círculos, qualquer conhecimento que não seja o do cerne de si mesmo é acumulo de ignorância, bagagem inútil, empecilho, lixo que precisa ser jogado fora, a crença de que somos um corpo, uma pessoa, um individuo, de que de alguma forma podemos controlar qualquer aspecto da vida é a ignorância básica que nos mantem atados a ilusão, é o ego e sua identificação com ele, é impossível melhorar a vida das pessoas, por que não existem pessoas, isso não traz nenhum ganho pratico a você por que você não é uma pessoa, você é aquilo que é eterno e imutável, a qual nada preocupa, nada afeta, nem de forma positiva nem negativa, a unica maneira de uma pessoa melhorar a sua vida é, o que ela realmente é, se livrar da ideia de ser uma pessoa, um corpo mente, um ser humano, de que o que ela é, é afetada de alguma forma pelo que acontece, de modo geral, com o corpo, com a mente e com o ambiente, a verdadeira liberdade é saber que não existe livre arbítrio, não há escolha, não há culpa nem méritos, é constatar diretamente que você é apenas observação, não um observador, não um agente, consciência e nada mais, e tudo que aparece na consciência é irrelevante, entretenimento, imaginação vazia de realidade, sonho, pois não a altera de modo algum a consciência, a qual nada ganha, nada perde, então reformulando sua pergunta, qual o ganho pratico que a consciência, deus, o infinito, a eternidade imutável, a essência sem forma de todas as formas, a onipresença, tem, com qualquer tipo de ensinamento? no que isso pode melhorar aquilo que é perfeito, eterno e imutável? qual a finalidade daquilo que não tem começo nem finalidade, nem direção, nem razão pra existir? sem origem ou destino, para qual até mesmo o conceito de existir ou não existir, são dispensáveis, significam absolutamente nada? que é o que você e aquilo que você chama de pessoas, realmente é?

    “Pergunta: Qual é a relação entre Deus e o mundo? Ele é o criador ou o sustentador dele?

    Ramana: Os seres sencientes ou não sencientes de todos os tipos estão realizando ações apenas pela mera presença do sol, que nasce no céu sem nenhuma volição. Similarmente, todas as ações são feitas pelo Senhor sem nenhuma volição ou desejo da parte Dele. Na mera presença do sol, as magníficas lentes emitem fogo, a flor de lótus desabrocha, a flor-de-lis se fecha e todas as incontáveis criaturas realizam ações e descansam.

    A ordem da grande multidão de mundos é mantida pela mera presença de Deus da mesma maneira que a agulha se move diante de um imã, e a selenite emite água, a flor-de-lis desabrocha, e o lótus se fecha diante da lua.

    Na mera presença de Deus, que não tem a mínima volição(esforço deliberado), os seres vivos, que estão engajados em inúmeras atividades, após embarcarem em muitos caminhos para os quais são atraídos de acordo com o curso determinado por seus próprios karmas, finalmente realizam a futilidade da ação, voltam-se para o Ser e atingem a liberação.

    As ações dos seres vivos não chegam ou afetam a Deus, o qual transcende a mente, da mesma maneira que as atividades do mundo não afetam o sol, e as qualidades dos quatro elementos conspícuos (terra, água, fogo e ar) não afetam o espaço sem limites.” Ramana Maharshi

    Você é isso que não é afetado de forma alguma pelo que quer que “pareça” acontecer, a dor no corpo não é boa nem ruim pra você, sua vinda e sua partida é inevitável, o prazer no corpo não é bom nem ruim pra você, sua vinda e sua partida é também improdutível e inevitável pois tudo que “parece” acontecer a um “suposto” corpo, é determinado por uma lei incompreensível para para a mente, lei inalterável que rege toda a suposta atividade no cosmos(ordem).
    Apenas estando consciente daquilo que você é, é que o funcionamento do cosmos é compreendido, tudo que a mente pode concluir é fruto da ignorância, apenas o silenciar da mente e o despertar para sua real natureza é que revela a verdadeira sabedoria, a razão de todas as coisas, a futilidade de qualquer busca por conhecimento relativo.

    “O que não deve acontecer, não acontecerá, não importa o quanto você deseje. O que deve acontecer, acontecerá, não importa tudo o que você faça para evitar. Quanto a isso, não resta dúvida. Portanto, o melhor caminho é permanecer em silêncio.”Ramana Maharshi

    @Coloradoteus: Isso me cheira a “doe todo seu dinheiro para o guru mais próximo”… pensa bem, se você fosse apenas consciência e realmente acreditasse no que está escrevendo, você não estaria escrevendo

    1. aquele que despertou

      veja bem, por mais que o ego e a mente tenham julgado o que eu disse, o impedido de aproveitar a oportunidade que aqui foi posta pelo universo, não por mim, o mantendo prisioneiro de uma jaula de conceitos, ilusória, você continua sendo o que você é, pura consciência, sem corpo, sem forma, sem imagem, sem peso, sem tamanho, não adoece nem se cura, sem dimensões, onipresente, e nada mais, minha inserção aqui é despretensiosa, ninguém pode fazer uma flor florescer por meio de esforço, argumentação, dialética, o que foi escrito não é resultado da leitura de algum livro ou da devoção a algum guru, é a pura verdade contida em tudo, não é nenhuma crença, não se precisa acreditar que se é apenas consciência, é resultado da desidentificação com o temporário, com o efêmero, da observação de tudo que muda como não sendo você, é um encontro com a essência imutável, com aquilo, no que você acredita ser, que não é um fenômeno temporário, não é um pensamento, emoção, sentimento, onde algo acontece e toda percepção do mundo como algo real desaparece, você manifesta esse universo inteiro com um intuito apenas, esquecer quem você é e então “brincar” de lembrar, pois mesmo não sabendo quem você é, ou esquecendo temporariamente, se identificando com uma das imagens que surgem dentro de você, acreditando ser um corpo mente, um planeta, uma galaxia, seja o que for, você continua sendo o que você é, você já é o que é, mesmo não sabendo, você continua sendo o contrario de um fenômeno, o espaço sem limites que é pura consciência, onde tudo pode aparecer e desaparecer, nada afeta esse espaço, essa consciência, esse corpo mente nunca visitou nenhum guru o despertar não foi uma conquista desse corpo mente, ele não escolheu despertar, conhecer a verdade, ser a verdade, isso simplesmente acontece, esse corpo é levado a isso, assim como uma laranja não escolhe amadurecer ou uma nuvem nao escolhe chover, consciente disso sei que não importa o que ele escreva aqui, se não for a sua hora de conhecer a sua real natureza isso não vai acontecer, mas o fato de isso estar sendo escrito pode ter um propósito ainda não percebido, talvez não seja pra você, a mente não pode entender os motivos do absoluto, talvez daqui muito tempo alguém leia o que foi escrito por aquele que despertou e seja o toque final para seu despertar, buda, krishna, jesus, também falaram e escreveram, mesmo conscientes da futilidade disso, mesmo assim apenas alguns conseguem colher o néctar de suas palavras e apenas quem está pronto para despertar, pra morrer enquanto conceito, poderá compreender, continue com seus rituais, praticas, leituras e estudos não há nada de errado nisso, mas saiba que aquilo que você busca já é o que você é, agora, sempre.

      @Coloradoteus: eu simplesmente sou uma consciência feita para contestar e se opor a um monte de doideiras que o povo sai afirmando por aí.

  5. Leonardo

    Se eu for consagrar minha caneta pro ENEM devo usar qual elemento?Ar?
    Lógico que estou estudando também,mas consagrar vai adiantar muita coisa ou o efeito disso é só psicológico?Não quero dizer que porque é psicológico significa que é falso,foi mal fazer essa pergunta…sei que ela é boba,mas o que vai ter na caneta são as tais energias,que ficarão lá por um tempo e qualquer um que usá-la vai escrever melhor uma redação por exemplo ou minha mente é que é que vai criá-las no momento em que eu pegar a caneta?

    @Coloradoteus: Sim, toda consagração tem um efeito psicológico, o que não significa que não tenha outros efeitos 😉 Geralmente numa consagração você vai dar um intuito para aquela ‘energia’ que está colocando, por exemplo, posso por uma energia de terra para me transmitir calma, de ar para me lembrar de pensar sempre nos dois lados, de água para me acalmar, de fogo para me lembrar do porquê de você estar ali fazendo aquilo… eu tenho uma caneta consagrada, sugiro fazer isso com uma caneta que você consagre o ‘casco’ e possa só ficar trocando o tubo de tinta depois.

  6. Magick

    Gostaria de ver mais textos aqui sobre “Consagração de Objetos”. Ainda tenho dúvidas sobre essa prática/procedimento.

    Ao Consagrar um objeto, ativo um padrão de ação específica deste objeto em prol do objetivo (o para quê) ele serve?

    1. Hong

      pra mim , sua pergunta não ficou clara.

  7. franco-atirador

    Muito bom, meu caro. Parabéns! A tempos queria saber o que significa consagração e o TdC não costuma postar B-A-BÁS sobre isso.

    Mas seria interessante explicar POR QUE outra pessoa não pode tocar o objeto que desencanta.

    E o desencantamento só ocorreria se outros tocasse APÓS a consagração, correto?

    E por último, não entendo pq o plano das emoções está acima do mental, uma vez que emoções nada mais são do que reações do nosso CORPO, portanto, reações físicas provenientes de estímulos, sejam físicos ou mentais.

    Abraço e muita luz!

    @Coloradoteus: as imantações são afetadas com o toque de outra pessoa (mistura de campos energéticos, principalmente quando acontece com as mãos, que possuem chakras que fazem grandes trocas energéticas no caso de pessoas sem desenvolvimento mediunico), existem consagrações mais fortes que não são afetadas, mas vamos com calma com isso. Já sobre o plano das emoções, e-motion significa “aquilo que põe algo em movimento”, você está confundindo emoções com sentimentos, sentimentos sim são mais próximos do físico e do mental… mas chegaremos nisso daqui uns textos.

    1. Franco-Atirador

      Obrigado, e espero a distinção Emoção x Sentimento.

  8. Ren.

    Olá
    Estou adorando essa série de textos.
    Um ótimo trabalho.

    Outro me ocorreu o seguinte: O que acontece quando existe a “corrupção/apropriação” de um símbolo, para uma egrégora muito diferente ? O exemplo mais forte que me veio a mente foi a suástica e o nazismo.

    Dentro desse raciocínio, estou me questionando qual seria o efeito de se consagrar um objeto com um forte simbolismo, em uma energia contrária/dispare.

    /o/

    @Coloradoteus: Faz os testes, vamos ver que que rola 🙂

  9. Magick

    Revendo o texto acima, imaginei, o que será que aconteria se fizesse uma “consagração de objeto” em um papel com um sigilo pictórico e depois o carregasse (o sigilo)?

    @Coloradoteus: Ajuda na energização pois o objeto já está carregado com sua energia.

  10. Franco-Atirador

    Arriscando eu ousaria responder que: Se você tiver uma galera poderosa, ou seja, que saiba o que está fazendo, com uma boa bagagem de conhecimento e de Vontade, você pode meio que pegar emprestado TODA AQUELA energia que o símbolo já possui, o que penso que era o caso de Hitler e seus capangas, que não eram nada bobos quanto à magia; senão pode se ferrar. Agora, de que forma isso ocorre, se é através de uma quantidade de energia que vai se infundindo no inconsciente das pessoas e essa energia passa a mover povos com base em sua bagagem de significado original (que no caso era de bondade, sabedoria e amor, ou seja, muito poderosa) como sempre fez, e só a parte superficial das pessoas é que é deturpada com a ideologia maligna (como a cereja de um bolo) como uma espécie de hipnose do consciente e infusão de energia no inconsciente, afim de robotizar e manipular as pessoas, usando a energia do símbolo como a mão do fantoche e a ideologia falida como arminhas nas suas mãozinhas de pano, aí eu não sei… Talvez Colorado Teus possa elucidar.

  11. Mauricio

    Excelente texto. Mas fiquei com uma duvida.
    Se eu consagrar um objeto, um pingente por exemplo, e, enquanto estiver usando ele no pescoço outra pessoa toca-lo, a consagração é perdida?

    @Coloradoteus: As energias são alteradas, melhor não deixar ninguém tocar 🙂

    1. Mauricio

      @Coloradoteus, e em relação a magnetização com mantras?
      Estou magnetizando um japa mala com um mantra, se alguém tocar nele as energias também são alteradas?
      Obrigado pela paciência XD

      @Coloradoteus: Sim, são alteradas, não quer dizer nem que é pra bom ou pra ruim, são alteradas…

  12. Geison

    Parabéns pelo texto. Vi que você já comentou sobre os planos, mas na teosofia considera-se essa ordem: Físico(Etérico incluso) – Astral(Emocional) – Mental(Inferior – concreto) – Causal(Mental Superior – Abstrato) – Búdico – Átmico(Obras de Arthur Powell) com seus subplanos. Percebi que você colocou diferente. Você discorda? E pq?

    @Coloradoteus: As palavras possuem significados diferentes dentro de egrégoras diferentes, os planos referidos são os mesmos mas explicados com palavras (símbolos) e precisão diferentes 🙂

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