Ordem DeMolay e a Rio+20

O primeiro dos grandes eventos que ocorrerão no Brasil nos próximos anos está acontecendo neste momento: a Rio+20, que celebra o aniversário de 20 anos da ECO-92 e pede a atenção dos governantes e líderes mundiais em relação ao que foi feito e aprendido nos últimos 20 anos, ao que ficou apenas no papel ou teve avanço tímido e, mais importante, ao que a humanidade pretende fazer nas próximas décadas para seguir o caminho da sustentabilidade.

A Ordem DeMolay, com seu propósito de incutir nos jovens rapazes de 12 a 21 anos elevados ideais e grande senso cívico, não pode ignorar o contexto das reuniões entre estudantes, diplomatas, empresários e políticos nem deixar de discutir sobre o papel dos líderes para o advento do desejado verdadeiro progresso harmônico.

 

Espetáculo x realidade

 

Enquanto a maior parte das pessoas acompanha os dias da Rio+20 pelos noticiários na televisão e na internet, por estudar no Rio de Janeiro tenho o privilégio de testemunhar várias das discussões em primeira mão e até de participar de uma ou outra. Gente de todo o Brasil e de todo o mundo apresentando nos pavilhões e passeando entre os estandes, as mesas redondas e os salões; espaço para quem propõe ciclovias em toda a cidade e para os projetistas de Belo Monte se defenderem utilizando números; português, francês, inglês e espanhol sendo empregados francamente para que ideias sejam trocadas.

No entanto, duas tendências negativas tornam-se muito nítidas à medida que os dias passam. A primeira delas é que muita gente está mais interessada em aparentar estar preocupada do que realmente se preocupar com o tema do evento. Diversos discursos genéricos, com palavras vagas e sem qualquer indicação de plano de execução, podem ser escutados tanto na Cúpula dos Povos quanto no Riocentro.

Engana-se, porém, quem acha que essa retórica vazia é exclusividade dos políticos. Participantes com afiliação a ONGs competem duramente pelo prêmio de “mais palavras sem nada a dizer”. Todo mundo concorda que é preciso trabalhar e agir logo pela sustentabilidade do planeta, mas existe uma parcela que só quer incluir no currículo que esteve presente na Rio+20 e “debateu muito sobre o assunto, em busca de uma solução de amplo alcance e de longo prazo”.

Felizmente, essa parcela não é a maioria – mas não se anime rápido demais. É que a grande maioria dos que restam caem na segunda tendência negativa: não sabem o que é a tal sustentabilidade.

 

Desenvolvimento sustentável

 

Basta uma volta no Aterro do Flamengo, onde está a Cúpula dos Povos, ou participação em dois ou três debates com especialistas para notar que a percepção de sustentabilidade como preservação da fauna e da flora do mundo é quase unânime, com a presença de vários projetos de defesa de espécies ameaçadas e de redução do desflorestamento.

Contudo, este é um conceito pobre e verdadeiramente ultrapassado do que se trata sustentabilidade. Há 20 anos, na ECO-92, era mais do que natural que diversos participantes tivessem essa mentalidade; o ambientalismo estava ganhando força e a preocupação com a camada de ozônio e o efeito estufa começava a dominar as discussões climáticas, ao mesmo tempo em que o mundo parecia tomar consciência, enfim, de que a Amazônia e as demais florestas não eram mágicas e, portanto, não tinham capacidades de regeneração fantásticas que compensariam o trabalho de madereiras e agropecuaristas.

Nestas duas décadas, o mundo aprendeu que precisamos de energia para nossas cidades e de meios de nos comunicar e de viajar e que o retorno para uma época de assentamentos primitivos não é nada além de irreal. O objetivo passou a ser garantir o desenvolvimento sustentável, progresso em direção a políticas públicas amigáveis ao meio ambiente – que deixou de ser visto apenas como a fauna e a flora, mas englobou o artificial e o virtual.

O progresso, portanto, não deixou de ser medido em ganhos à economia, mas passou a incluir outros indicadores, como impacto no meio ambiente e efeito sobre o bem estar e a felicidade da comunidade. As mudanças a serem implementadas no planeta devem permitir crescimento econômico aliado à melhoria na qualidade de vida.

 

Excessos

 

Em uma discussão entre múltiplas partes, o objetivo sempre deve ser o consenso, jamais tentar dobrar o mundo todo à sua vontade. Argumentos contundentes, números e fatos de apoio, abordagem sincera e amigável – tudo isso é essencial para que a negociação não se transforme em uma severa batalha.

“Pecar pelo excesso” não é uma expressão à toa. O PIB não é o único número que importa, mas tampouco é o número de mudas de pau-brasil plantadas no ano passado. Diversos antepassados nos ensinaram que o caminho do meio é o mais seguro e que o equilíbrio interno é a fonte primordial para gerar o equilíbrio externo. Pessoas que discutem com o intuito de converter e dominar os interlocutores jamais serão eficientes em influenciar positivamente os rumos da humanidade.

 

Liderança e juventude esclarecida

 

É justamente nesse ponto que a Ordem DeMolay encontra seu papel. Em meio a um debate sobre a necessidade do desenvolvimento da infraestrutura de transportes tanto para reduzir o tempo de comutação dos habitantes da cidade como para melhorar a distribuição da população das metrópoles, um dos participantes ressaltou que não temos exatamente falta de ideias, mas falta de líderes que se mostrem confiáveis e convincentes, com um plano muito claro e a capacidade de agregar colaboradores empolgados com metas factíveis e ideais inspiradores.

Os jovens líderes DeMolays podem cumprir esse papel com grande sucesso, apoiados pelas Sete Virtudes Cardeais e pela defesa das Liberdades civil, religiosa e intelectual. Essa liderança apenas se concretizará com o cumprimento de dois requisitos: o primeiro é que os DeMolays sejam esclarecidos, conheçam o assunto e entendam em detalhes o alcance de cada medida e como a transição entre um mundo capitalista para um mundo sustentável deve ser realizada. O segundo é se apresentar para a tarefa – na comunidade, nas empresas, nas escolas, nas faculdades, nas igrejas e nos partidos políticos, entre os militares, os médicos e os comerciantes.

Ser líder pela causa do bem em todo o campo em que participa e utilizar da melhor maneira os recursos que tem à sua disposição é o que se espera de um DeMolay.

Hugo Lima é Sênior DeMolay do Capítulo Imperial de Petrópolis, nº 470.

Virtude Cardeal é uma coluna com o propósito de desenvolver a reflexão sobre características fundamentais de todo DeMolay, bem como apresentar a Ordem aos olhos dos forasteiros.

Este post tem 4 comentários

  1. Folha Verde

    Sinceramente, eu tenho esperança que, se a natureza nos der esse tempo todo, através da conscientização possamos mudar o jeito das coisas em um futuro próximo (de 100/150 a 200 anos, sendo otimista)… por que uma coisa eu sei: essa mudança não acontecerá nos próximos 50 anos. Essa geração não vai ver um mundo mais limpo e equilibrado.

    Os poderosos haverão de usar todas as suas armas pra manter o controle. E eles já são especialistas nisso. Os povos têm milhares de anos de escravidão nas costas e ainda estão bem longe de querer saber que eles têm o poder de ser livre.

    Acredito que a missão dessa geração é esforçar-se ao máximo para elevar o nível de conhecimento e equilíbrio espiritual, trazendo bom senso e preparando assim uma base sólida na qual a próxima geração possa levantar paredes e colunas.

    As pessoas estão totalmente acomodadas… apaixonadas por suas coisas, muitas amam mais uma caixa cheia de fios com uma tela de vidro, do que uma árvore ou um bicho do mato… ou a si mesmas. Essa situação não mudará tão cedo. Façamos o máximo agora, pra ajudar os que descerem no futuro.

  2. Lagos Enfileirados

    Cumprimentos. Não pretendo de forma alguma discutir o mérito do texto, inquestionável.
    No entanto, queria pegar num viés dele.
    O sr. fala “(…) com seu propósito de incutir nos jovens rapazes de 12 a 21 anos elevados ideais (…)”
    Penso no verbo incutir e no que ele representa em termos educacionais. Não discuto quem faz a ação, nem o propósito da ação, e nem quem a recebe, mas a forma, o método. Eu tenho quase certeza que o método é outro, mais para a partilha de situações de ensino-aprendizagem do que “incutir”.
    Se assim for, não estaria na hora de trocar o verbo?

    Hugo – O verbo que utilizei é o verbo que eu desejava utilizar. Penso que distinções entre termos são válidas até certo ponto, a partir do qual passam a ser excesso de zelo. Compreendo a sua visão, mas não vejo necessidade de escolher algo que seja absolutamente representativo.

  3. Marcio

    Olá!
    Acredito que estejamos ainda no processo de volta do pendulo da história. O movimento ecologico dos anos 60, assim como vários outros, o feminismo por exemplo, são reações newtonianas a um periodo de inocencia e desinformação que gerou desequilibrios. Portanto, são um começo de uma preocupação maior com questões de responsabilidade com o organismo vivo que é todo o planeta. Por ser ainda o começo ele pode soar pueril e sem efeitos imediatos, mas é essencial que ele exista. As vezes o tempo histórico é maior que nossa percepção , acredito, e o processo no fim das contas, ao meu ver, deve ser o da mudança de mentalidade em relação ao consumo e ao uso tecnologico dentro de um mercado economico que não tem responsabilidade com o bem estar, e sim um compromisso insano com o valor abstrato e especulativo, e o lucro abusivo. Mas acho que demos os primeiros passos para mudarmos o pensamento vigente em relação aos modelos politicos obsoletos, corporações covardes e para enxergarmos todo o corpo vivo de qual somos células chamado Terra.
    Perdoem-me se não me fiz claro, é q eu escrevo mal pra burro…
    Abraços…

  4. Marcos Paulo''

    Olá Tio/Irmão!Sou um recem iniciado na ordem demolay( fui iniciado a menos de uma semana, tenho apenas o ritual branco do socdb q me foi emprestado até chegar o meu oficial ).Primeiramente gostei bastante da DeMolay e da cerimonia de iniciação.Porém tenhos algumas perguntas:
    1-A ritualistica da DeMolay é baseada na cabala ( eu li uma vez o mdd comentando mas depois nao achei mais onde no site ele falou )?

    Hugo – A Ritualística DeMolay é tão baseada na Cabala quanto qualquer outra ritualística. =)

    2-Se sim,onde q eu passo ler ( conversar ) mais sobre isso?Pq acho q diferente da maçonaria a DeMolay não tem livros publicados falando da relação esoterica/cabalistica da ordem/ritual.

    Hugo – Existem alguns textos espalhados pela internet, mas, de fato, não temos livros publicados sobre o assunto – ainda. Material sempre está sendo produzido. Busque pelo Secretário de Ritualística do seu estado ou mande um e-mail para a Comissão de Ritual, Liturgia e Jóias do Supremo.

    3-Admitindo q existe essa relação,tentei traçar uma relação com as setes virtudes cardeais e as sete sephiras abaixo do abismo,como se fosse o contrario dos 7 “pecados capitais”.Isso procede?

    Hugo – O contrário dos defeitos capitais são as virtudes planetárias. Existe um artigo do Tio Marcelo tratando sobre isso, Se7en. A relação entre as Virtudes cardeais e as sete Sephiroth abaixo do abismo podem ser feitas se você tiver um bom conhecimento tanto da Ordem quanto da Árvore da Vida. Um bom passo inicial é compreender que cada Virtude representa uma faceta do Amor [o que não significa que o Amor tenha apenas estas sete faces, ok?].

    4-Vc sabe se o capitulo DeMolay Madras aquele q o MDD faz parte do conselho estará funcionando em julho?O meu sairá de ferias em julho ai queria visitar a Madras se ela estiver funcionando em julho.

    Hugo – Geralmente, os Capítulos entram em recesso em julho. Peça ajuda a um Irmão do seu Capítulo para entrar em contato com o pessoal do Capítulo Madras, nº 663.

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