O poder do mito na cura

Vamos neste post olhar através da estrutura mítica das “curas mágicas”, chamadas cientificamente de efeito placebo. Mas antes, devemos desconstruir a idéia de que mitos são criações de povos atrasados ou formas rudimentares de produzir conhecimento. Mitos são produtos de uma das mais incríveis habilidades humanas, que é a de criar histórias.

No atual estado da ciência, nada permite afirmar a superioridade ou inferioridade de uma classe ou grupo sobre o outro. As propriedades psicológicas particulares de cada povo relacionam-se com circunstâncias geográficas, históricas e sociológicas, não com aptidões ligadas à constituição biológica de brancos ou negros, americanos ou asiáticos, hetero ou homossexuais. Ao contrário do que algumas doutrinas costumam afirmar, não existem povos primitivos ou atrasados na evolução.

Todos os povos recentes humanos estão, a priori, nos mesmos graus evolutivos. Uma tribo indígena não está atrasada em relação a um norte-americano moderno. A diferença é que um povo está direcionado a uma vivência mais natural enquanto outra em uma forma mais tecnológica. Não há como julgar uma sociedade com os valores de outra. Além de que, convenhamos, alguns mil anos não são nada em termos de filogênese. O que podemos dizer é que o ser humano atual é mais evoluído que os antigos hominídeos em matéria de adaptação da espécie.

Segundo o antropólogo Claude Lévi-Strauss, o progresso “procede por saltos, ou, tal como diriam os biólogos, por mutações. Estes saltos não consistem em ir sempre mais longe na mesma direção; são acompanhados por mudanças de orientação, um pouco à maneira dos cavalos do xadrez que têm sempre à sua disposição várias progressões mas nunca no mesmo sentido. A humanidade em progresso nunca se assemelha a uma pessoa que sobe uma escada, acrescentando para cada um dos seus movimentos um novo degrau a todos aqueles já anteriormente conquistados, evoca antes o jogador cuja sorte é repartida por vários dados e que, de cada vez que os lança, os vê espalharem-se no tabuleiro, formando outras tantas somas diferentes. O que ganhamos num, arriscamo-nos a perdê-lo noutro e é só de tempos a tempos que a história é cumulativa, isto é, que as somas se adicionam para formar uma combinação favorável.” (Raça e História, pág. 9).

Todos os ritos, mitos, ou religiões, por mais bárbaros que sejam ao nosso ponto de vista, respondem a alguma necessidade humana. Todo pensamento é lógico e cada técnica, de modo particular, produz uma linguagem, baseada em algumas regras universais que voltarei a tratar em um post futuro, dando sentido a algum tipo de experiência.

O sentimento religioso
Os crentes não procuram na religião o pensamento racional ou o conhecimento que a ciência pode oferecer, mas sim representações que o ajudem a viver e que dêem significação a sua vida. Os mitos e as religiões concedem ao homem uma força a mais para poderem enfrentar as dificuldades e os desafios da existência.

O que a ciência deve questionar na religião não é o seu direito de existir, mas sim o direito de dogmatizar os seus conceitos ou de atentar contra os direitos humanos. Não há como dizer que a ciência também está isenta de crendices. Se hoje aceitamos qualquer coisa que traga o título de “cientificamente comprovado” é porque temos fé na ciência. Fé em que os métodos científicos funcionam, de que cientistas são pessoas instruídas, aptas para suas funções e que não existe nenhum interesse econômico por trás das descobertas científicas.

Eficácia dos símbolos

“Magia é a arte manipular signos pra mudar a consciência das pessoas” Alan Moore

Um xamã, um pastor ou um espírita está, dentro de seu sistema, dando uma medicação psicológica. Essa medicação se desenvolve em cura através de uma história mítica em que o corpo ou os órgãos do doente é o espaço onde essa encenação ocorrerá. Não há distinção do que é realidade ou místico, sendo ambas tidas como verdadeiras tanto pelo curador quanto pelo curado.

Que as curas mágicas não tem explicação dentro de uma realidade objetiva não há problema, pois o doente acredita nela e é membro de uma sociedade que também acredita. Espíritos protetores, demônios e outras entidades sobrenaturais fazem parte de uma concepção coerente de universo para algumas pessoas. O que elas não aceitam são as doenças incompreensíveis e as dores arbitrárias.

Na religião, crença e realidade se unem numa relação causa-efeito. Não é somente explicada a susposta causa de seu sofrimento, mas ele também sara. Isto não se produz em nossa sociedade quando tentamos explicar com bactérias, vírus ou micróbios. Os mais céticos podem até afirmar que micróbios existem e entidades não, mas acontece que a noção da existência de micróbios pode parecer estranha ao paciente enquanto a ideia de entidades pode apelar diretamente para o que ele ouviu existir desde a sua infância.

É uma questão de simbologia: o xamã, pastor ou espírita que assume o papel de mestre em cura fornece uma linguagem acessível a população de forma geral, provocando a reorganização do sistema fisiológico do paciente. Isso constitui um mito que o doente deve viver: o mito individual de superação. O doente não poderia se ver curado se não houvesse realmente uma eficácia neste método. Assim como as curas espirituais não se manteriam em prática até hoje se não possuissem algum efeito misterioso.

Bibliografia indicada:
As formas elementares da vida religiosa, o sistema totêmico na Austrália. Émile Durkheim
Raça e História. Claude Lévi-Strauss
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Igor Teo é Psicólogo e Psicanalista. Veja mais em seu site.

Este post tem 17 comentários

  1. raph

    O efeito placebo geralmente é evocado pelos céticos quando eles em realidade querem dizer “não sabemos como diabos isso ocorre, mas é meramente um efeito mental”… Ou seja, o mesmo que ignorar, ou no mínimo se abster de investigar mais profundamente as causas (não que isso seja fácil, até mesmo porque a investigação do efeito placebo esbarra na subjetividade, e a ciência “oficial” não suporta ter de “abandonar” a objetividade sequer por um momento).
    Já sobre a evolução, eu acredito que caminhe sempre a frente sim. No entanto, só podemos compreender isso em uma análise de séculos e séculos, e não de décadas ou anos. Hoje se vai ao Coliseu ver um jogo de futebol, a 2 mil anos viam-se feras devorarem homens… Algums coisa andou, e foi adiante, não para trás.
    @Teo – E os hooligans? O problema é esse: nós sempre vamos dizer que a nossa sociedade é a mais evoluída.
    Eu compactuo da opinião do Lévi-Strauss. O que uma sociedade avança em um ponto, não avança em outro. Existirá outra que avança no ponto em que a primeira deixou de lado. Depois de milênios a história se torna cumulativa, e a soma dos vetores produzem um resultado positivo.

    Abs
    raph

    1. raph

      Bem os hooligans hoje são minoria. É claro que sempre existirão os retardatários, até mesmo porque uns se vão e deixam lugar para outros que precisam, mas no geral há uma enorme diferença entre a aceitação aberta de toda uma sociedade de um “esporte” em que feras devoram homens a vista de todos, e uma aceitação de “alguma violência eventual no futebol”… Não gosto de relativizar a evolução da nossa sociedade, principalmente porque nesse momento não teremos muitas chances de começar de novo. Há uma globalização em andamento, para o bem ou para o mal.

      1. Eberson

        E no caso das lutas de estilo livre, com nível de violência absurdo (chamam isso de esporte); a evolução permite que o homem seja tão brutal e ao mesmo tempo aplaudido por multidões em nosso mundo contemporâneo?
        Particularmente, não acredito em evolução homogênea da sociedade, mas sim individual.
        Há pessoas em diferentes patamares em relação ao desenvolvimento espiritual, mesmo vivendo num mesmo grupo, país, região.
        Em geral, não consigo conceber que o mundo como um todo esteja melhor do que na idade média.
        Ao que tudo indica (me baseio em fatos do dia a dia), estamos em decadência espiritual e cada vez mais destrutivos.
        Por outro lado, ainda acredito que é possível reverter o quadro, mas isso é um projeto de longo prazo.
        Essa “legião” que o MDD está conduzindo contribuirá e muito para essa mudança. =)

    2. livio

      Tem um termo, “normalidade deslizante”, que descreve exatamente, tendências escondidas sob oscilações extremas, como por exemplo, as mudanças das temperaturas na superfície da terra.

      1. Rafael Arrais

        Exato. O que a globalização da informação nos trouxe foi um culto aos extremos, de modo que todo dia quando vemos o jornal, estamos na verdade sabendo sobre aqueles que fazem mais “barulho”, pois nossa sociedade ainda não evoluiu, como um todo, o suficiente para conseguir “filtrar o barulho” e descobrir as belas notas suaves que existem por detrás dele.
        Se não estivéssemos melhor hoje, a escrevidão ainda seria aceita por todos, as mulheres ainda não teriam alma, e muito menos os animais… As penas de morte seriam corriqueiras e ninguém acharia muito estranho, e sobretudo ninguém teria muita liberdade para reclamar em todo caso.
        Dizer que hoje continua tão ruim quanto a séculos atrás é desmerecer o trabalho, a luta, o pensamento de grandes seres, desde Sócrates a Gandhi, que efetivamente mudaram o mundo.
        Afinal, todos os dias seres são assiassinados, estuprados e torturados. Mas todos os dias seres também são caridosos, há médicos que se arriscam a atender em zonas de guerra, há voluntários visitando asilos, creches, hospitais, etc. Só que a mídia só mostra o “barulho” dos primeiros, e os últimos parecem fantasmas que não existem – apenas ouviu-se dizer.
        Mas, lá de cima, eles veem, eles sabem. E, se estamos aqui trazendo alguma luz, é porque antes a vimos de lá, e agora a estamos apenas refletindo de volta… Eu honestamente não consigo relativizar isso, nem um pouco.
        @Teo – Eu entendo, Raph. Essas discussões são muito construtivas, ainda mais quando são tratadas com respeito mútuo entre seus participantes. Uma coisa que raramente acontece lá fora, a gente está experimentanto aqui no TdC.
        Mas levanto uma questionamento para você, que não precisa me responder, até porque não há resposta possível de determinarmos: sabemos que a história que estudamos é a história dos vencedores, sendo assim, será que da mesma forma que existiram sempre pessoas “más”, também existiram sempre pessoas “boas”? O que quero dizer é: será que pessoas como Jesus, Gandhi, Sócrates e companhia sempre existiram em todos os povos, mas suas existências foram de alguma forma apagadas por aqueles que dominaram os outros? Por exemplo, será que quando os cristãos dominaram os novos mundos, os primeiros antropólogos não esconderam muita “bondade” e se esforçaram em reforçar somente as imagens negativas? Assim como essa imagem de que Vikings são pessoas grotescas e violentas e de que gregos são belos e inteligentes… Não devemos esquecer que a história é contada pelos vencedores.
        Enfim, nunca saberemos a resposta. Mas é bom sempre pensarmos nessa possibilidade.

        Abs
        raph

        1. raph

          Oi Igor,
          Conforme imaginei, estávamos a discordar porque não compreendemos bem a nomenclatura que um e outro deu a “evolução”.
          No que tange a diferença entre os povos, concordo plenamente que TODOS os povos tiveram sim os seus sábios, e nenhum povo foi consideravelmente superior ou inferior ao outro nesse quesito, desde que tenha alcançado a condição de uma tribo onde todos compreendiam que deveriam se ajudar mutuamente, nem que fosse apenas para caçar de modo mais efetivo.
          Mas, para ilustrar melhor o que quero dizer em relação a evolução moral (ou espiritual, ou algum outro termo que não a vai definir muito bem em todo caso, pois palavras são apenas as cascas das essências), cito aqui a carta do Chefe Seattle:
          http://textosparareflexao.blogspot.com/2008/05/palavras-do-chefe-seattle.html
          Quem eram, portanto, os mais evoluídos? Os americanos conquistadores, ou os índios a defender a terra (não a SUA terra, APENAS “a terra” mesmo)?
          Me parece óbvio que os índios teriam muito a ensinar a esses “civilizados” que os exterminaram… Porém, isso não invalida minha tese de que “apesar de tudo, como um todo, ainda estamos caminhando a frente”. Não significa que os historiadores estejam todos corretos, na verdade provavelmente estão mais errados do que corretos, e também sei que infelizente perdemos muitos povos sábios para a “máquina compressora da civlilização”…
          Mas seus espíritos ainda estão por aí, a nos auxiliar, e é muito graças a eles que sou otimista quanto ao amanhã.
          Abs
          raph
          @Teo – Compreendo. Gosto de lutar contra qualquer generalização que nos leve a ideais etnocêntricos e pouco humanistas. Com isso, acabo discordando de muitas doutrinas de lema positivista. As idéias de pureza e evolução como bem maior estão tão disseminados em nosso pensar que não questionamos, por exemplo, se o discurso de que “o planeta está em transição e aqueles que não estão evoluídos o suficiente serão expulsos dele” esconde um princípio eugenista.
          Se estamos aqui neste planeta é, como você falou em outro comentário, para nos unirmos, e não segregarmos as diferenças.

          1. raph

            “o discurso de que “o planeta está em transição e aqueles que não estão evoluídos o suficiente serão expulsos dele” esconde um princípio eugenista.
            Se estamos aqui neste planeta é, como você falou em outro comentário, para nos unirmos, e não segregarmos as diferenças”
            Existe muita verdade nisso, realmente. As vezes, por “evolução espiritual” as pessoas compreendem nada mais do que um “grupo que será salvo”, o que não é muito diferente da noção superficial de Céu e Inferno – o Céu sendo o mundo de amanhã, e o Inferno sendo algum mundo inferior onde “os pouco evoluídos serão banidos”… Quanta ironia, eu fico imaginando se aqueles que um dia aqui chegaram, também banidos, não se julgavam “evoluídos” em seu mundo natal…
            Por isso que eu digo que só entraremos em algum Céu de mãos dadas. Pois se aqueles convidados não puderam estar presentes, nós teremos de ir a busca deles, para “os trazer de volta” nós mesmos… E nós faremos isso exatamente porque estamos no Céu, e essa compaixão nos seria algo natural.
            Abs
            raph

          2. thibas

            olás!
            acho que o ponto a ser discutido aqui está confuso…de nada adianta comparar a sociedade de hoje com a sociedade de antigamente, pq não são a mesma sociedade… se quisermos analisar a evolução de uma sociedade, analisemos então a evolução daqueles que são os formadores da sociedade, os homens… quem evolui não é a sociedade, é o homem…querer comparar se a sociedade de hoje é mais evoluida que a de antes não adianta nada, pq são homens diferentes…
            os homens das sociedades antigas fazem parte da sociedade de hoje? talvez…uns sim, outros não mais…provavelmente estes que ainda continuam, que antes eram os assassinos estupradores, são os médicos sem fronteiras de hoje (to generalizando, eu sei rs)…mas provavelmennte a maior parte dos homens da sociedade de hoje não fazia parte das sociedades de antes…estes últimos estão no trabalho duro algumas centenas, talvez milhares de anos antes…
            mas uma coisa em comum entre todos esses homens, que existe desde as sociedades de antes, é o egoísmo…e enquanto existir um resquício de egoísmo nos homens, sempre haverá espaço para assassinos , estupradores, torturadores, e todas as outras manifestações possíveis de egoísmo, não importa o “tempo” que for…pq não existe egoísmo melhor ou pior… egoísmo é egoísmo.

  2. Agricultor

    Eu queria muito saber, do ponto de vista oculto, se os micróbios e outros seres unicelulares (protozoários, fitoplânctons, etc) possuem um corpo astral próprio ou eles são como “plantas”, apenas com corpo etérico e prana?
    @Teo – Ao meu ver, como se situam de forma intermediária entre plantas e animais, eles possuem sim uma essência etérea um pouco desenvolvida. No entanto, ainda não há uma individualidade bem definida e só respondem à estímulos de maneira muito simplista.

  3. Flávio

    Tenho poucos dados sobre o assunto e comento fazendo uma explanação de cunho opinativo e especulativo.
    Conquanto “Cura” seja um ponto de ênfase por organizações espiritualistas, não me admira perceber que, em sua maioria absoluta, tais organizações dizem-se paralelas ao tratamento físico “padrão” da sociedade.
    Posso então sugerir que “curas paralelas” são fruto, assim como eram as curas por sangria, da própria força do organismo sob sugestão, porém, para adicionar fatos que possam ser, ou não, úteis ao raciocínio, pergunto: Não poderiam esses métodos contribuírem para o agravamento da doença, já que o doente, iludido com o fato de sua cura ter causas sobrenaturais, pode abster-se de medicamentos “padrões” quando passar a se sentir minimamente bem?
    Ora, seria natural pautando o que o sugestionamento pode levar um ser humano a fazer. Ou a ver.
    O texto bem delibera quanto à Moral das sociedades. São por evidência variáveis em qualquer uma dessas, exemplo: é hoje aceito na sociedade brasileira que dois jovens se “amassem” em público. Seria a 70 anos atrás? Dificilmente. Se partimos da definição de Moral como “o conjunto de costumes de uma sociedade” era costumeiro saquear os reinos vizinhos na Idade de Homero. Evolução seria simplesmente adaptar-se a situações físicas e de consciência de dada sociedade, por exemplo: em uma sociedade tecnológica “evoluído” é faz total uso dessa. Em uma sociedade de Informação quem consegue selecionar as mais relevantes, e, se possível refutando as irrelevantes.
    Agradeço a atenção, desculpando-me por possíveis ofensas – acidentais – ocorridas no percurso da linha do pensamento.
    @Teo – Imagina. Seu pensamento está coerente.

    1. César

      Não poderiam esses métodos contribuírem para o agravamento da doença, já que o doente, iludido com o fato de sua cura ter causas sobrenaturais, pode abster-se de medicamentos “padrões” quando passar a se sentir minimamente bem?
      No caso dos espíritas isso não acontece, pois eles trabalham em conjunto, com remédios padrões e passes ; Mesmo para doenças mentais eles não aconselham parar nenhum tipo de tratamento.
      Um cuida do corpo físico, outro do corpo espiritual… é como se um tratasse de baixo pra cima e o outro de cima para baixo e no final se encontrassem…
      @Teo – É muito pertinente o seu comentário. É bom, antes de mais nada, deixar claro que em nenhum momento do texto eu disse para abandonarmos as medicinas em favor das curas mágicas. Eu só levantei a questão de que algumas vezes elas apresentam uma eficácia maior de que os métodos convencionais. Na minha opinião, não devemos trocar uma em favor da outra, mas atuar com as duas em conjunto.
      A medicalização, do mesmo modo, não representa uma cura definitiva. Principalmente em questão de doenças nervosas.

  4. Márcio

    A mentalidade/cultura que as pessoas são criadas impedem elas de verem que o resto é simplesmente diferente e não inferior. É preferível ver um leão devorando uma pessoa do que as indústrias sendo um câncer para o mundo… Não é a conexão wi-fi, seu carro novo ou seu microondas que dizem que você está evoluído, tudo isso são simplesmente MUDANÇAS que a mídia/cultura/sociedade fizeram-nos engolir como NECESSÁRIOS e EVOLUÍDOS.
    Eu compartilho a sua opinião e a de Strauss, e sou até mais radical… Eu acredito que no nosso mundo físico não existem evoluções, somente mudanças… Mudanças e adaptações… Fica difícil para alguns conseguir entender que nossa tecnologia atual comparada ao homem das cavernas não é uma evolução, mas quando se pensa a fundo sobre a questão de adaptação pode-se perceber justamente isso… São contextos diferentes, histórias diferentes, necessidades diferentes, coisas completamente diferentes em espaço-tempo diferentes… Uma coisa nunca é a evolução da outra analisada em contexto próprio. Lembrando que falamos das sociedades, da cultura e das coisas terrenas…
    @Teo – Exatamente! Concordo contigo. Eu uso o termo evolução de acordo com a teoria original de Darwin, onde evolução significa exatamente isso que você falou: adaptado, nem melhor, nem pior, somente adaptado ao ambiente.
    Sobre o texto… Funciona (de um modo geral) não funciona? Então… As pessoas substituíram Deus(es) pela ciência… Antes acreditava que um Deus fazia chover, hoje se acredita que a ciência faz chover! Afinal ela tem a resposta para tudo e tudo que vem dela é intocável e verdade (termo que odeio) absoluta!
    O homem tem necessidade de explicações para sua vida, de sentido… Não importa quem as forneça… Engana-se quem realmente acha que os ateus, ou os homens da ciência são diferentes de um religioso… Eles simplesmente arrumaram uma outra maneira mais comoda a eles de explicarem suas vidas… A questão é que vem se dando muita importância em como as coisas funcionam e não SE elas funcionam!
    Se a coisa funciona, mas não conseguem explicar, é charlatanismo, é crendice, é misticismo, é imaginação, é efeito placebo… São mil e uma desculpas… Se funciona e explicam, é ciência e todos têm que acreditar, porque foi provado pela deusa ciência!
    Não digo que não se deve buscar o significado, o porque, o como… Mas não se deve cegar sua mente e seu coração em busca disso, deve haver um equilíbrio entre a busca da “verdade” – o porque – e a “fé” – it works…

  5. Ana

    Ainda assim eu acho meio complicado criticar a ciência. Pode-se até dizer que a ciência é um tipo de crença, mas se levarmos as coisas a esse extremo, quase tudo depende de uma crença. Você precisa crer até mesmo na realidade.
    A ciência tem sua merecida credibilidade. Enquanto ao fato de que esta ‘descredita’ inúmeras práticas, conspirações a parte, até energia elétrica já foi considerada algo “sobrenatural”.
    É uma visão tendenciosa e por vezes simplista a de que “ciência é apenas a nova fé, e ainda se sobrepõe à religião”. O que a religião fez? Dogmatizou, escravizou, matou. E a ciência? As máquinas de hemodiálise.
    O grande problema é quando esta ciência, capaz de fazer o que muitos há séculos chamariam de milagre, age com ignorância para com outras práticas. Ignorância esta que muitas vezes é resultado de uma série de manobras corporativistas. Tesla é um dos melhores exemplo disso.
    @Teo – Concordo. Não estou querendo santificar um e demonizar o outro. O que defendo é que o saber científico está comprometido com o interesse de alguns grupos em manter a ordem social. Existem máquinas de hemodiálise, vacinas, energia elétrica, entre outras modernidades, mas eles não estão distribuídos de forma igualitária para a população.
    Um exemplo que acho ótimo é o ar condicionado: como ele torna nossas vidas dentro dos escritórios melhores, né? O problema é que ele é uma máquina térmica invertida, ou seja, para resfriar a sala, ele torna o ambiente externo muito mais quente. Quem sofrerá com isso será os habitantes das ruas, ou qualquer outro que não tenha a oportunidade de ficar no ar condicionado 24 horas por dia.

  6. Vinicius

    Bacana a forma como você enxerga a evolução Téo. Particularmente eu não me sinto confortável com as ciências e doutrinas produzidas naquele momento otimista e cheio de confiança da Europa e EUA do século XIX. A escola evolucionista da Antropologia mesmo dá um grande mal-estar… existe a noção de sociedades “primitivas” e “modernas” onde uma naturalmente irá evoluir até a outra e que o dever dos modernos é servir de modelo para que está começando a escalada. E doutrinas espiritualistas, pelo próprio espírito da época (espírito da época, é isso que significa Zeitgeist…) incorporaram a ideia. Sabemos hoje que não existe essa escala no âmbito das sociedades e muitas comunidades ditas simples escondem uma complexidade maior em vários aspectos que as que chamamos de modernas (e que coincidentemente são as nossas).
    Isso não significa que eu repudie completamente tais doutrinas, nem entre nas manias doidas de chamar o Kardec de racista a Helena de nazista e coisas do tipo. Só quero que dizer que o próprio espírito daquela época e do período seguinte, bem como a interpretação e uso que tiveram depois por mãos nem sempre idôneas, tornam nebulosa e meio imprudente a maneira como lidamos com esses conceitos. Particularmente eu não acredito que um aborígene australiano seja um espírito novato na Terra que deverá adquirir conhecimento para poder se tornar um filósofo europeu, por exemplo…
    @Teo – Perfeito! Exatamente isso.

    1. raph

      “Particularmente eu não acredito que um aborígene australiano seja um espírito novato na Terra que deverá adquirir conhecimento para poder se tornar um filósofo europeu, por exemplo…”
      Legal essa frase Vinícius, acho que resumiu tudo.
      Não é um cara como o Chefe Seattle que precisa estar na Terra, é a Terra que precisa de uma cara como ele…

  7. Ricardo Yukio Sato

    Onde entra o Reiki? se o “paciente” nâo precisa acreditar que ele funciona ou não,como no caso de plantas e animais.

  8. cristiano

    grato pelo texto maravilhoso!
    “é porque temos fé na ciência”
    sou da opinião de que tudo é subjetivo, a objetividade é uma ilusão
    como diria Nietzsche:
    “não existem fatos, apenas interpretações”
    não aceitar isso é um erro crasso dos materialistas e ateus

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