O Caminho Sinistro – Parte 1

Preparação
Diante da crescente torrente de absurdos vistos na internet envolvendo o Caminho da Mão Esquerda (que prefiro chamar de Caminho Sinistro, por motivo fonético e abreviativo apenas, vide adiante), nasceu a necessidade de trazer luz ao tema. E não se trata de mero jogo de palavras, há uma errônea associação compulsória do caminho sinistro com as trevas e a malignidade que deve ser desfeita durante a nossa caminhada juntos.
Não tenhamos pressa, contudo. Vamos lidar aqui com temas e conceitos que se opõem ao status quo e elementos fortemente enraizados no inconsciente coletivo, e isto NÃO é sinônimo de lesar a integridade física, a humanidade, as leis básicas ou a propriedade, de si mesmo ou de outrem. Se você entende a associação a uma ordem ou culto sinistro como um facilitador para a prática de más ações, saiba que o Código Penal brasileiro prevê tal intenção em seu artigo 288. E se você tem inclinação criminal, peço encarecidamente que pare por aqui.
Uma coisa que talvez decepcione alguns de vocês é que eu não vou dar carteirada. Não vou me esconder atrás de um nome mágico de demônio milenar, nem apresentar cargos, graus iniciáticos e títulos, pois creio ser desnecessário nesse momento. Espero que você se contente, por hora, em saber que sou uma pessoa relativamente acessível, apesar de introvertido.
Bom, vamos ao que interessa.

Meta-Percepção
Antes de qualquer coisa pare e se pergunte por que você está aqui, lendo isso. O Ego destreinado tende a responder que está aqui “porque quer”, porque assim o decidiu baseado em uma escolha pessoal qualquer, e a estes eu surpreendo dizendo que estão aqui porque eu quero. Claramente não escolhi cada leitor deste artigo, mas escolhi ter leitores, escolhi transmitir um conhecimento, escolhi a forma, o conteúdo, o veículo, enfim, criei este instante, este continuum do qual você agora faz parte para, apenas posteriormente, existir algum exercício da sua vontade. Não se trata, neste caso, de um conflito de vontades, visto que elas não se contrapõem, mas curiosamente a minha se faz manifesta e predominante desde antes da existência da sua.
Essa diferença sutil em como percebemos as coisas e seus significados é a forma que escolhi para começar nossa caminhada, pois dela vai depender não só nossa compreensão como nosso sucesso no caminho sinistro. E eis aqui a primeira grande oportunidade de exercitar a semântica.

O Caminho Sinistro
Sinistrum, forma neutra do latim clássico, significando apenas… esquerdo. Oposto a destro. As sinonímias referentes a “impróprio”, “adverso”, “desafortunado”, “funesto” e congêneres são do período pós-clássico. É perfeitamente possível um caminho sinistro ser ensolarado, florido e cheio de vivacidade, como também é perfeitamente possível que seja desolado, pútrido e nefasto. Sinistro, neste caso, apenas alude ao fato dele se encontrar à esquerda de outro.
Mas porque estamos falando de esquerda mesmo?
O ocultismo moderno pegou emprestados os termos usados no Tantra indiano para caracterizar duas correntes doutrinárias: O Caminho da Mão Direita (Righ-Hand Path; RHP; Dakshinachara) refere-se a doutrinas e/ou grupos que seguem princípios éticos, morais e filosóficos mais rígidos e conservadores, com forte tendência ortodoxa e o Caminho da Mão Esquerda (Left-Hand Path; LHP; Vamachara) refere-se a doutrinas e/ou grupos com práticas heterodoxas em sua maioria, que reforçam e induzem o questionamento e a oposição moral, não adotando estruturas éticas e filosóficas complexas.
Contudo, perceba que é um erro grotesco presumir e associar de imediato o caminho destro ao bem e o caminho sinistro ao mal, cabendo aqui lembrar que a prática do bem ou do mal é uma escolha humana individual, independente do caminho trilhado.

Os Aghori
Muitas definições em pouco tempo, certo? Para bem entender o termo, vamos evoluir com ele in loco, com praticantes do Vamachara, o caminho sinistro tântrico.
Os Aghori são devotos de Kala Bhairava, uma manifestação de Shiva associada à aniquilação… do mal. Eles se submetem em sua rotina ritualística à necrofagia, coprofagia, urofagia, caminham entre cadáveres e fazem utensílios com ossos humanos, justificando tal comportamento como uma prática não-dual, o contato com o Advaita Vedanta, o verdadeiro Eu, transcendendo através dos tabus sociais. Apesar de não serem considerados “hindus” pelos indianos em geral, os Aghori têm curandeiros reconhecidos por seus poderes ditos milagrosos. Pense na prática Aghori como uma vacina, em que você se contamina com o que quer evitar e a diferença entre imunização e infecção está simplesmente na dose e na manipulação do agente.

Fatores Históricos
Note, caro leitor, não haver menção sobre o caminho sinistro em época anterior à adoção do termo pelos textos védico e simplesmente não há outros fatores que definam com firmeza a existência da corrente antes das definições tântricas.
Mas não teriam Ahriman ou Baal seus cultos bem antes disso? Por certo que sim, mas neste momento peço encarecidamente que, se ainda não entendeu o motivo da minha pergunta, volte a ler este artigo do início. Um culto a Ahriman pode ser extremamente organizado, ortodoxo, conservador e fundamentalista (nenhuma dessas características se opõe às da entidade e, na verdade, até fazem sentido no contexto histórico e social), classificando-o na corrente doutrinária da Mão Direita. Insisto que, na grande maioria das vezes, “bem” e “mal” são definições e escolhas humanas.
E o que isso quer dizer? Quer dizer que o Caminho Sinistro não é exatamente uma “tradição”. Pra ser bem franco, é um caminho ainda em exploração e formação. Não existem ordens medievais assumidamente sinistras, por exemplo. Faço pequena ressalva para stregheria, druidismo e semelhantes, de forte inclinação heterodoxa que ainda hoje vivem se escondendo por causa dos traumas da… bom, você sabe porque.
Existem pouquíssimas ordens e/ou cultos sinistros que transpuseram ou sequer se aproximaram do seu primeiro século de existência, como a controversa Ordem Tifoniana, antiga O.T.O. Tifoniana (T.O.T.O.), que tem como base o mesmo Thelema e graus iniciáticos de outras ordens Crowleyanas não-sinistras.
Portanto, atenção redobrada com o termo “tradição sinistra” e seus semelhantes, em geral eles não são literais e não são usados para nossa geração, mas embasam e fundamentam a credibilidade dos textos para gerações futuras, quando a tradição de fato existir. Ou não.

Fatores Antropológicos
O ser humano, especialmente o moderno, tem uma forte tendência ao oportunismo, e isso é lamentavelmente notável na área do ocultismo sinistro. O conceito de oposição moral acabou por fazer pessoas de moral intrínseca duvidosa aderirem às fileiras da corrente doutrinária (vide observação sobre crime em Preparação), e fatores psicológicos e sociais deram continuidade a essa prática transformando-a em uma espécie de tendência. Hoje não é completamente errado afirmar que o caminho sinistro é trilhado por outcasts, proscritos e misantropos.
As ordens muitas vezes abraçam alguma espécie de fundamentalismo injustificado, às vezes disfarçado, o que separa ainda mais seus probandos, neófitos e (sic) adeptos do convívio social saudável. Tenha em mente neste ponto, caro leitor, que a misantropia mística exige um nível de concentração, dedicação e domínio mental altíssimos, sendo totalmente contra-indicada para o caminho sinistro sem rígida supervisão.
De uma forma geral, as pessoas buscam o caminho sinistro pelos motivos errados, buscando os objetivos errados e são, invariavelmente, enganadas. Isso tem corroborado para a rápida degeneração da corrente original, desaparecimento das ordens sérias (p.e. O.T.O. Tifoniana deixar de usar o nome O.T.O., círculos internos de outras ordens se desassociarem, recrutamento cancelado, atividades públicas canceladas, etc…), multiplicação de pequenas ordens e cultos oportunistas, crescimento e migração de egrégoras nefastas e a invariável ridicularização geral dos praticantes.

Considerações
Por hora, caro leitor, eu o convido a ficar com a imagem dos Aghori na mente para reflexão. Um povo religiosamente proscrito? Sim. Com hábitos sanitários perigosos? Sem dúvida. Mas qual é o valor prático disso? Note que eu ainda não me atenho ao valor místico, mas o prático mesmo. Quanto sabe de anatomia um Aghori em relação a um hindu que nada faz além de orar? Qual tem melhor sistema imunológico? Qual tem medo do escuro? Qual é o real valor da contaminação física e moral a que se expõem os praticantes? E talvez a questão mais pertinente de todas: você se imagina um Aghori ou ficaria satisfeito em conhecer um curandeiro Aghori quando um familiar adoecesse?
Como este é o nosso primeiro contato, vou ser breve e deixar o que está aqui pra ser digerido e debatido. Procurei usar exemplos de fácil pesquisa para aqueles que queiram se aprofundar em quaisquer dos elementos abordados no artigo.
Gostaria de aproveitar o ensejo e agradecer ao Marcelo pelo espaço e pela oportunidade, e a você leitor pela companhia.

Até breve.

Este post tem 41 comentários

  1. Carlos

    Basicamente o que tinha pensado, nem sempre seguir isso ou aquilo com sua visão social externa a respeito do assunto é saber de fato o que ele trata. Estou falando independente de seguirmos esquerda, direita, meio… isso tanto vai fazer, o que vale mesmo é a prática a evolução e o conhecimento conquistado embasado nas suas escolhas.
    Sem contar que as vezes somos tachados de loucos mesmo quando a gente tenta levar para o mundo aquela ortodoxia que pra mim é só virtual, que é do estilo “distribua beijos e abraços em público” pra mim, ambas são uma estrada de mão dupla da qual independente daquilo que é feito em cada uma, teremos tropeços e acertos, choros e sorrisos, então enfim, preocupar pra quê?
    Sem contar que em Italiano Sinistro é também esquerdo, era de se esperar de uma lingua provinda do latim.
    Sem mais dizer, bom post…

  2. Vinicius

    Muito bom o texto e muito bem redigido. Quem é o autor? Não consegui localizar. De qualquer forma, parabéns!

    @XLR – Saudações, Vinicius.
    Houve um pequeno atraso, mas agora o artigo está devidamente vinculado ao usuário. Muito obrigado pela crítica positiva.

  3. Indesterk

    O que seria a via seca e a via úmida?

    @XLR – Saudações, Indesterk.
    Sua pergunta está fora de contexto, mas como tudo aqui trata-se de iluminação e orientação, vamos lá. Antes de qualquer coisa, e isso vale para todos vocês, exercitem generosamente a semântica e a interpretação. Nem toda “via” é um “caminho”; a primeira palavra reforça o itinerário e tem essência feminina, a segunda reforça o trajeto físico e tem essência masculina.
    Especificamente sua pergunta se refere a duas vias alquímicas de confecção do Lapis Philosophorum. A Via Sicca, também chamada de via labiríntica, cujo sujeito é o Dragão Negro, é mítica e quase exclusiva de Mestres ou Irmãos por lidar com transmutações improváveis, como as que envolvem arsênico, que pode ser fatal. A Via Humida, também chamada de via dedálica, cujo sujeito é o Dragão Vermelho, é um caminho mais simples porém mais nobre, com materiais mais acessíveis. Ambas tem variações práticas e interpretativas (a via úmida pode ser associada à sefira de Netzach, por exemplo) e nenhuma delas tem embasamento puramente moral. Há ainda mais duas vias, a Mista (das amálgamas) e a Breve (dos processos não verdadeiramente alquímicos), o que faz com que as vias mencionadas não sejam ideais para simbolizar ou associar dicotomias. Espero que a resposta te ajude a continuar seus estudos.

  4. Rafael

    Caro Escriba

    Muito bom o texto. Você também é o autor do blog “Maçonaria & Satanismo”?
    O estilo da escrita é bem semelhante.
    Aguardarei os próximos textos.

    Saudações

    @XLR – Saudações, Rafael.
    Acerca dos temas aqui tratados eu escrevo exclusivamente para este blog.

  5. Ian Gil

    “Insisto que, na grande maioria das vezes, “bem” e “mal” são definições e escolhas humanas.”

    Estuprar uma mulher, por exemplo, é o “Mal”, não? Não sei se é algo intrinsecamente humano, nesse caso. Eu sinceramente acho que é esse relativismo moral e ético que acaba sujando muito o Ocultismo no Brasil (e no mundo). Penso também que, ao termos uma moral e um comportamento ético flexíveis, é que abrimos caminho para o “tudo pode”.

    Um abraço!

    @XLR – O mal empírico é um conceito absoluto; meu exemplo foi sobre uma situação específica sobre bem e mal enquanto rótulos. Leia novamente. Não há relativismo moral em tolher a liberdade de outro indivíduo, simplesmente porque liberdade não é um conceito moral. Em momento algum eu digo haver flexibilidade que viabilize a violação física, mental ou da propriedade e, inclusive, faço o oposto, alerto sobre a condição criminal desses atos. Sobre flexibilidade… os galhos que não são flexíveis se quebram com o vento, Ian.

    1. Um qualquer

      Meu caro, você tem a liberdade de pensar, fazer e agir como quer, a liberdade é toda sua do mesmo modo que os outros tem a liberdade de fazer o que quer com você.

      Você acha errado te assaltarem por exemplo, mas o assaltante pode não pensar o mesmo que você e assim vai independente do que o crime em questão for.

      Ser absolutista só vai te trazer problemas, me faz pensar por exemplo, que você deve ter muitos problemas na vida e que ninguém te ajuda pois você está certo e os outros estão errados e todo mundo só quer te foder.

      @XLR – Como eu disse acima, o mal empírico é um conceito absoluto. Independente da opinião do criminoso, o crime existe (mas crime nem sempre implica em mal, essa foi uma associação pobre). O mais importante aqui é dizer que esse argumentum ad hominem não faz sentido. Espero que todos que venham aqui sintam-se confortáveis para retornar e expressarem-se sem receio de retaliação. Tentem evitar o discurso direto inflamado contra o interlocutor. Mesmo que ele mereça. Muito.

  6. cad

    (a estes eu surpreendo dizendo que estão aqui porque eu quero. Claramente não escolhi cada leitor deste artigo, mas escolhi ter leitores, escolhi transmitir um conhecimento)..(você se imagina um Aghori ou ficaria satisfeito em conhecer um curandeiro Aghori quando um familiar adoecesse?)
    e eu escolhi entender embora que meio profundo mas nao me imagino um Aghori pore, acredito no ritual deles e creio que cada um com sua ferramenta e logico que se um dia eu precisar e se um familiar adoecer eu iria sim conhecer um curandeiro deles porque não? o que importa é a força maior que levo que é o amor independente da vertente .

    Quanto sabe de anatomia um Aghori em relação a um hindu que nada faz além de orar? Qual tem melhor sistema imunológico? Qual tem medo do escuro? Qual é o real valor da contaminação física e moral a que se expõem os praticantes?
    creio que um ou outro estão certos em alguma coisa um talvez encontre o controle e conhecimento divino e anatômico do homem só em oração mesmo como o fez Siddhartha Gautama que teve medo mas em oração superou que conheceu ate os limites de sua anatomia enfrentando a fome o frio e o medo .e os Aghori também teve a mesma forma talvez meio que nojenta aos nosso olhos mas para eles não ,respeito e adimiro. texto rico muito obrigado paz e luz

  7. Inaldson Santos Jr.

    No terreiro onde trabalho temos um pouco de caminho da mão esquerda diretamente relacionado com feitura de Quimbanda para alguns seletos médiuns. Mas não chega ao ponto de um Aghori!!!

  8. Lucas Coelho

    TExto esclarecedor. Estou aguardando a segunda parte.

  9. Marcela

    Agradeço o texto escrito. Muito obrigada.

  10. Gustavo Costa

    Obrigado por compartilhar. Imagino que os Aghori também estejam mais despertos para o fato de que o corpo tem um fim do que os que não são Aghori

  11. Fernando

    Muito bom o texto. A propósito, tem um documentário no youtube sobre os aghori (está em inglês e sem legendas, infelizmente).

    http://youtu.be/b5WqwgZvLuo

    @XLR – Saudações, Fernando.
    Obrigado pelo interesse e pela iniciativa de compartilhar o vídeo.

  12. Alexandre Dantas

    Simplesmente fantástico o artigo! Desde a sua construção e desenrolar, passando pelos exemplos simples e de fácil associação até a forma como a mensagem é passada de forma clara e direta, ainda assim guardando espaço para a reflexão!

    Parabéns!

    @XLR – Saudações, Alexandre.
    Análises positivas como a sua reforçam nossa convicção de que estamos no caminho certo. Muito obrigado por ler e comentar.

  13. Denis Fernando

    Realmente oportuno o assunto abordado, tem uma periodicidade para os próximos textos ? abcs

    @XLR – Saudações, Denis.
    Eu ainda não posso confirmar uma periodicidade pois estou em fase de mudança entre dois estados brasileiros, mas é certo que ainda vamos ver diferentes cenários neste mesmo caminho. Obrigado pelo interesse.

  14. HEREGE

    Excelente texto! Estou no aguardo da continuação!

  15. Saulo

    “Sobe da terra para o Céu e desce novamente à Terra e
    recolhe a força das coisas superiores e inferiores.” 8 TE

  16. Ramiro

    O que é a misantropia mística?

    @XLR – Saudações, Ramiro.
    Não é um termo composto próprio. Eu o agrupei dessa forma para me referir às situações em que alguém se isola radicalmente do convívio social com finalidades místicas.

    1. Joao Vitor

      @XLR.

      Primeiramente, Muito obrigado pelo texto, abriu uma nova precepção sobre o “caminho do canhoto” como eu prefiro chamar.

      Segundo a sua definição, a “Misantropia Mística” dá pra ser associada ao ato de se isolar socialmente, devido a “manifestações” místicas nas pessoas do convívio diário, como respostas intimidadoras de algo Maior (forçã maior)?

      Aguardo sua resposta.

      Grato desde já.

  17. Pedro

    Olá, tenho uma pergunta
    Pela a ideia de o caminho sinistro ser um caminho heterodoxo para encontrar a luz, seria o caminho das Artes Marciais, um caminho sinistro?

    @MDD – Muito bom.

    @XLR – Saudações, Pedro.
    O caminho sinistro não depende apenas da heterodoxia, mas você absorveu de forma sagaz o conceito. As artes marciais não têm as mesmas finalidades práticas que o ocultismo (sinistro ou não), não fazendo sentido as categorizar dentro de um caminho, mas ambos têm efeitos sinérgicos e cumulativos.
    Excluída totalmente a veia moral, a prática das artes marciais (inclua aqui a disciplina) é extremamente benéfica para o adepto sinistro, tendo como exemplos clássicos da união facultativa destas com as artes ocultas as escolas monásticas de Wudang e Shaoshi (nesta segunda localiza-se o insigne Templo Shaolin).

    1. Ian

      Hehe! Depende, se você usa as Artes Marciais para dar porrada em gente indefesa na rua e pra arrumar confusão, matar pessoas, praticar o mal, você está usando o Caminho Sinistro das artes marciais.

      @MDD – Não, voce estará sendo um completo imbecil, mas já dá pra se tornar satanista de facebook assim rsrsrs Não é à toa que o “satanismo” está tão ridicularizado e esculachado nos dias de hoje, sem respeito algum dos ocultistas, por misturebas de conceitos como estas…

      @XLR – Eu ia aceitar este comentário para usar como exemplo de como NÃO interpretar textos, mas o Marcelo fez isso por mim. Aliás, baseado em todos os seus comentários, Ian (acreditem, há vários comentários dele que não serão publicados) você realmente leu este ou qualquer outro artigo deste blog? Contenha-se.

    2. Pedro

      Quer dizer que eu tava em um caminho sinistro e nem sabia?
      Agora começa a fazer sentido algumas coisas, como sempre foi dito a mim nesse meio de artes marciais:

      “Aqui nós aprendemos a matar, para não matar”

      Também fora me dito que o ato de conseguir a faixa preta consistia em descer de uma montanha para começar a subida de outra, no sentido de que, o objetivo do caminho à faixa preta consistia em nos matar, deixar de lado todas as nossas concepções sobre o mundo e a vida para renascer como alguém pronto para absorver o ensinamento. Creio que se assemelha muito ao que tenho lido sobre alguns rituais de iniciação.

      Obrigado pelo esclarecimento!

      @XLR – Não, Pedro, quer dizer que você tem uma grande sensibilidade para o conhecimento, mas carece treinar a compreensão global. No nosso caso você entendeu o que queria entender desde antes de fazer a pergunta original, e isso não é positivo. Artes marciais (internas ou externas) NÃO são modos do caminho sinistro porque a finalidade delas não é essa, mas são amplamente benéficas para o adepto sinistro, por ação sinérgica: pela harmonização energética, pela disciplina mental, pela saúde física, pelo elemento criativo-artístico e até mesmo pelo psicodrama. As duas coisas funcionam muito bem juntas, observados seus limites e responsabilidades.

  18. Pm

    A quimbanda oferece sabedoria? Ou só feitiçaria?

    @MDD – A quimbanda sim… já os “quimbandeiros do Braziu”… só deus sabe!

  19. Pm

    Se possivel, outra pergunta: Ter livros de magias como quimbanda, principalmente livros que as editoras dizem consagrar antes de vender, pode ja pelo fato de ficar guardado no quarto colocar o dono, mesmo antes de ler o livro, em contato com as entidades malignas?

    @MDD – Se forem consagrados, colocam você em contato com a egrégora.

  20. RENNANN

    Caro Marcelo
    Gostaria de saber qual é a relação com os caminhos da árvore da vida. Como podemos interpretar esse texto com as referências ocidentais de extremos como, ouro e prata, alfa e omega, etc…

  21. Damião

    Parece que o MDD trouxe um especialista no ramo para nos brindar com bons textos.Gostei do trato com as palavras,do uso dos vocábulos.Estou aguardando os próximos ensaios.
    Abraços!!!

  22. Herberth

    Olá
    Grato pelo texto, XLR.
    Tenho uma dúvida: Na sua opinião, os três tipos de prática de yoga podem ser associados aos três caminhos, sendo raja yoga – esquerda, bakhti – meio e karma direita?

    Agradeço mais uma vez pela atenção.

    @XLR – Saudações, Herberth.
    Eu é que agradeço pelo comentário. Creio que sua referência deva ser aos três yogas do hinduísmo monoteísta e, se esse for o caso, você trocou o Jnana Yoga pelo Raja Yoga. O Raja foi incorporado posteriormente e é o “quarto yoga”. Nenhum destes caminhos tem discriminação moral ou ética entre si, mas todos fazem parte de escolas ortodoxas da filosofia hindu, sendo que a diferença entre eles reside basicamente no modo como se entra em comunhão (yoga) com o Ishvara. É a partir do Tantra Yoga que começa a aproximação do caminho sinistro (Vamachara Tantra) e de um caminho intermediário/central, mas que pelo seu conteúdo amoral e libertário costuma ser repudiado pelos conservadores (Kaulachara Tantra).

  23. Alan

    Excelente texto, sem dúvida um dos melhores que já li no blog.

  24. Thiago

    Maravilhoso texto, Gostaria de indicação de livro/matérias sobre Caminho Sinistro e sobre o O.T.O., se for possível claro.

    @XLR – Saudações, Thiago.
    As indicações dependem do seu nível de conhecimento prévio e da sua disponibilidade com línguas. Em português uma referência confiável sobre parte do caminho sinistro e filosofia oculta orientada a este são os livros do Adriano Camargo Monteiro (há também artigos dele aqui no Teoria da Conspiração). Literatura sobre a O.T.O. depende muito do que você quer saber especificamente, mas varia de uma dezena de volumes instrutivos do Franz Hartmann até o controverso (e relativamente incompleto) The Secret Rituals of the O.T.O. do Francis King. Bons estudos.

  25. Franco-Atirador

    Olá, amigo. Li e reli. Achei muito interessante (penso que o blog carece de textos explicando esse caminho, o qual me interesso, apesar de pouco saber).

    Vc não citou, embora acredito que vá citar, os aspectos principais das correntes direita e esquerda: caridade e intelectualidade; muito embora no final do texto tenha ficado um ar desse aspecto.

    Em suma e divagando, poderíamos então dizer que a via sinistra é uma via de maior risco, intrépida, a qual se atreve a meter a mão na cumbuca, claro, com responsabilidade. Seus praticantes estariam mais bem relacionados com a essência lógica do universo, com a esfera de Gevurah.

    Falando nesta esfera, também li que o caminho sinistro tem essência de justiceiro, do interferidor. Seus praticantes seriam como agentes rápidos do Karma, e tal seria a importância de muita sabedoria para intervir com verdadeira justiça e imparcialidade, tomando para si a responsabilidade de resolver problemas do que deixar “nas mãos de Deus”, o que, teoricamente, demoraria um pouco mais. No entanto, quanto aos Aghori, não consigo ver “Qual é o real valor da contaminação física e moral a que se expõem os praticantes”, como a necrofagia e coprofagia.

    Também parece haver um maior e melhor relacionamento com a Sombra, termo cunhado por Jung, sendo o praticante alguém que conhece bem suas inclinações nefastas e mergulha constantemente em si mesmo afim de barganhar com seu monstro interno.

    Aguardo ansiosamente a continuação!

    Abraço e mta luz!
    .

    @XLR – Saudações, f RANCO.
    Não esperava comentários como esse tão cedo, honestamente.
    Eu tento deixar claro em alguns momentos que esta caminhada inicial será lenta e gradual. O que você chama de “aspectos principais” já tem ares modernos, eu ainda estou na formação conceitual e filosófica. Eu espero que algumas pessoas saibam diferenciar, por si mesmas, o barro do chorume, amoral e imoral. E, para algumas dessas questões, faz-se necessária uma compreensão homeopática.
    Gevurah/Golachab é, de fato, um ponto focal da prática oculta sinistra moderna. Ela condensa a ideia de julgamento moral da própria estrutura da criação e é o berço do Sitra Ahra, mas é muito fácil confundir a emanação da sephira com sua influência qliphótica em razão de sua essência ativa e impetuosa. Apesar da íntima relação, essa sephira não sintetiza totalmente o caminho sinistro e pode induzir ao erro no que se refere aos seus aspectos negativos. Contudo, você está absolutamente certo sobre o caminho sinistro envolver maior risco e dinamismo e, ao mesmo tempo, exigir maior responsabilidade e dedicação do adepto.
    Salvo raríssimas exceções o caminho sinistro evita a dependência ou justificativa de suas práticas em função de terceiros, sejam eles mundanos ou divinos em essência. Portanto um “justiceiro” (só para usar seu exemplo, mas como eu disse essa é mais uma tendência pessoal ou, no seu contexto, uma influência sefirótica do que uma característica inata do caminho sinistro) buscaria o equilíbrio de causas e consequências em função de sua própria natureza, não para exercer a função de um deus que talvez ele nem acredite existir. Muitos adeptos sinistros são ateus, partindo de uma visão muito particular de ateísmo (não confundir com antiteísmo nem com agnosticismo) que se norteia por um ceticismo intuitivo, abrangente e sensível e não pela simples negação.
    Os Aghori realizam um intercâmbio inortodoxo. Trocam a possibilidade de uma vida comum por uma vida avessa cuja única garantia é sua própria capacidade de absorver algo daquela experiência. O fato de manipular e caminhar entre cadáveres os faz conhecer intimamente o que o morto representava em vida; comê-los é uma forma de respeito e de manter em si essa representação. A coprofagia segue o mesmo viés. São representações extremadas do “conhece-te a ti mesmo”.
    Outra coisa que eu tento esclarecer é que o caminho sinistro não é exatamente nefasto ou mal. Nem o é a Sombra. Ela é primeva, indomada… mas é também o berço das emoções mais profundas, da criatividade e do insight. Se a Sombra é um monstro, esse monstro é também um gênio. Dr. Jekyll & Mr. Hyde. O praticante sinistro busca, antes de qualquer coisa, o aperfeiçoamento pessoal e o contato com a Sombra e o refino desta (albedo) é um grande passo em direção a isso.
    Espero ter respondido de forma satisfatória.
    Obrigado por ler e comentar.

    1. Franco-Atirador

      Saudações, amigo. Respondeu sim.

      Interessante notar a relatividade da produção da sombra, podendo esta ter, inclusive, aspectos amorosos mais proeminentes do que o individuo consciente (por exemplo em uma sociedade machista, militarizada, “sombras amorosas” teriam maior chance de serem produzidas), indo totalmente contra o senso comum de sombra como algo nefasto.

      Mais interessante ainda é a parte do texto intitulada Meta-Percepção, onde você discorre sobre o poder da Vontade sobre outras vontades. Parece sensato afirmar que a estrutura da criação é formada de tal forma a permitir certo magnetismo e predomínio de vontades superiores, ou seja, mais próximas do plano do Universo, da Vontade de Deus, etc, sobre vontades inferiores. Eis ai mais um motivo para se esforçar na descoberta da verdadeira vontade e, principalmente, tomar cuidado com o orgulho para fazer bom uso de seus resultados, guiando com sabedoria suas vontades subordinadas. O crescimento da busca da espiritualidade me dá certa esperança em relação à situação caótica do país, onde muitas vontades hoje estão aspirando pela melhoria da nação. Que nossa vontade supere logo a dos corruptos!

      Novamente, aguardo a segunda parte, e obrigado pela atenção.

  26. Fenris Khefferos

    Ótimo texto. Concordo com a maior parte dele.

    Entretanto eu tenho uma visão “ligeiramente” diferente do ponto de vista do autor.

    Creio que a caracterização/diferenciação entre Via Sinistra e Via Destra está menos na prática ou no aspecto perceptível mundano, que é o que dá a entender com:
    …”práticas heterodoxas em sua maioria, que reforçam e induzem o questionamento e a oposição moral, não adotando estruturas éticas e filosóficas complexas”.

    Penso, inclusive, que a VIa Sinistra seja por natureza, uma Via Solitária:
    Para mim, a fundamental diferença entre estas vias não reside nas práticas de doutrinas e/ou grupos.

    Para mim, a diferença fundamental está na forma como o indivíduo praticante se enxerga em relação ao universo:
    Para o RHP o indivíduo é uma partícula de um Cosmos. Parte de um TODO, submetido à algo maior que ele, ansioso por retornar à esse TODO de onde veio.
    Já no LHP o indivíduo é ou busca tornar-se TODO por si mesmo, “subindo mais alto que as mais altas nuvens, tornando-se semelhante ao Altíssimo!”, seguindo o exemplo do ícone Luciférico. A busca é pela deificação, através de uma constante individuação.

    Todo o resto, como adoção ou abolição de práticas, doutrinas e filosofias é consequencia, não causa original.

    Bom, mas como eu disse, essa é minha visão a respeito do assunto.

    @MDD – Uma visão bastante próxima da minha.

  27. Herculano

    É sempre bom lembrar para evitar a dicotomia e extremismos que, mão esquerda, corrente tifoniana etc, não são o “ruim, “errado” e o “caminho das trevas” como muitos por ingenuidade ou falta de leitura mesmo, tem como conceito. Luz e trevas são o mesmo dentro de um todo.

    Quanto ás ordens, infelizmente poucos restaram e muitos focos de verdadeiro câncer está espalhado por aí, aos montes. Mas quanto à estes, temos um consolo… a seleção natural do Universo se encarrega cedo ou tarde.

    Abraços e espero ler mais textos sobre o assunto por aqui.

  28. Rodrigo

    @MDD qdo vc diz quimbanda no “braziu” o que realmente quer dizer ? Entendo sim que ta cheio que marmoteiro e invenções como quimbanda luciferiana lâmina negra e por ae vai …mas quimbanda em si é uma religião genuinamente brasileira digo nao pelo lado etimológico da palavra kimbanda e sim pela religião propriamemte dita , temos a nago de mae yeda e malei de dorcides da oxum difundida hj pelo Mulogi luvembo ,se esta se referindo a esses inventores esta certíssimo qto à quimbanda trazer conhecimento traz sim e muito basta ir na fonte certa pesquisando ….pesquisando …….

  29. Mark

    Deldebbio, segue uma sugestão, meu irmão, Quer tomar uma super pílula vermelha, tal como “neo” no filma matrix, e saber a “verdade” sobre Yel Luz Bel, leia Reintegração Cósmica de J V Ellam e seus outros livros….

  30. anonymus

    “. O Ego destreinado tende a responder que está aqui “porque quer”, porque assim o decidiu baseado em uma escolha pessoal qualquer, e a estes eu surpreendo dizendo que estão aqui porque eu quero. ”

    O ego existe?

    O que é o ego?

    O que é o querer?

    O querer de quem?

  31. anonymus

    “Insisto que, na grande maioria das vezes, “bem” e “mal” são definições e escolhas humanas”

    O Bem e o mal não são definições e escolhas humanas.
    O Bem e o mal, existem independentemente da compreensão que se tenha.

  32. anonymus

    A alteração de caminho da mão esquerda, para o titulo dado, nota uma tendência na mente do autor, um estado.

  33. anonymus

    ” Mas qual é o valor prático disso”

    Um ser humano equilibrado, tem um sistema imonologico forte, não necessita destas infelizes situações.

    Em termos do ser humano,estas práticas parecem ser involutivas.

  34. Melque

    Desculpa, mas eu não acredito no caminho sinistro e nem no caminho destro. Só acredito em uma forma de caminhar, o caminho do meio. É por que se nos focarmos muito no caminho sinistro a falta de um guia de conduta fatalmente

  35. cristiano

    sendo um libertário com aversão à moral e questionamentos quanto a natureza da ética, eu queria muito encontrar uma ordem sinistra compromissada com a evolução e desenvolvimento de seus estudantes. A Astrum Argentum parecia uma opção, mas depois de dar uma pesquisada sobre ela, fiquei assustado em como ela é exigente intelectualmente, obrigando seus estudantes a lerem centenas de livros complexos. O taoísmo parece para mim ser mais caminho do meio do que da mão esquerda, e na prática, no Brasil tudo tende à direita ou é distorcido nessa direção.

    De qualquer maneira, gratidão pelo seu texto esclarecedor. Ele aumentou minha vontade de estudar o caminho sinistro e quem sabe um dia, quando eu estiver pronto, criar meu próprio sistema.

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