Nas trincheiras de ateus e religiosos


Esse é normalmente um daqueles textos que costuma desagradar os dois lados da questão. É esta a consequência de tentarmos sermos imparciais, embora a neutralidade completa seja somente uma ilusão. De qualquer modo, tentemos colocar nossos preconceitos de lado e busquemos avaliar a situação do ponto de vista menos tendencioso possível, embora a perfeição neste quesito seja uma tarefa impossível.

A motivação básica para escrever sobre ateus e religiosos é esse constante conflito entre ambos, que trocam ofensas e piadas depreciativas na internet, principalmente nas redes sociais. De um lado, religiosos insinuam que fora de suas crenças não há a “salvação”, tentando mostrar como são superiores por estarem no caminho certo. Do outro, ateus tentam mostrar como eles são extremamente sortudos e, por isso, superiores por terem descoberto a “farsa das religiões”.

Nos últimos tempos temos visto um crescente ateísmo no mundo ocidental, numa visão superficial e geral. O avanço da tecnologia e o aumento da complexidade das explicações científico-racionais proporcionam cada dia mais uma desmistificação do mundo, onde cada vez mais os fenômenos são explicados com base em teorias causais e materialistas. Cada dia menos é preciso apelar para explicações sobrenaturais, ausentes de evidências ou lógica.

No entanto, devemos lembrar que a ciência é falível, tanto quanto outras formas de saberes. A ciência é muito mais um conjunto de métodos que busca a objetividade, procurando resolver questões e solucionar problemas de maneira pragmática do que um corpo fechado de conhecimento.
Nesta busca pelo conhecimento, procura-se empregar metodologias que supostamente seriam capazes de descobrir a verdade sobre os fenômenos. Entretanto, a aparência de sempre racionalidade que damos ao método científico pode ser uma armadilha. O pensamento lógico proporciona a ilusão de que podemos conhecer a realidade, mas não é porque podemos provar algo em bases lógicas que isso de fato é uma Verdade. Muitas vezes algo verdadeiro só está sendo mal explicado numa determinada lógica, enquanto um preconceito está construído sobre bases falaciosas que aparentam ser verdadeiros.
Como já é sabido, durante muitos anos havia argumentos lógicos para o racismo, xenofobismo, e afins, que se mostraram para nossos antepassados como o mais aparentemente racional. A razão somente nem sempre basta.

O modelo de racionalidade moderno tem um caráter totalitário, uma vez que não admite que outros modos de produção de conhecimento — não orientados pelos mesmos princípios epistemológicos e metodológicos — sejam considerados racionais.
Entretanto, devemos considerar que todos os ritos e mitos, e mesmo as religiões, por mais bárbaros que sejam ao nosso ponto de vista, respondem a alguma necessidade humana. Todo pensamento possui uma lógica interna que se justifique interiormente do sistema a que pertence. O que julgamos como inferior e primitivo, é na verdade uma maneira particular de racionalizar o mundo externo e dar um sentido para ele, pois é outro sistema diferente do nosso. Se melhor ou pior, vai depender do sistema que você nasceu e o que te ensinaram a viver desde a infância.

Façamos agora uma distinção: há inúmeras razões para alguém se tornar ateu. Desde posições filosóficas até mesmo posições religiosas, pois existem religiões ateístas.
Estaremos então nos referindo como ateus no presente texto àqueles que possuem uma motivação científica, aqueles ateus que justificam suas crenças (ateísmo é uma crença) a partir dos conhecimentos científicos materialistas e ideias do status quo acadêmico, o comumente chamado de neoateísmo.
E quando nos referirmos a religiosos, iremos nos referir basicamente a religiões teístas que acreditam na sobrenaturalidade, seja em forma de milagres ou intervenções divino-espirituais, excluindo assim da análise religiões ateístas, como budismo ou a cientologia (desculpe-me, Tom Cruise). Definido os termos e os objetos, seguimos em frente.

O ponto principal da divergência entre ateístas e teístas está explicitado pelo próprio nome de cada grupo: a crença da existência de Deus ou deuses, ou a crença na inexistência de deus.
Não poder provar a existência de Deus não indica que ele exista como tampouco que não exista. No máximo, estamos supondo. Eu suponho que ele não exista, pois há meios de explicar o surgimento do Universo e seus acontecimentos sem a necessidade de existir um Deus. Ainda assim, não posso afirmar com total precisão.

Bertrand Russel¹ questiona: Imaginemos um Bule de Chá em orbita entre a Terra e Marte. Ele está em orbita ao redor do sol em algum lugar que não vemos, mas é tão pequeno que nem os nossos melhores telescópios são capazes de localizar-lo. Alguém pode provar que o Bule não existe?
Pois bem, na Ciência, o ônus da prova cabe ao alegador. Precisamos de provas para acreditar nas coisas. Caso contrário, acabaríamos acreditando em todo tipo de absurdo, pois de fato qualquer coisa é possível de existir, mas entre a possibilidade e a existência de fato há a necessidade de uma legitimação social, e esta se dá pelas provas.

Richard Dawkins comenta que “a razão da religião reagir contra esta idéia, ao contrário da crença no Bule de Chá de Russell, é porque a religião é poderosa, influente, se autoexime e sistematicamente é passada para crianças que são jovens demais para se defenderem sozinhas. Crianças não são compelidas a passar seus anos de alfabetização lendo livros insanos sobre bules de chá. Escolas públicas não excluem crianças cujos pais preferem formatos diferentes de bule. Os crentes no bule de chá não ameaçam com a morte quem não crê no bule, quem duvida do bule ou quem blasfema contra o bule. Mães não aconselham seus filhos a se casarem com mulheres que crêem no bule de chá celestial, tal como todos os seus parentes se casaram. Pessoas que misturam leite no chá não têm suas pernas quebradas por quem prefere o chá puro.”²
Ou seja, a crença numa divindade é algo reconhecido socialmente e amplamente aceito, de forma que a educação das diversas gerações está sendo sempre influenciadas por isto.

Mas há uma interessante citação de Emile Durkheim que diz “O crente não é somente um homem que vê, que conhece coisas que o descrente ignora: é um homem que pode mais”³. Essa frase desvela uma característica ignorada comumente.
O religioso em seu ritual sagrado acredita que pode se curar de uma doença, e se vê curado. Ele acredita que suas preces funcionam, e de fato elas acabam funcionando.
É muita ingenuidade acreditarmos que eles estão sempre se enganando. Se suas práticas falhassem, há muito tempo já haveriam abandonado a religião. As suas próprias evidências bastam, pouco importando se os cientistas reproduzem os seus resultados em laboratórios. O religioso não procura na religião as explicações mais embasadas racionalmente e testadas em laboratórios. Ele quer um motivo de existir, uma solução para seus problemas.

Não podemos negar que há algo estranho que se repete em acontecer, mas que nossas ferramentas são incapazes de definir com precisão. Ainda que não se possa explicar com todos os detalhes, esses acontecimentos não são falsos. Ainda que não seja Deus, espíritos ou poderes sobrenaturais, e se acreditamos num modelo de causalidade, devemos supor que de fato existe algo ali.
Placebo? Pode ser. O problema é que na maioria das vezes que escuto as pessoas argumentando que é placebo, elas insistem em terminar o assunto por ali mesmo. Eu não entendo como algo tão fantástico como o placebo pode ser tão ignorado e servir de caminho sem saída em qualquer afirmação.
Que mente poderosa é essa que possui a capacidade de se “autoenganar” e produzir extraordinárias mudanças no campo físico? Por que não procuramos explorar essa capacidade mental e colocá-la sobre nosso domínio? Enfim, contradições do nosso paradigma.

Dentro da religião, o religioso se vê uma pessoa especial, um eleito, um preferido de seu deus. O religioso é visto por si mesmo como um herói de uma verdade, onde todas as evidências contrárias são oportunidades para ele demonstrar a sua obstinação e a capacidade de superar o inimigo.
O ateu ao mostrar a inconsistência de suas crenças sobrenaturais oferece o quê troca? A ideia de que ele é só mais uma pessoa normal, como todos os outros. É claro que ele não irá aceitar isso.

Por sua vez, o ateísta encontra na ciência aquilo que a religião também poderia lhe oferecer: um sentido de existir, um conhecimento que se pretende fazer verdadeiro e oferecer resultados positivos.
O ateu se vê como um autêntico iluminista. Acredita que todas suas atitudes são puramente racionais. Retratam a si mesmos como uma minoria, solitários como únicos verdadeiramente racionais, estando preparados para o combate num mundo irracional quase que medieval e dominado pela superstição. Veem-se como heróis, que desmascaram charlatões com o objetivo de ajudar as pobres pessoas que não são tão sortudas como elas e por este motivo são enganadas diariamente.

Não vamos culpar a Ciência por isso. De fato, ela é o melhor que possuímos. Como todo nosso conhecimento é incapaz de contemplar todo o Universo, todo nosso precário entendimento é uma ficção útil a que devemos nos agarrar.
A ciência tem sua razão de existir, com excelentes aplicações práticas. Devemos produzir um conhecimento da melhor forma que podemos, mas sabendo que ele não é perfeito. Devemos ter em mente que mesmo o mais cético dos cientistas tem certa dose de crença infundada no que ele procurar provar. O próprio avanço do conhecimento é alcançado quando se consegue equilibrar credulidade e ceticismo, da forma que um atrapalhe o outro. A Ciência convive com isso.

O fato de uma idéia ser professada por uma religião tampouco é motivo de diminuir ou descaracterizar a mesma, mas sim as suas implicações. As religiões por vezes se opõem aos direitos humanos e aos ideais de igualdade e fraternidade. Embora seu discurso original seja belo, na prática ela acaba sendo distorcida por alguns, o que faz que haja uma má fama da mesma.
Mas isso não é privilégio da religião, a ciência já foi utilizada para justificar racismo e práticas discriminatórias. Teste de Q.I., mapeamento do código genético, e outras genialidades científicas podem ser utilizados para justificar uma falsa superioridade de um grupo sobre outro. O problema não está no saber em si, mas como ele é utilizado.

Ateístas não são os vilões da história. Tampouco são os religiosos. Em nossa história não há vilões ou mocinhos.
É extremamente compreensível que ateus estejam buscando um lugar na sociedade, onde possam debater sem serem incomodados. Houve séculos de opressão onde se empunhava somente a crença religiosa. Entretanto, quando se empenha demais em lutar contra um inimigo, por vezes, torna-se demasiadamente parecido com ele.

Todos nós somos ateus para todos os deuses das outras culturas. O ateísta só desacredita em um deus a mais do que o religioso. Isso, no entanto, é muitas vezes motivo para preconceito. Há religiosos que acreditam que ateus não possuem conduta moral, quando isso é algo que independe da religião.
Não é porque não existe um Deus vigiando que um ateu irá cometer crimes. Na verdade, já houve um grande número de “guerras santas”, e acreditar em Deus nunca foi motivo para impedi-las, quando em realidade se utilizou da própria divindade para justificá-las. As crenças são maleáveis quando é de interesse, e uma ideologia pode facilmente ser moldada para atender uma determinada demanda.
Acreditar ou não em uma entidade superior não faz de nós pessoas melhores ou piores.

O comportamento de alguns ateus não serve para desacreditar todo o movimento, não podemos generalizar. Da mesma forma, não são todos os religiosos que são preconceituosos. Em ambos os lados parece haver uma ala mais fanática, que se baseia mais em proselitismo do que respeito.

Devemos incentivar as pessoas a construírem suas próprias idéias, sem proselitismo. Aquele que pensa diferente tem o mesmo direito de voz na sociedade que nós. O mundo pertence a todos, sem distinção de cor, sexo, idade ou crença.
Que se debata cada um de seu respectivo lado, mas sempre lembrando que o outro tem suas razões para acreditar no que acredita. Se o opositor não concorda, paciência. Não é com argumentos ad hominem que se conseguirá convencer.

E se está se questionando sobre que lado eu pertenço nesta história, saiba que não estou com os ateus, e também não estou com os religiosos. Já é difícil saber o que eu quero para o almoço, imagina para depois da vida.

Referências
¹ Existe um Deus? Bertrand Russell
² O Capelão do Diabo. Richard Dawkins
³ As formas elementares da vida religiosa. Émile Durkheim
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Igor Teo é escritor e estudante de psicologia
Blog: Artigo 19
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Recomendo também o texto do meu amigo A Verdade e um texto cético chamado Eu nunca disse que deus não existe?.

Este post tem 20 comentários

  1. kk

    Acredito que há algumas chaves para unir religião e ciência moderna, e uma delas é o instrumentalismo. Estamos em um momento tão apegado à matéria, que muitos excluem a existência de certas coisas, só porque ainda não descobriram um instrumento que faça o trabalho. Aí é que tá, para você oferecer este novo paradigma a comunidade científica que permita descobertas, é preciso uma mudança de mentalidade tão extrema, considerando o ponto em que estamos, que parece até ser impossível que aconteça. As discussões entre ateus, agnósticos, teístas, deístas e todas as “classes” que criamos poderiam ser uma das mais produtivas dialéticas que seres humanos hoje podem desenvolver se não houvesse a militância, a intolerância, o orgulho, o egoísmo de querer impor. Isto não é culpa do ateísmo e nem das religiões, e sim do homem.
    Só pode haver frutos em discussões assim quando ambas partes estão dispostas a aceitar as possibilidades apresentadas e quando querem crescer mutuamente sem precisar de destruições desnecessárias e arestas aparadas para que fique tudo absurdamente quadradinho e metódico, porque como sabemos, a Natureza adora umas curvas.

  2. raph

    Quando o Efeito Placebo é evocado em um debate do tipo, ele normalmente parece querer dizer: “é apenas o Efeito Placebo, não é nada demais”; Mas em realidade o que ele **realmente** diz é: “é o Efeito Placebo… sim, não fazemos a menor ideia do que é exatamente isso… sim, não vamos mais discutir o assunto por favor”…
    @Teo – Raph, meu amigo, saudade dos seus comentários… 🙂

  3. L. F.

    Fantástico. Gostaria de resaltar dois pensamentos que resumem muito bem o espírito do texto:
    “O modelo de racionalidade moderno tem um caráter totalitário, uma vez que não admite que outros modos de produção de conhecimento — não orientados pelos mesmos princípios epistemológicos e metodológicos — sejam considerados racionais.”
    “Todos nós somos ateus para todos os deuses das outras culturas. O ateísta só desacredita em um deus a mais do que o religioso.”

  4. Flávio

    Talvez todo o conflito esteja além da mente consciente de cada ser humano, quando um ateu esbraveja: “Não há Deus algum, isso é uma tolice infantil de uma mente preguiçosa que para tudo que não conhece põe Deus como causa”, já verde de ódio o religioso proclama: “Pior é ser imbecil ou arrogante o bastante para martelar uma realidade que não conhece ou que nunca experimentou, não me surpreende tal tipo de gente nunca ter tido qualquer tipo de experiência transcendental, já que, para isso não basta ser escravo de duas retas cartesianas, acredita na galáxia, mas ainda mente para si mesmo dizendo que não acredita em algo superior a sua vida.”
    Tanto o Amor quanto o Ódio são formas de interação do Grande Organismo Humano consigo mesmo.
    E toda interação supri uma necessidade, ás vezes de um lado, mas na maioria dos casos de ambos.

  5. Hermano

    Acho louvável essa tentativa de imparcialidade. Mais louvável ainda, admitir que ela é meio utópica.
    “Eu suponho que ele não exista, pois há meios de explicar o surgimento do Universo e seus acontecimentos sem a necessidade de existir um Deus.”
    É possível explicar o surgimento do Universo sem cair na regressão infinita de causas e consequências? Ou na ideia da primeira causa?
    Seria acreditando que a primeira causa é simplesmente algo banal, ou simples, e não necesáriamente Deus? Ou que o Universo é cíclico? (embora eu poderia questionar, caso ela seja cíclico, quem começou a fazer a roda girar).
    @Teo – A causa primeira pode ser algo complexo, e não banal, e ainda assim não necessariamente seria Deus. O problema do argumento de causa primeira é que ele acaba falhando se dermos um passo a mais, pois se tudo possui realmente uma causa anterior, Deus também deveria ser produto de uma causalidade. Se Deus criou o Universo, quem criou Deus? Se puder existir algo sem causa (como Deus), a própria argumentação da Causa Primeira fica inválida, pois nada impediria que surgissem outros elementos no Universo (como estrelas, planetas ou mesmo a vida) sem causa.
    Nas duas opções que você propôs tem uma pressuposição da existência da variável tempo. Aí para responder isso teríamos que nos aprofundar um pouco mais para saber se o tempo realmente existe de forma independente do Universo, ou é proporcionado por ele, existindo tão somente dentro do mesmo. Se a segunda opção estiver correta, não faria nem sentido pensar em origem do Universo…

    1. Hermano

      Sendo o tempo uma propriedade do Universo, então o Universo não tem origem (para dar origem a algo, deve se existir antes desse algo. Sem tempo não há antes).
      Então o universo não pode ter causa. Foi isso que você quis dizer com: “e a segunda opção estiver correta, não faria nem sentido pensar em origem do Universo…” não é?
      @Teo – Sim.
      Se o tempo é independente do unirveso. Então, o próprio tempo não pode ter causa.
      Tem alguma falha ai? Ou dá pra imaginar que exista de fato fato “elementos” sem causa? Daria para traçar, então, uma cadeia de causas e efeitos desse(es) primeiro(s) elemento(s) sem causa até o universo como está hoje?
      Um causa primária tem que existir obrigatoriamente? Ou existe um outro raciocínio?
      @Teo – Dentro do atual paradigma científico se trabalha obrigatoriamente com causalidades. Mas há sim outras formas de pensar, principalmente dentro da filosofia, que toma os acontecimentos como uma “explosão fenomenológica” simultânea. Por exemplo, a chistosa metáfora do biscoito: ele é gostoso por que é crocante, ou é crocante por que é gostoso? Escolher um desses pontos como causalidade é mera abstração, pois na verdade os dois pontos se retroalimentam. Causa não existe sem consequência, e consequência não existe sem causa.

  6. Regis

    “Ateístas não são os vilões da história. Tampouco são os religiosos. Em nossa história não há vilões ou mocinhos.”
    Já disse isso com outras palavras em vários comments por blogs aí afora, até que cansei (nenhum fundamentalista, ateu ou religioso, ouve a razão). E como também costumo dizer, as causas dos problemas da humanidade não estão na religião ou na ausência dela, mas sim naquilo que os seres fazem ds seus pensamentos e atos. Burro aquele não analisa a si mesmo……..
    E para terminar, foi m-a-g-i-s-t-r-a-l: “E se está se questionando sobre que lado eu pertenço nesta história, saiba que não estou com os ateus, e também não estou com os religiosos. Já é difícil saber o que eu quero para o almoço, imagina para depois da vida.”
    Parabéns pela escelência e bom-senso do post (taí o que falta ser exercitado na humanidade: bom-senso!!!)

  7. Emídio Pilato

    Essa questão do placebo me parece tão surpreendente, tão extraordinária, que fico triste em ver que ela somente é usada como um contra-argumento ao pensamento teísta. Na verdade, todas as áreas da parapsicologia, aos olhos dos ateus fundamentalistas, parecem só ter essa função.
    @Teo – Verdade. Curioso como insistem em dizer “é só placebo” quando a questão do placebo é justamente o ponto que é capaz de derrubar a visão puramente materialista e organicista que esse pessoal tanto defende… Uma das características da ciência moderna é a busca pela previsão e controle da realidade, mas contraditoriamente, muitos preferem não querer saber muito mais sobre placebo.

    1. Regis

      Exato! Surpreendente e extraordinária! O pessoal parece não entender que efeito placebo é EFEITO placebo. Ele teve uma causa. E provoca MAIS efeitos. O placebo não é um “nada”, Ele é “alguma coisa”. E o que ele “é” (justamente a parte mais interessante) termina sendo ignorado.

  8. David

    Sempre quis estudar o placebo, mas nunca houve quem se interessasse ou que acreditasse que temos metodologia para tal. Enfim, para a ciencia de hoje, se alguém controla o efeito placebo, vira “Deus”, mas “deuses” não existem, então o efeito placebo é por si só e não carece de explicação… O placebo hoje é o véu da farmacologia moderna. Parabéns pelo post.

  9. roberto

    Ola Teo
    Parabéns pelo texto e pela luta em ser imparcial. Na realidade é uma luta, pois, no contrário voce não seria imparcial e sim indiferente, não estaria nem aí.
    Agora eu fico numa situação ingrata, pois, não sou religioso de forma alguma, sou contra toda e qualquer forma de religião, principalmente em razão das perseguições sofridas por minha familia e meu povo ao longo do tempo. Ah se voce quer saber, não sou judeu e para falar a verdade os judeus são os maiores culpados de nossa perseguição, através do fruto de sua grande e verdadeira conspiração, a unica realmente existente, já que todas as outras são capas de cobertura e formas de desviar a atenção para a principal, que é o cristianismo, onde na realidade pouco importa a figura do cristo que foi plagiada, na realidade o que importa é que todos os outros povos creiam em Jeová, Yaveh ou Adonai, como quiserem, sem terem as vantagens do crente judeu original. Quem crê no deus do próximo, sem fazer parte desse povo, já está totalmente dominado pela crença.
    Tanto o cristianismo é uma conspiração, que se usou um imperador romano, filho de uma judia, para que forçasse pelos exercitos a entrada dessa crença na europa e somente aí deram um nome para a figura do crucificado, e esse nome foi escolhido por ter uma semelhança sonora com um dos componentes da grande trindade celtica – Esus (a trindade seria Teutatis – Esus- Taranis). Muitos povos europeus somente vieram a saber que estavam venerando um falso deus vindo de um deserto da africa após centenas de anos e quando se revoltaram foram dizimados.
    Creio na existência de uma inteligência que permeia tudo, porém, de nada adianta a veneração religiosa, pois, não serei atendido. Aquilo que se diz como experiencia metafisica e transcendental, na realidade para nós, pode ser obtida por vibrar na onda certa, acreditando no que se pode conseguir, não porque a grande força nos conceda como um beneplácito, mas, sim por termos uma fração dessa grande força em nosso interior.

  10. Thiago

    “A ausência da evidência não significa evidência da ausência.”
    Carl Sagan

  11. wanderson

    @teo, qual sua opinião sobre o futuro dessa “guera” ateus x religiosos. vai ter algum lado “vencedor”? vai sair algo de bom disso, ou vai separar ciêcia e religião de uma vez por todas.
    @Teo – No texto “O futuro de uma ilusão”, Freud defende que a religião é uma “neurose coletiva”. Freud defende também que um dia ela ia vir a ser extinta, quando o homem se tornasse mais maduro e a ciência tivesse mais desenvolvida, tomando o lugar principal dentro da sociedade. Mas logo no início do próprio texto, o eminente psicanalista admite que ao tentarmos olhar para o futuro e indagarmos qual o destino que nos espera, descobrimos que o valor da resposta é diminuído por diversos fatores, sobretudo pelo fato de apenas poucas pessoas são capazes de compreender a atividade humana em toda a sua amplitude(eu particulamente diria que nenhuma é). Da mesma forma, as expectativas subjetivas do indivíduo desempenham um papel difícil de avaliar, mostrando ser dependentes de fatores puramente pessoais de sua própria experiência, interferindo diretamente na “previsão”. Se bem avaliarmos, a previsão Freudiana de extinção da religião e supremacia científica é bem característico das próprias convicções pessoais do autor, que cresceu numa Ciência Positivista.
    Dito isso, tentarei responder a sua pergunta sabendo que minhas crenças estão interferindo em minha previsão.
    Acredito que a estruturação do movimento ateísta de forma muito próxima dos moldes de uma religião impede que eles tomem qualquer passo que os diferenciem do que eles tanto combatem.
    De qualquer modo, a Ciência tem a faca e o queijo na mão. Cada dia mais vivemos em uma sociedade em que a Ciência e os saberes derivados deste campo tomam conta de nossas vidas. É a opinião do nutricionista que conta na hora do restaurante escolher os pratos do dia. É a opinião do médico que conta quando o governo pensa em práticas de saúde pública. É a opinião do psicólogo que conta quando o juiz vai decidir qual dos pais ficará com a guarda do filho. O saber técnico-científico tomou conta de nossas vidas de tamanha forma que não vejo um possível retrocesso dele nos próximos séculos se as coisas continuarem como estão.
    Por outro lado, a realidade bruta é muito dura. Ninguém consegue viver 24 horas sem fantasiar um mundo próprio, onde suas crenças são de fato verdadeiras e ele é o centro dessa realidade. Se a Religião vier realmente a se extinguir e a Ciência tomar o seu posto, a própria Ciência se tornará uma “nova religião”. Algo que já vemos acontecendo em pequena escala. Em qualquer discussão você pode perceber que há um ponto que alguém fala: “Mas o que eu disse é verdade, tem experimentos científicos que provam isso!”. Pronto, é o mesmo que alguém no século IX falando “O que eu digo é verdade, o padre falou na missa”. Os ensutiastas da ciência não percebem que um experimento é só um experimento. Ele não prova nada além do próprio experimento, isto é, possui uma validade interna, e sua capacidade de generalização deve ser muito questionada. Se você fazer um experimento com 20 pessoas sobre a obesidade, você estará descobrindo a verdade sobre a obesidade para essas 20 pessoas, não para toda a população. A nossa sorte é que as pessoas são mais ou menos parecidas, então é possível fazer alguns aproximamentos. Mas ainda assim são tendências, e não verdades absolutas.
    Vejo a possibilidade para os próximos séculos da religião perder cada dia mais o seu espaço e a Ciência conquistar esse lugar perdido. Também vejo a tendência das pessoas trocarem uma pela outra.
    Há um antídoto para que não haja uma dogmatização dentro da Ciência e ela possa ocupar um papel apenas de produção de conhecimento e não de autoridade social? Sim, e este se dará com o desenvolvimento das Ciências Humanas, que não por acaso são tão excluídas dos planos governamentais…

    1. Fred

      O grande professor Stephen Hawking já comparou a ciência e a religião dizendo: “há uma diferença fundamental na religião, que se baseia na autoridade, e na ciência, que se baseia na observação e na razão. A ciência vai ganhar porque ela funciona”. Bacana, hein?!

  12. Rafael

    Vocês esquecem de uma coisa muito importante Ciência e Religião são praticados por PESSOAS. Eu tenho formação científica (a poucos meses de terminar meu Doutorado em Biologia Celular e Molecular) e o que aprendi de mais importante neste tempo é que a ciência não nega NADA!
    Isso é visão do povo em geral e como na maioria das vezes é impreciso! As pessoas acham que a ciência afirma ou nega qualquer coisa. mas isso não acontece. O cientista simplesmente levanta indícios sobre um assunto (muitas vezes com técnicas e instrumental que está longe da perfeição) e com base no conjunto de dados obtidos levanta uma hipótese. O papel da comunidade científica é testar exaustivamente esta hipótese. Se ela passar por todos os testes ela é considerada uma teoria e será considerada o status quor até que novas tecnologias causem uma mudança de ponto de vista ou mudem o paradigma relativo à esta teoria e novos cientistas vão substituí-la. Resumindo: Se um cientista não consegue levantar nenhuma evidência sobre um assunto (como Deus por exemplo) a ciência por ser imparcial só pode afirmar que não existem dados suficientes para afirmar qualquer coisa. São os cientistas (seres humanos) e os leigos que interpretam isso como prova de que não existe tal assunto.
    Com religião é a mesma coisa. Os textos sagrados representam a visão de seres humanos sobre tal acontecimento. E pior, são muitas vezes escritos de forma figurativa. Então religiões são interpretações das interpretações de quem escreveu. Mais uma vez os leigos e os não-leigos desavisados é que criam os problemas.
    Um abraço

  13. Lorena

    Muito legal o seu texto. Parabéns!

  14. Saymon

    o comentário do Rafael me levou a pensar algumas coisas que ME PARECEM importantes. Primeiro, não existe CIENCIA nem RELIGIÃO, existem cientistas e religiosos…ESTES sim defendem seus pensamentos. A questão crucial é justamente o tema inicial da coluna: IMPARCIALIDADE. De fato ela não existe, e isso já nos dizia a Teoria Geral dos Sistemas iniciada por “Ludwig von Bertalanffy”.
    Segundo essa teoria, Todo sistema possui subsistemas, que possuem seus sistemas e se autoorganizam. Por exemplo: População – > Organismos -> Sistemas ->ORgãos,-> Tecidos, ->Células, ->Organelas,-> Moléculas,-> Organelas,-> Átomos
    (Qualquer semelhança com “O que está em cima é como o que está embaixo”, não deveria ser mera coincidência)
    E ao fazermos parte deste sistema, já ficamos automaticamente influenciados por ele, sendo impossível sermos neutros.
    Como pode um cientista se despir de sua formação científica ou um religioso ignorar todo o seu aprendizado ao tratar de um assunto??? não dá, é ilógico.
    Assim como o cientista interpreta seus experimentos e conclui pela inexistência do divino, o religioso interpreta (ainda que inconsciente) experiência pessoal e conclui o contrário. Curioso é que os conceitos de religião e ciência vão ficando cada vez mais abrangentes, a ponto de termos religiões ateístas e o Espiritismo se proclamar ciência, por exemplo.
    Muitas descobertas científicas partiram de deduções do campo religioso… Muitos pensamentos religiosos se aperfeiçoaram através de estudos com bases científicas.
    Bem… Como bem tratado no texto, não há mocinhos, nem bandidos…ninguém tá certo e nem errado…. A história é vivida por homens…e também ESCRITA por homens, por isso FALHA em diversas ocasiões…

  15. Priscila G.

    “Todos nós somos ateus para todos os deuses das outras culturas. O ateísta só desacredita em um deus a mais do que o religioso. Isso, no entanto, é muitas vezes motivo para preconceito. ” Para um pouco. Como assim? O verdadeiro ocultista é o cara que estuda todas as manifestações do Divino no mundo e reinterpreta de modo a extrair o que todas elas tem em comum.
    Existem apenas 22 caminhos conectando os 10 aspectos da Árvore da Vida, o que as religiões fazem é mudar os nomes e o modo de identificar as qualidades da mesma coisa.
    @Teo – Não é neste sentido que está escrito o texto… Estou falando aí de manifestações objetivas, como um Thor feito dos mesmos átomos que eu ou você, disparando raios materiais contra gigantes de gelo materias; e não a simbologia do Thor, dos raios e dos gigantes de gelo dentro de determinada óptica cultural. O segundo caso eu tratei um pouco sobre no texto Invocando os Deuses.

  16. Angus

    Belo post, muito esclarecedor 🙂

  17. Pablo

    “De um lado, religiosos insinuam que fora de suas crenças não há a “salvação”, tentando mostrar como são superiores por estarem no caminho certo”
    Acho que o correto seria “Fora da CARIDADE não há salvação”

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