As Possibilidades Humanas – Parte 3


Série Plano Astral e Fenômenos Psíquicos: 1. O Plano Astral e o Hermetismo / 2. As Forças Invisíveis
 
PASSIVO (absorvendo e desperdiçando)
Médiuns (principalmente de efeitos físicos) -> Forças inferiores
Médiuns Psíquicos (adivinhos, poetas, profetas) -> Forças superiores
ATIVO (concentrando e emitindo)
Magnetizadores (curandeiros, etc.) -> Forças inferiores
Iniciados e Adeptos (terapeutas, alquimistas, Teurgos) -> Forças superiores
 
Consideremos primeiro as constituições passivas, levadas à aspiração etérea pela sequência dos seus próprios desperdícios. As forças ou átomos dinamizados que se cruzam no éter-ambiente, chocando seu centro magnético, mudam-no constantemente: daí a sua impressionabilidade exagerada. Se sua constituição moral, seus hábitos anímicos facilitam este deslocamento para os órgãos corporais, tendendo ao mesmo tempo a isolá-los dos órgãos espirituais arrebatados, o sensitivo se tornará um médium de efeitos físicos. Um sujeito magnetizável, hipnotizável, de fácil sugestão e propenso à letargia.
Se o deslocamento tende mais em direção às regiões anímicas, o espírito interior (Chayad, Buddhi, Tinh), retendo também a alma ancestral, toma uma certa consciência (mais ou menos clara conforme a espiritualidade) das forças que o assaltaram. Assistimos então aos fenômenos de lucidez, clarividência, clariaudiência, profecia, previsão.
Estes fenômenos apresentam uma quantidade de nuanças conforme a intensidade da influência exterior, a mobilidade constitucional e o grau de espiritualidade do sujeito. Um verá apenas os seres vizinhos onde outro perceberá uns mais distantes; um verá apenas objetos materiais e outro distinguirá claramente os seres astrais e as vibrações etéreas. Pode acontecer que esses deslocamentos do centro magnético se produzam sob a influência de forças acidentais, que não dirigem nenhuma vontade especial. Neste caso, resultarão apenas em alucinações que por acaso parecerão pensamentos.
Ao inverso, pode acontecer que uma vontade superior se apodere do sujeito completamente; basta para isso que ela ocupe o seu centro magnético: acontecem então os fenômenos lamentáveis de obsessão e mesmo de possessão, onde muitas vezes a mediunidade dá o perigoso exemplo. É o caso das aparições onde um invisível, geralmente desconhecido, se apodera do fantasma ou mesmo da alma do médium em estado de letargia para se manifestar em aparições tangíveis e ativas.
Finalmente, se o passivo acrescenta à faculdade absorvente de sua constituição uma grande energia de desejos (proveniente da predominância da alma ancestral ou manas inferior), ele se transforma num verdadeiro vampiro astral. Assim se explica a ação particular e muitas vezes surpreendente de certas mulheres sobre seres masculinos; também se encontra num plano superior a explicação do charme feminino em geral. Os antigos simbolizavam a influência particular sobre as almas mais viris pelos domínio de Vênus sobre Marte, de Dalila sobre Sansão e outras lendas análogas.
Observamos agora o temperamento ativo.
Seria quase inútil repetir o que já dissemos: ele será magnetizador ou psicólogo (note que o termo psicólogo é utilizado com uma significação bem diferente da usual), conforme a direção em que seu centro magnético for levado: para o corpo ou para a alma. Se for psicólogo, disporá à vontade deste deslocamento. O que nos interessa saber é o uso que ele fará da força que sabe absorver, concentrar e dirigir. Pode projetá-la sobre seus semelhantes mais passivos, sem consentimento, ocupando-os de surpresa com a cumplicidade de seus centros magnéticos. Produzirão assim uma série de obsessões mais ou menos irresistíveis.
Vergonha e infelicidade sobre aquele que exerce esta faculdade relativamente fácil com a finalidade de prejudicar o seu semelhante. Além da degradação de sua alma ele cria uma verdadeira força de volta, uma reação igual à ação, que recai sobre o autor do crime.
O ativo também pode, ao contrário, forçar as emanações magnéticas daqueles que influenciam a tomar uma direção que lhe permite absorvê-las. É o magnetismo por atração; charme muito difícil de se praticar, mas mais poderoso e mais eficaz do que o seu oposto, o magnetismo por constrangimento, e terá a força do amor que domina toda a criação.
Num grau superior e muito difícil, esta prática dá ao operador o dom da leitura de pensamento, deixando o sujeito perfeitamente inconsciente das intimidades que ele revela. O médium também pode ler pensamento, mas quando o faz é inconsciente, enquanto que o sujeito ativo faz uma leitura voluntária. É fácil compreender que este exercício exija tanta elevação espiritual quanto vontade, pois supõe que a força central seja transferida em um espírito inferior muito desenvolvido. Esta é uma das funções preciosas do psicólogo.
Em vez de agir sobre os seus semelhantes, o ativo pode agir sobre si mesmo. Traz suas forças magnéticas para o organismo corporal e nele produz todos os efeitos curativos, como certos faquires da Índia que conseguem curar seus ferimentos graves instantaneamente.
Também poderá se colocar, somente por sua vontade, em estado de sonambulismo de todos os graus e até sair do corpo astral onde o corpo espiritual está envolvido inteiramente (fantasma, centro magnético e alma ancestral), arrastando uma parte do espírito interior de maneira a poder realizar a ubiquidade completa e de aparecer com todas as faculdade humanas num lugar diferente daquele onde seu corpo dorme.
É fácil de se compreenderem as dificuldades de semelhantes realizações. A força de vontade nestes casos não é suficiente para se defender dos ataques dos seres invisíveis, de maior força ainda, desejosos de ocupar a forma corporal abandonada; pode acontecer uma complicação orgânica, muitas vezes mortal se o operador se precipita bruscamente em socorro dos seus despojos, ou a alienação mental (alienum in mente) se ele não pode reentrar.
Vemos então que desenvolvimento psíquico é necessário para se realizar uma atividade espiritual igual àquela que supõe a ubiquidade voluntária.
O êxtase que permite à alma penetrar nas regiões ultraterrestres é da mesma ordem. Esses fenômenos são reservados aos psicólogos mais elevados. Mas se por acaso o pensamento do mal dá força a uma inteligência poderosa, devemos lamentar amargamente a alma que exercerá semelhantes poderes.
Finalmente o ativo pode dirigir seus eflúvios magnéticos sobre os seres invisíveis e as forças naturais. Assim consegue os fenômenos de ordem mágica. Assim é permitido ao homem, por exemplo, ativar a vegetação como fazem alguns faquires. Ou, ao contrário, retirar deles uma parte dos seus eflúvios magnéticos carregados de força vital. Pode também modificar as forças físicas até, por exemplo, se tornar invisível na atmosfera, praticar a levitação, interferir nos fenômenos meteorológicos, decompor a matéria e em seguida refazê-la no lugar onde quiser. O alquimista pertence a esta espécie de fenômenos.
Os poderes concedidos a uma criatura são proporcionais ao seu avanço sobre a rota indefinida que se estende entre o nada e as beatitudes conscientes do ser. As funções da natureza são operadas na maioria das vezes pelo próprio espírito porque o nada ainda é muito fraco para ter uma iniciativa suficiente. As funções cósmicas, principalmente, físico-químicas, meteorológicas, que são de ordem universal, não podem ser abandonadas a criaturas ainda incapazes de compreender o fim tão bem como o funcionamento, incapazes principalmente de executá-las com desinteresse. O comando das forças e dos espíritos naturais exige uma grande perfeição moral, a mais alta espiritualidade, e só pode ser exercido para o bem universal como auxiliar da vontade divina. Os fenômenos teúrgicos, tão raros quanto sublimes, são desta mesma ordem porque supõe uma alma superior à humanidade comum, pronta para as regiões celestes. Entretanto, a ambição e o orgulho do homem são tão grandes que ele chega a cobiçar os poderes alheios quando os seus são poucos. E de fato pode usurpá-los, tal é a latitude que o criador lhe deu. Mas com quais riscos? Esta usurpação se constitui na obra mágica, no naturalismo, e nas obras baixas de feitiçaria. Depois dessas explicações, bastam algumas palavras para defini-los.
A magia cerimonial é uma operação pela qual o homem procura constranger, pelo próprio jogo das forças naturais, os poderes invisíveis de diversas ordens e agir segundo o que lhes pede. Ele surpreende e consegue, projetando pelo efeito das correspondências que supõem a unidade da criação, as forças das quais ele mesmo não é o mestre mas podendo abrir para ele caminhos extraordinários. Daí surgem esses pentáculos, estas substâncias especiais, essas condições rigorosas de tempo e de lugar que é preciso observar sob pena de grandes perigos porque o audacioso estará exposto à ação de poderes perto dos quais ele não passa de um grão de poeira.
A magia cerimonial é absolutamente da mesma ordem da nossa ciência industrial. Nosso poder é quase nulo perto do vapor, da eletricidade, da dinamite; mas, ao contrário, por combinações apropriadas de forças naturais tão fortes quanto elas nós conseguiríamos transportar ou quebrar as massas que nos anulariam, usando-as então para nos transportar de um lugar para o outro e nos prestar uma série imensa de serviços.
A magia supõe então uma confiança audaciosa na ciência e somente nela. Pede apenas inteligência e conhecimento das forças invisíveis. Ela rouba o seu uso que está reservado àqueles que o amor do ser elevou à altura do sacrifício de si mesmos (arcano XII do Tarot). É por isso que a Luz do Egito representa-a para nós com razão como sendo o suicida dos elementos femininos da alma humana; os antigos o simbolizaram pelo castigo de Prometeu.
Prometeu tinha conquistado a ciência que o fazia orgulhoso. Mas por um Prometeu, quantos pobres mágicos ignorantes, miseráveis cozinheiros do astral, inteiramente ignorantes de suas reações se queimaram cruelmente em seus fogos!
O segundo caminho torto que conduz à produção de prodígios é o naturalismo. Longe de cometer audácias ele é completamente passivo, ainda que intelectual. Ao contrário do primeiro, pode ser representado como sendo o suicida dos elementos masculinos da alma. Consiste em se submeter aos espíritos naturais em vez de dominá-los. Assim procedem muitos faquires e médiuns. Através dele poderá ser reproduzido tudo o que os poderes dos espíritos quiserem com a ajuda de um organismo encarnado: crescimento rápido dos vegetais, curas instantâneas, alucinações por correntes poderosas dos elementais Kama-manasiques sobre o centro magnético dos espectadores e outros prodígios feitos por diversos praticantes de baixo estágio, principalmente na Índia.  Estas práticas não acontecem sem uma certa sedução: é preciso uma certa religião, uma certa santidade, uma espiritualidade aparente para se submeter aos etéreos invisíveis, frequentemente muito poderosos em suas esferas. Mas qual é o prêmio por estas inúteis vaidades?
Adorar os espíritos naturais, identificar-se com eles, emprestar-lhes o organismo humano é fazer um ato de regressão contra a natureza; é a mesma coisa que renovar a queda do anjo cantada por Lamartine. Sem dúvida ajuda-se poderosamente a ação desses espíritos de ordem inferior e suas ações tão universais como as nossas, mas decompondo a personalidade consciente para descer ao nível deles. É ao mesmo tempo um ato de ingratidão para com a providência cujo socorro divino levou o homem até as portas do Céu. Enfim não podemos deixar de reconhecer neste esforço de uma miserável ambição uma espécie de baixeza que está acima da magia cerimonial.
A feitiçaria é uma outra forma dessas passividades mais repugnantes ainda. Acrescenta à fraqueza do naturalismo a ignomínia e a covardia do mal que se esconde para satisfazer as paixões mais vis. É inútil lembrar aqui os terríveis retornos: devem ser julgados pela consideração dos espíritos aos quais o feiticeiro entrega a sua alma.
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 Retirado da obra :
Tratado Elementar de Ciências Ocultas (Papus)

Este post tem 7 comentários

  1. K.G.Gomes

    Muito interessante essa parte, caberia até uma comparação com os humores de Empédocles e Galeno e os tipos psíquicos de Jung.
    Eu até entendo que é de época esse preconceito dele com a feitiçaria, mas não sem razão pelos casos de charlatanismo e crimes comuns no período. Até mesmo a terminologia é bem peculiar e próxima a medicina que ele praticava.
    No mais é um ótimo texto. Fica até a sugestão de fazer um comparando o que Kardec codificou com o que Papus abordou, seria um casamento interessante entre o espiritismo e a prática espiritual analisada pelo ocultismo, porque combinam bastante.
    Inté,
    K.’.
    @jeff – Grato pelo comentário.

  2. Hudson

    Estou acompanhando a série com muito interesse. Só acho que você poderia colocar o equivalente desses termos como alma interior, alma ancestral, etc. nos correspondentes do sistema mais conhecido de duplo etérico, corpo astral, mental inferior…etc. Facilitaria muito o entendimento, se for possível tal equivalência.
    @jeff – Dica anotada. Lembrando ainda que tal equivalência dá para ser feita através da primeira parte da série.

  3. Leonardo Borges

    Só uma dúvida meio fora do contexto , quando uma pessoa morre , ela desencarna então o que acontece o espirito dela sai consciente igual quando estava viva ou não porque na situação citada ela não despertou a conciência , dizem que esta conciência ao longo da vida a maioria só usa 3% dela , isto é verdadeiro ? Outro fator li em forums onde fiz esta pergunta que ela vai pra sua determinada egregora , ou seja pro céu ou inferno cristão , ou Islã ou evângelico e tal , isto também é verdadeiro ? Estou perguntando a você porque creio que tenha um bom conhecimento na área , a maioria dos forums de debate eles me deram respostas em pedaços e alguns achismos .Grato pela atenção.

  4. Elton Francisco

    Jeff, achei a série interessante, bem fundamentada. Esclareceu-me alguns pontos e, sem dúvida, me levará a meditar um tempo.
    Particularmente, acredito na possibilidade de um exercício mediúnico ativo, ou seja, um mago pode trabalhar direta ou indiretamente com ajuda de alguma entidade, sem se submeter a ela de maneira passiva… mas acho que isso renderia outra dicussão em outra situação.
    Gostaria de uma exploração maior, se possível, da Teurgia.
    Um grande abraço,
    Francisco

  5. melk

    Na conjuração de espíritos o sujeita não se torna tão passivo como trabalhando com espíritos dependendo da intenção de como se faz esta condução?

  6. Gildor

    Magia cerimonial não é o que as ordens thelemicas, em geral, fazem?
    O texto as condena veementemente.
    Então qual seria o modelo “certo” de magia a se seguir?
    Cada vez fico mais confuso. Os livros do Kardec também condenam símbolos, ritos etc e o chama de superstição.
    @MDD – o “modelo certo” é o que funcionar para voce. Aqui no TdC postamos textos de todas as vertentes e é normal encontrar pontos de atrito de acordo com as ideologias de cada egregora quanto ao método de treinamento.

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