Livro Brasileiro de Magia do Caos

Confira no Clube de Autores o meu novo livro de Magia do Caos: Agracamalas, O Grimório das Casas. Já temos alguns ótimos livros de MC escritos por autores brasileiros, e é com grande prazer que anunciamos mais um. Já escrevi outros livros com temáticas de ocultismo, alguns deles fortemente caoístas, como o Grimório dos Gênios, mas essa é a minha primeira tentativa de escrever um livro integralmente caoísta.

Um livro pequeno, com apenas cem páginas, mas que trata de um grande número de tópicos, com linguagem acessível. Minha proposta foi apresentar um plano dimensional com casas de cura para diferentes males mentais. Ou seja: se em algum momento de sua vida sua mente parecer desordenada como um galho torto, basta acessar esse plano de consciência para tentar desentortá-la.

E isso dá certo? Bem, nem sempre! Nenhuma magia é 100% efetiva, e nossa solução é lidar com os fracassos mágicos com bom humor. Por isso os habitantes da Cidade Sucinta (os magos que moram nesse plano mental do qual falamos) jogam o Jogo de Agracamalas para passar o tempo. O objetivo desse jogo não é vencer, mas falhar. Em outras palavras: ganha o jogo quem envelhece, fica doente e morre mais rapidamente…

E para que serve um jogo tolo como esse? Não para te convencer a falhar, mas para te mostrar que nem sempre estamos no controle, e que isso não é realmente ruim. Quando você começa a analisar os lados bons do fracasso, passa a entender que até quando algo não dá certo, existe algo a ganhar. E mesmo quando ganha, há algo a perder.

Ou, como diriam os sucintos: “Quando você morre, você não perdeu o jogo. Apenas trocou de tabuleiro”. Que tal tentar realizar algumas formas de “magias reversas” para desafiar a sua mente? Se você falha, você vence. E se vence, ganha um brinde de consolação: um baú mágico com uma surpresa astral, que pode ser agradável ou desagradável, conforme o lado do tabuleiro no qual se encontra.

Com O Grimório das Casas você aprenderá diferentes formas de acessar a dimensão mental da Cidade Sucinta (por intermédio da visualização, evocação, divinação, dentre outros meios ainda mais improváveis) e descobrirá como realizar feitiços úteis ou completamente inúteis (dependendo do ponto de vista, ou da versão do jogo) do Jogo das Casas.

Mas não fique muito animado, pois o jogo ocorre dentro de um labirinto (a complexidade de sua mente). Como diria Peter J. Carroll: “Cada nova forma de libertação está destinada a eventualmente se tornar outra forma de escravidão”. Na Religião do Labirinto Sem Fim, praticada pelos sucintos, é impossível achar a saída do labirinto. A Casa da Saúde ou a Casa do Prazer podem parecer saídas. Até mesmo a Casa da Morte está disfarçada de libertação, mas todas elas apenas te levam a novos labirintos.

O que fazer quando sua mente está presa? Vamos pegar outra sugestão de Carroll: “Crie, destrua, aproveite, IO CAOS!”. Para quem enjoou de jogar o Jogo de Agracamalas ou o acha muito chato, há outras opções interessantes. Aprenda a criar diferentes formas de sigilos e servidores, convocar animais mágicos, montar sociedades secretas ou até transformar em magia os exercícios aparentemente mais banais (como estourar plástico-bolha). E se até isso soar entediante, te daremos uma receita simpática de como construir novos planos mentais, Deuses e mundos. E a magia mais fantástica (e mais difícil): construir uma nova mente.

Eu poderia citar dois livros que foram fontes de inspiração para a escrita de Agracamalas, embora não se pareça com eles. Quando eu li Macunaíma, de Mário de Andrade, apaixonei-me pela forma deliciosamente irreverente e genuinamente brasileira da obra (brasileira na maneira que apresenta variados aspectos de nossa multiplicidade cultural), escrita com uma linguagem repleta de informalidades e gírias. E após a leitura de O Jogo das Contas de Vidro, de Hermann Hesse (Hesse conquistou o Prêmio Nobel de Literatura com essa obra), decidi que eu queria inventar um jogo com um objetivo diametralmente oposto.

O Jogo de Avelórios de Hesse é um jogo extremamente complexo realizado com contas de vidro (muito popular em mosteiros beneditinos), utilizando linguagem oculta e que exige conhecimentos avançados de diversas ciências e artes, especialmente matemática, astronomia e música. Esse livro é evidentemente uma crítica aos intelectuais alienados que se dedicam à “beleza vazia dos saberes superiores”. A seguir, alguns trechos do livro de Hermann Hesse:

“– Devemos dar importância aos sonhos? – perguntou José. – Podemos decifrar seu significado?

O Mestre fitou-o nos olhos e disse concisamente:

– Devemos dar importância a tudo, porque tudo pode ser decifrado”

“A vida em seu conjunto, tanto sob o aspecto físico quanto espiritual, é um fenômeno dinâmico de que o Jogo de Avelórios no fundo só apreende o lado estético, e aliás o apreende de preferência na imagem dos processos rítmicos”.

“Quem chegasse a ter a vivência completa do sentido do Jogo não seria mais jogador, não estaria mais dentro da multiplicidade, e não lhe seria possível sentir prazer em nenhuma descoberta, nenhuma construção e combinação, porque ele conheceria uma espécie bem diversa de prazer e de alegria”.

Sendo assim, o Jogo de Avelórios buscava uma espécie de “sabedoria superior” ou “prazer superior” que ia se distanciando tanto do corpo e do mundo que chegava ao ponto de se afastar da própria vida. Uma espécie de beleza inexistente e inalcançável.

Decidi que o Jogo de Agracamalas devia ser o exato oposto: você não pode ser inteligente demais para jogá-lo ou começará a fazer muitas perguntas e elucubrações complexas, e esse ato faz com que você perca a essência do jogo, que é o sentir, o devir. Em vez do acúmulo de conhecimentos, valorizamos o esquecer (como quem esquece um sigilo e se ocupa de outras coisas, ou quem muda constantemente de paradigma) para que cada momento seja uma nova descoberta. E, finalmente, a meta não é o conhecimento e sim uma alegria despreocupada; não a seriedade, mas o riso. Não o encaixar das artes, mas o desmontar delas, como num labirinto sem saída, mas repleto de surpresas mágicas e possibilidades infinitas.

Há muitas magias no grimório que são obviamente piadas. Mas a piada maior é que elas são possíveis de usar, contanto que você as leve a sério o suficiente para dar certo, mas não tão a sério a ponto de… usá-las de novo ou contar para alguém que você realmente fez isso.

Esperamos que o Grimório das Casas seja de seu interesse. Enquanto isso, você pode conferir algumas histórias minhas de graça no Wattpad. Também há contos espalhados pelo grimório, para sua inspiração e reflexão.

 

Este post tem 12 comentários

  1. Madhos

    Seu livro parece trazer uma experiência bem interessante. Sua forma de escrever capturou minha atenção – ainda mais ao citar as referências de Mário de Andrade e Herman Hesse (ainda não li O Jogo das Contas de Vidro, mas acaba de ir para a lista).

    Estou interessado em aprender mais a respeito da Magia do Caos. Que leituras você recomenda?
    @Wanju – Fico contente de ter capturado sua atenção. Para a Magia do Caos, o básico a ler é Peter Carroll, que é praticamente o papa desse sistema. Além dele, recomendo Phil Hine e Ramsey Dukes (Dukes é meu favorito). No meu blog eu fiz resenhas de vários livros de caoísmo, se for de interesse.

    1. Madhos

      Interessa sim, lerei-as. Grato.

    2. Tim Markx

      Leia inicialmente Stephen Mace:
      “Shaping Formless Fire” é um livro OBRIGATÓRIO pelo fato de ser bem introdutório. Leitura muito fácil. Capítulos curtos e precisos.
      Depois leia “Taking Power” e por fim “Stealing the Fire From Heaven”. Esse último é a ‘Fina Flor do Abacateiro’ na Magia do Caos.

      Ah, dois livros que vc não pode deixar de ler (praticar): “Hands On Chaos Magic” (do Andrieh Vitimus) e “The Book of Magic Power” (do Newcomb)!

      Todos são facilmente encontrados na web…..se é que vc me entende…hehehe
      @Wanju – Agradeço também pelas recomendações, pois quando comecei a ler livros de MC peguei listas de recomendação da IOT UK e North America, que são bem resumidas. Por sincronicidade, ontem mesmo eu estava lendo uma entrevista com o Andrieh Vitimus sobre o “Hands On Chaos Magic”.

  2. Rodrigo Henrique

    Gostei da descrição do livro e do sistema e gostaria de saber se pra alguem que não conhece praticamente nada de MC, há o risco de ficar meio perdido. Se for o caso, existe algum conhecimento prévio que é indicado pra poder absorver melhor o livro? Obrigado.
    @Wanju – Há o risco de ficar um pouquinho perdido, mas acredito que o livro pode sim ser bem aproveitado por quem está começando.

    1. Kell' Er

      Acompanho a Wanju a algum tempo, hoje ando até meio perdido na infinidade de blogs que ela possui e alimenta, apesar de ter diferenças quanto a sistemática que ela usa (que a meu ver é uma mistura genial e funcional de My Little Poney com Call of the Cthulhu), garanto que são simples e dão resultados, e se você não conhece muito de MC melhor. Ela ja apresenta de cara o mais importante deste sistema, o “fato” de que ele é um METAsistema. e você tem que ler, estudar, praticar muito, e assim esticar o seu microcosmo até que as raças dentro de você conheçam os planetas e multiversos umas das outras, montem uma federação, guerreiem, e os klingon encontrem os kryptonianos.

      Esse é um bom começo, alguma saúde mental é útil para um Mago do Caos.
      @Wanju – Muito obrigada. Hoje em dia só escrevo em dois blogs, o meu pessoal e o de ocultismo. Não atualizo mais o Fábula dos Gênios, apenas o mantenho online para que as pessoas tenham acesso aos meus livros ilustrados. Adorei a sua explicação sobre caoísmo. Se você me acompanha, entre em contato comigo, se desejar. Quem for ler meu livro pode me enviar uma mensagem depois dizendo o que achou (quem achar uma merda, me diga isso de forma educada, mas pode dizer ehehe).

  3. Adriano

    Livro encomendado ^^
    @Wanju – Muito obrigada, espero que goste! 🙂

  4. Yuri

    Parabéns Wanju!

    Muito Sucesso!
    @Wanju – Valeu Yuri!

  5. Hamilton

    Comprei teu livro e eu gostando bastante. Parabéns!
    @Wanju – Obrigada!!

  6. Roberto

    Muito intessante o texto. Nos leva a uma busca, mas adverte para que também aceite o mistério…
    Insinua uma certa revelação , ou apenas um confirmação. A gente escolhe. Mas interage diretamente com a consciência…
    Tô curioso.
    @Wanju – Aceitar o mistério; gosto desse pensamento. E fico feliz de ter atiçado sua curiosidade.

  7. Allan

    Olá, Ju, tudo bem?

    Inicialmente, desculpe-me pelo tamanho que vai ficar este post. Sou membro de algumas Ordens Tradicionais, mas gostaria de começar a praticar a Magia do Caos (as possibilidades são ilimitadas). Tenho algumas perguntas para fazer:

    1) Não há Hierarquia no Caoísmo (pelo menos não da forma dogmática que conhecemos), certo? Então como funciona a iniciação? O Robe, o Anel e a Insígnia são o que te identifica perante a Egrégora? Basta praticar os ritos e práticas caóticas para ser abraçado pela Egrégora? A Egrégora nos protege mesmo?

    2) Vou precisar iniciar por conta própria, pois acho a IOT meio estranha e o Pacto Gnóstico NOX não oferece modalidade de estudo à distância. Não tenho disponibilidade de tempo ou $ para viajar atrás destes conhecimentos. Como começar as práticas de forma segura, sem ser alvo de eguns vampirizadores ou ataques astrais?

    3) A Fagenar Vibri terá modalidade de estudo à distância? Há alguma disponibilidade de vir dar algum curso aqui em Vitória/ES?

    4) Como se dão os Rituais? Faço primeiro o Caótico e depois faço o ritual do sistema que estiver estudando? Ou já começo adaptando os sistemas logo de cara?

    5) Enviei um comentário semelhante no post abaixo: http://www.deldebbio.com.br/2013/07/21/livro-brasileiro-de-magia-do-caos/capa-de-agracamalas-2/
    Pode apagá-lo para não ficar com spam.

    No mais, achei o seu trabalho muito legal. A linguagem consegue ser bem objetiva e bem viajante ao mesmo tempo. A impressão que tive foi de estar lendo o diário do Menino Maluquinho, ou melhor, da Menina Maluquinha [no bom sentindo, hein? Longe de mim querer ofendê-la!]. Assim que tiver condições, devo adquirir um exemplar. Deve facilitar muito como proceder com a Magia do Caos.
    @Wanju – Oi Allan, não se preocupe pelo tamanho do post. Gosto de pessoas que escrevem bastante, eu mesma escrevo um monte.
    1) Hierarquia funciona somente até o ponto que o praticante ou o grupo julguem necessário. No caoísmo o importante é que certa prática seja efetiva, o resto (ritos, filosofia, etc) são negociáveis. Na IOT o Carroll criou um sistema com graus e ritos no Liber Null, então o uso do robe, anel e uma iniciação num molde mais tradicional poderiam existir dentro desse paradigma. Mas outros paradigmas seriam igualmente válidos.
    2) Primeiramente, é importante ler alguns livros básicos de Magia do Caos somente para entender a proposta geral. Na MC não é exigido que você leia extensivamente como na magia tradicional, pois a ênfase está na criação de sistemas e paradigmas. Mesmo assim, vale a pena pesquisar um pouco para entrar na atmosfera caoísta. Depois disso, é totalmente possível uma prática solitária. Para proteção é recomendado o desenvolvimento de servidores de ataque e deseja mágica, embora existam muitas outras alternativas eficazes.
    3) Atualmente a Ordem não está formalmente ativa, embora eu mantenha contato com alguns membros antigos. Os cursos por enquanto serão somente online, então pessoas de todos os lugares do Brasil podem participar. Se houver algum curso até o final desse ano, avisarei no meu blog ou aqui pelo TdC.
    4) No caoísmo você pode utilizar rituais pré-prontos e adaptar, ou criar os seus. O ideal é que se comece usando modelos, para se acostumar, e ir progressivamente desenvolvendo seu próprio sistema/paradigma, e dentro dele serão formados os rituais.
    5) Sem problemas.
    Muito obrigada, fico contente de você ter apreciado o meu trabalho. O livro em si, mesmo possuindo linguagem simples, possui partes que exigem alguns conceitos um pouco mais avançados de MC. Por isso, eu pretendo escrever um novo livro de Magia do Caos, dessa vez completamente introdutório, voltado para iniciantes. Espero poder lançá-lo até o final de agosto.
    Se ficar alguma dúvida, fique à vontade para me fazer novas perguntas e eu terei prazer em tentar ajudar.

    1. Tim Markx

      Olá Allan.

      Vc conhece a lista Kaos-brasil? br.groups.yahoo.com/group/kaos-brasil/

      Entre lá e pergunte sobre Caos O Jogo: esse jogo é um RPG mágicko, jogado por email, que na verdade é um treinamento bem completo em magia do Caos.

      []’s
      @Wanju – Eu fazia parte dessa lista em 2006 e aprendi muitas coisas, portanto também recomendo 🙂

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