das aparências…


Bonzinho eu? Quem disse tal infâmia? Pode ser muito bem um posicionamento de um ocultista. Principalmente hoje que não se precisa mais ocultar-se de fato. Ao longo dos anos o que mais vi foi um certo tipo de êxodo, um êxodo de postura por assim dizer. Os indivíduos um tanto quanto controversos nesse meio saíram do suposto anonimato ao qual faziam parte e desataram de suas costas parte dos rótulos, tão vis em todas as épocas. Deixaram os mantos que traziam uma aura de sagrado e secreto e começaram a utilizar coisas mais úteis, como luvas que levam nossas mãos aos livros importantes por exemplo. Mas isso já não ocorre tanto com os místicos e esotéricos perdidos por ai. Não que eles não mereçam respeito, mas é difícil levar em consideração pessoas que veem brilhos onde não tem e naves pra quem não precisa. O que mais fulminou a meu ver o respeito para com tais indivíduos fora o que se chamou por New Age. Coisa curiosa se pensarmos que esse mesmo movimento causou um boom no interesse de toda uma geração, e teve seu mérito. Mas o quanto de alienados e pseudo bruxos não surgiram por causa disto? Místicos que só precisavam acender um incenso para sorrirem como bobos enquanto pulavam pela planície cheia de flores imaginadas. Isso pode parecer exagero mais não é.

 
O bom senso é algo de fato muito interessante. Outra coisa muito útil é o discernimento para com os indivíduos. Identificar um místico real de um pseudo não é muito fácil. Os dois vão ver deus em tudo, seus olhos vão brilhar com tudo, suas ações serão muito sagradas sempre, mas o pseudo nunca conseguirá o que o real místico consegue. Alento às suas preces sem ilusão. O mesmo ocorre com os pseudo esotéricos. Estes dificilmente terão respostas a partir das suas práticas. Vale falar dos filósofos de araque, que encontram qualquer saida por meio de qualquer citação de qualquer filósofo de qualquer era, mas no fundo não conseguem juntar os próprios pedaços. Consideremos também os ateus, mas estes ateus de hoje já não são como os de antigamente. E assim vale para todos, incluindo os ocultistas de boteco que leem qualquer livro que fale de rituais e se sentem os mestres do desconhecido. “Ah! Pobres tolos, se admitissem o pouco que são seriam maiores do que tentando se vangloriar do que não possuem”. E o velho sábio se cala, não pode falar muito pois corre o risco de ser confundido. Assim hoje o quarto verbo do mago, –vide Eliphas-, CALAR, é mais do que nunca imprescindível. Ser discreto para com o mundo ao redor, não por medo do que os outros achem ou deixem de achar, mas por preservação de seus projetos e intuitos. Calar é sempre uma das melhores opções, mas claro ainda temos mais três verbos.
 
Assim hoje vejo algo circusntancialmente distinto de antes. Mas não saberia afirmar se isso ocorre por que algo de fato está mudando ou por que eu estou me distanciando daquilo que não me serve. Difícil responder isso. Já tive o desprazer de me envolver com todo tipo de gente que trafega nesse meio e minha opinião nunca conseguiu seguir outro rumo. Todos eles tomaram pra si uma postura teatral muito impressionante, mas esqueceram que tolo é somente quem atua achando que o mundo engolirá sempre suas asneiras. Já vi pessoas agirem como mestres do templo, com a soberba típica de um grande hierofante. Eu olhei ao redor vendo mesas velhas, quadros simples, um sítio perdido no meio do nada, pessoas amigas atrás de uma nova porta de experiência e um energúmeno que se tivesse um cedro na mão estaria batendo em mim com ele. Foi tão curiosa a situação que me peguei em certo momento de devaneio “daimistico”, por assim dizer, colocando o dedo na cara dele e dizendo algumas verdades. Ri um pouco e me contive em ficar na imaginação somente.
 
Isso em si demonstra o quanto de fato o ser humano não sabe o que fazer. Primeiro ele teme demasiadamente tudo – (marcas dos dogmas?) – : inferno, dor, o outro, o ladrão, o político, a queda, a dor de estômago, o desprezo, o desafeto e por ai vai. Segundo estes seres humanos não conseguem soltar suas próprias amarras. É difícil fazer isso se teme tomar ‘pra si mesmo’ a autoridade necessária pra ser livre neste ponto. Terceiro ele duvida. E isso é de fato o pior dos inimigos. Ele duvida de tudo, até mesmo da dúvida que lhe faz duvidar. É tão absurdo isso que ele acha que não duvida, até por que ele teme ficar confuso. Sendo assim é fato o beco sem saida. Pra onde se olhe nada poderá dar certo. Nada terá sucesso dentro deste molde. E é disso que surge um pseudo místico, bruxo, ocultista e religioso. Todos eles mentem pra si o tempo inteiro. Dizendo que são especiais por fazerem o que fazem. Falando que as hostes celestiais escutam suas preces quando eles mesmos não conseguem decodifica-las. Mas apesar de todas essas considerações acabo por lembrar: “o que seria dos inteligentes se não fossem os burros?”. Ridículo isso.
 
Não me sinto melhor por poder me vangloriar, ao que parece, por ter tido práticas e respostas reais. Muito pelo contrário. Sinto-me solitário por ver que se abrir a boca as pessoas dificilmente me entenderão, não por serem burras, mas por não terem coragem ou disposição para escutar de verdade. Já imaginei um mundo bem distinto desse que temos onde as aparências não seriam o importante para respeitarmos os outros. Mas como a psicologia desvela tememos aquilo que mais se aproxima de nós. Sendo assim, se você for um destes ‘pseudos’ não se enraiveça despropositadamente. Aproveite o momento de insight e olhe de fato no espelho sem medo de ver sua cara de demônio e anjo emergirem divinamente das profundezas desse mundo esquecido que há dentro de todos nós… e se entregue.
 
 

Djaysel Pessôa

S.O.Q.C.

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Este post tem 12 comentários

  1. Ronaldo Battistela

    Legal, dá o que pensar. Não sei se me incluo na categoria ou não…
    @Djpes: já vale permitir-se a dúvida…

  2. Mariana

    Pelo título, achei que fosse uma coisa, depois que comecei a ler, vi outra, e depois outra e outra e outra.
    Dá o que pensar meeesmo.

  3. Luiz

    Belo texto. [=
    Pelo que entendi ocorreu essa profusão de pseudos devido a “senso comunização” do conteúdo místico. Sem contar que vivemos um período de parcialidade e fragmentação como jamais se viu. As personalidades, mais do que nunca, tem sido como mantas de retalho, estão fragmentadas,multifacetadas, “multidentificadas”. A era do fast-food da banda larga e da extrema ´profusão de (des)informação chegou ao meio oculto também pelo que vejo. Acho que é a tendência da época mesmo. Deve ser frustrante para alguém tão apaixonado por uma causa ver isso tudo ocorrendo dessa maneira.
    “Lutar/seguir/viver por um ideal? Pra que? Não tenho tempo pra isso!”
    Somos o que somos, se não somos o que aparentamos ser, acho que somos falsos. E quem é verdadeiro?
    @Djpes: talvez o mais complicado, mas não menos proveitoso é se ver envolvido com isso. Ter de se desvencilhar de práticas tolas não é tão simples como poderia ser, como acaba sendo o envolvimento. Mas tudo tem seu mérito, mesmo as coisas mais perniciosas e prejudiciais tem seu mérito diante do aprendizado. Se porventura eu não tivesse sofrido, por exemplo, com tais ‘pseudos’ quem sabe até que ponto eu teria me empenhado em buscar algo de substância? De qualquer modo o importante de fato é levar ao pensamento o questionamento de que podemos estar sendo pseudos com nós mesmos o que sempre será bem pior.

    1. Luiz

      O de não ser pseudo consigo mesmo é o desafio de fato. A integralização de si é o que a vida pode nos proporcionar, mas tem que saber gerenciar as circunstâncias Creio que essa integralização é algo contínuo. Mas no fim das contas tudo pode ser aprendizado né? Sem contar que nunca se sabe a demanda qualitativa de aprendizado que as pessoas necessitam de “evolução”. Sem contar o querer fazer.
      @Djpes: De fato a demanda qualitativa como vc coloca Luiz é um ponto muito interessante. Mas sendo breve é algo que realmente não dá pra avaliar de cara. Ter a sorte de olhar e ver um pseudo, escrito na testa dele isso, seria maravilhoso. Portanto o interessante mesmo é duvidar sempre que possível. Seguir o pensamento Eliphiano do teste para que desenvolvamos o ato de crer e não o da fé. Apesar de nobre a fé, esta é cega e demonstra certa subserviência.

  4. Paulo

    Realmente muito bom! É uma excelente síntese do que aconteceu com o ocultismo em pelo menos 10 anos.

  5. yoe lenon

    Isso do “calar” me lembra muito uma analogia: As pessoas que escutam os som mais alto são as que escutam justamente os sons menos “harmônicos”(tipo gaiola das popozudas) em ambientes publicos e as que apreciam uma musica mais amena escutam em reservado e suavemente.
    Como fosse a filha da Gula (loquacidade desvairada) quem não se saciam com nenhum conceito.

  6. Gabriel

    Creio que muito do que foi descrito é devido a “miscelancia” e criação de “novas vertentes”, um entrepasso para o desenvolvimento do caminho único e individual. O problema da maioria dos grupos é que depois de um tempo, começam a especular quem é mais evoluído, quem terá o grau X,Y,Z e poderá conduzir todo o grupo a “salvação” e “evolução”, quem poderá ser ouvido ou não, bem como o que é “real” ou não, mas fórmulas prontas não costumam ser eficazes para todos e experiencias sem algum discernimento teórico também. Alem do que, há o risco do que está alguns milímetros mais próximo da sabedoria que os demais, se aproveitar disso e se tornar um tirano. Não vejo nada demais nos passeios aos “campos floridos”, caso não se perca por lá e saiba diferenciar o “lá” de “cá”. Essa diferenciação é o que vejo como o problema new age: a falta de trato com o simbolismo do “plano da imaginação”, gerando ligas intergalácticas cada dia mais complexas, o que é até interessante, se fosse visto com o mesmo simbolismo com que vemos hoje a mitologia. Na verdade, são os criadores dos mitos modernos e talvez isso tenha também sua função, só acho uma pena se perderem neles, ao inves de beberem do seu sumo, apenas… Um exemplo pessoal interessante deste fim de semana: fui nadar no mar e me perdi observando as ondas, conversando com o Absoluto na forma de Yemanjá, que é uma das minhas prediletas. Estava reclamando do desinteresse pela vida, que me parece monótona, da falta de uma relação amorosa mais profunda e quando dei por mim, estava muito longe da praia e estava sendo puxado por uma corrente muito forte. Interessante quando vc nada e não sai do lugar e acha que vai morrer…rsrsrs… tudo o que fiz foi pedir: me mande uma onda grande, senão não terei forças. Eu que reclamava que a vida era monótona e que não tinha mais nada a fazer por aqui estava pedindo para viver, segundos depois…kkkk…. o ser humano é mesmo patético, quando se entrega ao ego inferior… As ondas vieram, uma após a outra, com as quais voltei nadando com o impulso delas. Tinha aprendido minha lição: por mais que eu diga que é a vida é um fardo, eu peço por ela na hora que ela está para ir…kkkkkkkk… A noite, recebi uma ligação e tive um encontro muito bom, algo acima das expectativas … Yemanjá?! Deus?! Eu?! SAG, Destino, coincidencia, imaginação?! Talvez, tudo isso junto: prefiro falar no Absoluto, no Todo e suas faces, etc.Muitas vezes eu me pergunto se sou pseudo “alguma coisa”, um doido, ou apenas alguem com uma imaginação acima da média… quando coisas acontecem, como ontem, eu me pergunto: importa?! no fim, mesmo os resultados não importam, pois com o tempo, isso será só mais uma coincidencia na mente, sempre sedenta por mais resultados, mais experiencias, mais provas, mais explicações, vendo sempre o que falta e o que nao tem ainda e duvidando…no fim, acho que sou mais um patético amontoado de pó tentando entender e prever a sua rota no olho do tornado, tentando ser mais, ter mais…foi mal…tenho que aprender o calar e parar com a filosofia misticóde de butiquim, mas é gostoso participar de um fórum de discussões, não?! se ver patético,como me vi ontem, as vezes pode ser uma glória, pois o que vier já é lucro, como a vida que já tinha e não perdi… ou não, ja que lucro maior poderia estar na partida..vai saber… abraços

  7. saymon

    Ao que me parece o texto é um desabafo, e não me atrevo a julgar o desabafo em si mesmo, porque o conceito de desabafo nada mais é do que expor, colocar para fora uma verdade interna. Aqui está um ponto, a Verdade do autor se contrapondo à verdade do leitor. Aos que possuem uma verdade em comum, elogios. aos que possuem uma verdade diferente, críticas (e eu dissertaria aqui sobre a impossiblidade de um “materialista” postar no site, mas eu já os VI por aí, hehehehe)… Mas há aqueles que vêm apenas com o intuito de aprender, e nesse caso, reflexão…e a reflexão pode ser provocada independente da congruência das verdades (autor e leitor).
    sou um leitor recente do site, e aos poucos vou expondo um pouco mais sobre o que penso.
    Abraços
    @Djpes: entretanto, de desabafo isso aqui só tem a cara. Não argumentarei nesse espectro de observação, mas desde já pela declaração de iniciante no site alerto que os textos que construo falam demasiadamente do humano, e como ainda sou humano me incluo devidamente. Pra mim não há melhor fonte do que a própria experiência e se me permite esclarecer pincelo sempre que posso com elas, já que as dos outros são dos outros. Por fim o que importa de fato aqui não é o que fiz ou que venho a fazer e sim o que consigo estimular a partir das vírgulas e acentos que permeiam o que digo. Mas antes de qualquer conclusão não falo verdades. Isto só pertence ao indivíduo que as busca… o que falo aqui é suor e sangue. Abraço pra ti também, e seja bem vindo.

    1. saymon

      Espero que eu não tenha sido mal entendido. As entrelinhas do meu contário são apenas filosofias. Inúteis ou não, apenas ou filosofia.
      Na verdade eu estava fazendo apenas um comentários sobre comentários, algo comum aos cronistas que costumam olhar a torcida e não ao gol que está sendo feito.
      tudo o que disse se resume apenas na frase final do comentário que fiz, que define bem o que penso: “Mas há aqueles que vêm apenas com o intuito de aprender, e nesse caso, reflexão”
      É o que imagino que seja a vossa intenção. É o que vim fazer, agradecendo desde já pelos ensinamentos…
      sou um mero iniciante em tais estudos, todos os quais costumo ler neste site (maçonaria, umbanda, ocultismo, um pouco sobre cabala, etc).
      T.F.A
      @Djpes: acredito que não lhe compreendi mal. O que fiz foi declarar acerca destas tão sinuosas linhas um esclarecimento. De fato não fujo ao falar de mim quando escrevo e por isso acabo aparentando mesmo desenvolver desabafos. Mas isso em si não me desagrada. Desde que tais “desabafos” transmitam algo de útil eles podem ser o que for. E lhe peço que não veja como ensinamentos, apesar da pompa que as vezes coloco… veja como um diálogo aberto entre pessoas que se respeitam. Já que tal diálogo só é de fato interessante quando vocês veem e permitem-se dividir alguns segundos comigo colocando seus pontos de vista. Pode parecer simples, mas fico relativamente tenso diante da possibilidade do que posso encontrar advindo da opinião de vocês. E provavelmente talvez não seja muito claro, mas pra mim o texto só fica de fato completo quando a torrente de opiniões vem e passam… mesmo que isso só ocorra com cinco pessoas, mas já vale. Eu poderia dizer que minha vida foi meio que construída desta forma, por meio de pedaços doados das conversas que tive com aqueles que passaram pela minha vida. Aprendi o que não se pode aprender nos livros. De resto, como coloquei na resposta anterior, pois ainda não tinha visto essa sua intervenção… seja bem vindo. Aqui é o lugar pra meter o bedelho mesmo. Não há ninguém melhor que ninguém aqui… estamos todos voando com nossas próprias asas. Abraço

  8. llechner

    Otimo texto, mas acredito que todos tem seu valor e todos de alguma forma estão contribuindo para evolução deste mundinho “creu”como diz o DD(rsrsrs), pois as vezes ouvimos grandes verdades de alguns tolos.
    Como diria uma mestre que conheci, quanto maior sua luz, maior sua sombra.
    Gratidão

  9. Fortunato

    Uma concentração de alguém com cara de bobo, uma reverência a uma vareta de incenso, e uma postura em padmasana pré meditativa, desde que o bobo tenha o coração puro e mente algo iluminada por seus bons pensamentos e ações, não valeriam mais do que todas evocações aos seres dos elementos quando se tem raiva e intolerância?
    Como diziam os antigos magistas, e magia é essencialmente tão antiga quanto a new age (pois as verdades são eternas) “uma corrente de flores é mais difícil de romper do que uma corrente de aço”.
    O que há de mais novo no misticismo e na magia do que dobrar os obstáculos pela vontade dirigida ao alto, adquirir o conhecimento por todas as tentativas possíveis, e praticar o amor incondicional? Importa chamar a isto de magia ou new age? Há terríveis enganos nos magistas, como nos da new age. Mas o que vale são os acertos.
    Abraços e não me leve a mal.

  10. raph

    Eu chamo isso de “complexo de santo”… De fato, é algo tão pernicioso que provavelmente temos lutado contra ele não por anos ou décadas, mas por vidas, ou dezenas de vidas… Abs.
    @Djpes: gostei do termo! =P

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