Da psicanálise e algumas questões

Uma questão recorrente que tenho recebido em comentários ou mensagens é sobre o estudo da psicanálise. Pessoas com objetivos como o autoconhecimento e formas de melhorar a si próprios têm buscado no estudo da psicanálise ferramentas para estas tarefas. Neste texto, portanto, pretendo responder algumas dúvidas mais comuns e outras possíveis questões pertinentes.

1 – A origem da análise

Sigmund Freud, o criador da psicanálise, era formado em medicina e especialista em neurologia. Em seus estudos do fenômeno da histeria, porém, percebeu que muitos sintomas tinham origem em fatores psicológicos, e não em causas orgânicas. Freud desenvolveu então um tratamento inovador para a histeria. Através da, como ficou na época conhecida, talking cure, o método freudiano exigia apenas que o paciente falasse o que quisesse, sem nenhuma repressão ou vergonha, e através da livre associação de ideias, um pensamento levava  a outro, até que em certo momento a causalidade da doença podia ser alcançada.

A dificuldade do método residia no fato de uma força psíquica chamada recalque se opor a que as representações patogênicas viessem a se tornarem conscientes. Freud percebeu, no entanto, uma característica universal a tais representações: eram todas de natureza aflitiva, capazes de despertar autocensura e sofrimento. O “não saber” do paciente sobre elas era na verdade um “não querer saber”. A tarefa laboriosa do método estaria em superar essa resistência à associação.

O método freudiano foi um rompimento com o saber médico de então. Em primeiro lugar, por não compartilhar com ideias como a de determinação orgânica ou de que os doentes se tratariam de “anormais”. Em segundo, pela posição de que a análise não possa ser influenciada de alguma maneira por expectativas que não sejam uma própria “verdade individual” de cada paciente.

2 – A formação do analista

Em O Futuro de uma Ilusão, Freud escreveu sobre a religião descrevendo-a como “neurose obsessiva universal da humanidade”. Entretanto, numa carta a um discípulo, o pastor suíço Oskar Pfister, Freud manifestou tolerância com a dupla condição do colega dizendo: “Que o senhor possa ser um analista tão convicto e, ao mesmo tempo, um homem espiritual, pertence às contradições que tornam a vida interessante”.

Já Theodor Reik, amigo de Sigmund Freud, foi acusado de charlatanismo por exercer a psicanálise sem ter diploma de medicina. Freud publicou então A Questão da Análise Leiga, no qual defende que qualquer pessoa que tenha feito uma formação psicanalítica, e tenha sido submetida a uma análise própria, é apto para exercer a psicanálise.

Na carta a Pfister, Freud acrescentou ainda: “Não sei se o senhor adivinhou a ligação secreta entre A Questão da Análise Leiga e O Futuro de uma Ilusão. Na primeira, quero proteger a psicanálise dos médicos; na segunda, dos sacerdotes. Quero entregá-la a uma categoria de curas de alma seculares, que não necessitam ser médicos e não podem ser sacerdotes.”

Eu, particularmente, por concordar com a postura de Jacques Lacan em relação a transmissão da psicanálise, não acredito que ela possa ser ensinada apenas em um estudo sistemático. O que está em jogo na análise por parte do analista é a capacidade em sustentar um lugar, algo que não é aprendido se não pelo clássico tripé da formação do analista: a análise pessoal do aspirante a terapeuta, o ensino teórico e a supervisão clínica de um analista mais experiente.

3 –  Crenças em psicanálise

O que caracteriza a psicanálise como singular não está propriamente em sua técnica, mas em sua ética. Nela, dentre outras coisas, o analista tem muita reserva em relação à ambição educativa. O analista que incorrer no erro de achar que deve educar seu paciente e adequá-lo a comportamentos adaptados socialmente estará fazendo um grande desfavor. O objetivo da análise é o bem-estar do paciente a partir dos de seus próprios referenciais individuais.

A ressalva freudiana contra a apropriação da psicanálise por sacerdotes se insere justamente na reserva da análise em relação à ambição educativa, tão comum nas aspirações de religiosos que buscam o sacerdócio. Neste contexto que são reprováveis tratamentos como o chamado de “cura gay”. O que está em jogo na análise são os valores do paciente e o modo como ele melhor pode lidar com o mundo, e nunca serão os valores que o analista crê serem os melhores.

Analista e analisando não precisam compartilhar da mesma visão de mundo, e ainda que compartilhem, isto nada altera o processo analítico. Pois mesmo que tenham crenças e valores completamente contrários, isto não é por si mesmo impedimento para o trabalho analítico por dois motivos básicos: primeiro, pois se espera que o analista seja alguém que em sua formação adquiriu a capacidade de suspender suas crenças pessoais em prol da execução de seu trabalho; segundo, que as crenças do analista não estão destinadas a aparecer numa análise que não seja a sua própria. Por fim ainda, o que interessa a análise é muito mais o que move as diferentes crenças do que seus conteúdos propriamente ditos.

4 – Cura psicanalítica

A cura não é algo que uma análise pode prometer antes de seu início. Em primeiro lugar, porque ela não depende do analista, mas sim de quanto o analisando estará envolvido neste processo. Durante o trabalho analítico, o analista escuta o que o paciente diz, e a partir do discurso que ouve pode retornar ao paciente algo que se faz oculto para o mesmo. Oculto não por estar hermeticamente escondido, mas por se tratar daquilo que é preferível “não saber” por parte do sujeito. Há um trabalho ainda cuja execução é de responsabilidade do próprio paciente, e assim deve ser, pois de qualquer outro modo a análise não alcançaria resultados efetivos.

E em segundo lugar, não há como prometer a cura, pois em seu sentido idealizado ela não existe. Quando falamos nos termos que psiquiatras chamam de doenças mentais, falamos na verdade de formas de estar no mundo. Neuroses são formas que o ser humano encontrou para se posicionar num mundo que tem certas exigências para com ele. Entretanto, estes posicionamentos escolhidos são por vezes desconfortáveis. O objetivo da análise é, portanto, repensar estes lugares de forma que o próprio sujeito se veja implicado no que ele tem produzido como sua vida.

Deste modo, ao contrário do que piadas populares dizem, o analista não é como um amigo, e nem tem sua importância substituível por este último. O analista é alguém que possui uma técnica que pode revelar muito ao paciente, mas também se destaca por uma ética própria para isto ocorrer. A experiência de análise é algo que muito tem a acrescentar àquele que a busca. Além do estudo teórico da psicanálise, é sem dúvida importante passar também pela sua própria análise pessoal, pois é nela que essas ferramentas podem atuar.

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Igor Teo lembra que Freud certa vez disse que não existe nada na vida tão caro quanto a doença.
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Este post tem 15 comentários

  1. Shlomo

    Tem um diálogo interessantíssimo no filme “A Dangerous Method”, sobre Jung, mas com Viggo Mortensen como Freud.

    No filme, Jung e Freud discutem sobre o método em desenvolvimento por Jung. Jung reclama que Freud não quer “curar”, só elucidar o ponto que causa o problema do paciente – e que isso é suficiente. Jung acha que a energia reprimida poderia ser usada para melhorar o ser humano (em uma descrição semelhante aos casamentos alquímicos). Então, Freud insiste que já foi difícil pra ele ser aceito por ser judeu e mais difícil ainda fazer seu método de cura ser aceito na sociedade de psiquiatria.

    Então, Freud não endossaria o método de Jung, que era muito mais “ocultista”, apesar de dar a entender que até concordava com essa outra forma de pensar.

  2. Phillipe

    Muito bom o post Igor Teo, respondeu muitas de minhas duvidas, eu iniciei a formação pela ABRAFP a parte teórica é online em cima de videos e fichamentos de livros. A análise tanto minha como dos demais é feita presencialmente por um analista.

    Parabéns pelo texto é muito esclarecedor. Fico no aguardo de mais.
    @Teo – Obrigado, Phillipe. Bons estudos!

  3. Marcus Henrique

    Freud é tido como o “pai da psicanálise” e tem seus méritos na divulgação do conhecimento psicanalítico, sem dúvida nenhuma. Porém, seus argumentos em relação a Religião e a espiritualidade como um todo DEIXAM MUITO A DESEJAR, tanto na argumentação, quanto na sustentação dos próprios argumentos (e críticas) que ele levanta em relação a esses temas.

    Freud, apesar de judeu, se dizia “ateu” e cético em relação a espiritualidade como um todo. Porém, a verdade é que sua intransigência no que diz respeito a Religião, só prejudicou ELE MESMO E SEU PRÓPRIO MÉTODO PSICANALÍTICO, pois empobreceu as possibilidades de diagnosticação dos problemas dos pacientes.

    O grande mérito de Jung, ao contrário do que muitos pensam, não foiu ter “defendido” a Religião ou a espiritualidade; pelo contrário. Jung também criticava bastante a Religião, apesar de ser um estudioso do Gnosticismo. O grande mérito de Jung foi simplesmente ACEITAR A POSSIBILIDADE da Religião ser uma causa (portanto presente no diagnóstico de um problema psicológico), e também a possibilidade da Religião ser uma FORMA DE TRATAMENTO para certos tipos de problemas em certos pacientes.

    Para Jung, a Psicanálise não pode restringir seus diagnósticos simplesmente a fatores sexuais ou a recalques de teor sexual (como Freud insistentemente queria limitar), mas também podia usar a espiritualidade como ferramenta de auxílio a certos diagnósticos. Para isso, Jung fez um riquíssimo estudo de Religiões Comparadas, usando a Alquimia como pano de fundo para muitos de seus diagnósticos inclusive. Porém, Jung usava a Religião em suas pesquisas, através do rigor do método científico…e não era simplesmente um “ocultista” (como muitos supõem erroneamente).

    Como se dizia “ateu”, Freud é hoje “endeusado” pela Academia e pela Ciência, que por si só é naturalmente anti-espiritualista e anti-religiosa (já que seus métodos não podem comprovar nada desse campo do conhecimento humano). da mesma forma, Jung é rejeitado pela Academia, por ser considerado mais um “místico” que um cientísta (o que é um grande absurdo, se analisarmos a produção científica junguiana). A Psicologia escolheu de forma “discreta” (as vezes descarada mesmo) Freud como seu baluarte…e basta entrarmos em qualquer curso de Psicologia de qualquer Universidade Pública brasileira, para vermos quantos adeptos freudianos e quantos adeptos junguianos há, nesses cursos dessas Instituições…
    @Teo – Recentemente já escrevi alguns textos com minha opinião sobre algumas coisas que comentou:
    – Sobre a questão do materialismo na psicologia http://www.deldebbio.com.br/2013/05/08/alem-da-materialidade/
    – Sobre o sentido da sexualidade na psicanálise (que é muito mal interpretado, infelizmente) http://www.deldebbio.com.br/2013/03/08/sexualidade-narcisismo-e-eu-ideal/
    – Sobre um ponto da divergência Freud e Jung, a interpretação dos sonhos http://www.deldebbio.com.br/2013/02/08/interpretacao-dos-sonhos-para-freud-e-jung/
    Apenas algo que gostaria de dizer é que não é porque algo não é a favor de mim, que ela necessariamente é contra mim.

    1. Rafhael Guimarães

      Igor Teo, mais uma vez parabéns cara!
      O texto ficou brilhante, e você mais uma vez contribuindo para o alto nível deste portal.
      @Teo – Gratidão, Rafhael.

      Marcus, apesar dos seus comentários interessantes a respeito de Jung, é notável a falta de bom senso quando você avalia Freud, principalmente em detrimento da Psicanálise.
      Que Jung foi transcendente em muitos pontos não é novidade para ninguém, todavia, o mesmo, ao contrário de Freud, não utilizou do método puramente científico, linguístico e antropológico como Freud assim o fez. E mesmo assim a ciência ainda tem suas reservas quanto a Psicanálise, apesar da corrente praticidade da mesma.

      Quanto a “Deus”, basta você ver que, Freud jamais enxergou Deus como um católico ou qualquer outra religião. Ele está errado por isso? Ainda bem que Freud era cético mesmo!!!!!

      Entre estas discussões eu sou muito mais Jung por conta especificamente das suas contribuições, mas nem por isso vou desmerecer Freud por ter (ainda bem) tido uma visão muito mais materialista e científica, onde muitas das vezes é mais necessária do que uma demasiada espiritualidade.
      @Teo – Belo comentário!

      1. Marcus Henrique

        Rafhael,

        Não se trata aqui de “bom senso”. Não estamos aqui discutindo quem teve ou não “bom senso”, ou mesmo se nós precisamos de “bom senso” para analisar a relação entre Jung e Freud, no que diz respeito a Psicanálise. Estamos discutindo aqui FATOS REAIS E CONCRETOS, em se tratando do tratamento dado a Jung e Freud atualmente no meio científico. E por mais que você ache que eu não tive “bom senso” ao analisar Freud, não há como contestar a realidade que lhe apresentei: Freud é “mitificado” no meio acadêmico, justamente por seu suposto “ateísmo” (o que por si só, já representa um contra-senso…)
        @Teo – Na verdade, pode ser contestado sim rs
        Freud é muito criticado e pouco acreditado em universidades cuja maior influência é da corrente comportamentalista da psicologia. Isso varia muito de universidade para universidade, e há cursos de psicologia que nem psicanálise possuem em seus currículos obrigatórios. Nelas, tanto Freud como Jung ficam de fora para uma maior ênfase em autores como Skinner ou Beck.

        Pra deixar bem claro meu posicionamento em relação a Freud, caro Rafhael, não tenho nada contra o fato dele ter dado grande foco à libido em sua teoria, ou aos aspectos repressores do subconsciente. Se Freud era ou não “ateu”, isso não vem ao caso; sua teoria tem seus méritos, sem sombra de dúvida,e eu posso atestar isso aos belíssimos textos freudianos que sempre estudo de seus adeptos, especialmente de Bruno Bettelheim, tido como um dos maiores entusiastas freudianos no Brasil.

        Acho que a capacidade “cética” que Freud expressou em sua obra, fez com que ele questionasse, sem dúvida nenhuma, certas convicções sociais que estavam cristalizadas na sociedade de sua época. Porém, o fato dele ter tentado desmerecer a espiritualidade e a religião como parte expressa da cultura do ser humano, só prejudicou a si mesmo, empobrecendo sua teoria que poderia ter se enriquecido mais se ele tivesse tido um mínimo de sensatez ao abordar essa temática.

        Não estou aqui “endeusando” Jung, caro Rafhael; pelo contrário; detesto idolatrias em torno de autores. Mesmo que tenha tido seus méritos por ter abordado a psicanálise sob outro paradigma (mais aberto ao espiritual e as religiões), Jung também teve seus erros metodológicos e suas dificuldades científicas, e morreu tentando se livrar do estigma de “místico”, que a academia até hoje usar como desculpa para lhe rejeitar ou para escolher Freud. Mas a verdade é que Jung era um cientista Rafhael, queira a academia aceitar isso ou não; e o fato da ciência materialista querer atribuir a Jung um papel “inferior” na psicanálise, pelo fato dela não abordar algo que o próprio suíço foi capaz de se arriscar (independente da metodologia acadêmica que tenha feito uso para tal), não exclui sua obra, da mesma forma que a obra de Freud não é excluída, por ele ter seguido uma linha mais “cética”.
        @Teo – Há muito mais em jogo na ciência para um teoria ser aceita ou não do que apenas se seu autor é “ateu” ou não. Por exemplo, por mais ateu que seja, duvido que uma teoria proposta por um cientistas da Colômbia seja tão divulgada quanto a de um professor norte-americano. Na verdade, estamos sempre ouvindo falar nos jornais de pesquisas de universidades norte-americanas/europeias, mas o quanto escutamos da produção científica de “países subdesenvolvidos”?
        Não sei se dá para reduzir o problema de Freud e Jung apenas na questão da espiritualidade, embora este seja um dos pontos principais. Um dos problemas da psicologia junguiana durante muito tempo foi uma falsa associação com o nazismo, pois na época em que diversos psicanalistas judeus tiveram de fugir de seus lares, entre eles o próprio Freud, Jung pode permanecer e ainda ganhar o cargo de presidente na Sociedade Médica Internacional de Psicoterapia. A tolerância nazista pela psicologia de Jung teve grande repercussão negativa para o próprio, embora há documentos que dizem não haver envolvimento entre ambos.

        1. Marcus Henrique

          Teo,

          Eu entendo que você defenda uma maior “cientificidade” de Freud em relação a Jung, mas nesse quesito, acho que mais uma vez, esse argumento de “fidelidade ao método científico” (que é o mais usado pela academia para justificar a escolha de Freud em detrimento de Jung) é apenas uma espécie de “desculpa charmosa” com ares “científicos”, para se escolher um em detrimento do outro.
          @Teo – Mas eu não estou advogando em favor de nenhuma cientificidade, até pelo contrário. Creio que a psicanálise, principalmente em sua face lacaniana, é totalmente questionadora da ciência e dos seus pressupostos e objetivos.

          Sou Doutorando em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC), e convivo diariamente com psicólogos, tanto da Instituição a qual pertenço quanto de outras Universidades Federais do país. Como sou adepto do positivismo de Cohmte, só afirmo algo do que realmente conheço pela prática direta. E posso afirmar sem dúvida alguma, que a maioria esmagadora dos psicólogos e dos cursos de Psicologia que optam por Freud em detrimento de Jung, o fazem usando os argumentos já citados anteriormente.

          Não sei de quais outras Universidades ou cursos de Psicologia você está se referindo Teo, mas acho no mínimo contraditório um curso de Psicologia não adotar estudos psicanalíticos em seu currículo (mesmo que dê ênfase ao Behaviorismo em sua grade curricular), especialmente na atualidade, onde a psicanálise, por mais que tenha enfrentado muitos preconceitos, já conseguiu ganhar um espaço maior de influência (e de atenção) na sociedade moderna.

          Como já disse anteriormente Teo, não nego a importância de Freud para a psicologia moderna. Ele foi sem dúvida o grande pioneiro da psicanálise a nível mundial, mas seus estudos e sua abordagem com certeza seriam muito mais enriquecedores (e teriam se enriquecido mais) se ele tivesse adotado posturas no mínimo mais “abertas”, a aspectos como a religião e a espiritualidade (não a nível dogmático, mas a nível investigativo propriamente dito). Um dos erros de Freud foi sem dúvida, limitar suas visões teóricas a posicionamentos unilaterais e limitados, sem se dar sequer a chance de debater ou de considerar as hipóteses de investigação sobre assuntos que ele julgava “Não científicos” ou “não passíveis de serem investigados”.
          @Teo – Bem, eu não concordo em dizer que Freud não debateu só porque ele chegou a conclusões que não sejam as mesmas que as nossas. Ele pensou, e por seus próprios motivos declarados em textos como “Futuro de uma ilusão” e “Mal-estar na civilização”, chegou a suas próprias opiniões acerca da mesma. Como eu disse num comentário anteriormente, não é porque algo não é a favor de mim que ela necessariamente é contra mim. Por exemplo, há que se questionar a que tipo de religiosidade Freud estava se referindo nos seus textos.
          Além disso, temos que lembrar que a religiosidade e suas diferentes faces nunca foi o tema principal de Freud. Seu objeto principal de investigação era a neurose, e como a mesma se manifestava em diversas esferas da vida humana.

          1. Rafhael Guimarães

            Excelente discussão, muito obrigado Teo e Marcus!

            Para que fique claro que meu comentário em nenhum momento envolve Freud x Jung, e isso é muito claro. O que enfatizei no seu comentário Marcus, é a infeliz colocação que você fez à Freud e consequentemente a Psicanálise, e olha que como já ressaltei, ASSIM COMO VOCÊ EU TAMBÉM SOU MAIS JUNG. Agora é falta de bom senso sim, analisar algo sem observar o ponto de vista daquele que está sendo visado e criticado. Deixe Hod enxergar as coisas como lhe convém! A única pobreza que eu vejo na Psicanálise é não conseguir atingir o entendimento dos ignorantes, mais ainda há tempo!

            Apesar de você achar “incontestável” o seu argumento como você disse, (repito aqui) que o método proposto por Freud não é aceito pela Psicologia como um todo e muito menos pela ciência, quiça alguma aceitação por ateísmo… rsrsrsrs. A ciência não avalia credos, ou os ateístas, e sim métodos e proposições! Seria algo muito pequeno se isso um dia fosse verdade.

            O Autor da Coluna, Igor Teo, foi feliz, novamente, ao mostrar que Freud nem é tão estudado em todas as universidades, e ainda citou a análise Psicológica Comportamentista, essa sim é “apoiada e carimbada” pela ciência tradicional, pergunta isso para os seus companheiros Psicólogos, qualquer um sabe disso, pois nela suas proposições são algo mensurável e verosímil de alegação. A academia não desmereceu Jung, infinitos congressos da Psicologia Analítica já disseram isso. Todos sabem a importância da obra de Jung, ele mudou uma forma de pensar, agora, eles justificarem e referenciarem a obra dele é outra coisa. Mas é fato que, mais uma vez ao contrário do que você disse, Freud não é o baluarte da Psicologia Marcus, mesmo você querendo que seja, talvez ele seja sim Baluarte da Psicanálise! Psicanálise não é a Psicologia, e apenas uma matéria, um método, da mesma.

            Numa sociedade materialista é óbvio que Freud saiu na frente de Jung quanto a aceitação e rendição de muitos (uma pena isso), isso ocorre por ele ter sido mais científico que Jung, na verdade o Marketing é foda, e aqui não tem nada de ateísmo ou não, esquece isso, a sociedade sim é pequena, a ciência e a psicologia não. Os argumentos de Freud, diferente de Jung, encontraram ressonância nas teses defendidas por Charcot e nas proposições antropológicas e também nas linguísticas do alemão Ferdinand de Saussure. Basta vermos simplesmente o conceito de símbolo proposto por Freud e Jung para notarmos essa sutil diferença, mas, todavia, apesar da esmagadora praticidade da Psicanálise, Freud não constatou nada cientificamente no método que a ciência tradicional requer, pois como você mesmo fez lembrar, a ciência ainda caminha lentamente em direção ao “espírito” ou “outro lado”, ou melhor pontuando, em direção ao “invisível mental”.
            Pelo visto a falta de conhecimento e entendimento, livre de desembaraços, não fizeram as pessoas notarem que a diferença entre Freud e Jung não é tão grande assim como muitos pensam, como Jung foi grato a Freud, basta estudar suas obras para ver isso, em muitos pontos ele apenas trocou os nomes, as estruturas permaneceram as mesmas – uma pena o desentendimento entre eles, e infelizmente nessa comunidade hipócrita Jung foi taxado de várias coisas erroneamente, concordo nesse ponto com você, porém, ninguém aqui e muito menos o texto da coluna questionou isso.
            Eu não acho que os argumentos de Freud deixam a desejar, desde que saibamos ao que especificamente ele está se referindo. Deixe Hod enxergar da forma como ele quiser! Com tanta coisa escrita e falada, sem embasamento ou referência nenhuma, não acho justo diminuirmos o trabalho daqueles que tanto observaram métodos e conceitos em suas obras, Freud (Touro-Gemeos bem trabalhados) e Jung (Touro-Libra-Sagitário bem trabalhos) se enquadram nisso.
            Qualquer leitor mediano do TdC já aprendeu que cada pilar trabalha sua visão na forma como deve, que culpa tem se a Vida pode ser vista de três ou dez formas diferentes. Se empobreceu a Psicanálise foi empobrecida para com seu lado, certamente, enriqueceu em muitos outros. E isso se vai infinitamente.
            Métodos são métodos. Jung pode ter visto mais longe (e eu vou atrás dele), mais não constatou cientificamente. Freud viu mais perto e constatou em parte tudo que disse. Não tiro mérito de nenhum do argumento de ambos. O “bom senso” mostra as dificuldades e, como você mesmo disse, ambos contribuíram.

            “Como já disse anteriormente Teo, não nego a importância de Freud para a psicologia moderna. Ele foi sem dúvida o grande pioneiro da psicanálise a nível mundial, mas seus estudos e sua abordagem com certeza seriam muito mais enriquecedores (e teriam se enriquecido mais) se ele tivesse adotado posturas no mínimo mais “abertas”, a aspectos como a religião e a espiritualidade (não a nível dogmático, mas a nível investigativo propriamente dito). Um dos erros de Freud foi sem dúvida, limitar suas visões teóricas a posicionamentos unilaterais e limitados, sem se dar sequer a chance de debater ou de considerar as hipóteses de investigação sobre assuntos que ele julgava “Não científicos” ou “não passíveis de serem investigados”.”

            Apesar das divergências, esse argumento seu sim, poderia, quem sabe talvez, ser “incontestável”!

          2. Marcus Henrique

            Rafhael Guimarães e Teo,

            Vocês estão encarando minhas postagens como se eu estivesse “contrário” a Freud, ou “defendendo” Jung. Percebam vocês mesmos, que estão cometendo esse equívoco desde o início de nosso debate, e já fiz questão várias vezes de ressaltar que de minha parte não idolatro autores, e muito menos suas teorias (independente de terem ou não se aproximado da verdade).

            Vou repetir aqui mais uma vez: sem dpuvida alguma, temos de dar o crédito da Psicanálise e de sua divulgação a nível mundial a Freud, e não a Jung (por mais que este, até 1920, tenha trabalhado mundialmente sua própria imagem, usando a bandeira da Psicanálise). Jung foi o criador de uma nova corrente psicológica diferenciada da Psicanálise freudiana (Psicologia Analítica), e por mais que tenha usado o método freudiano como suporte para o início da divulgação de seu trabalho, Jung não pode (nem deve) ser considerado o baluarte da Psicanálise.

            Porém, minhas críticas são em relação a “intolerância” de Freud em relação a tudo aquilo que ele não considerava “mensurável”. Nesse ponto, deixo claro que o que mais critico é sua “falta de abertura” ou de sensibilidade para dialogar com temáticas como o “transcendente” ou o “inexplicável”, caros Teo e Rafhael. Faltava certa sensibilidade (ou bom senso) para Freud, no que tange ao diálogo de possibilidades que não somente aquelas que ele cogitava ou julgava aptas a serem aceitas. E isso limitou seu enfoque (por mais que seu próprio foco de estudos não tenha sido a religião ou a espiritualidade).
            @Teo – Marcus, meu amigo, creio não ser esta questão que você levantou o motivo da diferença de nossas opiniões, mas exatamente isto que você repetiu neste último parágrafo. O que quero mostrar desde o começo é que mesmo a abordagem psicanalítica freudiana não trabalhando com a hipótese da espiritualidade, isto nada reduz o seu enfoque ou aplicabilidade.
            Como disse no texto nas questões das crenças, “o que interessa a análise é muito mais o que move as diferentes crenças do que seus conteúdos propriamente ditos”. Um ateu, ou um evangélico ou um espiritualista podem se beneficiar da psicanálise da mesma forma, porque o interesse é a produção discursiva que se dá a partir da crença, e não a crença em si. Compreende? É algo que está presente na espiritualidade, mas não apenas nela, como em todas as esferas da vida.

            Eu concordo com você Teo, quando você diz que Jung e Freud não eram tão diferentes como se supõe erroneamente. Na verdade, a principal diferença entre Jung e Freud dizia mais respeitam ao modus operandi dos dois, que ao próprio objeto em si de suas pesquisas. Ambos se interessavam pelos “mistérios” do inconsciente, mas Jung considerava outras possibilidades e diagnósticos que eram rejeitados por Freud de maneira intolerante. E minhas críticas a sua teoria se dirigem especialmente a esse aspecto pouco maleável dele…

            Mesmo assim, um dos grandes méritos de Freud, sem dúvida nenhuma, foi sua capacidade de questionar verdades que até então pareciam ser inquestionáveis. De minha parte, me agrada muito o posicionamento pouco “tradicional” dele no que diz respeito a Educação como um todo, questionando a imagem “puritana” que se fazia (e ainda se faz) da criança, e a educação sem diálogo (por parte de pais e professores) que era praticada no início do século XX. Da mesma forma, me agrada a visão futurista de Freud em relação a Televisão e a seus potencial educativo, não se limitando somente a criticar a TV e seus “aspectos nocivos” (como muitos psicanalistas ainda se limitam a fazer atualmente).

            Pra finalizar, discordo bastante de sua visão Rafhael, quando você diz que a preferência acadêmica por Freud em detrimento de Jung não se deve por conta do suposto ateísmo do primeiro em relação ao segundo. Até podemos concordar em certo ponto, que a Ciência, por ser materialista, não se limitaria a adotar um autor em detrimento de outro apenas por conta de um ser “ateu” e o outro não; porém, na prática, o universo acadêmico tende sim a adotar Freud em detrimento a Jung (por mais que o reconhecimento da obra deste último tenha se intensificado nas últimas décadas), muito por conta desse “ceticismo” (ou ateísmo?) demonstrado por Freud (e que naturalmente, parece “agradar” muitos pesquisadores e leigos no assunto).

            A grosso modo, o ambiente acadêmico e científico tende a enxergar com bons olhos o ceticismo e consequentemente o ateísmo. Como a essência do método científico é a dúvida (postulada através de Descartes), essa dúvida deve incluir qualquer convicção; e se a convicção for relacionada a algo que não pode ser mensurado (o “sobrenatural”, o “inexplicável” ou o espiritual), aí é que ela terá de ser questionada. É comum no ambiente acadêmico (ao menos da Universidade em que estudo, e de outras Instituições do Nordeste), vermos muitos pesquisadores serem questionados sobre suas escolhas espirituais, como se isso de alguma forma “poluísse” suas pesquisas e seus métodos investigativos (o mesmo pensamento de Freud em relação a Jung, e um dos motivos que gerou o “raxa” entre ambos).

            Dessa forma, o materialismo científico tende caro Rafhael, a adotar Freud em detrimento a Jung, nos cursos de Psicologia em que atuo diretamente, e em meio aos profissionais com que mantenho contato. Quero ressaltar que não sou psicólogo e sim Pedagogo, e atuo na área de Psicologia da Aprendizagem e do Desenvolvimento (que é crucial para a Educação). A escolha por Freud em detrimento de Jung no ambiente acadêmico do curso de Psicologia da UFC, é sempre justificada por essa “desculpa charmosa” caro Rafhael, que você expôs em seu argumento (de que Freud era mais “cientificista” que Jung). Na verdade, esse argumento soa como um grande mito, a julgar pelo rigor, não só do método junguiano como de suas próprias obras (escritas sempre sob o crivo da ciência). Por isso Rafhael, essa justificativa de que Jung enxergou mais longe mas foi “menos rigoroso”, me soa mais como uma “justificativa charmosa com ares científicos” para se adotar um em detrimento do outro (por mais rejeição que Freud sofra em relação aos behavioristas de plantão).

    2. Ferreira

      Quanto a critica da sexualidade como base na teoria Freudiana, chego a concordar que ela não tem todo o peso dado por Freud e muitos seguidores. Ela despontou devido ao contexto da época. Na psicanálise o buraco é mais embaixo, e poucos falam ou sabem.

      Quanto a religião Freud estava certo. Ela é um produto da mente infantil e emocional do homem que não se aguenta frente ao raciocício lógico.

      Eu cheguei a uma formulação que esclarece como o ego inconsciente trabalha e direciona a mente. Chamei de Teoria da Gangorra; da qual escreverei um livro em breve.

  4. Alagacone

    Valeu por mais este Igor. Finalmente sei como é uma análise.
    Talvez tente isso num futuro.
    @Teo – Eu que agradeço. Abraço!

  5. Roberto Vasconcelos

    Quanto mais estudo sobre, vejo que cada vez mais é com isso que devo trabalhar nessa minha vida. Ahoy! xD

  6. Fenix777

    Nossa muito interessante a matéria. Gostei mesmo e me deu um nova visão sobre a psicanálise. Show!!!
    @Teo – Obrigado, abraço!

  7. Flávia

    Olá Igor, muito obrigada pelo texto! Adorei! 🙂

    E estou gostando muito da discussão, pois traz mais esclarecimentos a todos nós. Muito bom!

    Abraços!!!
    @Teo – Gratidão, Flávia.

  8. Rafhael Guimarães

    Marcus
    Já deu para perceber que você “empurra a conversa com a barriga”, pois não responde ou argumento com idéias e fatos, mas apenas com achismos.

    Como você não tem argumento para associar com suas opiniões fica difícil estabelecer qualquer discussão com você, visto que, você simplesmente “acha”, e o seu achismo pouco interessa, o que vale mesmo é o argumento, método e provas, e disso pouco você acresceu em todas as suas considerações.

    Se você reparar, comparando seus primeiros comentários para com este último, percebemos que você evoluiu bastante Marcus, eu fico feliz por isso. É notória essa diferença, e as únicas semelhanças que você insiste em repetir já foram tanto pelo Teo (autor da colunas) como por mim complementadas em contra-prova. Não te vejo “contrário a obra de Freud” para que fique claro, e muito menos como um “idólatra de autores”, na verdade eu não acho nada de você, e se você está tentando sempre ressaltar isso – perda de tempo seu, eu mesmo já estava pulando essas partes, porque você é muito repetitivo. Saiba que a única coisa que sou contrário, e pelos argumentos do Igor teo parece-me que ele também é, são as:

    – Freud não é “Endeusado” ou pior ainda considerado o “Baluarte” da Academia, ou da Ciência ou ainda da Psicologia como você disse. Tanto o autor Igor Teo já demonstrou isso, como eu também. Alias tudo muito sabe disso, nós nem precisávamos lembrar!

    – Freud não é mitificado no meio acadêmico ou nas universidades, você viajou na maionese, tão pouco seria pelo ceticismo ou mesmo por ele ser ateu. O Igor Teo já pontuou sobre isso, e pouco você contestou, bem como a primeira coisa que eu lhe disse: a Psicanálise se sobre sai como método psicológico devido a sua notória “praticidade” no meio profissional, coisa que não se vê nos analistas da Psicologia Analítica em termos de praticidade. O que muitos profissionais na área de Psicologia querem é tratar e muitas vezes em menor tempo, os problemas e distúrbios psicológicos do paciente, e a Psicologia comportamentista bem como a psicanálise são muito melhores – e mais acessíveis no aprendizado – nesse ponto do que a Psicologia analítica, onde a própria obra de Jung (Prática da psicoterapia 16.01 e Ab-reação, análise dos sonhos, transferência 16.02) nos mostra a demora da terapia junguiana;

    – Sua afirmação de que a Psicanálise é mais aceita em universidades ou pela ciência, simplesmente por ter sido Freud ateu, além de vaga e pobre, não possui base, muito menos exemplos (salvo, segundo você “as universidades e colegas do Nordeste”), isso me cai mais como, mais um achismo seu, pois de fato não tem nem o cheiro;

    – “acho que mais uma vez, esse argumento de “fidelidade ao método científico” (que é o mais usado pela academia para justificar a escolha de Freud em detrimento de Jung) é apenas uma espécie de “desculpa charmosa” com ares “científicos”, para se escolher um em detrimento do outro”.

    Percebe que você acha demais. Nos dê fatos e argumentos Marcus, e talvez o seu achismo se converta em proposições seguras e não em achismos e superstições suas, que pouco nos interessa em uma discussão. Essa análise sua é completamente descartável;

    – Quanto a questão de Freud ser limitado porque não espargiu seus estudos e pesquisas para coisas espirituais e etc, seria mais fácil você dizer que a ciência é limitada. A psicanálise apenas seguiu o método científico (mesmo que em parte). O que você chama de “limitação de Freud” é, na verdade, adaptação ao meio científico, que naturalmente é limitado e objetivo. Percebe a sua falta de bom senso ao analisar as coisas.

    – “Porém, minhas críticas são em relação a “intolerância” de Freud em relação a tudo aquilo que ele não considerava “mensurável”.”

    Na verdade sua crítica é contra a ciência mesmo, e contra os meios acadêmicos que buscam as coisas mais próximas da mesma… rsrsrsrsrs… Como você não descreve e analisa direito acaba se confundindo!

    – “na prática, o universo acadêmico tende sim a adotar Freud em detrimento a Jung, muito por conta desse “ceticismo” (ou ateísmo?) demonstrado por Freud. A grosso modo, o ambiente acadêmico e científico tende a enxergar com bons olhos o ceticismo e consequentemente o ateísmo.”

    Isso é bisonho. –Aula de hoje, vamos relacionar os pesquisadores ateus e selecionar suas teorias, pois, por serem ateus seus métodos se encaixam em nossas proposições! Balela! A única análise, essencial, é no método, na mensagem, e não no rótulo ou na embalagem!

    – “desculpa charmosa” caro Rafhael, que você expôs em seu argumento (de que Freud era mais “cientificista” que Jung). Na verdade, esse argumento soa como um grande mito, a julgar pelo rigor, não só do método junguiano como de suas próprias obras (escritas sempre sob o crivo da ciência). Por isso Rafhael, essa justificativa de que Jung enxergou mais longe mas foi “menos rigoroso”, me soa mais como uma “justificativa charmosa com ares científicos” para se adotar um em detrimento do outro (por mais rejeição que Freud sofra em relação aos behavioristas de plantão)”

    Percebe como sua fala é vaga, “você apenas acha”, não sugere ou estabelece uma forma. Repito, você é um achista! Rsrsrsrs
    Faz o seguinte, já que você é insistente, mesmo sendo (segundo você) Doutorando falta-lhe o bom senso, de especificar o seu argumento. Você apenas descreve sua opinião, ao contrário de comprová-las, você fala em demasiado, portanto, desse jeito, pouco importa ou vale o argumento que só aponta e não desenvolve a crítica.
    Já foram duas vezes que você concorda com os argumentos do Igor Teo, mas não se deu conta de que, expressamente, os argumentos que você concordou na verdade foi eu que tinha dito, eita confusão, ein….

    Freud completou de forma brilhante sua jornada acadêmica e profissional no palco do ceticismo mundial – pôs Iluminismo – que era a França, onde até hoje figura como palco dos maiores neurocientistas do mundo. É óbvio que os argumentos de Freud não agradariam quaisquer defensores de uma espiritualidade ou religião, visto que a ciência assim não o faz, logo os métodos próximos da mesma não o fariam. Conforme já descrevemos inúmeros vezes, e desta vez será a última, repito aqui, a necessidade de uns em refutar qualquer análise pseudo-científica, mesmo estas tendo embasamentos e aproximações plausíveis de aceitação. Se faz necessário em alguns casos, se não houver tal equilíbrio por alguns, como disse na primeira vez, haveria exagero em demasiado por outros.

    Marcus, contra fatos não há argumentos!

    1. Marcus Henrique

      Rafhael,

      Suas considerações sobre meus argumentos, só transparecem ainda mais os seus “enganos” (se é que podemos chamar de enganos, já que parecem bem conscientes) a meu respeito. Mas de qualquer forma, pense o que quiser pensar sobre os meus argumentos; não tenho nada a provar nem a você, nem a qualquer outro participante deste tópico.

      Quanto ao posicionamento da Academia em relação a Freud, mantenho meu posicionamento, Rafhael, pois como já falei anteriormente diversas vezes (sim, tive de ser repetitivo, já que você, aparentemente não compreendeu ou “não quis” aceitar essa argumentação), tanto no curso de Psicologia da minha instituição de atuação (UFC), quanto nos cursos de Psicologia de outras instituições nordestinas com as quais mantenho contato direto com profissionais (UFPB, UFRN e UFBA), Freud é tido como “baluarte” da Psicologia, não apenas por ter sido o grande divulgador da Psicanálise, mas também por seu aparente ceticismo que agrada em cheio a maioria esmagadora dos profissionais que adotam seu método, como também os pacientes que escolhem sua “pegada” (considerada mais ‘bruta” e portanto realmente “curativa” para esses pacientes) em detrimento da “pegada” junguiana.

      Perceba que não falo sem bases, Rafhael, ao contrário do que você inconscientemente (ou conscientemente, a julgar pelas suas argumentações) quer forçosamente supor. Como positivista que sou, só falo do que realmente capto com experiência direta através do convívio direto (nesse caso, tanto com psicólogos quanto com pacientes que adotam o método freudiano de acompanhamento psicanalítico).

      Da mesma forma que você afirma que minhas “opiniões pessoais” não importam para fins acadêmicos, suas percepções acerca de meus argumentos também não fazem muita diferença para os fins de minha própria argumentação, Rafhael. Perceba que desde o início de nosso debate, você insiste em querer interpretar de forma distorcida meus argumentos, inclusive “achando” (você sim está adotando o “achismo” como argumentação) que eu estou dando “opiniões pessoais” em minhas argumentações…quando na verdade, estou dando mais descrições comportamentais de profissionais e pacientes que atuam com a psicanálise freudiana e que acompanho constantemente.

      Não estou fazendo nenhuma pesquisa com você, para lhe dar “citações de autores” ou mesmo “sugerir formas” (expressão vaga, não acha?) como você arrogantemente “exigiu” em sua última argumentação. Não posso afirmar nada em relação a instituição de nível superior em que você fez sua formação, ou aos cursos de Psicologia com os quais você mantém contato (se é que você mantém), mas posso afirmar com relação a instituição do qual faço parte, e outras com as quais mantenho contato direto, tanto com profissionais quanto com pacientes…e é sobre isso que se constitui minha argumentação Rafhael. Se para você isso é “balela” (gíria esdrúxula e muito juvenil para alguém que diz argumentar a nível científico, não acha?) ou mesmo “bisonho”, paciência. É um problema seu aceitar ou não, ou mesmo reinterpretar ao seu bel-prazer minhas postagens (como você tem feito já a algumas postagens suas).

      Pra finalizar, não posso deixar de citar que suas postagens estão sendo muito contraditórias Rafhael, já que você me acusa de “achismo”, e classifica minhas afirmações como “balelas”, quando na verdade você mesmo não tem nenhum conhecimento direto dos cursos de Psicologia das instituições com as quais mantenho contato para sustentar minhas críticas, assim como não tem contato algum com os profissionais que acompanhei ou com os pacientes que adotaram o método freudiano, com os quais mantenho contato ativo. Logo, o fato de você considerar meus argumentos como “achismos”, não passam (isso sim) de um achismo de sua própria parte Rafhael…o que caracteriza uma contradição, já que você não tem as mínimas condições de julgar nem os comportamentos profissionais dos psicanalistas, nem os próprios pacientes que EU acompanho, nas instituições com as quais mantenho contato…

      Eu concordo com você Rafhael, que contra fatos realmente não há argumentos. E é por conta disso, que mantenho meu posicionamento a respeito dessa “escolha acadêmica” que é feita por Freud (tanto no curso de Psicologia da UFC quanto nos cursos de Psicologia das outras instituições com as quais atuo). Diferente de você caro Rafhael, não estendo minha crítica as instituições do sul do país (ou a instituição na qual você se formou), pois não tenho contato direto com essas instituições. Mas reafirmo minha crítica ao posicionamento acadêmico que VIVENCIO DIRETAMENTE tanto em minha instituição de formação quanto em outras instituições de interação. Se isso pra você é “balela” (gíria esdrúxula, volto a dizer), lamento muito por você, e só posso lhe dizer que é um problema seu.

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