A Montanha de Ouro e o Quadrado Redondo

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Alexius Meinong chocou o mundo no início do século XX afirmando alegremente a existência de objetos não existentes: em sua ontologia, coisas como montanhas de ouro, quadrados redondos e unicórnios são tidas como reais. Segundo Meinong, já que é possível falar a respeito de objetos não existentes, eles devem possuir alguma forma de existência, mesmo que seja em algum outro mundo possível. O repositório de tais objetos inusitados é comumente chamado de “selva de Meinong”.

A teoria do realismo modal de David Lewis ajuda a dar sustento a essa tão simpática ontologia. Lewis traduz a sentença: “unicórnios poderiam existir” por “existem unicórnios em outro mundo possível”. Como eu costumo dizer, Leibniz pode ter se equivocado ao afirmar que nós vivemos no melhor dos mundos possíveis, já que aparentemente não habitamos o mundo dos unicórnios.

Em seu livro “On the Plurality of Worlds” o autor defende a existência de seres como dragões e burros falantes. Trata-se de uma leitura bastante edificante, na qual o autor nos lembra que há mundos possíveis nos quais nós somos ovos cozidos. Infelizmente, o autor aponta a dificuldade ou impossibilidade de haver contato entre esses mundos e nos lembra que há um preço a pagar para entrar nesse paraíso filosófico. (mais…)

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Mudança de Paradigmas na Ciência

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Desde seus primórdios a Magia do Caos utiliza largamente o termo “mudança de paradigma”. Peter Carroll abrange sua teoria da magia dentro de três paradigmas maiores chamados Transcendental, Materialista e Mágico, mostrando como podemos transitar entre eles. Em seu livro “Liber Kaos” o autor afirma o seguinte:
“Esse universo possui a peculiaridade de tender a prover evidências e confirmações de qualquer paradigma que alguém escolha acreditar”.
“Cada uma dessas três visões do Eu [Transcendental, Materialista e Mágica] tem algo depreciativo a dizer sobre as outras duas […] Em última análise, é uma questão de fé e bom gosto. Naturalmente, todas essas formas de fé estão sujeitas a períodos de dúvida”
Carroll, como cientista, pegou emprestado o termo “paradigma” de Thomas Kuhn, que também era físico como ele. Por sua vez, Kuhn popularizou um termo antes pouco utilizado, atribuindo-lhe uma nova gama de significados. Dentre outras definições do termo, uma bem simples apontada pelo autor poderia ser “aquilo que os membros de uma comunidade partilham”. Ele possui métodos e valores compartilhados por um grupo que o aceita. (mais…)

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Um amor que não é amor

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“Diga a si mesma que esses sentimentos não importam. Não importa se você sente que ama a Deus ou não. Sentimentos de amor não têm valor. O que importa é a vontade – se agarrar à vontade de Deus, cruamente na fé”

Esse é um trecho do livro “Through the narrow gate” de Karen Armstrong. Essas palavras foram ditas a ela como um conselho espiritual. Mas o que elas realmente significam?

No mesmo livro, também há a seguinte passagem, numa cerimônia iniciática em que ocorre um enterro simbólico:

“Ela havia treinado cada um no caminho pessoal da morte que Deus apontou para ela. Cada um agora era responsável por completar o simbolismo da cerimônia de hoje e fazer de sua vida uma morte diária, que a morte final de seu corpo irá completar” 

Acredito que estamos mais familiarizados com essa segunda ideia: em ritos iniciáticos de várias religiões e sociedades secretas é muito comum representar a morte como uma etapa necessária para que ocorra o renascimento espiritual.

Ajahn Brahmavamso conta que o monge budista Ajhan Chah costumava perguntar para aqueles que vinham treinar com ele: “Você veio aqui para morrer?”. Um pensamento comum seria: “Não, eu não vim aqui para morrer. Eu vim aqui para me Iluminar e ter umas meditações legais”. Mas quem deseja isso ainda está pensando com o seu eu, com seu ego. (mais…)

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A jornada espiritual não é confortável

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No período em que vivemos nós temos a ideia de que o objetivo da vida é obter o máximo de prazer e de conforto. E nós refletimos esses desejos também quando buscamos uma religião ou práticas espirituais.

Vivemos numa época individualista, materialista e utilitarista. O individualismo se manifesta quando buscamos uma religião cuja meta seja satisfazer apenas a nós mesmos, como indivíduos separados de todo o resto. Perdemos a noção de que fazemos parte de um todo e nossa busca não é mais tentar reconectar-se com as outras pessoas, com o divino ou com a natureza. Nós apenas identificamos que “eu” estou com um problema e “eu” preciso arrumar um jeito de resolver isso. Como se minha perda de conexão com Deus, com o mundo ao meu redor e com as outras pessoas não tivesse nenhuma relação com isso. (mais…)

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The Book of Results – O Livro dos Resultados

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THE BOOK OF RESULTS – O LIVRO DOS RESULTADOS Ray Sherwin

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Muita gente que chega na magia do caos procura logo um caminho para o aprendizado. Se eu tivesse ganho R$50,00 cada vez que tivesse orientado alguém sobre o que ler, já daria um carrinho, pelo menos. Cá com minha alma de professor, busquei firmar um caminho na magia do caos que mostrasse como eu fiz para obter este conhecimento. Creio que todos que se colocaram em um caminho desta natureza podem dizer o que mais os marcou.

Para mim, este ponto marcante, que mudou meu conhecimento sobre magia do caos e me fez magista do caos, foi ter encontrado e lido o livro THE BOOK OF RESULTS, do autor inglês Ray Sherwin. Simplesmente até ali eu não havia lido nada assim. Já havia lido Spare (muito cifrado), Carroll (muito proselitismo) e Grant sobre Spare (muito telêmico) e até então nada havia batido o sino do: “puta que pariu, é isso!”
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Entrevista sobre Sigilos

Convido-os a conferir a entrevista que dei sobre sigilos, para o blog Entrevistas Sigilosas. Aproveite e dê uma olhada nas respostas dos outros magistas entrevistados! Acho que o mais legal é exatamente comparar…

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Fast Magic: magia instantânea

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Um dos maiores triunfos da Magia do Caos foi a proposta de se obter efeitos mágicos materiais num curto período de tempo. As ferramentas mais populares para se chegar a isso são os sigilos e servidores, que passaram por desenvolvimentos extraordinários nas últimas décadas. A partir de então, não era mais necessário passar por dias ou semanas de preparação ritualística, ou mesmo meses a fio para contatar o seu Sagrado Anjo Guardião, uma vez que existem opções muito mais práticas disponíveis. Na era do fast food, nada mais natural que surgisse a fast magic para acompanhá-la.

Toda novidade surge com seus animados defensores, ansiosos para desafiar a velha guarda, e também com seus adversários e opositores. É bastante óbvio observar que nenhum tipo de sistema é perfeito e, assim como qualquer outro, possui suas vantagens e desvantagens. Resta analisar se os benefícios da fast magic superam seus malefícios. E mesmo que fosse constatado o contrário, será que ela funciona? E será que ela não é útil para um grupo específico de magistas? (mais…)

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Teoria Caoísta

Mais um livro de Magia do Caos para a coleção! O enfoque de "Teoria Caoísta" é exatamente em teoria da magia, ou mais especificamente em Teoria da Magia do Caos. Você pode obter…

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