Baba Yaga

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Por Daniel Quaresma

Baba Yaga é um ser sobrenatural que tem sua origem no folclore do leste europeu, mais precisamente na mitologia eslava, conhecida também como a bruxa Yaga, é um ser sobrenatural, comumente retratada como uma mulher bastante idosa, com ossos salientes, olhos chamuscados como carvão em brasa e com cabelos de cardo saindo do seu crânio. Essa aparência repugnante caia como uma luva com seu aspecto sombrio e sua personalidade caótica, cercada de mistérios e incertezas, geralmente de aparência feroz. Diferentemente das bruxas clássicas, Baba Yaga voa sempre em cima de um almofariz / caldeirão (ao invés de voar com a vassoura) e empunha sempre um pilão. Ela só utiliza a vassoura para apagar os seus rastros para não ser encontrada. Costuma morar nas profundezas de florestas em uma cabana velha, geralmente descrita como “a casa do pé de galinha”, já que sua casa apresenta dois misteriosos pés de galinha em seus alicerces, por essa razão a casa está sempre em movimento.

Baba Yaga, era considerada uma deusa perigosa na mitologia eslava, pois muitas vezes aparecia como uma pessoa cruel, mas outras como uma pessoa boa que veio para auxiliar. Assumindo sua forma má, ela tinha o costume de caçar homens de personalidade ruim. Esses eram levados mortos para sua casa e lá eram revividos por ela para serem devorados em seu caldeirão ou utilizados para algum terrível feitiço! Os ossos então eram utilizados como vedação externa para sua casa e os dentes eram usados na fechadura da porta. No panteão eslavo era tratada como a “Deusa da Morte”. Baba Yaga não é portadora de uma lenda única, pois aparece em várias histórias e contos eslavos.

A casa de Baba Yaga era ligada a três cavaleiros distintos que atuariam como companheiros da velha bruxa. O primeiro, branco, cavalgando um cavalo branco, se chamava “Dia”; o segundo, vermelho, com um cavalo vermelho, se chamava “Sol”; e por fim o terceiro, negro, também com sua montaria negra, chama-se “Noite”. Através desses cavaleiros poderia-se estabelecer comunicação com Baba Yaga. Fora eles, a casa possuía servos invisíveis. Algumas lendas dizem que para adentrar a casa era necessária uma frase mágica.

Variações do nome de Baba Yaga são encontrados nas línguas dos povos eslavos orientais. Em búlgaro “baba” (“баба”) significa “avó” ou “uma velha senhora”. No antigo russo, “baba” pode significar ‘parteira’, ‘Feiticeira’, ou ‘vidente’. Em russo moderno, a palavra babushka (‘avó’ significado) dela deriva, assim como a palavra “babcia” (também ‘avó’) em polonês.
Já os termos relacionados com o segundo elemento do nome, Yaga, aparecem em várias línguas eslavas, servo-croata como ‘horror, tremor, frio’, em esloveno “raiva” e em polonês jedza “bruxa, mulher má, fúria”.

Baba Yaga pode ajudar ou atrapalhar aqueles que a encontram e pode desempenhar um papel maternal, possui também bastante ligação com os animais selvagens da floresta. De acordo com a morfologia do conto de Vladimir Propp, Baba Yaga comumente aparece tanto como uma doadora, vilã, ou pode ser totalmente ambígua. Em alguns casos dizem que ela costuma ajudar crianças perdidas na floresta a acharem o caminho de casa, foi só em tempos mais modernos que sua figura foi atribuída a uma mulher devoradora de crianças. Mas se as crianças foram más, assim como qualquer outra pessoa, com certeza irá para a panela de Baba. Mas se você for uma pessoa ruim e de atitudes maldosas, é melhor não cruzar o caminho de Baba yaga.

Este post tem 4 comentários

  1. Francisco de Assis

    Tambem conhecida como Maria Florzinha, ou cumade Florzinha

  2. Duon

    Valeu cara, mandou esse post na hora mais fatal da minha vida kk
    Sei que não estou cego, sei tambem que estou numa mata negra, e nada mais importqnte que um auxilio nessa travessia!!!
    Vou até escrever um conto rsrs’
    Gratidão Sincera

  3. ϕ

    Parece existir paralelos com o processo de individuação.

    – Sua morada está no interior da floresta. A floresta sempre foi símbolo de santuário; um símbolo do inconsciente.

    – Ela viaja num caldeirão, símbolo similar à cornucópia e, portanto, representa abundância. Mas também está entre o pilão e o caldeirão – e sua óbvia referência sexual – quando viaja, como se fosse um ingrediente da operação mágica de cocção. O caldeirão ou cálice é um dos símbolos de Binah.

    – Para poder chegar à ela, é preciso falar com seus cavaleiros nigredo, albedo e rubedo.

    – Baba, que tem valor 6 (ao meu ver); número de Tiphareth e número místico de Binah (a Grande Mãe, cuja imagem é a de uma matrona). Baba Yaga, valor 21, número místico de Tiphareth.

    – À galinha é associada a característica de psicopompo (guia da alma). À casa pode ser associado o próprio símbolo do corpo do homem ou veículo da alma.

    – Os maus são punidos (karma). Os que estão perdidos, ou são guiados, ou são destruídos, dependendo de sua atitude. Crianças são os que começam o processo de individuação.

    – Sua aparência assim o é tal qual deve ser a aparência do primeiro guardião do limiar, cujo maior exemplo é o próprio Pã (bastante similar à Baba Yaga em alguns aspectos). “A passagem do limiar é o primeiro passo na sagrada área da fonte universal”, disse Joseph Campbell.

  4. Bob

    Sabem de quem é a imagem?

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