Análise de Sistemas Mágicos (Parte 5)

Por: Colorado Teus

Esta é uma série de textos que começou com Breve introdução à Magia, depois definimos nossos termos técnicos em Signos e então falamos sobre a precisão das divisões entre os planos em A Percepção e a Evolução.

No último texto explicamos o que são fórmulas mágicas e como a união de várias delas podem formar um ritual. O ritual é uma encenação por meio da qual (ao atuarmos nele ou observarmos a performance de outras pessoas) podemos expandir nossos limites da percepção ou nos relembrar de ideias muito importantes que, com o decorrer do tempo, vão sendo deixadas de lado.

Vamos a uma análise simples e direta (não é a única forma de interpretar nem ‘a mais correta’) do que a encenação do ritual proposto no exercício prático do último post nos ajuda a modificar para, então, podermos prosseguir com as explicações.

Na primeira parte forma-se a Cruz Kabbalística, esta cruz está no próprio corpo do mago, mostrando que ele se faz como o meio de manifestação daquilo que está dentro de sua cabeça (“A ti” no momento que ele toca a testa) no reino.

Na segunda parte ele diz: ‘Criador, Senhor, Eu sou para sempre poderoso’, lembrando para o criador e para si mesmo que o mago tem o poder de criar e modificar o mundo de acordo com seus comandos, e junto também cria os pentagramas, que representam o espírito dominando os quatro elementos quando a ponta está para cima, com ênfase em banir ou invocar um elemento específico, de acordo com qual ponta ele começa a ser traçado e em qual sentido ele é criado (no texto anterior mostra o de banimento, para invocar basta mudar o sentido da seta da imagem).

Banimento da Terra

Após toda esta criação e autoafirmação, o mago ativa os pentagramas (símbolo de domínio dos elementos astrais) com sua Vontade, para fazer modificações do mundo astral e trazer o equilíbrio entre os planos com os hexagraas (símbolo de união equilibrada de planos).

Então o ritual é finalizado com um reforço na Cruz Kabbalística. Só para começar, podemos utilizar este ritual para pelo menos 10 situações diferentes só modificando a forma como traçamos os pentagramas, são elas: diminuir (banimento) a atuação do físico, mental, emocional, intencional e espiritual em si mesmo ou aumentar (invocação) a atuação destes mesmos 5 planos. As outras possibilidades são infinitas, o interessante é cada um perceber o que precisa e então utilizar os rituais para modificar seu próprio corpo ideal de acordo com sua Vontade (é praticamente uma autoprogramação).

O ritual para o Banimento da Terra é o mais comum de ser recomendado no início, pois normalmente quando a pessoa está começando a trabalhar com os outros planos, o plano da Terra está atuando em excesso na vida da pessoa, então ele é usado para tirar este excesso. Utilizem com sabedoria e cuidado para não ferirem aqueles que não merecem, já que para toda ação existe uma reação e este é um ritual que pode chegar até a destruir ideias e seres feitos de ideias.

Como foi dito no último post, cada fórmula mágica remete a uma percepção de mundo e é aí que precisamos começar a ter um certo cuidado para analisar. Cada pessoa passa por diferentes experiências de vida e elas variam muito de cultura para cultura, de região para região, de época para época, até mesmo de família para família; com isso, dificilmente um brasileiro irá perceber o mundo como um japonês ou um europeu, pois as cargas de aprendizados são muito distintas. Se existe uma divergência na percepção, uma fórmula mágica criada por um japonês dificilmente será bem utilizada por um brasileiro; para conseguir utilizá-la bem, este precisaria passar por um treinamento e vivência para entender como a fórmula foi criada, em que contexto (pode variar muito de época para época), com que finalidade etc, resumindo, entrar na frequência da egrégora. Vamos a alguns exemplos simples de como os Símbolos, Fórmulas e diferentes Percepções de mundo (as três partes que somadas compõem os Sistemas Mágicos) modificam completamente o resultado:

1º – Símbolos = ingredientes; Fórmulas = receitas e Percepções = cozinheiros.

* Peça para que um cozinheiro de comida italiana, que nunca comeu comida japonesa, faça um Temaki para você. Mesmo que você forneça os ingredientes necessários e a receita correta, ele terá muitas dificuldades e jamais conseguirá preparar um legítimo Temaki japonês.

* Peça para um cozinheiro de comida japonesa que saiba fazer um Temaki, para fazer um prato brasileiro, como uma feijoada.

* Peça para um Japonês que nunca cozinhou na vida, mas já comeu Temaki, que faça um, dando a ele os devidos ingredientes, porém, dando a receita de fazer tempurás.

2º – Símbolos = notas musicais; Fórmulas = frases (licks) e Percepções = músicos.

* Peça para um roqueiro norte-americano tocar um Funk Carioca, fornecendo as devidas notas e frases.

* Peça para um violeiro fazer uma moda de viola com o campo harmônico natural, mas fazendo frases de rock.

* Peça para um músico sertanejo para fazer um sertanejo com escala blues.

3º – Símbolos = cores; Fórmulas = técnicas de desenho e Percepções = artistas.

* Peça para um índio brasileiro fazer o desenho de um Deus Hindu.

* Peça para um desenhista indiano fazer o desenho de um Deus Hindu, mas com tintas naturais que os aborígenes utilizavam para pintar cavernas.

* Dê para um índio brasileiro uma caneta e ensine algumas ideias da Alquimia, então, peça para ele fazer um desenho alquímico.

Tentei expôr alguns exemplos de situações que criam complicações ao se utilizar um “sistema mágico” (depende da consciência que a pessoa entra ao utilizar cada um para se chamar de magia, como discutimos na parte 1) que vem de uma miscigenação cultural/temporal. O intuito é levar o leitor a parar para pensar e tentar se colocar no lugar do criador dos rituais e sistemas que utiliza, tentando encontrar qual o intuito daquele ritual do ponto de vista de quem o criou, respeitando a época em que foi criado; analise-o e tente não performá-lo pensando como você pensava naturalmente, mas atuando como se você fosse parte do povo que o criou.

Vejamos um exemplo bem prático: tudo que um samurai dizia já podia ser considerado feito assim que ele proferia as palavras, enquanto quase 99% dos brasileiros não tem um pingo de honra no que diz que irá fazer, sendo assim, ‘não mentir’ é uma ideia necessária de ser frisada em quase todos os sistemas mágicos feitos para brasileiros, enquanto é desprezível nos feitos para samurais.

Peço licença para propor a quem quiser fazer um exercício de análise de sistemas mágicos e fechar este breve e, na minha opinião, importante texto.

Exercício prático – A escolha de sistemas mágicos

O exercício prático que venho propôr neste texto é: recorde ou reestabeleça suas metas e objetivos de vida; tendo feito isto, analise quais sistemas lhe serão úteis para conseguir o que quer e tente não ficar perdendo energia no que não precisa. Muitas pessoas participam de 20 sistemas (somando ordens, escolas e religiões), mas não aprendem nada com nenhum, então antes de aderir ou seguir algum deles, analise se vale a pena para o que você precisa, reflita se você já domina um antes de precisar de outro, se o sistema que você achou pode se adequar à percepção do mundo em que você vive ou se as ideias de um não entram em conflito com as de outro de que você já participa e gosta. Viva cada sistema, se misturar tudo de uma vez não irá entender o que cada um faz especificamente na sua vida, será difícil analisar os resultados sem saber de onde vem exatamente cada atuação e você pode ficar perdido no meio de muitas ferramentas. Um exemplo de complicação comum:

Se você fizer duas aulas de culinária em um único dia pela primeira vez, na primeira aprender a fazer feijoada e na outra Temaki, como você vai saber qual te deu indigestão ao final do dia? Como vai saber qual está te dando uma reação alérgica? Como vai saber qual te nutriu bem? etc. Durante as primeiras análises e o início do aprendizado é muito importante que as amostras sejam bem escolhidas e coletadas com um certo controle. Misturar vários sistemas pode sim dar certo e ampliar suas percepções, pode não dar nenhum problema, mas é muito difícil de se analisar os resultados e se ter controle, então cuidado, comece aprendendo bem uma, depois bem a outra, só depois comece a misturar.

Vai dar certo!

Este post tem 15 comentários

  1. Auriel

    O banimento não é da terra, é de Assiah.

    @Coloradoteus: Depende em que plano você está, se estiver em projeção astral você bane yetizirah… quando falo ‘terra’, falo ‘a energia mais densa do plano em que está’.
    Pra deixar mais claro, um rmp de banimento da terra em templo astral quase equivale ao rmp de banimento do ar aqui no físico.

    1. Auriel

      Esse ritual, Lesser Banhishing Ritual of the Pentagram, não foi criado como um ritual de banimento do elemento Terra. O pentagrama de banimento não é da Terra. É de Assiah.

      @Coloradoteus: Ok, agora eu acredito com essa argumentação.

  2. Leonardo

    Tenho acompanhado seus textos e posso dizer que são ótimos!!! Valeu(dessa vez sem dúvidas rsrsrs)

  3. Flavio

    Gostaria de transmitir meus sinceros agradecimentos pelos textos que, de maneira tão didática, vêm me servindo como um mapa para o caminho da Verdadeira Vontade.
    Para quem pratica os estudos sozinho e autonomamente – que é o meu caso – ter uma síntese como essa disponível permanentemente para consulta é algo realmente valioso.
    Obrigado!

  4. TiagoW

    Percebi uma coisa analisando esses pentagramas de banimento/invocacao. Seja qual for a sua intenção, você sempre está banindo um elemento e invocando outro, por causa do sentido das setas.

    No exemplo do banimento da terra, ao banir a Terra você está invocando o Akasha, e do contrario, ao invocar a Terra você está banindo o Akasha.
    Seguindo este raciocinio:
    Ao invocar Ar, bane-se a Agua, e vice-versa.
    Ao invocar Agua, bane-se o Ar, e vice-versa.
    Ao invocar Fogo, bane-se o Akasha, e vice-versa.
    Ao invocar Terrra, bane-se o Akasha, e vice-versa.

    Ar e Agua estao no mesmo plano, contrapondo-se mutuamente.
    Fogo e Terra estão no mesmo plano, cada um se contrapondo ao Akasha.

    Então, se este raciocinio estiver certo, fogo não deveria representar o espirito assim como o Akasha? ou o fogo é a vontade terrena, se contrapondo a Verdadeira Vontade?

    @Coloradoteus: Banimento é um sentido e Invocação é outro, pense naquelas regras de campo magnético em física, regra da mão direita, ao traçar o pentagrama no sentido horário a energia está sendo afastada, ao traçar no sentido anti-horário ela é atraída… imagina um vórtice sendo formado ao centro do pentagrama

    1. TiagoW

      Ok, eu entendi isso, mas o ponto que estava comentando é sobre a simetria entre o banimento/invocacao entre elementos opostos.

      Por exemplo, os movimentos para a invocacao do ar sao os mesmos que para o banimento da agua, e vice versa. Dito de outra forma, o ponto de inicio do tracado do pentagrama é o mesmo, para invocar agua e banir ar, ou para banir ar e invocar agua.

      Ja entre terra e fogo essa simetria nao existe. A relacao de oposicao destes dois elementos é com o akasha. Por isso a minha pergunta, se ar representa razao, agua representa emocao, terra representa corpo fisico, akasha é o espirito, entao o fogo representa o que?

      @Coloradoteus: Depende do plano que você está, são classificações que aumentam e diminuem a abrangência dependendo do que está sendo analisado. No plano que você está citando, o fogo representaria algo como o tesão, vontade, diligência…

      1. TiagoW

        Acho que entendi agora.

        Obrigado.

  5. Leandro Severino

    Perfeito !, perfeito mesmo !.

    Parabéns pelo belíssimo artigo.

  6. Franco-Atirador

    Costumo fazer uma oração abençoando o meu estabelecimento comercial com uma água benta que minha namorada trouxe da canção nova e a qual consagrei com energias Taurinas para trazer prosperidade à loja.

    Pensando bem, isso não poderia ter um efeito contrário, onde as pessoas aqui dentro se sentiriam impelidas a valorizar mais o seu dinheiro, tendo para mim um efeito negativo? Se bem que deixei claro que a intenção é prosperidade, mas melhor especificar melhor que é a prosperidade de vendas e recebimentos da loja.

    Grato.

    @Coloradoteus: Eu pessoalmente gosto do pessoal da canção nova, aliás, minha primeira experiência de projeção astral foi em um trabalho com eles quando ainda fazia parta da igreja católica há uns 8 anos, só pra comentar…
    Olha, esse tipo de assunto eu não gosto muito de opinar pois é muito fácil cair em Qlippoth quando se fala em ganhar dinheiro… mas pra efeitos de prosperidade peça por Júpiter 😉

    1. Franco-Atirador

      Beleza. Tenho o planeta junto com minha lua na casa 2, na intersecção entre Gêmeos e Touro, o rei de espadas, parece uma boa combinação pra ganhar grana neh?

      @Coloradoteus: A melhor combinação astrológica para ganhar grana é o planeta enxada em capricórnio… brincadeira, é uma boa combinação sim 🙂

  7. Franco-Atirador

    Como seria o processo mais recomendado (banimento, invocação, em qual plano) pra eu fazer para iniciar estudos pra um concurso pra eu poder me concentrar totalmente por períodos de 2, 3 horas, sem me desanimar, nem distrair, nem me exaustar? Faria apenas no início?

    Grato.

    @Coloradoteus: Todas energias são importantes, varia de cada pessoa e também varia de cada situação o processo recomendado.

  8. Gabriel

    Colorado Teus, se não me engano, em um post seu, dessa sua sequencia, você comentou que quando estar a escrever, se transforma em outra pessoa, e isso te levou a criar esse teu nome, Colorado Teus, estou enganado? Se não, gostaria de saber como você criou esse nome, de onde essa ideia veio… Obrigado.

    @Coloradoteus: Sim, a ideia é ter tipo um heterônimo ou personalidade mágica. Existem várias técnicas que ajudam a criar este tipo de nome, como estados alterados de consciência, combinações astrológicas, caos, sincronicidade, gematria, notarikon, etc. Use a que tiver mais afinidade.

  9. Magick

    O “Exercício prático – A escolha de sistemas mágicos”, tem influência da Magia do Caos?

    Pelo que percebi por esta postagem, “Análise de Sistemas Mágicos (Parte 5)”, você caminhou em direção à um meta-sistema de Magia.

    @Coloradoteus: Quando escrevi esse texto eu nem fazia ideia do que era Magia do Caos 🙂

  10. Felipe

    E o que fazer quando vc se percebe ligado a vários sistemas e não se sente pleno em nenhum, mesmo não sendo ruim, porém não dando o melhor de si em cada um?…confesso que sou uma pessoa que tenta abarcar o mundo, de modo que pratico 3 sistemas mágicos, faço 2 graduações e estudo 5 idiomas..ainda estou buscando estágio..sinto dispersar muita energia assim, fico as vezes exausto, sugado e tento práticas de reenergização como o equilíbrio dos chacras quase que diariamente..por´m estes são compromissos assumidos, não posso simplesmente largar, mas gostaria de resultados melhores, principalmente quanto a espiritualidade a qual me vejo envolvido a certo tempo, porém desprovido de vivencias que confirmem tudo que já li, de modo qe as vezes passo por fortes “desconexões” e perduro tentando voltar…

    @Coloradoteus: Olha, não se sinta obrigado a ficar conectado com nenhum egrégora, assumir compromisso é uma coisa, ser obrigado é outra. Se alguma estiver te obrigando, cumpra sua palavra e saia logo dela pois não pode ser coisa boa. Sobre o que você disse, gosto muito de uma frase do Liber al vel Legis que diz:
    “39. A palavra da Lei é θελημα (Thelema).
    40. Quem nos chama Thelemitas não cometerá erro, se ele apenas observar bem de perto a palavra. Pois dentro dela existem Três Graus, o Eremita, e o Amante, e o homem da Terra. Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.
    41. A palavra de Pecado é Restrição. Ó homem! Não recuseis tua esposa, se ela o quiser! Ó amante, se quereis, ide embora! Não há vínculo que possa unir o dividido senão o amor: tudo o mais é uma maldição. Maldito! Maldito seja pelos aeons! Inferno!
    42. Que aquele estado de multiplicidade, seja confinado e repugnado. Assim com todos vós; tu não tens direito a não ser fazer a tua vontade.
    43. Faze isso, e nenhum outro te dirá não.
    44. Pois pura vontade, desaliviada de propósito, livre da ânsia de resultado, é todo caminho perfeito.
    45. O Perfeito e o Perfeito são um Perfeito e não dois; não, são nenhum!”

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