A qualidade misteriosa

A qualidade misteriosa

Retirado do Tao Te Ching (*)

Para que a alma inteligente e a alma animal
se mantenham unidas
é necessário que o amor as abrace.

Quando demos atenção total a nossa respiração
e alcançamos sua elasticidade completa,
nos tornamos novamente um recém-nascido.

Quando limpamos a mente
das visões ilusórias de nossa imaginação,
alcançamos a Tranquilidade.

“Que Tranquilidade?”
Não há resposta intelectual para tal pergunta.

Deixe que a alma voe livremente
entre os indivíduos e a sociedade,
sem desejo de status.
Enquanto os portões do Céu se abrem
e tornam a fechar,
planemos como as gaivotas.

Deixe que a inteligência
penetre todas as regiões,
livre da gaiola da intelectualidade.

Aquilo que cria e sustenta toda a vida
jamais clama por sua posse.
Seu abraço abarca a todos, mas não exige gratidão.
Comanda tudo,
mas jamais exerce autoridade alguma.

Esta é a “qualidade misteriosa” do Tao.

***

Todo mês traremos mais uma passagem do Tao Te Ching…

Tao Te Ching

(*) Nesta tradução exclusiva do Tao Te Ching a partir da tradução clássica de James Legge para o inglês, Rafael Arrais (autor do blog Textos para Reflexão) usa do auxílio precioso das interpretações do ocultista britânico Aleister Crowley e do filósofo brasileiro Murillo Nunes de Azevedo para compor uma visão moderna da antiga sabedoria de Lao Tse.

» Versão impressa

» eBook (Kindle)

» eBook (Kobo/Cultura)

» eBook (Saraiva)

Este post tem 2 comentários

  1. Sr. da macumba

    Tenho certeza que quando os textos budistas ou taoistas dizem “amor” ou “compaixão” eles querem dizer isso no sentido de união, pois a vacuidade é a unidade presente em todas as coisas. Shunya, Tao, Vazio, esse é a compaixão Budista/Taoista e nada tem a ver com pensamentos ou sentimentos de amor em relação ao próximo. A vacuidade está além do pensamento. Troquem a palavra amor por vazio que o poema fará todo sentido.

    Não havendo discursos intelectuais da mente pensante, só há a união (vazio, shunya, tao) que está além da dualidade da mente de rejeitar ou amar, abraçar ou negar.

    Os versos restantes confirmam que o autor se refere a permanencia plena na vacuidade (ou meditação, como preferirem, embora ele a enxergue num sentido mais amplo, diário, chamado de atenção plena, um viver pleno):

    Quando demos atenção total a nossa respiração
    e alcançamos sua elasticidade completa,
    nos tornamos novamente um recém-nascido.

    Quando limpamos a mente
    das visões ilusórias de nossa imaginação,
    alcançamos a Tranquilidade.

    “Que Tranquilidade?”
    Não há resposta intelectual para tal pergunta.

    _________________________________________________________

    Mas isso nada tem a ver com o amor da tradução ocidental, que num sentido mais amplo também é um pensamento/emoção, uma limitação da realidade e uma ilusão, portanto.

  2. Laura

    Rafael, eu poderia dizer que o movimento constante do yin e do yang geram a energia vital? ou são coisas que não possuem relação alguma.
    grata desde já.

    @raph – Oi Laura. Bem, eu acho que o Cosmos todo é pleno de energia vital, mas precisamos estar saudáveis para capta-la plenamente. Neste caso, o estar saudável também tem a ver com o equilíbrio constante das energias internas (Yin e Yang), de modo que elas continuem a nadar uma ao lado da outra, como os dois peixes do Tei-Gi (o símbolo que você vê na capa do livro acima). Nenhum corpo físico consegue suportar este fluxo indefinidamente, no entanto, e daí temos o que alguns chamam de morte…

Deixe uma resposta