A Capela de Rosslyn – Parte 2


Por Christopher Knight e Robert Lomas
Sempre nos impressionou, como uma forte curiosidade, que o nome da ‘capela’ é escrita como Rosslyn, enquanto que o da vila em torno desta é escrita como Roslin. Ao pesquisarmos sobre esta diferença, foi-nos dito que se passou a escrever o nome com um duplo ‘s’ e com ‘y’ somente a partir da década de 1950 como uma forma de tornar o lugar um pouco mais celta.

Nós sabemos que os lugares com nomes celtas sempre possuem um significado, mesmo sendo estes muito cumpridos, como a vila gaulesa de Llanfairpwllgwyngethgogerwyllyndrobwllllantisiliogogogoch, e que contém uma completa descrição do lugar. (esta última significa: A Igreja de Santa Maria próxima ao rápido moinho d’água ao lado da côncava aveleira branca oposta à caverna vermelha de São Sílio). Entretanto, ficamos curiosos sobre o significado gaélico de ‘Roslin’ que freqüentemente tem sido explicada como uma queda d’água ou promotório, apesar desta não descrever o local nem agora e nem em qualquer época passada. As palavras comuns em gaélicos para promontório são roinn, rubha, maoil ou ceanntire e para queda d’água são eas ou leum-uisge. Um significado adicional para Ross, ocorrendo apenas em nomes de origem irlandesa, é promontório de madeira, que somente se o nome possuísse conexões irlandesas (ou se os pesquisadores anteriores tivessem usado um dicionário gaélico-irlandês por engano) se poderia formá-lo usando-se esta definição.
Com fluência em gaélico, Robert sabia que o som fonético ‘Roslin’ poderia ser escrito como ‘Rhos Llyn’ que significa ‘lago acima do pântano’. Sem ser surpreendente, entretanto, estas palavras oriundas de Gales não descrevem o lugar de forma melhor que as irlandesas e, deste modo, procuramos as duas sílabas em um dicionário gaélico-escocês que nos forneceu a seguinte definição:
Ros: um substantivo que significa conhecimento.
Linn: um substantivo que significa geração.
Parece que em gaélico, Roslinn poderia ser traduzido por conhecimento das gerações.
Nós estamos certos de que confiar em dicionários sempre resulta em traduções curiosas e sendo assim, decidimos recorrer a alguém que realmente conhecesse a língua gaélica (corretamente conhecida por gaélica e nunca como gaulesa).
Durante uma visita à Grande Loja da Escócia em 1996, nós fomos apresentados à Tessa Ransford, a diretora da Biblioteca de Poesia Escocesa em Edimburgo. Nós ficamos extremamente lisonjeados em descobrir que ela, uma notável poetisa escocesa, havia escrito um poema para louvar o nosso livro anterior. Um dos propósitos principais da Biblioteca é tornar acessível ao público a poesia da Escócia em qualquer língua que tenha sido escrita; isto significa que Tessa, que é casada com uma pessoa fluente em gaélico, reunia-se regularmente com um grande número de pessoas que possuíam um conhecimento detalhado da língua.
Nós contatamos Tessa e perguntamos se ela poderia verificar se a nossa interpretação do nome Roslin estava correta e ela gentilmente concordou em discuti-Ia com especialistas nesta língua. Alguns dias mais tarde, ela nos procurou dizendo-nos que a nossa tradução não havia considerado uma significante pista contida na palavra ‘Ros’ que mais corretamente carrega um significado que a faz ser mais especificamente ser ‘antigo conhecimento’; deste modo, a tradução que ela confirmava era mais precisamente: antigo conhecimento passado ao longo das gerações.
Tessa e seus colegas estavam realmente excitados e nós estarrecidos com esta ainda mais poderosa interpretação que aparentava encaixar-se perfeitamente com o propósito de Rosslyn ser considerada como um santuário de antigos manuscritos.
A próxima questão era: quando a palavra ‘Roslin’ ou ‘Roslinn’ (uma vez que não havia uma padronização da escrita naqueles dias) foi usada inicialmente? Nós sabíamos que ela era anterior à construção da ‘capela’ de William St Clair, o que poderia indicar que os manuscritos removidos debaixo do Templo de Herodes haviam sido mantidos no castelo antes da ‘capela’ ter sido construída.
Através de uma breve investigação, nós rapidamente descobrimos que a história dos St Clair, na Escócia, iniciara com um cavaleiro chamado William St Clair que popularmente era conhecido como William, o Gracioso. William era natural da Normandia e sua família era conhecida oponente do Rei Guilherme I, o normando que conquistou a Inglaterra em 1066. William St Clair considerava que ele possuía um bom motivo para reivindicar o trono da Inglaterra através de sua mãe Helena, que era filha do quinto Duque da Normandia, uma vez que Guilherme, o Conquistador, era o filho ilegítimo de Roberto, Duque da Normandia, com a filha de um curtidor que se chamava Arletta. A família St Clair ainda refere-se ao Rei Guilherme I simplesmente como Guilherme, o Bastardo.
William, o Gracioso, foi o primeiro St Clair a mudar-se da Normandia e naturalmente falava apenas o francês, mas seu filho Henri foi educado sob a forte regra celta de Donald Bran e, deste modo, falava o gaélico tão bem como o francês normando (assim como todos os St Clair posteriores até o tempo de Sir William, o construtor da ‘capela’). Nós descobrimos que foi este Henri St Clair que primeiro portou o título de Barão de Roslin, logo após seu retorno da Primeira Cruzada.
Esta data foi um grande desapontamento para nós uma vez que ela desestruturou a nossa bela teoria. Henri teria retornado da Cruzada por volta do ano 1100, oito anos antes dos Templários iniciarem suas escavações, e deste modo o nome Roslin (antigo conhecimento passado ao longo das gerações) não poderia ser uma referência aos manuscritos que nem ainda haviam sido descobertos. Entretanto, como nós refletimos e pensamos que nós havíamos descoberto algo novo e muito importante para as nossa pesquisa. Nós recusávamos a acreditar que seria uma mera coincidência o fato de Henri ter usado um nome de tal significado para o seu novo título e, sendo assim, começamos a pesquisar em busca de novas pistas.
Nós logo após descobrimos que Henri St Clair havia lutado nas Cruzadas e marchado para Jerusalém ao lado de Hugues de Payen, o fundador dos Cavaleiros Templários. Além disso, logo após Henri ter escolhido ‘Roslin’ como seu título, Hugues de Payen casou-se com a sobrinha de Henri e foram dadas terras na Escócia como um dote. As conexões estavam além da controvérsia, mas o que elas significavam? Henri estava, através da escolha de seu título, sinalizando que possuía um conhecimento especial da antiga tradição, ou era, talvez, apenas uma peça pregada por Henri para seu próprio divertimento? Parece que a nossa intuição de que os nove Cavaleiros que formavam os Templários sabiam o que estavam procurando estava correta, mas nós não poderíamos imaginar como eles poderiam saber o que estava enterrado sob o Templo de Herodes. Talvez, um melhor estudo da edificação revelaria alguma pista.
Os Cavaleiros da Cruz Vermelha da Passagem da Babilônia
Nossa descoberta de que Rosslyn possuía conexões incontestáveis com os graus da Maçonaria moderna causou muito interesse após a publicação d’A Chave de Hiram e muito pesquisadores nos procuraram. Um deles era um historiador maçônico da Bélgica chamado Jacques Huyghebaert. Jacques enviou-nos um e-mail perguntando-nos sobre a origem da inscrição em latim gravada no arco da Capela de Rosslyn que havíamos mencionado em nosso livro. Traduzida ela significa:
O VINHO É FORTE,
UM REI É MAIS FORTE,
AS MULHERES SÃO AINDA MAIS FORTES.
MAS A VERDADE CONQUISTARA A TODOS.
Este estranho lema é a única inscrição original em toda construção e era claramente de muita importância para William St Clair na década de 1440.
A mensagem eletrônica de Jacques dizia:
Vocês poderiam me fornecer a versão original em latim desta inscrição que está esculpida no Santuário de Rosslyn? Vocês seriam capazes de datá-la?
… Vocês conhecem um grau [maçônico] complementar que se ocupa da relação entre Vinho, Reis, Mulheres e a Verdade?
Este grau é chamado de ‘Ordem dos Cavaleiros da Cruz Vermelha da Babilônia’ ou da ‘Ordem do Caminho da Babilônia’ e na Inglaterra está intimamente relacionado ao Real Arco.
… Seu ritual é baseado no Livro de Esdras e os eventos que ocorreram durante o Cativeiro da Babilônia… De acordo com a lenda maçônica deste grau, Zorobabel, o Príncipe de Judá, solicitou uma audiência no Palácio na Babilônia, de modo a obter permissão para reconstruir o Templo do Altíssimo em Jerusalém.
O Rei da Pérsia, demonstrando sua boa vontade sobre esta permissão, disse ‘que tem sido um costume desde tempos imemoriais, entre os Reis e os Soberanos desta região, em ocasiões como esta propor certas questões’. A questão que Zorobabel deveria responder era: ‘Qual delas é a mais forte, a Força do Vinho, a Força dos Reis ou a Força das Mulheres?’
Nós estávamos muito empolgados com as boas novas e respondemos a Jacques, dizendo que a existência desta inscrição em Rosslyn e o seu uso em um alto grau da Maçonaria deve estar além da coincidência. Ele nos respondeu:
Como vocês disseram, isto deve estar além da coincidência. Entretanto, eu recomendaria sermos cautelosos… Vocês poderiam verificar se esta inscrição não foi esculpida por um ‘espertinho’ no século XIX ou XX, que tinha conhecimento deste grau, e a adicionou discretamente durante um recente trabalho de restauração?
Se, entretanto, por uma chance a inscrição em latim em Rosslyn provar-se ser mais ANTIGA do que 1700 não haverá dúvida de que vocês fizeram uma GRANDE DESCOBERTA, pois esta seria a primeira prova irrefutável de que os rituais dos altos graus eram trabalhados na Escócia tempos antes de seu lugar geralmente aceito e do seu período de criação: em França, após o ‘Discurso’ do Chevalier Ramsay, isto é, a partir da década de 1740.
Nós imediatamente contatamos Judy Fisken, que era a curador de Rosslyn àquela época, para estabelecer a origem da inscrição. Judy nos informou que a pedra na qual a inscrição encontrava-se gravada era uma parte intrínseca da estrutura da edificação e que ela estava certa de que as palavras gravadas datavam da construção da ‘capela’ nos meados de 1400. Deste modo, escrevemos para Jacques:
As chances da inscrição em latim ser uma adição posterior são iguais a zero. Nenhuma área do interior foi deixada sem ser esculpida e estas palavras não foram certamente sobrescritas a qualquer outra existente. O tipo de fonte certamente corresponde a do século XV. Também até 1835, a conexão maçônica com o edifício não era ainda amplamente conhecida para que alguém tivesse embocado sobre o pilar Jachin, fazendo parecer exatamente como os demais pilares, de modo que o significado maçônico dos pilares gêmeos fosse escondido.
* André-Michel Romsay, conhecido por Cavaleiro de Ramsay (Ayr, Escócia, 1686 – Saint Germain em Laye, 1743): Ramsay, protestante convertido ao catolicismo, iniciou sua carreira maçônica entre os anos de 1725 e 1726, sendo iniciado em uma Loja francesa quando este retornava de Roma. Importante escritor e pesquisador de fIlosofia e política, tornou-se rapidamente membro da administração da Grande Loja de França, sendo seu Grande Chanceler. Sua carreira maçônica é freqüentemente associada ao seu famoso Discurso, pronunciado à Loja de Saint-Thomas, onde este exaltava a necessidade da criação de altos graus maçônicos para o aperfeiçoamento da fIlosofia da Maçonaria e ligava esta última aos Pobres Cavaleiros do Templo de Salomão, ou os Cavaleiros Templários. (N. T.)
Uma noite, nós discutimos esta abordagem com Philip Davies e na manhã seguinte nos dirigimos ao escritório de Chris com uma fotocópia dos dois Livros de Esdras que fazem parte apócrifa da Bíblia. Nós mantivemos Jacques a par de nossas pesquisas:
O Professor Philip Davies veio junto a nós com uma tradução completa do Livro de Esdras. A parte que nos interessou não é muito extensa, mas muito curiosa! Acredita-se que no texto original não havia o termo a ‘verdade’ que fora adicionado posteriormente por autor judeu.
O Rei havia pedido à sua guarda pessoal para dizer o que era a coisa mais forte e contou-lhes que aquele que fornecesse a resposta mais sábia tornar-se-ia um igual ao Rei e desfrutaria de grandes riquezas. O homem que disse ‘a verdade é a mais forte’ é feito nobre e então diz ao Rei:
‘Lembrai de vosso juramento que fizestes um dia quando vós vos tornastes Rei, construir Jerusalém, e que enviaria de volta todos os vasos sagrados que foram tomados de Jerusalém que Ciro havia protegido quanto destruiu Babilônia e que prometera enviar para lá. Vós também jurastes construir o Templo que os Edomitas queimaram quando a Judéia caiu diante dos Caldeus’.
Isto era importante para William St Clair, pois Rosslyn era a sua reconstrução do Templo, baseada no modelo do Templo de Herodes e na visão de Ezequiel da Nova Jerusalém.
Como você disse, tudo isso não pode ser coincidência.
Neste meio tempo, nós havíamos inquirido os nossos companheiros Maçons por qualquer informação sobre o ritual dos Cavaleiros da Passagem da Babilônia e descobrimos nossa primeira referência em uma publicação maçônica.
Cruz Vermelha da Babilônia: O mais profundo e místico dos Graus Maçônicos
Associados, este grau é similar aos graus 15º (Cavaleiro da Espada ou do Oriente), 16º (Príncipe de Jerusalém) e 17º (Cavaleiro do Oriente e do Ocidente) do Rito Escocês Antigo e Aceito. Os três pontos ou partes da cerimônia descendem de três dos graus praticados nos meados do século XVIII. Parte da cerimônia é semelhante à Passagem dos Véus dos ritos escoceses e do Campo de Balduíno… Para ser um membro dos Graus Maçônicos Associados você deve ter sido tanto um Maçom do Real Arco, como um Mestre Maçom da Marca.
Agora que sabíamos que o grau existia sob os auspícios do Grande Capítulo nós rapidamente localizamos o ritual e este era uma fascinante leitura. O ‘Campo de Balduíno’, inicialmente pensamos, parecia ser uma referência ao acampamento dos Cavaleiros Templários no terreno arruinado do Templo de Herodes sob os auspícios do Rei Balduíno de Jerusalém, mas logo aprendemos que estava associado com um antigo grupo de Maçons de Bristol.
O título completo do grau é Cavaleiro da Cruz Vermelha da Babilônia ou da Passagem da Babilônia. Ele consiste de três dramas ritualísticos, ou pontos, que narram três incidentes retirados dos capítulos 1-6 do Livro de Ezra, dos capítulos 2-7 do Livro de Esdras e dos capítulos 1-4 do Livro 11 d’As Antiguidades dos Judeus, de Josephus.
Este grau narra detalhadamente os motivos e os propósitos da reconstrução do Templo de Jerusalém. O líder do grau, conhecido como Mui Excelente Chefe, marca o exato ponto na abertura do grau quando ele propõe a seguinte questão:
Excelente Primeiro Vigilante, que horas são?
Ele recebe a seguinte resposta:
A hora da reconstrução do Templo.
O ritual prossegue dizendo que Dario concordou em apoiar Zorobabel, o Príncipe de Judá, e emite um edito que permite a reconstrução do Templo e ‘ainda mais, os vasos de ouro e prata que Nabucodonosor havia tomado serão restaurados e colocados em seus devidos lugares’. Neste ponto da cerimônia, Dario nomeia o candidato, que faz o papel de Zorobabel, um cavaleiro do Oriente, e lhe dá uma fita verde ornada com ouro o que significa a iniciação nos mistérios secretos.
Antes de ser permitido a Zorobabel deixar a corte de Dario e retomar a sua tarefa de reconstrução do Templo, a ele, em companhia de dois outros, é colocado um enigma por parte Dario, cuja resposta correta o cobrirá de grande prestígio e honra:
O grande Rei faz através de mim conhecido o seu contentamento e deste modo cada um de vós três dará a sua opinião em resposta a questão. O que é mais forte, o Vinho, o Rei ou as Mulheres?
O ritual então nos conta as três respostas que foram dadas ao enigma de Dario. O primeiro jovem disse que o vinho era o mais forte porque ele podia alterar a mente e o humor de qualquer um que bebê-lo; o segundo jovem disse que o Rei era o mais forte, pois, mesmo os soldados eram obrigados a obedecer lhe. Na vez do candidato Zorobabel falar, o ritual coloca as seguintes palavras em sua boca:
Ó, Senhores, é verdade que o vinho é forte, bem como os homens e o Rei; mas quem controla a todos? Certamente, as Mulheres. O Rei é o presente de uma mulher. As mulheres são as mães daqueles que trabalham nos vinhedos que produzem os vinhos. Sem as mulheres, os homens não podem existir. Um homem faz de fato coisas tolas pelo amor de uma mulher; dá a ela valiosos presentes e, algumas vezes, mesmo vende-se a si mesmo à escravidão por sua saúde. Um homem deixará o lar, o país e os títulos de nobreza pelo seu bem.
Ó, Senhores, não são as mulheres fortes, haja visto o que elas podem fazer?
Mas nem as Mulheres, o Rei ou o Vinho são comparável à poderosa força da Verdade. Como todas as outras coisas, eles são mortais e transitórias; mas somente a Verdade é imutável e eterna. Os benefícios que dela recebemos não variam com o tempo e com a fortuna. Em seu julgamento não há a injustiça; e ela é a sabedoria, a força, o poder e a majestade de todas as épocas.
Abençoado seja o Deus da Verdade.
Grande é a Verdade e poderosa é sobre todas as coisas!
Em face de tal evidência, ninguém pode negar que William St Clair era conhecedor deste grau maçônico que, até o presente momento, acreditava-se inicialmente ter sido praticado após 1740. Ele é pelo menos trezentos anos mais antigo – e nós brevemente descobriríamos evidências que o dataria de mais longe ainda.
O Segredo das Pedras
Tendo descoberto irrefutáveis evidências que um alto grau da Maçonaria era conhecido por William St Clair, nós começamos a olhar mais atentamente do que antes os mínimos detalhes do intrincado interior e exterior esculpido de Rosslyn. Uma pequena, porém fantástica descoberta, era a gravação de dois homens, lado a lado. Apesar desta escultura exterior estar danificada pelas intempéries e possuir aproximadamente trinta centímetros de altura, nós pudemos observar muito bem, a maior parte de seus detalhes. Ela mostra um homem vendado com vestimentas medievais, ajoelhado e segurando com sua mão direita um livro com uma cruz na capa, seus pés colocados de modo a formar um esquadro. Em torno do pescoço do homem há um nó corrediço, sendo a ponta deste segurada por um segundo homem que estava vestindo um manto templário com a cruz distintiva mostrada em seu peito.
Quando descobrimos esta pequena gravação, nós procuramos Edgar Harborne, uma autoridade da Grande Loja Unida da Inglaterra. Somados, tínhamos aproximadamente setenta anos de experiência maçônica e sabíamos exatamente o que estávamos olhando. Edgar estava empolgado e surpreso, assim como nós, pois não havia qualquer dúvida; esta era a imagem de um candidato à Maçonaria durante o processo de sua iniciação no ponto crítico de seu juramento de obrigação. A forma dos pés, o cordame, a venda, o volume da lei sagrada – esta imagem mostra um homem sendo admitido na Maçonaria cinco séculos e meio atrás! Ainda mais, esta pequena estátua era a primeira representação visual de um Templário conduzindo uma cerimônia que nós agora consideramos ser unicamente maçônica.
O fato de ela apresentar um Templário conduzindo um candidato implica que a escultura estava demonstrando um evento histórico que datava do período templário, deste modo ela poderia estar mostrando-nos uma cerimônia maçônica de setecentos anos de idade.
Dentro da edificação, nós analisamos cada uma das pequenas esculturas. Isto era difícil, devido, em algum ponto do passado recente, a alguma alma caridosa que cobrira completamente o interior com uma massa de areia e cal em uma mal sucedida tentativa de proteger o trabalho de cantaria, o que obscureceu os pequenos detalhes.
No alto de dois meio pilares construídos na parede meridional, com uma altura de aproximadamente três metros, nós descobrimos pequenas representações que eram extremamente interessantes. Uma destas com apenas alguns centímetros de altura mostra um grupo de figuras com uma pessoa portando uma peça de tecido na qual havia no centro a face de um homem barbado e com cabelos longos. A figura que porta o tecido teve sua cabeça perdida e, uma vez que há poucos danos ao edifício, parece, como pensamos, que ela foi deliberadamente removida. Isto fez-nos olhar para outras cabeças e ficamos impressionados pela distintiva aparência de cada uma delas. As faces não são amenas ou anônimas, como normalmente se vêem em edifícios semelhantes; elas dão a impressão de que eram deliberadamente semelhantes a indivíduos conhecidos – quase como máscaras mortuárias em miniatura.
Só nos restava especular: esta pequena estatueta representa alguém segurando o Sudário de Turim?
Só existem duas explicações para tal imagem: é o Sudário de Turim que está sendo portado ou é aquilo que conhecemos por ‘Verônica’.
A lenda não-bíblica de Santa Verônica narra como uma mulher (freqüentemente associada à Maria Madalena) deu o seu manto (em algumas versões o seu véu) a Jesus para enxugar sua face quando ele estava deixando o Templo ou no caminho do Calvário portando sua cruz. Quando esta tomou o manto de volta, neste havia a imagem da face miraculosamente impressa no tecido. Estudiosos modernos acreditam que o nome ‘Verônica’ é derivado do latim vera e do grego eikon, significando ‘a verdadeira imagem’. O nome e a idéia são um tanto suspeitos, uma vez que a Igreja Católica Romana não reconhece uma santa chamada Verônica. Apesar desta negação de beatificação, o ‘manto original’ pode ser encontrado na Basílica de São Pedro na Cidade do Vaticano.
Isabel Piczek, uma artista que tem estudado o Sudário de Turim e que provou que este não poderia ser uma pintura, esteve em uma visita não oficial para ver a Verônica na Basílica de São Pedro. Ela descreveu esta experiência ao pesquisador do Sudário, Ian Wilson:
Sobre ele estava um pedaço de tafetá colorido do tamanho de uma cabeça, do mesmo tipo do sudário, levemente acastanhado. Ele não parecia estar remendado, apenas uma mancha de cor ferrugem acastanhada. Parecia um pouco desigual, exceto por algumas descolorações trançadas… Mesmo com a melhor das imaginações, você não é capaz de deslumbrar qualquer rosto ou imagem dele, nem mesmo a mais leve sugestão disto.
Estávamos cientes que esta antes inexpressiva relíquia ‘sagrada’, ou a idéia por trás dela, possa ser anterior ao advento do Sudário, mas não era certamente logo após as exibições públicas do Sudário de Turim em Lirey que a popularidade de uma imagem do rosto sagrado cresceu. Padre Thurston, um historiador cristão, categoricamente estabelece que a lenda da Verônica, como apresentada na atual Estações da Via Dolorosa, não pode ser datada de antes do final do século XIV. Tal datação significaria que a lenda surgiu após a primeira exibição pública do Sudário de Turim em 1357.
A cabeça de Cristo tem sempre sido representado nos ícones tendo longos cabelos repartidos ao meio e com uma barba espessa e quando um pedaço de tecido surgiu com tal representação poderia ter difundido a idéia de uma ‘Verônica’.
A coluna seguinte em Rosslyn possui uma cena igualmente pequena que mostra uma pessoa sendo crucificada, mas estranhamente, uma vez mais a cabeça foi removida. Os únicos danos aparentemente deliberados que nós conhecemos na edificação são as das cabeças portando o rosto no tecido e da pessoa crucificada. É como se alguém sentisse a necessidade de ocultar a identidade por detrás destas imagens. As demais faces nas miniaturas gravadas são certamente muito distintas – ainda embora elas parecessem com pessoas reais. Nós imaginamos se a pessoa que encobriu o pilar de Jachin com gesso também removeu as cabeças dessas figuras chaves.
Se estes eram uma simples Verônica e uma representação padrão de Jesus na cruz, não haveria necessidade de desfigurar os principais rostos.
A figura crucificada não está pregada em uma idéia normal da cruz cristã, onde a parte superior continuava afim da trave horizontal, mas a uma cruz na forma de um Tau judaico que possuí a forma de um T. As representações cristãs medievais freqüentemente mostram uma segunda trave representando a placa que com zombaria, proclamava Jesus como sendo o Rei dos Judeus – mas nunca mostra uma cruz Tau.
‘Tau’ é a última letra do alfabeto hebraico e, como a letra grega ‘Omega’, representa o fim de algo, especialmente a vida. É também verdade que a maioria das crucificações romanas eram conduzidas em estruturas com este formato, mas nenhum construtor do século XV teria condições de saber isto. Parece que o criador desta pequena gravação ou era muito bem informado a respeito da metodologia das crucificações romanas ou estava deliberadamente utilizando-se da simbologia judaica para a morte. Quando da pesquisa para nosso livro anterior, nós havíamos trabalhado com a idéia de que a imagem do Sudário de Turim poderia ser a do último Grão-Mestre dos Templários e, se nossas suspeitas de que o Sudário de Turim é a imagem de Jacques de Molay estiver correta, nós poderíamos esperar que William St Clair estivesse atento a este fato, uma vez que sua família esteve intimamente envolvida com os Templários que haviam fugido para a Escócia após a queda da Ordem – mas por que ele está representado desta forma? Talvez o Sudário provaria ser muito mais importante do que havíamos pensado.
O corpo governante da Maçonaria Inglesa e Gaulesa, a Grande Loja Unida da Inglaterra, é enfático sobre o fato de nada ser conhecido ao certo sobre a história da organização anterior à fundação da Grande Loja de Londres em 1717. Tem sido crítico para nós sugerir que há uma história a ser descoberta para aqueles que escolheram procurar, e aqui, em Rosslyn, nós possuíamos provas positivas de que os rituais maçônicos são pelo menos duzentos e setenta e cinco anos mais antigos do que a história oficial da Maçonaria, como definida pela Grande Loja Unida da Inglaterra.
Nosso próximo estágio de pesquisa era olhar atentamente em como e por que a Maçonaria Inglesa perdeu contato com seu passado e estabelecer o que está sendo escondido, se for o caso, por detrás de uma cega recusa em conhecer qualquer história anterior a 1717.
Conclusão
Parece que os Cavaleiros Templários conheciam o que eles estavam procurando quando iniciaram sua escavação de nove anos e o seu voto de obediência fortemente sugere que outros estavam envolvidos por detrás disto tudo.
Rosslyn é uma cópia deliberada das ruínas do Templo de Herodes com um projeto que é inspirado na visão de Ezequiel da nova ‘Jerusalém Celeste’. As pistas para a compreensão da edificação estavam colocadas dentro do então secreto ritual do Grau do Santo Real Arco da Maçonaria. William St Clair utilizou este método para contar-nos que a edificação é ‘o Templo de Jerusalém’, ‘uma chave para um tesouro’ e ‘um lugar onde algo precioso está oculto’, ou ‘a própria coisa preciosa’.
A grande parede ocidental de Rosslyn pode ser conclusivamente encarada como uma reconstrução de parte do Templo de Herodes, e o nome ‘Roslin’ possui o surpreendente significado ‘o antigo conhecimento passado ao longo de gerações’, quando compreendido a partir do gaélico. A razão para este nome não está clara, mas Henri St Clair de Roslin era excepcionalmente íntimo de Hugues de Payen, o líder dos primeiros Templários.
Uma gravação no exterior claramente mostra um candidato sendo iniciado na ‘Maçonaria’ por um homem usando um traje templário, e uma inscrição dentro da edificação demonstra que os construtores eram familiarizados com um dos altos graus da Maçonaria, trezentos anos antes da data anteriormente aceita de sua origem.
Uma gravação dentro da edificação parece mostrar o Sudário de Turim sendo portado por alguém e uma outra que mostra a crucificação de uma pessoa sem cabeça em uma cruz Tau judaica. Talvez o Sudário de Turim esteja diretamente conectado à história que Rosslyn narra em pedra.
*Christopher Knight nasceu em 1950 e em 1971 concluiu seus estudos formando-se em publicidade e desenho gráfico. Ele sempre demonstrou um forte interesse no comportamento social e no sistema de crenças tendo por muitos anos atuado como analista de consumo envolvido no planejamento de novos produtos e suas estratégias de vendas. Em 1976 tornou-se Maçom e atualmente é presidente de uma agência de publicidade e marketing.
Dr. Robert Lomas nasceu em 1947 e graduou-se com honra em engenharia elétrica, iniciando-se após isso em pesquisas no campo de física dos estados sólidos. Mais tarde trabalhou no sistema de direcionamento para os mísseis Cruise e esteve envolvido no desenvolvimento de computadores pessoais mantendo sempre o seu interesse sobre história da ciência. Ele atualmente leciona no Centro de Administração da Universidade de Bradford. Em 1976 tornou-se Maçom e rapidamente tornou-se um conceituado palestrante sobre a história da Maçonaria nas Lojas da região de West Yorkshire.

Este post tem 6 comentários

    1. Vinícius Pedro

      eu iria perguntar justamente se alguém sabia onde encontrar fotos mais detalhadas do local.
      ^^

  1. Felipe

    Olá mdd. Esses ultimos dias estou bastante assíduo na leitura desse site. Ultimamente tenho tido muitos sonhos com vikings, orientais e batalhas. um sonho que tive foi diversos navios vikings invadindo uma praia onde eu estava, sendo que os navios, bem no estilo viking mesmo, navegavam flutuando alguns metros acima do mar (???), eles perseguiram montados a cavalo e atiravam com um tipo de arma a laser a muitos que estavam nesse lugar mas o unico que não mataram foi a mim . E o ultimo sonho foi que eu participava de uma tripulação espacial onde haviam chineses e ocidentais que me ajudavam em batalhas contra monstros e homens tipo ignorantes maltrapilhos porem fortes e vencia-os.
    Se você puder me ajudar, eu gostaria de saber sobre o significado desses sonhos loucos, se é bom ou ruim (tenho comgo que sejam bons pois tenho me sentido bem quando deserto) e como eu poderia assimilar isso tudo.
    obs: Não uso drogas. hehehe
    valeu cara, um abraço.

    1. Augusto Salfer

      Felipe, escreva um roteiro.

  2. Gustavo

    Zé Rodrix conta a história do Zorobabel em seu segundo livro da trilogia do templo, o que me fez pensar agora que ele descreve vários graus maçônicos nos seus livros.
    Adoro essas histórias que envolvem capelas, mitos, rituais e as várias ligações que fazem com coisas muito mais antigas do que pensamos.
    MDD, Rosslyn não teria conexão com as linhas de ley ou linhas da rosa (Rose line)? E um dos significados da rosa também ser o de guardar segredos?
    abração

  3. Oi Marcelo!
    Olha, acompanho o blog faz tempo, mas acho que pouco comentei por aqui (ou nunca rs). Porém hoje, senti uma forte necessidade em agradecer-lhe pela qualidade do conteúdo aqui exposto e pela forma como você o faz.
    A internet, apesar de ter democratizado o conhecimento, também promoveu (e MUITO) a desinformação, o que torna exaustiva a pesquisa de determinados assuntos. E após ter descoberto o TdC, minhas dúvidas tem final certo! rs. É muito complicado seguir estudando determidados assuntos sem um mestre/guia que nos matenha sem desvios… E o blog tem me servido mutíssimo como uma importante ferramenta de auxílio a leitura de vários livros e artigos, e tornado o caminho solitário muito menos penoso. Obrigada!
    Saudações,
    Julianna

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