300 e o Naipe de Bastões

Olá crianças,

Quando falo sobre a Jornada do Herói, o Tarot e a Árvore da Vida, sempre exemplifico que uma quantidade enorme de filmes, livros e HQs seguem o padrão. O filme “300”, de Zack Snyder, baseado na fantástica HQ de Frank Miller, segue um destes caminhos. Vamos analisá-lo juntos.
Aviso: Contém Spoilers!


As de Bastões – Indica um projeto novo, uma nova idéia ou um novo empreendimento, ou ainda o momento apropriado para se começar algo filosófico, religioso ou espiritual. No filme 300, percebemos isso com a chegada do mensageiro carregando a proposta do rei Xerxes, algo que mudaria toda a estrutura de Esparta.


O Dois de Bastões indica esta idéia primordial sendo desenvolvida; é o tempo de negociar, criar, gerar propostas e pensar a respeito das decisões que serão tomadas. Em Hochma, todas as possibilidades são ponderadas, todas as ações podem ser pensadas e todas as frases podem ser arquitetadas. No filme vemos isto na negociação entre Leonidas e o mensageiro de Xerxes.


No Três de Bastões, em Binah, a decisão está tomada. A partir de agora, talvez ainda seja possível modificar o que se decidiu em Hochma, mas com um custo, seja ele em tempo, dinheiro ou esforço. Às vezes, não temos como voltar atrás nas decisões que tomamos nesta etapa. O Dois e o Três de bastões trabalham na mesma linha da Árvore da Vida. No filme, Leonidas toma a sua decisão em relação à proposta de Xerxes.


O Quatro de Bastões indica o momento de descanso antes da batalha; aquele momento onde você relaxa um dia antes do vestibular, medita antes de uma luta ou toma fôlego antes de entrar na sala para pedir um aumento. No filme, os soldados preparam o terreno para recepcionar as tropas persas, usando o desfiladeiro de Termópilas…


O Cinco de Bastões representa as batalhas da vida, o Saturno em Leão que vai tentar nos impedir de exercer nossa Verdadeira Vontade. Pode ser qualificado como “disputa” ou “briga” dependendo do tarólogo mas, via de regra, representa uma batalha a ser travada. O Quatro e o Cinco de Bastões trabalham na mesma linha na Árvore da Vida. No filme, várias batalhas são travadas, e os Espartanos demonstram que sua criação, desde a mais tenra idade, é forjada na Esfera de Geburah.


O Seis de Bastões, Tiferet, representa Júpiter em Leão, a Vitória merecida em um combate justo. Para se chegar ao Seis, os Espartanos mostram sua supremacia de controle emocional (Netzach) e tático (Hod) ou, descendo a Árvore, temos o equilíbrio entre a preparação (Chesed) e o Combate (Geburah) diante de tropas trazidas por Xerxes de todas as partes do mundo.


O Sete de Bastões nos avisa sobre inimigos internos ou nos prepara para que defendamos nossos ideais contra forças agressivas. Normalmente indica inimizades dentro do grupo ou pessoas questionando nossos projetos e ideias. O Sete e o Oito de Bastões trabalham na mesma linha da Árvore da Vida. No filme, o cerco se fecha sobre os guerreiros cada vez mais…


O Oito de Bastões, Ar do Fogo regido por Hod, nos avisa sobre prestar mais atenção na Intuição ao invés da Razão; ouvir os sinais e prestar atenção ao espiritual. No filme, Leonidas comete duas vezes este erro, a primeira vez ao ignorar o Oráculo e a segunda vez ao julgar Ephialtes pela razão, criando o inimigo que causará os eventos descritos no Sete de Bastões (estes dois arcanos trabalham na mesma linha dentro da Árvore da Vida).


O Nove de Bastões nos avisa para aguentarmos mais um pouco, vencermos nossos limites e ultrapassar um pouco aquela linha que nos restringe; pede para exercermos nossa vontade pois falta pouco para chegarmos aos nossos objetivos. No filme, os guerreiros fazem um último esforço para que Leonidas consiga realizar um último ataque contra Xerxes.


o Dez de Bastões, Terra de Fogo regido por Malkuth, representa o excesso de afazeres materiais influenciando os projetos espirituais. A palavra chave geralmente é “opressão” ou “sobrecarga”. Se ignorado, pode causar a Ruína (10 de Espadas). O filme nos mostra que, quando as defesas são quebradas e os exércitos de Xerxes dão a volta no desfiladeiro, nem mesmo todo o treinamento dos Espartanos consegue segurar a avassaladora quantidade dos exércitos persas.

Este post tem 17 comentários

  1. Hamilton

    Muito didático! Não tem como não aprender! Vlw Tio!

  2. Thiago

    Valeu tio, muito bom!

  3. Costa

    Quase confundi com Espadas…imagino porque…

  4. Bruno Mais

    Só um palavrão para resumir o espanto ao ver o retorno a didática como nesse post, professor!
    [ ]’s

  5. Pedro

    Ola MDD,
    Eu penso que todas as cartas estao interligadas, entao eu poderia analizar esse filme por meio dos outros naipes?

    ps: descobri uma maneira interessante de estudar taro agora!

    Agradeço!

  6. alagacone

    Imagino que os outros naipes também expliquem algo.

    Mas muito obrigado por esse!

  7. Roberts

    Excelente!

    adorei a abordagem!

  8. Emmanuel

    Ótimo, MDD.
    Tava sentindo falta de posts sobre tarot no TdC, principalmente os que analisem o “padrão” nos arcanos menores. Coincidentemente, tava pesquisando isso esses dias. Aprender tarot na decoreba não rola, entender os padrões entre as cartas facilita muito.

    Por favor, faça outros posts do tipo!

  9. Gustavo

    Se continuar a história, a mensagem de Leônidas e os 300 ao restante da Grécia simbolizaria que Kether está em Malkuth ou 1 está no 10…?

    Abraço

  10. Emmanuel

    Nunca foi tao facil entender os conceitos “abstratos” do tarot! Vlw! 😀

  11. Keller

    Então @MDD pode-se entender que cada naipe corresponde a uma forma de caminho “do herói”? A jornada “principal” das estórias, que é essa narrada por Joseph Campbell, seria a de bastões, haveriam então jornadas para moedas, espadas e cálice?

    Se sim, o senhor vai nos dar uma palhinha, como essa?

    ; ] obrigado.

  12. Danilo

    muito bom, poderiam ter mais posts explicando sobre os arcanos menores =)

  13. Vinicius

    Gratidão pelo texto, foi de grande compreensão

  14. Gustavo

    Frater, excelente a comparação. Mas, se me permite a complementação, o quatro de paus também condiz com um período de planejamento e preparação, não só de repouso e descanso. Abraços fraternos!

    1. aeioutil

      Mas “repouso e descanso” também são partes intrínsecas de qualquer missão. O fato de nain observarmos uma *ação* não significa que ela não está acontecendo. Em varios níveis, enquanto na noite que antecede a batalha o soldado afia sua espada e vai dormir, o general recebe seus líderes, analisa as últimas movimentações, as informações dos espiões, e à luz de velas, quando as mentes coletivas estão descansando, cria no mental abstrato a batalha que se concretizará em Malkuth.

      Todo mundo que já fez academia sabe que comer direito e dormir bem é tão importante para o condicionamento físico quanto “puxar o ferro”.

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