A fórmula do vazio

Sabedoria do Tao

Retirado do Tao Te Ching (*)

O Céu e a Terra não agem como nós,
eles seguem a ordem natural
lidando com todas as coisas como nós lidamos
com os cães de palha nos rituais [1].

Assim também os sábios, ao lidar com as pessoas,
não se preocupam em ser benevolentes,
mas antes em permitir que a natureza dos homens
se mova livremente.

Não poderíamos comparar o espaço entre o Céu e a Terra
a um par de pulmões gigantescos?

Esvaziam, mas sem se exaurir.
Enchem novamente…
Quanto mais trabalham, mais respiram, sem jamais cansar.

Mas quem muito fala, se esgota rapidamente.
Devemos calar e cuidar de nosso interior.
Devemos mantê-lo liberto e vazio, como a natureza.

 

***

[1] Segundo Murillo Nunes de Azevedo, os “cães de palha” eram usados em rituais antigos como sacrifício, e destroçados impiedosamente. Não se sabe se isto é uma referência a alguma espécie de artesanato, ou a animais vivos (e sacrificados). Aleister Crowley preferiu usar o termo “talismãs usados”.

Todo mês traremos mais uma passagem do Tao Te Ching…

Tao Te Ching

(*) Nesta tradução exclusiva do Tao Te Ching a partir da tradução clássica de James Legge para o inglês, Rafael Arrais (autor do blog Textos para Reflexão) usa do auxílio precioso das interpretações do ocultista britânico Aleister Crowley e do filósofo brasileiro Murillo Nunes de Azevedo para compor uma visão moderna da antiga sabedoria de Lao Tse.

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Este post tem um comentário

  1. Livio

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    A imagem dos “Cães de Palha” (??) pode ter pelo menos três significados diferentes (ainda que complementares):
    1- A Natureza (O Céu e a Terra) não faz nenhuma distinção em particular, em seu curso, para os humanos e a suas criações. Ela trata a todas as coisas, com o mesmo grau de cuidado.
    2- Os Sábios, que se espelham nesta postura, tratam a todas as coisas e a todos os homens, com igualdade, com paridade, até mesmo para as com importância aparente menor. Eles não oferecem favores, em nome de qualquer moralidade decadente e não natural.
    3- “Cães de Palha”, como artefatos sacrificiais, eram celebrados de acordo, no momento apropriado, e depois, abandonados, quando este momento passava. Mesmo um amontoado de palha, pode ser intitulado e merece reverência, no momento e local apropriados.
    No ciclo da natureza, todas as coisas tem seus momentos, e assim que esse momento passa, eles devem ser deixados. Nada na natureza, alto ou baixo, é reverenciado de forma eterna.

    @raph – Valeu Livio 🙂

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